FRENTE UNICA PAULISTA (FUP)

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Nome: FRENTE ÚNICA PAULISTA (FUP)
Nome Completo: FRENTE UNICA PAULISTA (FUP)

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FRENTE ÚNICA PAULISTA (FUP)

FRENTE ÚNICA PAULISTA (FUP)

 

Aliança política entre o Partido Democrático (PD) de São Paulo e o Partido Republicano Paulista (PRP), formada em 16 de fevereiro de 1932 para se opor à influência tenentista em São Paulo e ao Governo Provisório da República, chefiado desde 1930 por Getúlio Vargas.

Defendendo a autonomia paulista e a convocação de eleições para uma assembléia nacional constituinte, foi uma das principais articuladoras da Revolução Constitucionalista, deflagrada em 9 de julho de 1932. Após a revolução, foi substituída pela Chapa Única por São Paulo Unido, que concorreu às eleições para a Constituinte, em maio de 1933.

 

Antecedentes

Os revolucionários de 1930, ao mesmo tempo que abalaram a força política do PRP, frustraram as esperanças do PD, que havia aderido à Aliança Liberal e à revolução. Sentindo-se lesado com a nomeação do “tenente” João Alberto Lins de Barros para o cargo de interventor federal, o PD passou a mover cerrada oposição ao governo estadual.

Em 8 de abril de 1931, ocorreu o rompimento oficial entre o PD e o interventor. Após esse episódio, intensificou-se em São Paulo a campanha em defesa da autonomia estadual e da reconstitucionalização do país. Essa campanha deu origem a vários movimentos e organizações, que se multiplicaram no decorrer de 1931 e nos primeiros meses de 1932. Por outro lado, reunidos em legiões e clubes, os “tenentes” se opunham à tese constitucionalista, argumentando que o momento exigia ainda a consolidação da obra revolucionária.

Nesse quadro, visando engrossar as fileiras da oposição aos governos estadual e central, o PD procurou alianças, aproximando-se não só do PRP e de agremiações políticas como a Liga de Defesa Paulista, mas também de oficiais do Exército e da Força Pública, os quais, em sua maioria, estavam comprometidos com a causa constitucionalista e dispostos a enfrentar a luta armada.

Segundo Paulo Nogueira Filho, “desde abril de 1931, embora com alternativas diversas, conspirou-se em S. Paulo contra a ditadura, sendo o setor militar constante e brilhantemente orientado pelo general Isidoro Dias Lopes, em contato com oficiais do Exército, da Força Pública e elementos civis de núcleos formados, em sua maioria, em torno do diretor de O Estado de S. Paulo”.

Em janeiro de 1932, o PD rompeu oficialmente com o Governo Provisório. No mês seguinte, uniu-se formalmente ao PRP, constituindo a Frente Única Paulista (FUP), com o objetivo específico “de lutar, por todos os meios ao seu alcance, pela constitucionalização do país e pela autonomia de São Paulo”.

 

O manifesto da FUP

O manifesto da FUP, publicado no dia 17 de fevereiro de 1932, foi redigido por Francisco Morato, presidente do PD, e por Altino Arantes, representante do PRP. Nos termos desse documento, ficava selada a “união sagrada dos paulistas” em torno da luta pelo “restabelecimento da autonomia” de São Paulo e pela imediata reconstitucionalização do país. A nova frente política só apoiaria um interventor que tivesse como programa a efetivação de suas aspirações. Frisava ainda o manifesto que os componentes da FUP manteriam integralmente seus programas de atividade cívica e seus quadros partidários, assim como a autonomia e as prerrogativas de seus respectivos diretórios e organizações. No entanto, para que a FUP pudesse alcançar sua dupla finalidade, tornava-se imperioso “não deixar espaços para ressentimentos pessoais, preocupações subalternas ou para temas de menor importância”.

Entre democráticos e republicanos, assinaram o documento Francisco Morato, Antônio de Pádua Sales, Sílvio de Campos, Ataliba Leonel, Altino Arantes, Joaquim José Cardoso de Melo Neto, José Adriano Marrey Júnior, Joaquim Sampaio Vidal, Henrique Bayma, Vicente Rao, Aureliano Leite, Prudente de Morais Neto, Valdemar Ferreira, Paulo Nogueira Filho e outros.

 

O período pré-revolucionário

A FUP contou com a solidariedade das grandes entidades de classe do estado de São Paulo, encabeçadas pela Associação Comercial. Vinte e duas associações profissionais assinaram uma declaração de apoio irrestrito à “união sagrada de todos os paulistas”, iniciada com a aliança entre o PD e o PRP, e endossaram a seguir o convite para o comício da Liga Paulista Pró-Constituinte, marcado para o dia 24 de fevereiro de 1932 na praça da Sé.

Nessa grande concentração, falaram os líderes do PD e do PRP, destacando-se, entre os mais aclamados, Vicente Rao, Fábio de Camargo Aranha, Armando Prado e Arnaldo Cerdeira. Compareceram também o ex-interventor Laudo Camargo, acompanhado de seu antigo secretariado, e os antigos líderes perrepistas Ataliba Leonel e Altino Arantes. Discursaram, entre outros, José Carlos de Macedo Soares, representante da “indústria, do comércio e da lavoura”, ou seja, das chamadas “classes conservadoras”, Francisco Egídio Fonseca Teles, em nome das “classes liberais”, e João Batista de Azevedo Lima, pelo Clube 24 de Fevereiro, associação recém-criada no Rio de Janeiro para defender a causa constitucionalista. O comício foi encerrado por Renê Veiga, que discursou em nome das “classes trabalhadoras”, e por Maximiliano Ximenes, representante da Liga Paulista Pró-Constituinte. Consagrada publicamente, a FUP teve de enfrentar a oposição do Partido Popular Paulista, criado no início do ano por Miguel Costa para substituir a Legião Revolucionária de São Paulo. Recebeu por outro lado o apoio da Frente Única Gaúcha (FUG), que, em 11 de maio de 1932, reafirmou num pacto escrito sua solidariedade até a implantação de um governo constitucional. A FUG comprometeu-se ainda a “não aceitar nenhum acordo com o governo ditatorial sem a anuência da FUP e sem que, a aprazimento dela, [estivesse] resolvido o caso do governo de São Paulo”.

 

A FUP e a Revolução de 1932

A formação da FUP concorreu diretamente para a união dos esforços de pequenos grupos que quase sempre agiam de maneira isolada. De imediato, iniciaram-se os contatos dos constitucionalistas com a tropa e com os fabricantes de armas. A partir de março de 1932, intensificaram-se os trabalhos de arregimentação de civis e militares para a luta armada.

O comando supremo do levante continuou a cargo do general Isidoro Dias Lopes, “alma e cérebro do movimento armado”. Os civis se aglutinavam em torno da FUP, formada por “revolucionários autênticos, merecedores da mais absoluta confiança do povo paulista”. O estado-maior revolucionário finalmente se organizou, com o coronel Euclides Figueiredo representando o Exército, Edgar Batista Pereira o PRP, Marcos Mélaga o PD e o capitão Tenório da Rocha Marques, por designação do coronel Júlio Marcondes Salgado, representando a Força Pública.

Deflagrada a revolução em 9 de julho, os constitucionalistas foram derrotados mas a FUP não se dissolveu. Em 1933, substituída pela Chapa Única por São Paulo Unido, apresentou candidatos às eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, derrotando os representantes tenentistas e operários. Após a vitória eleitoral de 1933, entretanto, os dois partidos oligárquicos que haviam formado a FUP decidiram separar-se.

Vera Calicchio

 

 

FONTES: ARQ. OSVALDO ARANHA; BASBAUM, L. História; CARONE, E. República nova; CARONE, E. Revoluções; JARDIM, R. Frente; NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; SKIDMORE, T. Brasil.

 

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