Anita Aline Albuquerque Costa

Entrevista

Anita Aline Albuquerque Costa

Entrevista realizada no contexto do projeto "Memória da assistência social no Brasil: constituição de banco de entrevistas", desenvolvido em convênio com o Ministério da Previdência e Assistência Social através de sua Secretaria de Estado de Assistência Social, entre 2001 e 2002, com o objetivo de constituir um acervo de depoimentos sobre o tema a ser disponibilizado no CPDOC e no Centro de Referência e Estudos da Assistência Social. A escolha da entrevistada justificou-se, entre outras coisas, por ter participado de projetos de assistência social desde os anos 1950, tendo sido uma das responsáveis pela reestruturação da Legião Brasileira de Assistência (LBA) em Pernambuco após 1964
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Angela Maria de Castro Gomes
Dulce Chaves Pandolfi
Data: 16/3/2002
Local(ais):
Recife ; PE ; Brasil

Duração: 3h40min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Anita Aline Albuquerque Costa
Nascimento: 6/1/1930; Recife; PE; Brasil;

Formação: Assistente Social.
Atividade: Professora aposentada da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE.

Equipe

Levantamento de dados: Angela Maria de Castro Gomes;Dulce Chaves Pandolfi;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Angela Maria de Castro Gomes;Dulce Chaves Pandolfi;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Agamenon Magalhães;
Aliança para o Progresso (1961);
Anita Aline Albuquerque Costa ;
Assistência social;
Cid Sampaio;
Comissão do Vale do São Francisco;
Educação de adultos;
Fundo das Nações Unidas para a Infância ;
Hélder Câmara (Dom);
Igreja Católica;
Legião Brasileira de Assistência;
Ligas camponesas (1955-1964);
Menor carente;
Movimento de Cultura Popular (1960 - 1964);
Paulo Reglus Neves Freire ;
Serviço de Alimentação da Previdência Social;

Sumário

Entrevista: 16.03.2002
Fita 1-A: Ingresso e trajetória na profissão de assistente social; informações sobre o pai; origem social; primeiros estudos: colégios públicos e Curso Normal; curso de Nutrição em escola americana (Ceará, 1949); trabalho no Juizado de Menores; trabalho com Dr. Nelson Chaves, no serviço de Merenda Escolar da Secretaria de Saúde do estado de Pernambuco; governo Barbosa Lima (1946-50); casamento; exoneração do seu cargo na Secretaria de Saúde e saída de Recife (1950); retorno ao Recife e renomeação (1957); mudanças na política da Merenda Escolar: distribuição de leite causava cegueira infantil; trabalho na Campanha Nacional de Merenda Escolar organizada pelo MEC; realização do curso de Assistência Social e ingresso na Legião Brasileira de Assistência - LBA (1962); experiências pessoais enquanto aluna da Escola Pinto Júnior; aquisição do título de Visitadora de Alimentação; sensibilidade para questões sociais; inscrição e seleção para o curso de Nutrição (através de Torres Galeão); informações sobre esse curso: regime de internato, atividades desenvolvidas, alunas, organização interna, currículo, recebimento de bolsa de estudos; trabalho social no Juizado de Menores: atuação junto ao Doutor Rodolfo Aureliano; informações sobre a personalidade, as realizações e os projetos do Doutor Rodolfo Aureliano.

Fita 1-B: Informações sobre o programa alternativo de auxílio ao menor, idealizado pelo Doutor Rodolfo Aureliano; gosto pelo trabalho que desempenha junto ao Juizado (visitas a famílias carentes); oposição da mãe pelo risco que corria; nomeação para o cargo de dietista da Secretaria de Saúde (interferência de padre Simões Barbosa de Arcoverde); informações sobre o bairro do Coque em Recife; reconhecimento do Assistente Social pela população pobre; trabalho no bairro do Santo Amaro pela LBA; situação dos abrigos e da legislação de menores nos anos 1940-50; política de colocação familiar: autoritarismo e arbitrariedades; curso de Nutrição do SAPS (Serviço de Alimentação da Previdência Social); admiração pelo professor Dante Costa; comparações entre os cursos de Nutrição realizado no Ceará e o do SAPS; retorno ao Recife e ao trabalho na Merenda Escolar; chegada do filho; informações sobre o marido; formação religiosa.

Fita 2-A: Opiniões sobre a militância católica; a militância das "neolistas" da Escola de Serviço Social do Recife; ingresso na Escola de Serviço Social: entrevista com Lourdes Moraes; opiniões do pai sobre Agamenon Magalhães; influência da Professora Dolores Coelho em sua visão política e social; exigências morais que recaíam sobre as alunas da Escola de Serviço Social: mentalidade moralista das professoras; informações sobre a Escola de Serviço Social: qualidade do curso, professores, currículo; relação com a professora Hebe Gonçalves: admiração, influências, desentendimentos; as professoras Lourdes de Moraes, Dolores Coelho e Glória Andrade Lima são enviadas ao Rio para fazer o curso do Instituto de Educação Familiar e Serviço Social; presença e influência do Serviço Social belga no Brasil; elevado nível social das primeiras alunas de Serviço Social no Rio e em São Paulo; publicação do livro "Serviço Social e Relações Sociais" desagrada Nadir Kfouri, assistente social "quatrocentona" paulista; assistência social como ocupação das "moças de bem", devido à inconveniência das outras profissões; o "chique" congresso de Assistência Social realizado em Pernambuco nos anos 50; oposição feita à Escola do Rio, devido ao caráter moral de sua diretora; envolvimento da Assistência Social com a Igreja Católica; Escola de Pernambuco é a única ESS leiga do norte-nordeste, mas professores ateus não são aceitos na Escola; financiamento da Escola de Serviço Social; sede da Escola: sede própria garantida pela LBA; baixa remuneração e alto prestígio dos professores da Escola; convênio da Escola com a SUDENE e com o Unicef; experiência como aluna da Escola de Recife em dois momentos distintos: nos anos 50 e nos anos 60; mudanças ocorridas no Serviço Social neste período; influência do Serviço Social europeu: a belga Mlle. Baers dá lições às brasileiras; críticas à concepção européia de Serviço Social: o modelo "ajustador".

Fita 2-B: Relações e distinções entre serviço, ação e assistência sociais; o Serviço Social dos anos 1940/50: a prática do assistencialismo, a não consideração dos conflitos de classes, e seu caráter não revolucionário; a visão da professora Dolores Coelho sobre o Serviço Social: oposição ao autoritarismo, valorização da ação social e visão mais transformadora; o Serviço Social do Pós- Guerra: a influência americana, através do Plano Marshall, muda as concepções dominantes no Serviço Social brasileiro; transformações curriculares na Escola de Serviço Social de Recife em função da orientação norte-americana; o modelo "psicologizante" americano: o Serviço Social de Grupo e o Desenvolvimento de Comunidade; a Escola de Serviço Social de Recife sob a direção da Professora Hebe; o envolvimento do professor Paulo Freire com o Desenvolvimento de Comunidade; as influências do SESC, SESI, SENAI sobre a Escola de Recife, nos anos 60; os professores da Escola visados pelo governo após o movimento militar de 1964; o discurso de formatura (1961); o ingresso na LBA (1962); já formada, a experiência de supervisão na Escola de Serviço Social; sua indicação para fazer o curso de aperfeiçoamento para docentes de Serviço Social da ABESS (Associação Brasileira de Ensino de Serviço Social), em 1966; Maria Amália, diretora da ABESS, era então apontada como "dedo-duro da Revolução"; a entrada na Escola de Recife como professora de Serviço Social de Grupo; informações sobre o curso de aperfeiçoamento da ABESS: qualidade do ensino, professores, localização, os "grupos operacionais"; teoria Rogeriana orienta a atividade dos grupos operacionais; participação de freiras no curso de aperfeiçoamento da ABESS.

Fita 3-A: Colegas do curso de aperfeiçoamento; associação entre Serviço Social e Igreja; Escolas de Serviço Social integradas a Universidades; importância do curso de Aperfeiçoamento da ABESS em sua formação; afirmação de que o curso de Aperfeiçoamento era "montado mais à direita"; importância do professor Francisco Falcon, que transmite uma nova visão da História; o valor do conhecimento histórico para o assistente social; a atuação de Maria Amália no curso de Aperfeiçoamento; participação nas conferências da ABESS; reestruturação nacional da LBA em 1966: sua participação e a de Nadir Kfouri, da PUC de São Paulo; trabalho na FEBEM (Recife, 1967); envolvimento no Programa de Habitação Popular do governador de Pernambuco, Cid Sampaio; transformação da Fundação da Promoção Social em Movimento de Cultura Popular, durante o governo Arraes (1962); seu envolvimento na fundação da FEBEM no Recife; seu ingresso na LBA (1962); o ingresso no mestrado em São Paulo para acompanhar o marido; a LBA facilita sua ida para o mestrado; o ensino de Serviço Social em São Paulo a desagrada; observações sobre o mestrado e sobre a professora Bernardete Lates; dissertação de mestrado e insatisfações; o movimento de reconceituação do Serviço Social em 1965; a demissão da LBA, em 1975, devido aos aborrecimentos que crescem a partir de 1971.

Fita 3-B: Funcionamento da LBA antes do movimento militar de 1964: execução direta, má condição e falta de registro do patrimônio; recursos da Loteria Esportiva para a Assistência e para a LBA: muitos recursos em 1968; críticas e dificuldades em relação ao funcionamento da LBA durante o governo Arraes: distribuição de alimentos para a Aliança pelo Progresso e assistencialismo; reação a essa política e transferência para o ambulatório da LBA: críticas ao ambulatório; período do projeto "Chapéu de Palha" e ebulição do movimento das Ligas Camponesas (1962- 64); críticas ao programa de distribuição de leite de Madalena Arraes; críticas à gestão de Madelena Arraes na LBA; chefia da Divisão de Serviço Social, em 1967, e proposição de trabalho com a sociedade, através de convênios (modelo de execução indireta); reforma da LBA em 1965: sua participação nos debates "como se fosse uma pessoa da Revolução"; reunião realizada no Rio de Janeiro para discutir os novos rumos da LBA: críticas à antiga estrutura; constituição de uma equipe de planejamento para a reestruturação da LBA; nova estrutura das diretorias da LBA: um Diretor Geral, uma Procuradoria e três Divisões Técnicas; experiência enquanto chefe da Divisão de Serviço Social: trabalho com a sociedade, amizade com o Diretor Geral Edésio Paes Barreto e recuperação do patrimônio da LBA; a experiência de execução indireta: convênios com a Escola de Serviço Social, prefeituras, dioceses; o trabalho com Dom Hélder Câmara e Dom Francisco Nerofe; crítica à experiência: não houve projetos de capacitação para que as entidades conveniadas realizassem suas atividades; o exemplo dos convênios para o saneamento de bairros pobres; o "endurecimento" da LBA a partir dos anos 70.

Fita 4-A: Mulheres de oficiais tornam-se voluntárias da LBA: é encarregada da capacitação dessas senhoras; assistência realizada fora da sede da LBA: casarão abandonado no bairro do Santo Amaro torna-se centro de atendimento; observação das restrições que passa a sofrer devido a sua amizade com Dom Hélder Câmara; motivos para seu afastamento da LBA; a LBA é incorporada ao ministério da Previdência Social no governo Geisel; comentários sobre a trajetória e a extinção da LBA: órgão "politiqueiro" até 1964 e autoritário após isso, que deveria ter sido extinto há mais tempo; opiniões sobre o Projeto Casulo: a intenção era boa mas faltava monitoramento; faltava monitoramento também na FEBEM: os internos não eram registrados durante os anos 70; a assistência à criança entendida não só como internamento, mas auxílio à família; a importância e falhas do atendimento indireto; o trabalho na Universidade Federal de Pernambuco; o trabalho de supervisão no sistema penitenciário; as opiniões sobre a LEP (Lei de Execuções Penais): questões do trabalho penitenciário e da visita íntima; as insuficiências do sistema penitenciário: incapaz de promover a ressocialização do encarcerado; doutorado em São Paulo (1986): dissertação sobre as relações sociais no campo; assume cargo de chefe do Departamento de Serviço Social da UFPE (por volta de 1978) e monta um projeto de Mestrado de Serviço Social; assessoria na CODEVASF (Comissão do Desenvolvimento do Vale do São Francisco); coordenação do Mestrado e projeto de criação do doutorado na UFPE, implementado nos anos 90; projetos atuais: policiamento comunitário, coordenação de mestrados em Petrolina; não envolvimento direto com a LOAS (Lei Orgânica do Assistente Social); opiniões sobre o projeto Comunidade Solidária.

Fita 4-B: Opiniões sobre o projeto Comunidade Solidária; comentários sobre a profissão de assistentes social: trajetória, importância, evolução; observações finais.
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