Antônio Seabra Moggi

Entrevista

Antônio Seabra Moggi

Entrevista realizada no contexto do projeto "Memória do setor petrolífero no Brasil: a história da Petrobrás", na vigência do convênio entre o CPDOC/FGV e o SERCOM/Petrobrás (1987-90). O projeto resultou no catálogo de entrevistas "Memória da Petrobrás: acervo de depoimentos", Rio de Janeiro: Sercom/Petrobras, 1988, 142p e no livro "A questão do petróleo no Brasil: uma história da Petrobrás", de autoria de José Luciano Dias e Maria Ana Quaglino (Rio de Janeiro, FGV/Petrobrás, 1993). Este livro possui apenas trechos de algumas entrevistas e está disponível para download: clique aqui A escolha do entrevistado se justificou pelo seu cargo como químico e funcionário da Petrobras, a partir de 1955. Foi também fundador e primeiro diretor do centro de pesquisas da companhia. A entrevista foi também utilizada no livro ENTRE-VISTAS: abordagens e usos da história oral. / Marieta de Moraes Ferreira (Coordenação); Alzira Alves de Abreu... [et al]. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getulio Vargas, 1998. 316p. il. Este livro possui apenas trechos de algumas entrevistas e está disponível para download: clique aqui
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Margareth Guimarães Martins
José Luciano de Mattos Dias
Data: 19/1/1988 a 3/11/1988
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 12h20min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Antônio Seabra Moggi
Nascimento: 20/12/1920; Turim; --; Itália;

Formação: Química Industrial pela Escola Nacional de Química em 1944. Realizou cursos de pós-graduação em Engenharia Química, na Venderbilt University e em Administração no Massachussetts Institute of Technology (Mit), nos Estados Unidos.
Atividade: Criador e Primeiro Líder do Centro de Pesquisas da Companhia. Em setembro de 1947 foi contratado como químico especializado pelo Conselho Nacional de Petróleo (CNP), passando a exercer as funções de oficial-de-gabinete do Presidente do Conselho. Foi secretário-Executivo da Comissão de Constituição da Refinaria Nacional de Petróleo S.A.-MATARIPE (1948-1949). Foi chefe de Planejamento e Membro da Comissão de Construção da Refinaria de Cubatão (1950-1952). Com a instalação da Petrobrás, transferiu-se para a empresa. Em 1955, com a função de superintendente do então criado Centro de Aperfeiçoamento e Pesquisa do Petróleo (CENAP). Afastou-se da Petrobras entre 1962 e 1964 e retornou em seguida às suas funções no CENAP. Alterado o CENAP para Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CENPES), manteve-se na superintendência até 1980. Foi chefe do Escritório da Petrobras em Nova Iorque (1980-1984), Consultor da Presidência da Petrobrás (1984-1985), e Vice-Presidente da BRASPETRO.

Equipe

Levantamento de dados: Margareth Guimarães Martins;José Luciano de Mattos Dias;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Margareth Guimarães Martins;José Luciano de Mattos Dias;

Conferência da transcrição: José Luciano de Mattos Dias;

Copidesque: Maria Izabel Penna Buarque de Almeida;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: José Luciano de Mattos Dias;

Temas

Ademar de Queiroz;
Alcool;
Antônio Seabra Moggi;
Arthur Levy;
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico;
Campanha do petróleo (1948-1953);
Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva;
Centros de pesquisa;
Ciência e tecnologia;
Conselho Nacional do Petróleo;
Construção civil;
Crises econômicas;
Departamento Administrativo do Serviço Público;
Empresas estatais;
Empresas estrangeiras;
Empresas privadas;
Engenharia;
Ensino superior;
Escola Nacional de Química;
Escola Superior de Guerra;
Estado Novo (1937-1945);
Estados Unidos da América;
Estatização;
Francisco Mangabeira;
Geologia;
Getúlio Vargas;
Golpe de 1937;
Golpe de 1964;
Gustavo Capanema;
Hélio Beltrão;
Indústria;
Indústria petroquímica;
Instituto Nacional de Propriedade Industrial;
Jânio Quadros;
João Carlos Barreto;
João Goulart;
Leopoldo Miguez;
Mário Leão Ludolf;
Mercado;
Militares;
Nacionalização;
Nova República;
Pesquisa científica e tecnológica;
Petrobras;
Petróleo;
Plínio Cantanhede;
Política energética;
Política industrial;
Produtos químicos;
Professores estrangeiros;
Química;
Racismo;
Revolução de 1930;
Segunda Guerra Mundial (1939-1945);
Universidade Federal do Rio de Janeiro;

Sumário

1a Entrevista: 10/01/1988
Nascimento na Itália durante a viagem de núpcias dos pais; origem e casamento dos pais; a vida do Rio de Janeiro na década de 30; a escola pública na Ilha do Governador; o ginásio no Colégio São Bento; o interesse pela química; o curso preparatório no Colégio Universitário e o vestibular; a entrada para a Escola Nacional de Química em 1941; a estrutura do curso e os professores, a precariedade das instalações da escola; o curso voltado para o estudo de tecnologias; término do curso em 1944 e ida para os Estados Unidos: curso de engenharia química na Vanderbilt University; colegas de turma na Escola de Química: Kurt Politzer, Carlos Eduardo Paes Barreto, Gabriel Francis etc; percepção da indústria brasileira à época: insipiência, carência de capitais e de tecnologia; morte dos avós maternos, proprietários da América Fabril, com a herança recebida o entrevistado monta uma indústria de artefatos de concreto; problemas com a indústria: crise de combustível e de matéria-prima no final da guerra; o ambiente político: recordações da Revolução de 30 e do golpe de 37; avaliação positiva das transformações trazidas por Getúlio Vargas, importância da legislação trabalhista; a repressão durante o Estado Novo; participação no diretório da Escola de Química e no Diretório Central dos Estudantes; relacionamento com Gustavo Capanema; colegas de diretório: Paes Barreto, João Neder, Hélio de Almeida; manifestações pela democracia e contra a ditadura varguista; a queda de Getúlio em 1945; impressões da campanha pela entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial e atividades no CPOR; lembranças da guerra; as restrições de combustível na época da guerra; o estado da exploração do petróleo à época, as alternativas utilizadas, o gasogênio; as experiências com óleos vegetais na Escola de Química; as experiências com o álcool, a situação atual do Programa do Álcool; a viagem para os Estados Unidos em dezembro de 1944; impressões da sociedade americana: ética, estímulo à independência e à criatividade; o problema do racismo nos Estados Unidos; a situação racial brasileira; o ambiente de liberdade; a mudança do padrão educacional no Brasil do francês para o americano; o curso de engenharia química nos Estados Unidos; a passagem pelo MIT para estudo de administração de engenharia e negócios; o estudo intensivo e a experiência com o ensino de organização e métodos no MIT; a volta para o Brasil e as decepções do entrevistado com sua indústria de artefatos de cimento; o convite de Carlos Eduardo Paes Barreto e Leopoldo Miguez de Mello para o CNP; a ida para o CNP em 1947; oficial-de-gabinete do presidente do CNP, general João Carlos Barreto; participação na Comissão de Constituição da Refinaria Nacional de Petróleo S.A; a licitação para a compra da refinaria; estrutura e funcionamento do CNP; os componentes de Comissão: Mário Leão Ludolf, coronel Milton Araújo e Plínio Cantanhede; o funcionamento da Comissão; a escolha da The M. W. Kellogg para a construção da refinaria; os problemas da construção; a diretriz de nacionalização de equipamentos e as dificuldades para sua implementação; o acompanhamento do trabalho dos técnicos americanos feito por brasileiros, a preocupação em apreender a nova tecnologia; o estágio da mão-de-obra local na Bahia; os problemas com as obras de engenharia civil realizadas pela empresa brasileira; o trabalho de qualificação da mão-de-obra; as dificuldades de administração das obras em virtude das normas antigas do serviço público; as possibilidades de flexibilidade; a polêmica em torno do caráter da administração da Refinaria Nacional de Petróleo S.A.; estrutura e o funcionamento do CNP; a necessidade de flexibilidade para administração da indústria do petróleo; os problemas com a interferência do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP); a importância da concepção definida por Hélio Beltrão; a descentralização e as subsidiárias: o imperativo da responsabilidade; a influência das administrações realizadas por militares: a proteção contra o clientelismo político e o desvirtuamento nas noções descentralizadoras originais; os presidentes da empresa: civis e militares; o pós-64

2a Entrevista: 05/02/1988
Funcionamento do CNP em 1947: plenário, presidência e divisões; a decisão da construção de Mataripe; o poder decisório da presidência do CNP; os planos para a expansão de Mataripe; a organização para a construção da refinaria: as comissões especiais; a Comissão de Constituição da Refinaria Nacional de Petróleo: Mário Leão Ludolf, Plínio Cantanhede e o coronel Mílton Araújo; participação do entrevistado como secretário da Comissão; os projetos para a refinaria e a escolha da The M.W. Kellogg; o tipo de contrato firmado com a Kellogg: o compromisso com o treinamento dos técnicos brasileiros; as dificuldades com as especificações do projeto; a escolha da firma nacional para as obras de engenharia civil; o emprego de equipamentos nacionais na construção da refinaria; a pressão política sobre o CNP à época do Estatuto do Petróleo; a divisão existente no CNP quanto à política do petróleo; a repercussão da campanha " O petróleo é nosso" dentro do CNP e a posição do corpo técnico; os assessores norte-americanos do CNP: a atuação de Walter Link; a formação e a personalidade do geólogo de petróleo, o início dos cursos de geologia de petróleo no Brasil; a relação com Universidade para a implantação dos cursos; o apoio exterior: professores americanos, franceses e canadenses selecionados com a ajuda do deão da Universidade de Stanford; o início dos cursos na Universidade da Bahia; geologia e engenharia de petróleo na Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro: curso de refinação de petróleo; a transferência de tecnologia nas fases iniciais de construção e operação de Mataripe, a importância dos cursos neste processo; a necessidade de alteração dos horários de trabalho e das formas de remuneração: maior flexibilidade na operação dos cursos e dos processos industriais; as resistências da burocracia do serviço público; a seleção dos candidatos para os cursos instalados; a estrutura dos cursos; os problemas com a evasão dos formados para a iniciativa privada; a continuação do aperfeiçoamento no estrangeiro, nas universidades e nas indústrias; a colaboração das empresas estrangeiras para a formação e treinamento dos técnicos; os problemas com a transferência de tecnologia; a mensagem da estrutura para a pesquisa .

3a Entrevista: 24/02/1988
Entrada no CNP em julho de 1947 como oficial-de-gabinete do presidente do Conselho; participação no projeto preliminar do Oleoduto Santos - São Paulo; descrição dos problemas da construção do oleoduto, o trabalho dos projetista; a contratação das firmas estrangeiras para o projeto final e construção; a vinculação com a Estrada de Ferro Santos - Jundiaí: a incapacidade do setor público de administrar um empreendimento industrial; secretário-executivo da Comissão de Constituição da Refinaria Nacional de Petróleo; o porquê das comissões especiais para a administração dos projetos industriais; perfil do general João Carlos Barreto; a capacidade técnica como requisito para o trabalho administrativo; participação na elaboração do primeiro estudo para a instalação de uma unidade de produção de amônia; os problemas do planejamento da produção no Brasil; o papel de Leopoldo Miguez de Mello na concepção da indústria petroquímica brasileira; a atuação das multinacionais no processo de constituição da indústria petroquímica brasileira; a luta contra os entraves burocráticos: o problema da administração; os controles excessivos ou ineficazes; o início do trabalho como membro do setor de planejamento da Comissão de Construção da Refinaria de Cubatão; a demissão de João Carlos Barreto e a nomeação de Plínio Cantanhede para a presidência do CNP; o general Albuquerque Lima na chefia da Comissão de Construção da Refinaria de Cubatão; o trabalho de análise dos projetos de construção; a escolha da Hydrocarbon para a realização dos projetos; a escolha dos fornecedores de equipamentos; a demora da construção da refinaria; a realização do projeto pela Hydrocarbon; o desligamento da Comissão de Construção da Refinaria de Cubatão para a criação do Setor de Supervisão de Aperfeiçoamento Técnico; o trabalho em conjunto com Atos da Silveira Ramos, Kurt Politzer, Leopoldo Miguez de Mello e Cristóvão Cardoso; o problema da formação do pessoal de nível superior; a transferência dos conhecimentos tecnológicos; a estrutura de administração da construção da Refinaria de Cubatão; os problemas de adaptação dos técnicos brasileiros aos novos procedimentos industriais; a necessidade dos cursos especializados organizados pelo CNP; os acordos firmados com as universidades para a realização dos cursos; a criação da Petrobrás e a transformação do Setor de Supervisão de Aperfeiçoamento Técnico em Cenap; perfil de Plínio Cantanhede e sua atuação como presidente do CNP; visão de Plínio Cantanhede sobre a Petrobrás; transferência de bens, serviços e pessoal do CNP para a Petrobrás; o pedido de demissão de Hélio Beltrão e os motivos da permanência do entrevistado na empresa; a presidência Arthur Levy na Petrobrás; as conseqüências das administrações de militares na Petrobrás: os problemas de desempenho empresarial provocados pela centralização excessiva; os problemas decorrentes da centralização para a operação no exterior; a necessidade da formação de gerentes; a transformação dos melhores técnicos nos gerentes da empresa; a criação de um novo órgão para a formação de gerentes: o Setor de Desenvolvimento de Recursos Humanos (Sedes); as ampliações do monopólio para a atuação gerencial; Hélio Beltrão na presidência da empresa na Nova República: os esforços para restabelecer a descentralização que pretendeu implantar quando diretor em 1954; as interferências políticas e a desistência de Hélio Beltrão; a resistência das diretorias à descentralização: os problemas de coordenação daí decorrentes; a repetição dos problemas nas subsidiárias; a decisão de constituir um centro de pesquisas; o apoio dos diretores ao projeto: Hélio Beltrão e Leopoldo Miguez de Mello; a criação do Cenpes a partir do Cenap; os problemas da organização do Cenpes; a relação com a Universidade Federal do Rio de Janeiro; as tendências futuras para o Cenpes; exploração, tecnologia industrial e petroquímica; o juízo pessimista sobre a Universidade e o estímulo da Petrobrás.

4a Entrevista: 02/03/1988
A experiência de construção da Refinaria de Cubatão, o trabalho em conjunto com Plínio Catanhede, Leopoldo Miguez de Mello e o coronel Imbiriba Guerreiro; problemas com as especificações de materiais e equipamentos; atritos entre Arthur Levy e o general Stênio Caio de Albuquerque Lima: a passagem do Oleoduto Santos - São Paulo pelo canteiro de obras da Refinaria de Cubatão; problemas decorrentes da administração militar da construção; saída do entrevistado da Comissão de Construção pouco antes do início da operação da refinaria para a constituição do Setor de Supervisão de Aperfeiçoamento Técnico; objetivos do setor; cursos iniciais; a criação do Cenap e o sucesso de seu desempenho na formação de técnicos e administradores; a seleção dos alunos; o convite aos professores estrangeiros; o caráter pragmático dos cursos; a solução do problema de escassez de recursos do CNP com a criação da Petrobrás; o esforço de convencer a diretoria da importância da iniciativa; o sucesso comprovado da iniciativa; a progressiva centralização e seus aspectos negativos; as tentativas de formação de pessoal de nível médio e seus problemas; a nacionalização dos equipamentos na construção da Refinaria de Cubatão; a prioridade dada à constituição do parque de refino; o impacto sobre a produção industrial; a necessidade de ampliação e modernização do parque de refino logo após sua constituição: processamento dos diversos tipos de óleo, sofisticação do craqueamento; o processo de politização da empresa no início dos anos 60; os problemas administrativos, as conseqüências da organização verticalizada; a demissão do entrevistado no período da presidência de Francisco Mangabeira; volta ao CNP como adido à Divisão Técnica; a caracterização da empresa estatal: seu duplo papel e sua importância para o desenvolvimento regional e para a segurança nacional; os controles da União sobre a empresa estatal; os excessivos controles no presente; a progressiva burocratização da Petrobrás; o funcionamento em regime de monopólio; a diversidade de eficiência nos diferentes setores da empresa e nas subsidiárias; a atuação prejudicial do governo na determinação de políticas às empresas estatais; a ausência de uma política industrial clara e suas repercussões; os prejuízos da Petrobrás com as indefinições do governo; a formulação das metas e objetivos pela própria empresa: a experiência do planejamento no campo da refinação, da perfuração e produção de petróleo, e do desenvolvimento de recursos humanos; os problemas adicionais trazidos pela transição política e pela crise econômica.

5a Entrevista: 21/04/1988
Posição contrária ao estatismo: o Estado é mau empresário; origem das empresas estatais: tentativa de fugir à burocratização das entidades públicas; sua função: suprir a incapacidade do setor privado em desenvolver um setor considerado importante pelo governo; duas áreas prioritárias: desenvolvimento regional e segurança nacional; a estatização indevida das empresas em débito com o governo e com dificuldades de operação: atuação do BNDE; a intromissão indevida do governo nas estatais de sucesso: Vale do Rio Doce, Petrobrás, Eletrobrás; os limites da operação estatal, a análise de cada caso: na distribuição, na petroquímica; a questão da eficiência da empresa estatal: o aspecto decisivo dos recursos humanos; as várias "ilhas" de ineficiência da Petrobrás, o exemplo do desenvolvimento de recursos humanos na área gerencial: a solução do problema; as possibilidades de comparação entre as empresas privadas e públicas na questão da eficiência; a Petrobrás como sistema de empresas e a necessidade de descentralização: a clareza das metas de planejamento, o controle pelos resultados e a eficiência gerencial; a origem das metas para a empresa; os problemas do planejamento interno frente à situação econômica e às influências políticas: o Programa do Álcool; a empresa estatal deve propor metas definidas para sua operação e coordenação com as metas estratégicas governamentais; a falta de coerência no desempenho do governo e os prejuízos causados às empresas estatais; a entrada do entrevistado na Petrobrás a convite de Hélio Beltrão: continuar na empresa a atividade de formação de profissionais especializados levada a cabo no âmbito do CNP; a demissão de Hélio Beltrão com a eleição de Juscelino; caracterização de Jânio Quadros e João Goulart; o processo de politização da empresa; a saída do entrevistado durante a presidência de Francisco Mangabeira; visão geral da evolução da empresa a partir de 1954; a indicação do entrevistado, feita pelo Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), para cursar a Escola Superior de Guerra (ESG); os primeiros problemas com a administração Francisco Mangabeira; o prosseguimento dos desmandos; a assinatura de um abaixo-assinado interno contra a administração de Mangabeira e a volta ao CNP como punição; atritos com o presidente do CNP, Carlos Meirelles, quanto ao problema do teto de produção das refinarias privadas; a demissão do entrevistado; a seqüência dos presidentes da Petrobrás após a saída de Mangabeira; o retorno do entrevistado à Petrobrás a pedido do general Arthur Levy após 1964; os problemas que encontrou no Cenap em seu retorno; as comissões de inquérito internas após o movimento militar de 64, a importante atuação do general Ademar de Queiroz para a sobrevivência da empresa; novas considerações sobre o Cenap: o retorno dos professores estrangeiros a seus países, os problemas com a formação excessivamente teórica dos cursos universitários; a estrutura do Cenap; a regionalização dos centros de treinamento; os primeiros passos para a centralização da pesquisa na Petrobrás; a necessidade de organização para o desenvolvimento tecnológico; a concepção do Cenpes.

6a Entrevista: 28/04/1988
Caracterização do curso da ESG; objetivos e organização do curso; composição e número de integrantes das turmas; assuntos estudados: os campos político, militar, social e científico-tecnológico; o estudo da conjuntura da Escola, as viagens e visitas durante o curso; o tratamento do problema tecnológico durante o curso, suas relações com o problema educacional; a discussão do aperfeiçoamento gerencial; a criação e os objetivos do IBP; a criação do Cenpes e a extinção do Cenap.

7a Entrevista: 21/07/1988
A experiência de pesquisa no momento da criação do Cenpes; o estudo realizado sobre as organizações de pesquisa internacionais; a necessidade de se levar em conta as condições próprias do Brasil; a ênfase do Cenpes nos processos industriais e, em menor escala, no campo da pesquisa e exploração de petróleo; o trabalho de convencer a diretoria da Petrobrás da viabilidade do projeto de instalação do Cenpes; as condições indispensáveis para o funcionamento de um centro de pesquisas; o apoio do diretor Leopoldo Miguez de Mello; a contratação de uma empresa norte-americana de consultoria para estudar as possibilidades de instalação do Cenpes; a decisão tomada; o problema da localização; o insucesso da vinculação inicial do Cenpes com o Departamento Industrial; a vinculação do Cenpes à Diretoria Executiva logo depois; o acordo com a UFRJ e a localização definitiva na Ilha do Fundão, a idéia de uma divisão do trabalho com a Universidade: pesquisa tecnológica no Cenpes e pesquisa básica a cargo da Universidade; a concepção de funcionamento do Cenpes; a organização matricial com ênfase nos grupos-tarefas; a adaptação do projeto arquitetônico às concepções de funcionamento do Cenpes; o imperativo da geração própria de tecnologia; a compra dos processos industriais e equipamentos como ponto de partida para o desenvolvimento próprio; a evolução da estrutura organizacional do Cenpes; a importância da criação da Divisão de Engenharia Básica e a relação com as empresas de engenharia nacionais na área de projetos; o contato com as empresas nacionais privadas; o recrutamento dos técnicos no setor de engenharia básica e nos setores industrial e de exploração; os processos do Cenpes na elaboração de novos processos tecnológicos; a relação com os institutos de pesquisa da Universidade; os problemas enfrentados nesta relação com a Universidade; a ampliação da área de atuação do Cenpes em meados da década de 70, a melhora dos contatos com os departamentos da Petrobrás; os estudos de viabilidade econômica dos projetos elaborados; o contato do Cenpes com as instituições de pesquisa estrangeiras; a evolução da qualificação do pessoal técnico e científico do Cenpes; os projetos de ampliação desenvolvidos atualmente; a criação de centros de pesquisa regionais; os recursos à disposição do Cenpes, orçamentários e especiais; as pesquisas contratadas pelas subsidiárias e pelo setor privado; os critérios de seleção dos projetos desenvolvidos; a área dos serviços técnicos; a decisiva importância dos recursos humanos; uma avaliação do desempenho do entrevistado como superintendente do Cenpes; a formação de um espírito de corpo; as resistências iniciais ao trabalho do Cenpes nas unidades industriais e a superação dessas resistências; as características próprias da administração de pesquisa, o relacionamento com os pesquisadores; os importantes progressos na área da engenharia básica, das refinarias às plataformas de exploração; o problema do conhecimento e da informação na compra de tecnologia e serviços: os progressos possibilitados pelo Cenpes; os problemas de desempenho recente da Petrobrás; o relacionamento com o setor privado: o papel do Serviço de Material (Sermat); o esforço de nacionalização: os contatos com a área da siderurgia e com os fabricantes de equipamentos; os obstáculos ao processo de nacionalização, o curso da iniciativa; a contribuição do Cenpes no campo do controle de qualidade dos equipamentos produzidos no país; a qualificação do problema dos custos da nacionalização; o fator decisivo da economia de escala; a questão da reserva de mercado; a atuação da empresa como grande compradora de equipamentos e materiais: o poder do monopólio, o aspecto fundamental do planejamento na definição dessa atuação; os obstáculos enfrentados na elaboração desse planejamento, a interferência política indevida; o planejamento na área tecnológica no conjunto do Plano Estratégico da Petrobrás; a definição da instalação de uma nova refinaria de petróleo, as interferências políticas e a racionalidade econômica; a resistência às interferências políticas: a necessidade do trabalho de lobby e da autonomia empresarial para a Petrobrás na nova conjuntura política .

8a Entrevista: 31/08/1988
Diferentes estágios tecnológicos nos setores de refinação e de exploração de petróleo; a evolução de ambos os setores no Brasil, as dificuldades enfrentadas; a importância do volume de investimentos necessários para o desenvolvimento tecnológico em cada setor; o contrato firmado com o CTA para o fabrico de PBLH, o desenvolvimento do processo industrial; criação dos cursos de geologia no Brasil e a estratégia de formação de pessoal especializado; os custos da exploração e as dificuldades de obtenção dos recursos de capital; a operação da Braspetro, sua estratégica de desenvolvimento tecnológico.

9a Entrevista: 08/09/1988
A criação do Setor de Documentação do Cenpes, objetivos e problemas; relacionamento do Cenpes com as empresas subsidiárias; o desenvolvimento do processo de produção de PBLH; o desenvolvimento tecnológico no setor petroquímico: eteno a partir do álcool, polietileno de alta densidade, fertilizantes; o papel do Cenpes no setor.

10a Entrevista: 15/09/1988
Reorganização do Cenpes e criação do setor de Engenharia Básica; as empresas de engenharia brasileiras e as dificuldades no desenvolvimento de engenharia básica no Brasil; distinção entre engenharia básica e de detalhe; a decisão da Petrobrás quanto ao problema; a negociação dos contratos de transferência de tecnologia, a situação de mercado; mais detalhes sobre a reorganização do Cenpes; balanço final sobre a experiência à frente do Cenpes, as novas perspectivas: especialização regional, flexibilização organizacional, aprimoramento gerencial .

11a Entrevista:25/10/1988
Transferência de tecnologia e a lei brasileira sobre propriedade industrial, a criação do INPI; o subdimencionamento do INPI; a negociação interburocrática; a situação das patentes; a política do Cenpes no setor; os problemas da legislação; a especificidade de cada setor de pesquisa; o desenvolvimento tecnológico da exploração off-shore; considerações finais sobre a questão tecnológica: indústria farmacêutica, participação do Estado; a nomeação do entrevistado para o escritório de Nova York, as atividades do escritório e a necessidade de autonomia gerencial; as atividades financeiras do escritório de Nova York; a internacionalização da Petrobrás e a administração Shigeaki Ueki .

12a Entrevista: 03/11/1988
Internacionalização da Petrobrás, as subsidiárias operando no exterior; Interbrás; Braspetro: Majnoon, Angola, Equador; a competição no mercado internacional e a situação da Petrobrás; as negociações com a Noruega; a tentativa de criação da Petrobrás Overseas: os problemas políticos enfrentados e a decisão do Ministério de Minas e Energia; a holding Petrobrás: situação atual e necessidades futuras; as difíceis relações com o governo; o calote das entidades governamentais; a nomeação para a vice-presidência da Braspetro, o retorno ao Rio de Janeiro; a concorrência do Mar da China; considerações finais do entrevistado: relações com o governo, dificuldades da empresa, burocratização excessiva, elaboração do PASP, redução de investimentos, a indecisão dos rumos políticos do país.
Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados