Claudio de Moura Castro II

Entrevista

Claudio de Moura Castro II

Entrevista realizada no contexto do projeto "Visões sobre a Capes: 50 anos de história", desenvolvido pelo CPDOC em convênio com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) entre abril e dezembro de 2001. O projeto resultou na publicação do livro Capes, 50 anos: depoimentos ao CPDOC/FGV. (Orgs. Marieta de Moraes Ferreira e Regina da Luz Moreira. Brasília, CAPES, 2002) onde a entrevista pode ser encontrada. Para acessar a entrevista na Estante Virtual clique aqui. A escolha do entrevistado justificou-se por ter sido diretor geral da Capes entre 1979 e 1982.
Forma de Consulta:
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: Capes, 50 anos: depoimentos ao CPDOC/FGV. (Orgs. Marieta de Moraes Ferreira e Regina da Luz Moreira. Brasília, CAPES, 2002)

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Marieta de Moraes Ferreira
Regina da Luz Moreira
Data: 28/8/2001
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 2h15min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Claudio de Moura Castro
Nascimento: 29/11/1938; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação:
Atividade: Professor na Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) (1970-1972); Economista Sênior no Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (IPEA) (1970-1974); professor no Instituto de Estudos Avançados em Educação (IESAE) da Fundação Getúlio Vargas (1971-1979); professor na Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1970-1979); professor visitante do Centro de Educação Comparada na Universidade de Chicago (1973-1974); diretor geral da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) (1979-1982); secretário executivo do Centro Nacional de Recursos Humanos (CNRH) da Secretaria de Planejamento da Presidência da República (SEPLAN) (1982-1985); chefe do setor de Política de Treinamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) (1986-1992); Consultor Chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento para Assuntos de Educação (a partir de 1998).

Equipe

Levantamento de dados: Regina da Luz Moreira;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Marieta de Moraes Ferreira;Regina da Luz Moreira;

Transcrição: Lia Carneiro da Cunha;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Anísio Teixeira;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Burocracia;
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior;
Economia;
Eduardo Portela;
Ensino superior;
Mário Henrique Simonsen;
Ministério da Educação e Cultura;
Pós - graduação;

Sumário

Infância; multiplicidade de interesses (a escola era vista como um estorvo); praticando na oficina em Itabirito (MG); o interesse pela engenharia; "acordando" para as ciências sociais; na Faculdade, como bolsista; a idéia do PET; cursando administração; o interesse pela economia; fazendo a pós na FGV; a experiência que levou ao PET-Programa Especial de Treinamento (na universidade em BH; o diretor Ivon Leite Magalhães Pinto); a experiência do tempo integral; colegas (Simon Schwartzman, Edmar Bacha, Paulo Hadad etc.); a turma autodidata transformando-se em professores; a aprovação no exame do CAE (atual Epge-FGV); levando a idéia do PET para a Capes; a pós no CAE (curso de aperfeiçoamento com Simonsen e W. Baer); o que era o CAE; encaminhado naturalmente para Yale (mestrado) e depois Berckeley (doutorado); interesse em economia da educação em Vanderbildt; retornando ao Brasil e à Epge; tese de doutorado sobre investimento na educação, com um estudo antropológico sobre Itabirito (casos sobre a época da pesquisa de campo); professor na Epge; choque com Mário Henrique Simonsen; ida para o Iesae-fgv, para a PUC E O Ipea; coordenando um projeto internacional sobre educação, financiado pelo BID; passagem pelo Mobral (choque com Arlindo; a falência do projeto do Mobral; a perda da memória do Mobral, e a necessidade de um projeto como esse da Capes para recuperá-la; avaliação do Mobral); chegada na Capes; convite de Guilherme de la Peña; Eduardo Portela como ministro da Educação; a dificuldade de dirigir a SESu; sobre a versão de Darcy Closs para sua saída e a nomeação de Moura Castro (choque com Portela); assumindo a Capes sem ter tido articulações políticas; o segundo da lista; a indicação anterior de Roberto Cardoso de Oliveira (a exigência do término do veto ideológico; o porquê de ter aceito; avaliação sobre a Capes (descobrindo o brilhantismo da instituição; dedicação e abertura para inovações; levando algumas pessoas reconhecidas); a importância de Hélio Barros (competência e visão política); os primeiros atos; pedindo aos funcionários mais qualificados para escreverem sobre a agência (conhecendo os funcionários e a instituição); formando a equipe (Fernando Spagnolo, Guy Capdeville, Lucia Guaranis e Ricardo Martins); os estamentos existentes na Capes (os vindos do Rio e os acadêmicos); o espírito de equipe; a lentidão do protocolo; a Capes de Anísio Teixeira e a de Darcy Closs (a ruptura existente; a permanência do espírito de equipe; a inexistência da memória de Anísio Teixeira e da própria instituição; a mudança a partir do festejos do 35º aniversário); a meritocracia como marca inicial; um breve e leve período de fisiocracismo; visão da Capes nos primeiros anos do Regime Militar; a memória da Capes restrita a Darcy Closs; voltando ao episódio do veto ideológico (diálogo com o cel. Newton Cruz; o fim do veto); como via a questão da pós-graduação (a mais pura meritocracia; sistema caro, formação de uma elite de professores); reconhecendo a gestão Darcy Closs (aproveitando grandes recursos para promover um grande e rápido crescimento, mas com arestas); compreendendo a necessidade de promover o "ajuste fino" (qualidade como único objetivo) e a qualidade administrativa também; formando professores para a pós-graduação; o PET (Edmar Bacha e Versiani); a transferência do PET para a SESu (oposição do Abílio Baeta Neves); a calibragem (a avaliação criando um grande sistema de informações com uma base sólida; aperfeiçoando os comitês de assessores-rotatividade de dois anos-"overlaping"; aperfeiçoamento dos critérios); [interrupção da fita]; tentativa de aumentar a transparência; comparando com a avaliação do CNPq; o artigo do "Estadão" e a reação dos cursos "E" da USP; o apoio de professores da USP - ex-consultores da Capes - e do Pascoal Américo Senise à avaliação da Capes [após a saída de Moura Castro]; a divulgação dos resultados (Gerhard, do RS, e MG) como maneira de reconhecer a avaliação; o PICD (qualificação de professores para melhorar a qualidade deficiente dos cursos); direcionando o PICD para que apresentasse os melhores candidatos; o perfil da Coppe como exemplo mais bem sucedido da meritocracia; administrando sem ruptura com a gestão anterior; combatendo o mestrado "vagabundo"; a diferença entre o "mestrado trapiche" e o "mestrado orgânico"; os embates de sua gestão com o ministro Portela (luta pelo orçamento; a opção de Eduardo Portela pelo 1º grau; a incompetência gerencial; aproveitando verbas destinadas ao 1º grau que não estavam desembolsando); o COMUT; a chegada de Rubem Ludwig; Pedro Demo com ascendência no MEC e esvaziando o poder de órgãos como a Capes; pouca duração; comparando Ludwig e Esther de Figueiredo Ferraz; as relações com a SESu (de apenas turbulentas a as piores possíveis); Guilherme de la Peña; Tarcísio Della Senta; os governos militares e a opção pela tecnocracia e meritocracia; o perfil de Rubem Ludwwig (capacidade; a excelência da equipe); visão crítica de Cláudio de Moura Castro acumulando inimigos ("baixo clero" da pós-graduação; o CNPq, na pessoa de Linaldo Cavalcanti de Albuquerque e um ex-reitor de Santa Maria, RS; um pouco de aresta na SESu); a ambigüidade nas relações da Capes com a SESu; o substituto (vindo de Uberlândia) de Tarcísio Della Senta pede a cabeça de Cláudio de Moura Castro; uma outra versão para a saída: a dívida do diretor da SESu como Edson Machado, que havia deixado deixado secretaria de governo no Paraná; boas relações com Edson Machado de Sousa; a queda de Cláudio de Moura Castro; o lato senso valorizado e fortemente; o POSGRAD; a avaliação do lato senso; o arrependimento (de não ter podido diferenciar as áreas profissionais das acadêmicas; e os exageros do diploma nas áreas profissionais em que ele não tem sentido - apenas deu início, mas não pode aprofundar -; a dificuldade de definir critérios para as áreas profissionais; a permanência do problema até hoje; a necessidade de se estabelecer uma separação entre ensino e pesquisa (nem todos têm capacidade para a pesquisa); a supervalorização da pesquisa na pós-graduação como herança do modelo norte-americano (a pesquisa dá a "fachada", razão dos grandes financiamentos); os grandes desafios para a pós-graduação e para a Capes (valorizar a essência da produção da área; a "iguana" do mestrado acadêmico/extinção; lentidão do processo de criação do mestrado profissional e sua descaracterização; a pesquisa deve ser feita no doutorado; o hiperdimensionamento da pós-graduação; necessidade de encurtar a PG; redimensionar o poder das comissões de consultores; as relações com o conselho consultivo; a sub-representação dos interesses do setor produtivo); perspectivas para a Capes; a falta de "estrelas" (grandes cabeças efervescentes); a falta de massa crítica; o caso da compra do prédio (durante sua gestão); uma agência de sucesso; criação do Prêmio Anísio Teixeira como forma de recuperar a falta de memória da instituição; a Capes com uma estrutura organizacional forte como explicação para a continuidade administrativa.
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