Irapoan Cavalcanti de Lyra II

Entrevista

Irapoan Cavalcanti de Lyra II

Entrevista realizada no contexto do projeto "Memória da assistência social no Brasil: constituição de banco de entrevistas", desenvolvido em convênio com o Ministério da Previdência e Assistência Social através de sua Secretaria de Estado de Assistência Social, entre 2001 e 2002, com o objetivo de constituir um acervo de depoimentos sobre o tema a ser disponibilizado no CPDOC e no Centro de Referência e Estudos da Assistência Social. A esoclha do entrevistado justificou-se por ter sido presidente da Legião Brasileira de Assistência (LBA) durante o governo Sarney.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Angela Maria de Castro Gomes
Dulce Chaves Pandolfi
Data: 10/7/2002
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 3h20min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Irapoan Cavalcanti de Lyra
Formação: Faculdade de Matemática na Universidade Santa Úrsula (incompleta); Faculdade de Administração da Fundação Getúlio Vargas.
Atividade: Professor da Fundação Getúlio Vargas. Foi presidente da LBA durante o governo Sarney.

Equipe

Levantamento de dados: Angela Maria de Castro Gomes;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Angela Maria de Castro Gomes;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Assistência social;
Comissão Nacional de Energia Nuclear;
Departamento Administrativo do Serviço Público;
Desenvolvimento econômico;
Distribuição de renda;
Fernando Henrique Cardoso;
Fundação Getulio Vargas;
Governo Fernando Collor (1990-1992);
Governo José Sarney (1985-1989);
Irapoan Cavalcanti de Lyra ;
Legião Brasileira de Assistência;
Patrimônio histórico;
Serviço social;

Sumário

Entrevista: 10.07.2002
Fita 1-A: Nome, data e local de nascimento; origem dos pais; estudos primários na Escola Regimental do Parque, da Aeronáutica; dificuldades financeiras na infância; gosto pela leitura desde à adolescência; polarização ideológica na década de 1930: integralistas versus comunistas; pai simpatizante do integralismo; relatos sobre a "Intentona" Comunista; trajetória profissional: datilógrafo no Parque dos Afonsos e na Comissão Nacional de Energia Nuclear; estudos para diplomacia no Curso Alfa; curso de Matemática na Universidade Santa Úrsula; renovação fiscal, administrativa e financeira no serviço público após o movimento militar de 1964: mudanças na gestão orçamentária; curso de Teoria e Técnica de Administração Orçamentária no Departamento de Administração do Serviço Público (DASP); influência do professor e amigo Fernando Bessa; curso de Administração na Fundação Getulio Vargas; abandono do curso de Matemática e dedicação à Administração; ascensão profissional na Comissão Nacional de Energia Nuclear; domínio da Técnica de Orçamento Programa; magistério nos cursos externos da Fundação Getulio Vargas; participação na estruturação da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC); convite para ser diretor executivo da Casa de Rui Barbosa.

Fita 1-B: Assume a direção executiva da Casa de Rui Barbosa; curso secundário em vários colégios; criação de um jornal e de um grêmio estudantil no curso ginasial, em Bangu; amizades na Casa de Rui Barbosa; atividades na Casa de Rui Barbosa: organização de seminários com a participação de intelectuais de esquerda, durante o regime militar; magistério na Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas (EBAP); assume cargo de consultor financeiro da Comissão Brasileira de Energia Nuclear; início do mestrado em Educação na Fundação Getulio Vargas; participação na reforma administrativa da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; assume a Secretaria de Patrimônio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN); amizade com Aluízio Magalhães; saída da Casa de Rui Barbosa; importância do general Rubem Ludwig no processo de abertura política do regime militar; conhecimento e início da amizade com Marcos Vilaça.

Fita 2-A: Presidência interina da Fundação Nacional Pró-Memória; posse do presidente da República José Sarney: organização ministerial; torna-se secretário adjunto do presidente José Sarney; primeiros contatos com a LBA e com a área de política social; cargos ocupados na LBA: chefe de gabinete do presidente Marcos Vilaça, vice-presidente e, por fim, presidente; execução de proposta de descentralização administrativa na LBA; filosofia da LBA: desenvolver a inserção do indivíduo no processo social; estratégia de ação da LBA: trabalhar o desenvolvimento de crianças através do combate à desnutrição materno- infantil; convênios da LBA com clubes de futebol, escolas de samba e ONG's; retomada do Projeto Casulo, implantado no governo Geisel; observações sobre a LBA na gestão Luiz Fernando da Silva Pinto; convite para assumir a presidência da LBA.

Fita 2-B: Convite a profissionais da Fundação Getulio Vargas para assumirem cargos na LBA: ocupavam cargos estratégicos; programas da LBA quando presidente: programa de creche, programa de ensino profissionalizante e programa de microempresa social; estratégias políticas da LBA: apoios de vários segmentos da sociedade; relações entre governo, LBA e partidos políticos; reuniões com parlamentares para realização de obras pela LBA; obras sociais reivindicadas pelos parlamentares: creches, escolas, e outras; considerações sobre o quadro técnico da LBA; profissionais que trabalhavam nos estados (cerca de 9 mil); trabalhadores voluntários: atuavam nos programas desenvolvidos nas comunidades (cerca de 400 mil); importância dos programas da LBA para a sociedade; a LBA na Amazônia: trabalho nas fronteiras, visando conter o avanço do tráfico de drogas; participação das forças armadas e grande presença de voluntários, atuação no contato com os índios da região.

Fita 3-A: Serviços da LBA nas favelas do Rio de Janeiro: creches, postos bancários, postos de assistência, postos de saúde; respaldo da LBA às comunidades carentes; organização administrativa da LBA nos estados: diretoria estadual, superintendência estadual e centros sociais; programas da LBA desenvolvidos pelos centros sociais: parcerias com associações nas comunidades; políticas inovadoras da LBA; considerações sobre o conceito de serviço público; resistências às parcerias desenvolvidas pela LBA; importância, durante o governo José Sarney, das figuras de Marcos Vilaça e da primeira dama Marly Sarney na reestruturação da LBA; campanhas publicitárias dos programas da LBA: bem econômicas, com utilização da própria estrutura do governo e colaboração de artistas; venda de cartões de Natal da LBA: recursos para projetos; luta da LBA face à política econômica do governo: inflação, falta de recursos para programas, discussões com ministros da área econômica; importância do apoio do presidente José Sarney; relações da LBA com as Escolas de Serviço Social; papel multiforme da LBA: médicos, advogados, assistentes sociais e enfermeiros, fazendo parte dos quadros técnicos; trabalhos realizados: programa de regularização dos direitos individuais, defensoria pública, reforma fundiária, registros de nascimento; organização do Plano de Cargos e Salários na LBA; boa relação com os funcionários.

Fita 3-B: A extinção da LBA: erros no governo de Fernando Collor; convites para se candidatar ao Parlamento; volta à Fundação Getulio Vargas; desentendimentos com Fernando Collor desde o tempo em que ele era o governador de Alagoas; críticas à indicação de Rosane Collor para a presidência da LBA; os escândalos ocorridos na LBA e a crise do governo Fernando Collor; críticas do ministro Sérgio Motta à extinção LBA; impacto produzido pela extinção da LBA na área da assistência social; comentários sobre o programa Comunidade Solidária: não é tão abrangente quanto foi a LBA; destino dos antigos funcionários da LBA; recuperação dos arquivos da LBA; exonerações no final do governo José Sarney e sua saída da LBA.

Fita 4-A: Análise do cenário político das eleições presidenciais de 2002: não existem propostas voltadas para políticas sociais; críticas ao abandono das políticas sociais pelo governo Fernando Henrique Cardoso; críticas à política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso: estabilidade econômica, mas com aumento de miséria e falta de políticas sociais que visem o desenvolvimento; considerações finais.
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