Marcos Antonio Cardoso

Entrevista

Marcos Antonio Cardoso

Entrevista realizada no contexto do projeto "História do Movimento Negro no Brasil", desenvolvido pelo CPDOC em convênio com o South-South Exchange Programme for Research on the History of Development (Sephis), sediado na Holanda, a partir de setembro de 2003. A pesquisa tem como objetivo a constituição de um acervo de entrevistas com os principais líderes do movimento negro brasileiro. Em 2004 passou a integrar o projeto "Direitos e cidadania", apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do Ministério da Ciência e Tecnologia. As entrevistas subsidiaram a elaboração do livro "Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC." Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007. A escolha do entrevistado se justificou por seus cargos de gerente de projetos da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e de secretário executivo do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).
Forma de Consulta:
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista em vídeo disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC. Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Verena Alberti
Data: 29/3/2007
Local(ais):
Belo Horizonte ; MG ; Brasil

Duração: 2h1min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Marcos Antonio Cardoso
Nascimento: 11/9/1956; Belo Horizonte; MG; Brasil;

Formação: Bacharel em Filosofia e mestre em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Atividade: Foi gerente de projetos da secretaria especial de políticas de promoção da igualdade racial (Seppir) e secretário executivo do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Cnpir). Analista de políticas públicas da prefeitura de Belo Horizonte e militante da coordenação nacional de entidades negra (Conen) e do coletivo de combate ao racismo do Partido dos Trabalhadores.

Equipe

Levantamento de dados: Verena Alberti;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Verena Alberti;

Transcrição: Amilcar Araujo Pereira;

Conferência da transcrição: Verena Alberti;

Técnico Gravação: Marco Dreer Buarque;

Temas

Movimento negro;

Sumário

Arquivo 1: origens familiares e atividades dos pais e avós; infância no bairro de Santa Efigênia, em Belo Horizonte, e mudança para a região de Barreiro, na mesma cidade, na década de 70, quando adolescente; primeiros estudos; trabalhos desempenhados na infância: engraxate e vendedor de frutas, verduras e salgados; estudo no Colégio Domiciano Ribeiro, da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (Cnec), no Barreiro; estrutura do Barreiro e sua transformação em bairro industrial; comparações entre o bairro de Santa Efigênia e Barreiro; emprego em uma empresa de construção civil terceirizada da construtora Mannesmann; breve descrição da greve dos operários da construção civil de Belo Horizonte, em 1979, a chamada "greve dos peão", da qual chegou a participar; episódio de discriminação racial na escola; ausência de discussão sobre a questão racial na família; breve menção à ligação da mãe com a umbanda e do pai com o samba; a importância da música na formação da consciência racial do entrevistado: influências de Michael Jackson, James Brown e música soul; a formação da consciência de classe durante a juventude, no bairro do Barreiro; participação no movimento estudantil e relações com o movimento jovem, o movimento da Igreja e o movimento operário; participação no Movimento Cineclubista do Brasil, no final dos anos 1970; leitura do jornal Versus e de sua coluna "Afro-Latino-América" como forma de contato com a questão racial, no final dos anos 1970; descrição de contato com militantes do movimento negro em uma manifestação de 1º de Maio de 1979 na cidade industrial, em Belo Horizonte; menção à proximidade com grupos clandestinos de esquerda, como o Núcleo Negro Socialista; ingresso no Movimento Negro Unificado (MNU), em 1979, em Belo Horizonte; participação na semana de 13 de Maio de 1979 na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); início da organização do MNU em Belo Horizonte; organização de um ato contra a violência policial no Barreiro; cursos de história e educação realizados na década de 1980; cursos sobre África ministrados na Fundação João Pinheiro, em Minas Gerais, durante a gestão de Aloísio Pimenta, nos anos 1980; processo de organização inicial do MNU de 1978 a 1982 e atuação do entrevistado; a relação do movimento negro com movimentos de esquerda e a resistência desses e de outros movimentos sociais em discutir a questão do racismo; a escolha da graduação em filosofia (1982) e do mestrado em história (2000) na UFMG.



Arquivo 2: detalhes sobre o sustento de um militante profissional; o trabalho como professor da rede estadual de 1990 a 1992; candidatura do entrevistado a vereador em Belo Horizonte, em 82 e 86; participação na criação do Partido dos Trabalhadores em 81; críticas à estrutura sindical e à participação de estudantes no Partido; reflexões sobre a história da África e sua relação com o Brasil; articulação da militância com instâncias do governo: entrada do entrevistado na prefeitura municipal como assessor da Secretaria Municipal de Cultura da prefeitura de Belo Horizonte no governo do Patrus Ananias, de 93 a 96, coordenador geral justamente deste projeto do tricentenário de Zumbi em 95 e criação do Centro de Referência da Cultura Negra; desafios como consolidar a estrutura da cultura no município e transformar a política cultural; projeto em comemoração aos 300 anos de Zumbi - objetivos: trabalhos com memória e patrimônio, realização de um festival e, por fim, a criação de um Centro de Referência da Cultura Negra para a cidade; trabalho atual do entrevistado: funcionário público do município; coordenação de dois projetos: no campo do movimento, o processo de mobilização, em Minas e nacionalmente, e a gestão do projeto dos 300 anos, com a realização de cursos sobre literatura, África, trabalhos com candomblés, etc.; realização do Festival Internacional de Arte Negra; contatos com grupos de diversos locais: África, Alemanha, Venezuela, Colômbia, Cuba, Estados Unidos; problemas na gestão de dinheiro resultaram na saída do entrevistado da prefeitura; realização de diversos eventos com seminários, atividades de rua, afoxé, semba; papel no tombamento do terreiro mais antigo de Belo Horizonte; realização de banners, painéis e um monumento a Zumbi no projeto de 95; a partir desses eventos se deu a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) - antes chamada de Secretaria Municipal de Reparações da Comunidade Negra; discussão com a imprensa sobre a criação da secretaria; "racismo institucional": numa reforma administrativa da prefeitura em 2000, acabam com a Secretaria e é criada uma Coordenadoria em seu lugar; criação e coordenação do entrevistado: programa SOS Racismo, de atendimento às vítimas de racismo; participação de um seminário na OAB Minas Gerais; cargo do entrevistado na prefeitura: analista de políticas públicas; importância de leis como a 10.639; detalhes sobre o trabalho de análise de políticas públicas; entrada na Seppir em 2004, 2005, no cargo de gerente de projetos numa secretaria de relações institucionais, onde permaneceu durante dois anos e meio, desenvolvendo um projeto de articulação institucional; reflexões sobre articulação institucional, utilizando como exemplo a política quilombola; convite - aceito pelo entrevistado - para articular a construção do Conselho Nacional, onde tornou-se secretário executivo; participação na coordenação nacional que vai levar a delegação brasileira a Durban; afastamento do MNU em 1997; aproximação com a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen); comentários sobre a não-participação do MNU no Encontro Nacional de Entidades Negras (Enen), em 1991; opinião sobre o projeto que o entrevistado julga ser o mais próximo de seus pensamentos, chamado democrático popular, de centro-esquerda; reflexões sobre a existência da Seppir; reflexões sobre a questão da África e a aproximação do continente com o Brasil; próximo projeto do entrevistado: congresso nacional de negros e negras do Brasil, que será realizado em abril de 2008, com o objetivo de construir um projeto político do povo negro para o Brasil.
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