Maria Silvia Bastos Marques I

Entrevista

Maria Silvia Bastos Marques I

Entrevista realizada no contexto do projeto "Pioneiros e Construtores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)", na vigência do convênio entre o CPDOC-FGV e a Fundação CSN. Esta entrevista subsidiou a elaboração do livro "CSN: UM SONHO feito de aço e ousadia." / Coordenadora: Regina da Luz Moreira; Entrevistadores: Ignez Cordeiro de Farias, Mário Grynszpan e Verena Alberti; Pesquisa Iconográfica: Adelina Novaes e Cruz. Rio de Janeiro: IARTE, 2000. A escolha da entrevistada se justificou por sua atuação como Diretora superintendente do Centro Corporativo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no período de 1996 a 1999, e Diretora presidente da CSN, de 1999 a 2002.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Ignez Cordeiro de Farias
Mário Grynszpan
Data: 8/7/1999 a 10/11/1999
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 2h44min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Maria Silvia Bastos Marques
Nascimento: 27/12/1956; Bom Jesus do Itabapoana; RJ; Brasil;

Formação: Bacharel em Administração Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública (Ebap) da Fundação Getulio Vargas (FGV) (1979), mestre (1982) e doutora (1987) em Economia pela Escola de Pós-graduação em Economia (EPGE) da FGV.
Atividade: Economista do centro de estudos monetários e de economia internacional do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV (1982-1989); professora assistente no departamento de economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1985-1990); coordenadora da área externa da secretaria de política econômica do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento (1990-1991); assessora especial para assuntos de desestatização no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (1991-1992); secretária municipal de fazenda da prefeitura do Rio de Janeiro (1993-1996); diretora superintendente do centro corporativo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) (1996-1999) e diretora presidente da CSN (1999-2002).

Equipe

Levantamento de dados: Ignez Cordeiro de Farias;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Ignez Cordeiro de Farias;

Conferência da transcrição: Ignez Cordeiro de Farias;

Copidesque: Dora Rocha;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Julio Augusto Nassar Alencar;

Temas

Administração;
Benjamin Steinbruch;
Companhia Siderúrgica Nacional;
Companhia Vale do Rio Doce;
Economia;
Formação acadêmica;
Fundação Getulio Vargas;
Globalização;
História de empresas;
Indústria siderúrgica;
Light Serviços de Eletricidade;
Mário Henrique Simonsen;
Privatização;
Volta Redonda;

Sumário

1ª Entrevista: 8.7.1999

Fita 1-A: Atuação profissional da entrevistada durante o governo Collor (1990-1992): negociação da dívida externa e acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e privatizações; relevância da experiência no setor público federal e municipal para o trabalho da entrevistada na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN); referência à especificidade de uma empresa privatizada; considerações sobre a CSN: simbolismo, personalidade e dimensão política; pedido de exoneração do BNDES no dia do impeachment de Collor (29-9-1992) e passagem profissional da entrevistada pela Secretaria Municipal de Fazenda do Rio de Janeiro (1993-1996); trajetória da entrevistada na CSN, a partir de 1996: a indicação por Alcides Lopes Tápias, o convite através de Benjamin Steinbruch, a proposta de reestruturação empresarial e os motivos pessoais; explanação acerca da reestruturação da CSN a partir do planejamento estratégico da consultoria Mckinsey & Company: a mentalidade de unidades de negócios; considerações sobre a mentalidade industrial e a hierarquia funcional da CSN estatal; relato da liberdade gerencial da entrevistada ao chegar à CSN: formação de uma nova equipe e ênfase na parte administrativa; as exportações da CSN: produção excedente, variedade dos compradores e controle protecionista norte-americano; o porto de Sepetiba (RJ): parceria com a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), detalhes técnicos do processo de modernização e objetivos da CSN; referência às malhas ferroviárias da MRS Logística e da Ferrovia Centro-Atlântica; comparação entre os transportes rodoviário e ferroviário; CSN e Volta Redonda (RJ): privatização, mudança de atitude da companhia, Fundação CSN e relações com a prefeitura; a profissionalização do relacionamento entre companhia e sindicato; opinião sobre a duração dos turnos de trabalho nas usinas siderúrgicas; reduções de mão-de-obra na indústria: automação e globalização; contrapontos positivos da modernização e da privatização da CSN: investimentos, geração indireta de empregos e pagamento de impostos; comentários sobre o rodízio de turnos de trabalho na siderurgia: a posição da companhia e a dos empregados, questões biológicas e legais; considerações acerca da utilização das terras do entorno da CSN; referência à participação dos funcionários no lucro da empresa e ao programa de metas; diferenças entre a hierarquia na CSN estatal e as mudanças implementadas no estilo gerencial; correlação entre o sistema de eleições computadorizadas dentro da CSN e a democratização da participação funcional; a reação do sindicato às iniciativas da gestão da CSN........................................p. 1-17

Fita 1-B: Crítica à herança gerencial do setor público; relato detalhado da montagem da equipe da entrevistada na CSN: importância da capacidade de aprendizado para os gestores e a necessidade de misturar culturas; os problemas antigos de hierarquia e a dificuldade de descobrir potencialidades humanas dentro da CSN; a Escola Técnica Pandiá Calógeras da Fundação CSN em Volta Redonda: subordinação à CSN, modernização e formação de mão-de-obra para outras empresas; a importância de contratar técnicos de diferentes formações; comentários sobre aposentadoria e rotatividade de empregados; considerações acerca da disputa pelos melhores funcionários e a valorização dos empregados por parte da CSN; o papel da Fundação CSN: atividades sociais, educacionais, culturais e ambientais; CSN e poluição ambiental: mudança de imagem, investimentos, utilização política do assunto e conscientização da população; CSN e segurança no trabalho: medidas práticas e conscientização dos empregados; o papel da entrevistada nas decisões de investimentos externos da CSN; explicações acerca da compra e venda da Companhia Cimento Ribeirão Grande pela CSN; considerações sobre endividamento na indústria: diferenças entre as dívidas para consumo e as dívidas para acúmulo de ativos; dessemelhanças entre a ingerência na Light e na CVRD; o papel do Grupo Vicunha na CSN e os boatos sobre a venda de sua participação acionária; explicação técnica acerca dos efeitos da crise cambial de 1999 sobre as dívidas da CSN; a formação acadêmica da entrevistada e a transição da teoria à prática; breve relato das origens familiares em Bom Jesus de Itabapoana (RJ): o pai médico e Secretário Municipal de Saúde e a mãe pianista e ex-diretora do departamento do Conservatório Brasileiro de Música; motivos da vinda para a cidade do Rio de Janeiro; a resistência do pai; o curso na Escola Brasileira de Administração Pública (Ebap) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o direcionamento da entrevistada para a economia; a rixa entre os economistas da FGV e da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e o posicionamento dividido da entrevistada; o contato com Mário Henrique Simonsen.............................................................................................................................p. 17-31

2ª Entrevista: 8.9.1999

Fita 2-A: Os dois momentos da mudança organizacional das diretorias da CSN, após a contratação da entrevistada: fragmentação e coordenação gerenciais; o papel da diretoria de Novos Negócios; o trauma da mudança gerencial e a ausência de transformações semelhantes antes da privatização; as exportações da CSN: produção excedente, variedade dos compradores e falta de um direcionamento apropriado; a importância do Plano Real e da estabilidade monetária; as exigências do mercado e seus efeitos sobre as relações entre as indústrias siderúrgica e automobilística; explicações sobre a descentralização geográfica da administração da CSN e o desenvolvimento da sua área de logística; comentários acerca da participação acionária na Light e dos planos de auto-suficiência energética da CSN; benefícios ambientais e energéticos da Central Termoelétrica II da CSN; a mina Casa de Pedra: reavaliação de ativos, pesquisas geológicas, blendagem e o manifesto de propriedade; o relacionamento com Alcides Tápias e as expectativas quanto ao seu trabalho como Ministro do Desenvolvimento; avaliação do papel da CSN no contexto da indústria e da economia nacionais: dimensão política, importância para o processo de privatizações, investimentos, geração indireta de empregos e arrecadação de impostos; motivos da vinda da entrevistada para a cidade do Rio de Janeiro; opção pelo curso de administração na FGV.........................................................................p. 1-18

Fita 2-B: A diversidade das disciplinas do curso de administração e recordações dos professores; a continuidade dos estudos nos mestrado e doutorado da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da FGV; a importância da FGV para a carreira da entrevistada: rede de relacionamentos pessoais e primeiro emprego como pesquisadora no Centro de Estudos Monetários e de Economia Internacional do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) (1982-1989); a rixa entre os economistas da FGV e da PUC e o posicionamento divido da entrevistada; a produção acadêmica da entrevistada e o início da carreira docente no recém-criado departamento de Economia da PUC, do qual se tornou professora em tempo integral em novembro de 1989; motivos da opção pelo mestrado na EPGE; referência à atuação da entrevistada como consultora da diretoria do Banco Montreal entre maio e agosto de 1989.....................................................................................................................................p. 18-23

3ª Entrevista: 10.11.1999

Fita 3-A: As consolidações na economia internacional e no setor siderúrgico; detalhes da participação acionária recíproca entre CVRD e CSN; opinião sobre as etapas do processo de privatizações; a necessidade de o Brasil lutar por seus interesses nacionais com mais vigor; a formação dos funcionários da CSN: excelência técnica, problemas gerenciais e os treinamentos ministrados na companhia; relação entre a herança hierárquica estatal e a necessidade de melhora no quadro gerencial da CSN; considerações sobre o Total Quality Control (TQC) e os novos programas de aperfeiçoamento empresarial; a importância da integração entre direção e funcionários; correlação entre os moldes da administração pública e as características hierárquicas herdadas na CSN; opinião acerca dos benefícios da informalidade gerencial e a prática da entrevistada nesse sentido; ligação entre o passado de autoritarismo político do país e a estrutura funcional hierárquica herdada da CSN estatal; aspectos positivos da presidência feminina frente à rigidez gerencial; as funcionárias vira-latas da CSN; lembranças da resistência enfrentada pela entrevistada em virtude de ser mulher e das mudanças introduzidas na gestão da CSN; avaliação da participação do Grupo Vicunha e de Benjamim Steinbruch no processo de privatização da CSN; a mudança da forma das indicações dos diretores da CSN a partir da atuação de Benjamim Steinbruch; explicações sobre a política de seguros da CSN: gerenciamento de riscos e redução dos prêmios...................................................................p. 1-16

Fita 3-B: O impacto dos seguros no orçamento da CSN e a profissionalização dessa área dentro da companhia; CSN e Volta Redonda: relações com a prefeitura e o papel da Fundação CSN; considerações sobre o passivo ambiental da companhia: investimentos, herança estatal, Projeto de Gestão Territorial e outros focos de poluição; relação entre publicidade e a construção da imagem da CSN; avaliação do papel da Fundação CSN e alguns de seus projetos; a mudança do nome Fundação General Edmundo de Macedo Soares e Silva (Fugems) para Fundação CSN; comentários sobre a geração de economistas da qual faz parte a entrevistada e seu enfoque nos problemas macroeconômicos: inflação, déficit público, dívida externa; considerações sobre o debate acerca da microeconomia e do crescimento das empresas; motivos da recusa da entrevistada em participar do governo Fernando Henrique: sua situação financeira e a crença na importância da experiência na iniciativa privada; as três etapas da trajetória profissional da entrevistada: academia, serviço público e iniciativa privada; a relevância do governo Collor para o estado atual da economia do país; a satisfação da entrevistada na empresa privada; a complementaridade das experiências no setor público e no setor privado; a importância da continuidade das políticas de governo para o planejamento da indústria; a necessidade de o brasileiro agir economicamente a longo prazo; considerações sobre pensamento econômico: os grupos, a inevitabilidade das múltiplas concepções acadêmicas e a importância da pluralidade de opiniões; a necessidade da unidade de ação no governo quanto à política econômica; referência aos atritos entre o pensamento econômico de Antônio Delfim Netto e Mário Henrique Simonsen; o contato da entrevistada com Mário Henrique Simonsen................p. 17-32

Fita 4-A: Recordações de Mário Henrique Simonsen: o caso de um trabalho acadêmico apresentado no curso de doutorado da entrevistada, as qualidades de Mário, atuação dele junto à Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e a falta que sua figura faz ao debate econômico.......p. 1-2
Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados