Mário Lago

Entrevista

Mário Lago

Entrevista realizada no contexto da pesquisa "Trajetória e Desempenho das Elites Políticas Brasileiras", parte integrante do projeto institucional do Programa de História Oral do CPDOC, em vigência desde sua criação, em 1975. Foi realizada para a elaboração do livro Mário Lago: boemia e política, de Mônica Velloso (Rio de Janeiro, Ed. FGV, 1997). A escolha do entrevistado se justificou pela sua militância política, sua atuação como ator, letrista e radialista, e sua vocação boêmia.
Forma de Consulta:
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Dulce Chaves Pandolfi
Mônica Pimenta Velloso
Data: 7/3/1997 a 19/8/1997
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 9h45min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Mário Lago
Nascimento: 26/11/1911; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Falecimento: 31/5/2002; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Bacharel em Direito.
Atividade: Ator, compositor e escritor. Militante comunista.

Equipe


Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Amilcar Araujo Pereira;

Temas

Censura;
Coluna Prestes (1925-1927);
Comunismo;
Departamento de Imprensa e Propaganda;
Ditadura;
Estado Novo (1937-1945);
Exílio;
Getúlio Vargas;
Golpe de 1964;
Humor;
Imprensa;
Luís Carlos Prestes;
Luiz Inácio Lula da Silva;
Mário Lago;
Movimento estudantil;
Música;
Oscar Niemeyer;
Participação política;
Partido Comunista Brasileiro - PCB;
Partidos políticos;
Política;
Política cultural;
Redemocratização de 1945;
Revolução de 1930;
Rio de Janeiro (cidade);
Roberto Marinho;
Teatro;
Televisão;
União Soviética;

Sumário

1a Entrevista: 07.03.1997
Fita 1-A:
Diferenças na relação do espectador com o rádio e outras formas de arte: teatro, televisão e cinema; o rádio e a relação com a imaginação do ouvinte; reação da família, muito conservadora, frente à sua adesão ao comunismo em 1932; a vida em uma república de estudantes no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro; relato sobre a primeira vez em que foi preso, 1932; recordações do momento em que contrai a gripe espanhola em 1919; a experiência como autor no teatro de revista durante o Estado Novo; comentário sobre Getúlio Vargas; censura e crítica política durante o Estado Novo; considerações sobre atores e atrizes do teatro de revista; breve comentário sobre atuações de Oscarito; descrição de quadros do teatro de revista; opinião sobre os intelectuais; a influência estrangeira no teatro brasileiro; reflexões sobre o moderno teatro brasileiro, voltado para a elite, e o teatro popular.

Fita 1-B:
Início de sua experiência como ator de teatro em 1942; considerações sobre a quebra de "tabus" no teatro brasileiro; relato de peças do teatro de revista; recordações de sua experiência como compositor; censura e humor no teatro durante o Estado Novo; contatos com o Barão de Itararé; relato de um texto de sua produção atual; considerações sobre a boemia.

Fita 2-A:
Considerações sobre a boemia (continuação); observações sobre a vida de militante comunista e sobre a vida boêmia; informações sobre a origem do samba; relações com Ataulfo Alves; críticas aos desfiles de escolas de samba hodiernos; breve comentário sobre Noel Rosa; reflexões sobre a origem e legitimidade do samba e considerações sobre alguns compositores; a música no teatro de revista; a censura e o papel do rádio durante o Estado Novo; a relação entre a censura e a criatividade dos artistas; definições de rádio-novela e rádio-teatro; comentário sobre o uso do microfone no rádio e na televisão; relação entre os donos das rádios e os trabalhadores em rádio: sua intervenção política; recordações sobre o período em que trabalhou na Rádio Nacional.

Fita 2-B:
Recordações sobre o período em que trabalhou na Rádio Nacional (continuação).

2a Entrevista: 04.04.1997
Fita 3-A:
Relato de sua experiência de trabalho na imprensa escrita em 1929; lembranças de sua infância e sua relação com a ópera; comentários sobre a decadência do bairro da Lapa, Rio de Janeiro, nos anos 1940; Victor Costa e o rádio-teatro; relato de sua demissão da Rádio Nacional; lembranças de sua produção como autor de rádio-novelas na Rádio Nacional; Victor Costa; Floriano Faissal; papel do DIP em relação ao rádio durante o Estado Novo; impressões sobre a cantora Marlene; breve explicação sobre o momento em que escreveu uma rádio-novela religiosa.

Fita 3-B:
Observações sobre as músicas que falam de amor e sobre o compositor Braguinha; relato dos primeiros contatos com seus parceiros Roberto Martins e Bide em 1933, 1934; perfil do compositor Bide; recordações sobre a fundação da Academia Brasileira de Música Popular em 1959; comentário sobre a peça Cupim, de sua autoria, que foi a estréia de Oscarito como ator de comédia em 1953; novos comentários sobre a vida boêmia; reflexões sobre a juventude; sua turma de formatura e a Faculdade Nacional de Direito; militância política na faculdade, referências à Coluna Prestes e à seu avô; perfil do professor Oiticica, professor de português do Colégio Pedro II; a importância do humor; lembranças de sua avó no carnaval da época.

3a Entrevista: 04.06.1997
Fita 4-A:
A vida após o casamento; recordações sobre como conheceu sua esposa D. Zeli em 1947; a repercussão de seu casamento na Rádio Nacional; novos comentários sobre a militância política e sua entrada para o Partido Comunista durante o período de faculdade, década de 1930; Luís Carlos Prestes e o Partido Comunista; relato do momento em que sai do Partido Comunista ainda na década de 1930; comentários sobre sua participação no PC; relato sobre a primeira vez em que foi preso; vida militante e vida boêmia; Luís Carlos Prestes; Revolução de 1930; exílio e retorno ao Brasil em 1932.

Fita 4-B:
Motivos que levaram à sua prisão em 1937; comentários sobre sua experiência no movimento estudantil; resistência ao Estado Novo; a volta ao PC em 1946 já na legalidade; relato do episódio em que quase foi preso em Campinas em 1949; relato de sua demissão da Rádio Bandeirantes; descrição do episódio em que foi preso em 1949 no Rio de Janeiro; recordações dos momentos em que foi beneficiado na cadeia por ser um compositor famoso de música popular, em 1964 e 1968; sua relação com o PC no decorrer dos anos; considerações sobre a Academia Brasileira de Música Popular.

Fita 5-A:
Lembranças de sua participação na luta sindical; novo relato do momento em que conheceu sua esposa D. Zeli; breve comentário sobre o governo Dutra; considerações sobre o movimento estudantil; informações sobre as reuniões ocorridas em sua casa após o golpe de 1964; golpe de 1964; sua contribuição à Rádio Moscou em 1957; impressões sobre a União Soviética e sobre a Tchecoslováquia; recordações sobre a viagem à esses dois países.

Fita 5-B:
A fita 5-B não foi gravada.

Fita 6-A:
Recordações sobre a viagem à União Soviética e à Tchecoslováquia (continuação); considerações sobre sua experiência na União Soviética; observações sobre as normas do Partido Comunista; razões que o levaram a aderir ao pensamento comunista, mesmo com todas as restrições exigidas pelo partido; militância e boemia; Luís Carlos Prestes; relato das comemorações dos cinqüenta anos de Prestes em 1958; críticas ao excesso de teoria e falta de ação prática por parte de alguns comunistas.

Fita 6-B:
Explicação sobre a música de Ataulfo Alves que falava do mito Luís Carlos Prestes; comentários sobre sua prisão em 1964; recordações sobre o período na prisão em 1964; comentários sobre sua prisão em 1968; os benefícios nas prisões, conseguidos pelo fato de ser um artista famoso; relato sobre interrogatórios feitos por militares após sua última prisão em 1968.

Fita 7-A:
Relato sobre interrogatórios feitos por militares após sua última prisão em 1968 (continuação); recordações sobre vida e trabalho durante a ditadura militar; lembranças de sua primeira atuação em novela na TV Rio em 1967; observações sobre seu sogro; solidariedade durante o período em que ficou preso em 1964; as relações com os companheiros de trabalho, mesmo com diferentes posições políticas; longas considerações sobre a Rede Globo e sobre Roberto Marinho;

Fita 7-B:
A fita 7-B não foi gravada.

4a Entrevista: 29.07.1997
Fita 8-A:
Relato do primeiro comício do qual participou; recordações sobre suas primeiras participações em televisão na década de 1950; reflexões sobre a televisão ao vivo; lembranças de sua primeira atuação em novela, na TV Rio em 1967; estréia em televisão no programa Câmera 1 com Jaci Campos em 1966, textos de Amaral Neto; primeiras atuações em novelas da Rede Globo de televisão na década de 1970; prêmios recebidos por atuações em novelas da Globo; observações sobre alguns personagens que representou nas novelas da Globo.

Fita 8-B:
Críticas à censura durante a ditadura militar; explicações sobre o processo de criação das novelas; comentário sobre o papel do câmera-man na televisão; opinião sobre os intelectuais; o papel das novelas como espaço para criticar a ditadura, referências às novelas O bem amado e Saramandaia; comentários sobre a novela Roque Santeiro da Rede Globo; lembranças sobre as minisséries Abolição e O tempo e o vento, também da Rede Globo; balanço de suas participações no cinema; opinião sobre o trabalho no cinema brasileiro; possibilidades de atuação política através da televisão; diferenças entre o rádio e a televisão; opinião sobre a televisão; a reação do público aos personagens de novelas.

5a Entrevista: 04.08.1997
Fita 9-A:
Grandes elogios à Luís Carlos Prestes; recordações sobre o trabalho na minissérie Grande sertão veredas da Rede Globo; relação do ator com o personagem; comentários sobre a novela O pagador de promessas; críticas à ditadura através de personagens de novelas; a censura mudando a trama da novela Selva de pedra da Rede Globo; a censura e as novelas; reflexões sobre a profissão de ator; o programa sobre a União Soviética, escrito por Mário Lago para a Rádio Nacional em 1945; redemocratização em 1945; contato com Luís Carlos Prestes; comemoração dos cinqüenta anos de Prestes, 1948.

Fita 9-B:
A emoção ao conhecer pessoalmente Luís Carlos Prestes; a vida durante a clandestinidade; explicação sobre motivos que ajudaram a levar o Partido Comunista à clandestinidade; críticas ao foquismo; a ajuda financeira dada para manter a estrutura do PC; candidato a deputado em São Paulo na legenda de Vitorino Freire; breve comentário sobre Oscar Niemayer; sua relação com o PC; comentário sobre o suicídio de Getúlio Vargas e a reação de Carlos Lacerda; sua opinião sobre o episódio da morte de Getúlio e a reação do PC; críticas à idéia de sindicato paralelo; participação na campanha de Juscelino para a presidência; breve comentário sobre campanhas eleitorais; observações sobre o "racha" no Partido Comunista; relato do momento em que começa a perder o "encanto" pelo PC; reação à saída de Prestes do Partido Comunista.

Fita 10-A:
Opinião sobre o PPS; observações sobre o PT; comentários sobre Lula; perfil de Apolônio de Carvalho: "um anjo que usou metralhadora"; Gregório de Bezerra; Pedro Mota Lima; perfil de outros comunistas; sua relação com o Partido Comunista; recordações sobre o congresso da juventude comunista que participou em Queimados, Rio de Janeiro, em 1932; opinião sobre reuniões; a importância das várias formas de militância política; comentário sobre o livro Vale a pena sonhar de Apolônio de Carvalho; Otávio Brandão; Roberto Moreno; Astrogildo Pereira; Agildo Ribeiro; recordações sobre a peça O velho e o mar da TV Rio, década de 1950.

Fita 10-B:
A fita 10-B não foi gravada.

6a Entrevista: 19.08.1997
Fita 11-A:
Observações sobre a cidade do Rio de Janeiro; reflexões sobre a vida na cidade; cidade horizontal e cidade vertical; as relações humanas na sociedade atual; o amor pela cidade do Rio de Janeiro; a influência do mar no comportamento das pessoas; sua relação com o mar; perfil do carioca; o Rio de Janeiro como referência para todo o Brasil; Rio de Janeiro: "cidade mulher"; reflexões sobre a proximidade entre a miséria e a riqueza no Rio de Janeiro hoje; considerações sobre a criação de palavras pelo carioca; o jeito particular de falar do carioca.

Fita 11-B:
Considerações sobre a importância dos hábitos de ler e de conversar para enriquecer a linguagem; a importância de se expressar através de gestos; reflexões sobre o ser humano: "todos nós somos atores"; comentário sobre a necessidade de viver com paixão, de fazer todas as coisas com paixão; considerações sobre o teatro; observações sobre o processo de criação de textos; diferenças entre a linguagem falada e a linguagem escrita; comentário sobre o fato de que cada pessoa compreende e reproduz informações de forma diferente; lembranças de alguns acontecimentos e suas datas; opinião sobre a importância da memória dos acontecimentos e não das datas.

Fita 12-A:
Militância e utopia; a importância do sonho para a vida do homem; a importância da alegria, do riso, do bom humor; lembranças de um interrogatório na década de 1960; comentário sobre interrogatórios; breve comentário sobre o humor; sua relação com o tempo; a possibilidade que a televisão tem de reproduzir cenários que já não existem; breve comentário sobre a novela Kananga do Japão; descrição de um texto de sua autoria sobre o tempo; opinião sobre a relação do homem com o tempo; lembranças sobre a novela Selva de pedra; reflexões sobre a vida; impressões sobre Brasília; opinião sobre Fernando Henrique Cardoso; impressões sobre a entrevistadora; sua reação ao assédio do público.

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