Paulo e Jorge Leal Ferreira

Entrevista

Paulo e Jorge Leal Ferreira

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha dos entrevistados se justificou por terem fundado o Instituto de Física Teórica (IFT).
Forma de Consulta:
Entrevista datilografada disponível na Sala de Consulta do CPDOC.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Ricardo Guedes Pinto
Márcia Bandeira de Mello Leite Ariela
Data: 17/11/1976 a 19/11/1976
Local(ais):
São Paulo ; SP ; Brasil

Duração: 8h50min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Paulo Leal Ferreira
Nascimento: 16/7/1925; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Física pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo - USP (1945).
Atividade: Assistente da cadeira de física teórica e física matemática regida por Gleb Wataghin (1945-1950); estagiou no observatório astronômico da Argentina, em córdoba (1948); especializou-se em física nuclear na Universidade de Roma (1950); estagiou na Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica (1950); participou da fundação do Instituto de Física Teórica (IFT), tornando-se professor assistente e coordenador-geral (1951); assumiu a direção científica do IFT (1962); foi professor titular dessa instituição (1968); estagiou no International Center for Theoretical Physiscs, trieste, Itália, com bolsa da FAPESP (1968).

Nome completo: Jorge Leal Ferreira
Nascimento: 30/3/1928; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Física pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo - USP (1950).
Atividade: Professor assistente do Instituto de Física Teórica (IFT) (1952); estagiou na Universidade de Washington, nos EUA, com bolsa do CNPq (1963) e na Universidade de Maryland (1964); foi professor adjunto do IFT (1967); passou a professor titular em 1970.

Equipe


Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Atividade acadêmica;
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Cooperação científica e tecnológica;
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior;
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Ensino secundário;
Ensino superior;
Finanças públicas;
Financiadora de Estudos e Projetos;
Física;
Formação profissional;
Governo estadual;
Henrique Teixeira Lott;
História da ciência;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Intercâmbio cultural;
Japão;
Metodologia de pesquisa;
Ministério da Educação e Cultura;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Pós - graduação;
Química;
São Paulo;
Universidade de São Paulo;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Fita 1: os objetivos do Instituto de Física Teórica (IFT); a física brasileira no início dos anos 50; o pioneirismo de Teodoro Ramos; os novos métodos de ensino introduzidos por Gleb Wataghin no Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP: os seminários semanais; a criação do IFT: a iniciativa de José Hugo Leal Ferreira, o apoio dos generais Henrique Teixeira Lott, Eleutério Bruno Feliz, Peri Constant Bevilacqua e Fiúza de Castro, o auxílio financeiro de Simão Ribeiro e do governo de São Paulo, as contribuições da Companhia Antártica Paulista, da Caixa Econômica Federal e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP); a contratação de Karl Friedrich von Veitzger, W. Macke, R. Oehme, Reiner Hatt Weber, Gert Molière, Hans Joos e Werner Güttinger; os cursos de Macke e Oehme sobre a teoria dos campos; a teoria dos gráficos de Richard Feynman; as conferências de Leon Rosenfeld sobre a física nuclear e os fundamentos da mecânica estatística; as relações do IFT com a USP; o intercâmbio com institutos estrangeiros; a equipe de pesquisadores do Instituto; a crise financeira do IFT em 1956 e a transferência de Molière, Joos e Gáttinger para a USP; a visita aos principais institutos de pesquisa europeus e a contratação de M. Taketani para dirigir o I FT; a situação financeira do Instituto após 1957: a subvenção do MEC e o auxílio do CNPq; a equipe de pesquisadores brasileiros do IFT; a gestão de Taketani no Instituto: os "seminários de informação", o regime de trabalho, os trabalhos sobre interações fracas e a estrutura nuclear, as reuniões semanais; a física japonesa.

Fita 2: a reconstrução industrial do Japão; a natureza "generalizadora" da atividade científica e os limites dos técnicos; a contribuição dos físicos japoneses ao IFT; o doutoramento dos pesquisadores do Instituto em universidades estrangeiras: o apoio da FAPESP; o intercâmbio do IFT com instituições científicas de outros países; as Escolas Latino-Americanas de Física; o auxílio do BNDE e do CNPq ao Instituto; a pós-graduação no Brasil; as conseqüências da massificação do ensino superior no país; os limites ao crescimento das instituições científicas e universitárias; o Instituto de Física Teórica de São Paulo: a instabilidade financeira, a equipe de pesquisadores, a produção científica, o ambiente de trabalho; a formação secundária de Paulo Leal Ferreira e seu interesse pela física; os cursos de Gleb Wataghin e Mário Schenberg na Faculdade de Filosofia da USP; os seminários científicos semanais; a experiência de Paulo Leal Ferreira como assistente de Wataghin; as relações do I FT com a USP; a crise do Departamento de Física da USP e o regresso de Wataghin à Itália em 1949.

Fita 3: a formação secundária de Jorge Leal Ferreira; o interesse inicial pela química e o ingresso no curso de química da Faculdade de Filosofia da USP; a transferência para o curso de física; a influência de Carlos Benjamin de Lira em sua formação matemática; os trabalhos publicados com Abraão Zimerman, H. Joos e Y. Katayama; a especialização nas Universidades de Washington e Maryland; os trabalhos de Jorge Leal Ferreira e J. A. Castilho Alcarás sobre o método dos K-harmônicos; os estágios de Paulo Leal Ferreira na Universidade de Roma e no International Center for Theoretical Physics; a formação "artesanal" dos pesquisadores do IFT; o início da pós-graduação no Instituto: as bolsas de iniciação científica; a biblioteca do IFT; a tese de mestrado de Carlos Ourívio Escobar; o aproveitamento dos pós-graduados pelo Instituto; o incentivo ao pós-doutoramento dos pesquisadores no exterior; as linhas de pesquisa do IFT.

Sumário da 2ª entrevista:
Fita 4: a concepção inicial do I FT; o apoio financeiro de Samuel Ribeiro; a administração do Instituto; o acesso às publicações estrangeiras; a produção científica do IFT: a publicação de trabalhos em revistas internacionais; a Revista Brasileira de Física; as principais publicações estrangeiras; a precariedade do parque gráfico brasileiro; as debilidades do ensino secundário no país: os livros-texto; a importância do conhecimento da língua para a compreensão da matemática.

Sumário da 3ª entrevista:
Fita 4 (continuação): o corpo administrativo do IFT; o desenvolvimento da física brasileira nos anos 50: a fundação do IFT e do CBPF; os limites ao crescimento das instituições científicas; o desenvolvimento da ciência nos EUA após a guerra; a física teórica e a física experimental no CBPF; a competitividade dos trabalhos dos físicos brasileiros; a criação do IFT: a opção por São Paulo, a contribuição de José Hugo Leal Ferreira; a crise financeira do Instituto e a conquista da subvenção federal em 1957.

Fita 5: a retirada do apoio do MEC ao IFT em 1976; a participação dos cientistas no CNPq; a atuação do Funtec/BNDE e da Finep; a contribuição da FAPESP para o desenvolvimento científico de São Paulo; a crise financeira do IFT e a proposta de sua incorporação ao CNPq: vantagens e desvantagens; a situação do CBPF após sua vinculação ao CNPq; a tentativa frustrada de obter recursos da CAPES e a solução proposta pela Finep; o apoio do Funtec/BNDE ao programa de pós-graduação do IFT e de várias outras instituições do país; a tentativa de integração do I FT à USP; a importância da pós-graduação nos institutos de pesquisa isolados: a experiência do I FT; o papel e a atuação da Academia Brasileira de Ciências, da SBPC e da Sociedade Brasileira de Física; a Revista Brasí/eira de Física; a carência de livros-texto de física no país; o intercâmbio entre as instituições de pesquisa: as pré-publicações; o convênio entre o CNPq e o International Center for Theoretical Physics; o isolamento dos cientistas soviéticos.

Fita 6: a importância do contato dos pesquisadores brasileiros com a ciência internacional; o prestígio social do físico no país e no exterior; a subvalorização dos professores primário e secundário no Brasil; o papel das Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras na formação dos professores de nível médio; a situação atual do ensino secundário e superior no país; as contribuições de José Reis, Carlos Benjamin de Lira, Lauro Monteiro da Cruz, Chaim Samuel Hönig e do general Eleutério Feliz ao IFT; a oposição do jornal O Estado de São Paulo à criação do Instituto; o intercâmbio do IFT com os demais institutos de física paulistas; as relações dos entrevistados com Oehme e Macke; o problema da citação de outros autores nos trabalhos de física; o retorno de Wataghin à Universidade de Turim ; o apoio da sociedade e do governo ao IFT; a vinda de Juan Giambiagi para o Brasil e sua contribuição à física brasileira.

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