Rosalina de Santa Cruz

Entrevista

Rosalina de Santa Cruz

Entrevista realizada no contexto do projeto "Memória da assistência social no Brasil: constituição de banco de entrevistas", desenvolvido em convênio com o Ministério da Previdência e Assistência Social através de sua Secretaria de Estado de Assistência Social, entre 2001 e 2002, com o objetivo de constituir um acervo de depoimentos sobre o tema a ser disponibilizado no CPDOC e no Centro de Referência e Estudos da Assistência Social. A escolha da entrevistada justificou-se por ter sido secretária de Assistência Social do governo da prefeita Luiza Erundina em São Paulo, além de ter desenvolvido atividades na área do Serviço Social no setor de habitação (BNH) e de organização de mulheres.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Angela Maria de Castro Gomes
Data: 12/7/2002
Local(ais):
São Paulo ; SP ; Brasil

Duração: 1h45min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Rosalina de Santa Cruz Leite
Nascimento: 1/1/0001; Recife; PE; Brasil;

Formação: Assistente Social.
Atividade: Professora de Serviço Social na PUC-SP. Foi secretária de Assistência Social do governo da prefeita Luiza Erundina em São Paulo. Além disso, desenvolveu atividades na área do Serviço Social no Setor de Habitação (BNH) e de Organização de Mulheres.

Equipe

Levantamento de dados: Angela Maria de Castro Gomes;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Angela Maria de Castro Gomes;

Transcrição: Suely Lamarão;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Ação Popular (1962);
Assistência social;
Banco Nacional de Habitação;
Estatuto da Criança e do Adolescente ;
Feminismo;
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária;
Legião Brasileira de Assistência;
Maria de Lourdes Almeida de Moraes ;
Marxismo;
Organização dos Estados Americanos;
Partido dos Trabalhadores - PT;
Paulo Reglus Neves Freire ;
Revolução Cubana (1956-1959);
Rosalina de Santa Cruz ;
Serviço social;

Sumário

Entrevista: 12.07.2002
Fita 1-A: Data e local de nascimento; informações sobre a família; despertar do interesse pelo social: influência dos pais e formação em colégio católico; participação em trabalhos de caridade e catequese promovidos por freiras beneditinas do colégio; dúvidas sobre a eficiência da caridade e da religião na erradicação da miséria: procura por solução mais duradoura; efervescência política em Pernambuco durante o governo de Miguel Arraes (1962-64); envolvimento com a Juventude Estudantil Católica (JEC); ingresso na Escola de Serviço Social e envolvimento com a Juventude Universitária Católica (JUC), em 1963; razões para a opção pelo Serviço Social; influência de Paulo Freire e utilização de seus métodos para a educação de adultos; endurecimento do regime militar após 1968; debates políticos na faculdade; filiação à Ação Popular (AP); engajamento político da família; Escola de Serviço Social como local de questionamento e resistência ao regime militar: compromisso da assistência social com as classes trabalhadoras; cumplicidade política de Evany Mendonça, diretora da Escola de Serviço Social, na época; a Escola se torna um espaço aberto para reuniões e debates políticos; apoio político oferecido pelas professoras Lourdes de Moraes, Hebe Gonçalves e Regina Gonçalves; dúvidas sobre a profissão: procura por meios mais radicais de transformação social; grande avanço dos debates sociais durante a década de 1960; leituras marxistas (inclusive marxismo religioso); a Revolução Cubana (1959) e sua influência sobre a esquerda latino-americana; formatura e conversa sobre suas dúvidas com Evany Mendonça; possibilidade de uma bolsa de estudos na Venezuela pela Organização dos Estados Americanos (OEA); inscrição e aprovação na seleção; curso sobre "planejamento e ação em autoconstrução" na Venezuela; o objetivo da OEA era trazer projetos habitacionais de mutirão para o Brasil; momento em que o projeto da AP é "proletarizar" seus militantes mandando-os para o campo e para as fábricas; dúvidas e desligamento da AP antes de ir para a Venezuela; questionamentos políticos e desejo de independência pessoal; experiência na Venezuela: amadurecimento pessoal e convivência com colegas brasileiros; entusiasmo com a guerrilha venezuelana e com a proposta de luta armada; contatos com a Universidade de Caracas, que havia sido invadida; comoção com a morte de Che Guevara; aceitação da luta armada: a violência como uma forma ética de enfrentamento político; o exemplo cubano como grande inspiração; observações críticas sobre o curso da OEA.

Fita 1-B: Interesse da OEA e do Banco Nacional de Habitação em desenvolver projetos de habitação popular no Brasil; filosofia do curso de "planejamento em ação e autoconstrução"; trabalho de mutirão na Praia do Pinto (RJ): casas são construídas com envolvimento da comunidade e de acordo com suas necessidades e realidade; trabalho de mutirão em favela do Recife serve de tema para sua monografia de conclusão de curso e razão para sua ida à Venezuela; convite dos colegas de curso na Venezuela - João Sampaio e Murici - para trabalhar no BNH; mudança para o Rio de Janeiro e trabalho no planejamento nacional de habitações; sobre o trabalho com mutirões: boa relação com o chefe da equipe (João Sampaio) e grande aprendizado profissional; resolução de questões afetivas e políticas no Rio de Janeiro: distanciamento da família e do namorado, e desligamento da AP; trabalho com o padre Gerson da Conceição junto aos camponeses de Cachoeiras de Macacu (RJ); repressão política sobre o BNH: mutirão visto com desconfiança e equipe passando a ser comandada por coronel; adesão à luta armada e ingresso na organização VAR- Palmares; relacionamento com Geraldo Leite, agrônomo do INCRA e militante de esquerda; perda de entusiasmo com o trabalho no BNH; discordância do padre Gerson em relação à luta armada; VAR- Palmares consegue adesão de camponeses de Cachoeiras de Macacu: repressão recai sobre o movimento; Geraldo e Rosalina abrigam os camponeses foragidos em sítio clandestino; camponeses encaminhados para áreas de guerrilha; experiência de vida se dividindo entre o BNH e a militância política; Rosalina e seu marido são das raras pessoas "legais" no movimento político, tornando-se muito úteis; prisão e tortura de Rosalina e do marido em 1972; razão da prisão: camponeses são presos e falam do padre Gerson, que fala do casal Rosalina e Geraldo; Gerson deixa de ser padre e se liga à FASE; ocorre a demissão do BNH; mudança do Rio para São Paulo; o professor Francisco de Oliveira a encaminha para a pós-graduação em Ciências Sociais na PUC; trabalho na prefeitura de São Paulo por indicação de Brites Gondra: constitui equipe de assistentes para atuar em favelas; omissão de seu passado político; relações com a assistente social Luíza Erundina; nascimento do primeiro filho; desaparecimento do irmão; nova prisão em 1974.

Fita 2-A: Comentários sobre a segunda prisão; busca do irmão desaparecido; Maria Tereza Godinho, sua chefe na prefeitura de São Paulo, sabe de sua prisão e se mostra solidária: seu emprego é mantido; ocorre seu julgamento e condenação, mas a pena já havia sido cumprida; a PUC contrata professores cassados; informações sobre curso de pós graduação em Ciências Sociais da PUC: discussões e relações com Otávio Ianni, Carmen Junqueira e Florestan Fernandes; invasão da PUC; experiência como professora da PUC durante mandato de Nadir Kfouri; a PUC é a sede da primeira reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a SBPC; envolvimento com a militância feminista nos anos 70; comentários sobre a importância política do movimento feminista; candidatura a deputada estadual e experiência de campanha (1986); filiação ao PT (1979); participação da fundação do PT através do movimento feminista; grande amizade com Luíza Erundina; trabalho na Cohab; trabalhos com mulheres na Secretaria de Assistência Social: movimento de creches; considerações sobre a importância das creches; críticas às creches da LBA; trabalho no serviço social articulado à militância política; realização do Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais, em São Paulo; afirmação de que o movimento feminista começa a mudar o "discurso masculino" do PT; a importância e a participação das mulheres no PT: as candidaturas de Eneide Cardoso e Lulu Arruda; bandeiras feministas incorporadas ao discurso petista; informações sobre o movimento feminista: militantes, discussões e repercussões; sua saída da prefeitura de São Paulo e seu novo trabalho no SEAD (1976); defesa de tese de pós-graduação na PUC, orientada por Otávio Ianni; torna-se professora da Faculdade de Serviço Social da PUC; ganha anistia e vai trabalhar na Caixa Econômica Federal (1989); recebe convite de Luíza Erundina, prefeita de São Paulo, para ocupar a Secretaria de Assistência Social; comentários sobre a importância do serviço social e a secretaria que ocupa, durante o mandato de Erundina; votação da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS).

Fita 2-B: Implantação da LOAS e do Estatuto da Criança e do Adolescente: objetivos e importância das medidas; inovações trazidas pela LOAS nos programas desencadeados: os Conselhos Gestores de creche e equipamentos, e as padarias comunitárias; a importância da LOAS dentro da Secretaria de Serviço Social: assistência social como política pública; retorno à PUC (1990); comentários sobre o projeto Refazendo, de assistência ao menor, que ora desenvolve; comentários sobre a profissão de assistente social; comentários sobre a extinção e a importância da LBA; críticas ao projeto Comunidade Solidária; pouca importância conferida à assistência social nos governos e campanhas eleitorais atuais; observações finais.
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