CHEDID, MARQUINHO

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Nome: CHEDID, Marquinho
Nome Completo: CHEDID, MARQUINHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CHEDID, Marquinho

CHEDID, Marquinho

* dep. fed. SP 1995-1999.

 

Marco Antônio Nassif Abi Chedid nasceu em Bragança Paulista (SP) no dia 23 de novembro de 1957, filho do empresário Nabi Abi Chedid, deputado estadual e ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, e de Marli Theda Nassif Abi Chedid.

Em 1977 iniciou o curso de direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, de onde sairia diplomado seis anos depois. Ainda em 1977, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Nesta agremiação permaneceu até 1979, quando o partido desapareceu em decorrência do fim do bipartidarismo, decretado em novembro deste último ano. Tal como o pai, foi dirigente esportivo, assumindo em 1979 a presidência da Liga Campineira de Futebol, cargo que ocuparia até 1988. Paralelamente às atribuições como “cartola”, retomou as atividades partidárias, ingressando no Partido da Frente Liberal (PFL) em 1985.

Vice-presidente do clube Bragantino, de Bragança Paulista (SP) em 1988, ainda neste ano tornou-se presidente do diretório municipal do PFL de Campinas, em cuja legenda elegeu-se vereador no pleito de 15 de novembro. Na legislatura iniciada em fevereiro de 1989, integrou como vice-presidente a Comissão de Sistematização, tendo também presidido a Câmara Municipal e as comissões de Justiça e de Educação, Cultura e Esporte. Durante os dois primeiros anos do mandato também atuou como membro da executiva regional do PFL e, em 1991, foi indicado para presidente regional do partido em São Paulo. No futebol, trocou o Bragantino pela Ponte Preta de Campinas, que passou a presidir, até 1993. Durante sua gestão neste clube, foi acusado de irregularidades ao levar para o time jogadores que pertenciam a clubes dirigidos por outros integrantes da família.

Reeleito vereador em outubro de 1992, iniciou  novo mandato em fevereiro do ano seguinte, sendo mais uma vez designado para presidir a Câmara, função exercida até 1994. Neste último ano, desligou-se do diretório municipal do PFL de Campinas e da presidência regional do partido em São Paulo e ingressou no Partido Social Democrático (PSD), logo fazendo parte de seu diretório regional e assumindo a vice-presidência do diretório nacional. Ainda em 1994, foi eleito vice-presidente do Grêmio Esportivo Novo Horizonte e da Federação Paulista de Futebol.

Em 3 de outubro de 1994 elegeu-se deputado federal por São Paulo na legenda do PSD, obtendo a maioria dos votos em Campinas e redondezas. Com a abertura dos trabalhos legislativos em fevereiro, ocupou uma cadeira de titular nas comissões de Ciência e Tecnologia, Defesa Nacional, Comunicação e Informática e Orçamento. Nas duas primeiras, segundo levantamento publicado pela Folha de São Paulo, fez parte da lista dos deputados que ultrapassaram o limite de faltas previsto. Tornou-se também vice-líder do bloco formado pelo PSD, Partido Liberal (PL) e Partido Social Cristão (PSC).

Durante as votações mais importantes, pronunciou-se a favor de todas as emendas constitucionais enviadas pelo Executivo federal, dando seu voto à extinção do monopólio estatal nas telecomunicações, na distribuição do gás canalizado pelos estados e na exploração petrolífera pela Petrobrás. Também foi favorável à abertura da navegação de cabotagem à concorrência internacional, ao fim de todas as discriminações legais entre empresas brasileiras e estrangeiras e à prorrogação do Fundo Social de Emergência (FSE), rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), que permitia que o governo gastasse 20% da arrecadação de impostos sem que estas verbas ficassem obrigatoriamente vinculadas aos setores de saúde e educação.

Autor do pedido de instalação, em março de 1995 passou a integrar a comissão parlamentar de inquérito (CPI) investida na Câmara dos Deputados para apurar irregularidades no funcionamento de diversas casas de bingo instaladas no país. Em abril e setembro de 1995, o Supremo Tribunal Federal (STF) pediu licença à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados para processar Chedid, sob acusação de crimes comum (desacato) e eleitoral. No decorrer dos trabalhos da CPI dos bingos, foi acusado de extorquir, através de um intermediário, os proprietários de duas casas de bingo em São Paulo, a fim de inocentá-los no relatório final da CPI.

Em fevereiro de 1996, o STF autorizou a quebra do sigilo telefônico, atendendo a pedido da Corregedoria da Câmara à Procuradoria Geral da República, de três deputados federais envolvidos no caso, dentre eles Marquinho Chedid. Constatados os contatos telefônicos entre Chedid e o advogado Francisco Franco Filho, seu intermediário junto aos donos de casas de bingo, no dia 31 de abril de 1996 a comissão de sindicância criada pela Corregedoria da Câmara para investigar o caso solicitou a cassação do seu mandato, sob a acusação de ter cobrado 300 mil dólares, em duas parcelas, para livrar quatro empresários. Em nota à imprensa, rejeitou as denúncias e pôs em dúvida a credibilidade da comissão.

Em julho de 1996, Marquinho Chedid votou a favor da criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) – que substituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), de 0,2% sobre transações bancárias, criado como fonte complementar de recursos para a saúde. Neste ano foi membro titular da Comissão de Educação.

Aprovado o relatório do corregedor-geral da Câmara, deputado Beto Mansur, do Partido Progressista Brasileiro (PPB) de São Paulo, o processo contra Marquinho Chedid foi encaminhado à CCJ, que, em 28 de janeiro de 1997, aprovou por 35 votos a 10 o parecer do deputado Benedito de Lira (PFL-AL), recomendando o arquivamento do processo de cassação do mandato do deputado do PSD. Neste mesmo dia, poucas horas depois de sua absolvição na CCJ, Chedid pronunciou-se favoravelmente à emenda da reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. Finalmente, em junho de 1997, o plenário da Câmara rejeitou o pedido de cassação do seu mandato por 274 votos a favor (da absolvição do parlamentar), 74 contra e 13 abstenções.

Em novembro seguinte Chedid votou a favor da quebra da estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa. Em 1997 foi membro titular das comissões de Desenvolvimento Urbano e de Viação e Transportes.

No pleito de outubro de 1998, candidatou-se à reeleição, na legenda do PSD, não sendo bem-sucedido. Em novembro deste ano votou a favor do teto de 1.200 reais para aposentadorias no setor público e do estabelecimento de idade mínima e tempo de contribuição no setor privado, ítens que definiram a reforma da previdência. Deixou a Câmara em janeiro de 1999, ao final da legislatura.

Casou-se com Raquel Valverde Rodrigues Abi Chedid, com quem teve três filhos.

 
Luís Otávio de Sousa/Marcelo Costa

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros (1995-1999); Estado de São Paulo (20/10/94); Folha de São Paulo (31/1/95, 14, 16/1, 24/2 e 1/5/96, 11/2 e 16/6/97, 29/9 e 6/11/98); Globo (24/2, 1 e 9/5/96, 29/1/97 e 10/10/98); Jornal do Brasil (1/5/96 e 20/6/97); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1998).

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