ABELARDO VERGUEIRO CESAR

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Nome: CÉSAR, Vergueiro
Nome Completo: ABELARDO VERGUEIRO CESAR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CÉSAR, VERGUEIRO

CÉSAR, Vergueiro

*rev. 1932; const. 1934; dep. fed. SP 1935-1937.

 

Abelardo Vergueiro César nasceu em Espírito Santo do Pinhal, atual Pinhal (SP), no dia 21 de julho de 1894, filho de Abelardo Cerqueira César, deputado e senador de 1903 a 1930, e de Maria José Vergueiro César. Descendia de republicanos históricos de São Paulo, o mais destacado dos quais foi seu tio, Francisco Glicério de Cerqueira Leite, ministro da Agricultura em 1890 e senador de 1902 a 1916.

Cursou o primário no grupo escolar de sua cidade natal, no Ginásio Nogueira Gama, em Jacareí (SP), e nos ginásios Anglo-Brasileiro e São Bento, na capital paulista. Fez o secundário no Ginásio Macedo Soares, a partir de 1908, e no Ginásio do Estado de São Paulo, desde 1911, ingressando em 1913 na Faculdade de Direito de São Paulo, pela qual se diplomaria em dezembro de 1917.

Em 1916 foi um dos fundadores da Liga Nacionalista de São Paulo que, assim como a Liga de Defesa Nacional, constituiu um desdobramento da campanha promovida entre 1915 e 1916 pelo poeta Olavo Bilac em prol do serviço militar obrigatório no Brasil, afinal instituído em outubro deste último ano. A defesa do serviço militar se inseria no quadro mais amplo de uma campanha nacionalista centrada no tema do patriotismo e do culto às tradições brasileiras. Em 1917, tornou-se secretário da liga que ajudou a fundar.

No ano seguinte começou a exercer a advocacia, tornando-se em 1923 corretor oficial da Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo. Em 1925 viajou à Europa para estudar organização de bolsas. Presidente da Bolsa de São Paulo a partir de 1927, em 1931 visitou o Uruguai e a Argentina com o objetivo de estudar mais detalhadamente o assunto. De volta ao Brasil, organizou nesse mesmo ano a Bolsa de Fundos Públicos de Porto Alegre a convite do então interventor no Rio Grande do Sul, José Antônio Flores da Cunha.

São Paulo vivia nesse período um clima de intensa disputa política. A nomeação do tenente João Alberto Lins de Barros para o cargo de interventor no estado logo após a vitória da Revolução de 1930, além de representar o alijamento do Partido Republicano Paulista (PRP), significava a marginalização do seguimento da oligarquia política local que havia participado do movimento, especialmente o Partido Democrático (PD). Desde então se iniciara a oposição entre as correntes tradicionais do estado, de um lado, e as forças tenentistas e o governo federal que as apoiava, de outro. Dentro de um movimento de combate ao tenentismo e de luta em prol da reconstitucionalização do país, foi fundada assim, em maio de 1931, a Liga de Defesa Paulista, cujo objetivo era defender a autonomia de São Paulo, ou a “vigência efetiva das normas federativas dentro dos limites do estado”. Vergueiro César foi um dos fundadores da organização, atuando como seu emissário nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso, bem como no Paraguai e na Argentina.

No início de 1932, Vergueiro César participou da articulação da Revolução Constitucionalista patrocinada pela Frente Única Paulista (FUP), formada em fevereiro pelo PRP e o PD. Em março, foi ao Rio Grande do Sul em companhia de Aureliano Leite, como delegado da FUP, a fim de estabelecer o plano do movimento revolucionário. Os dois retornaram dez dias depois com o compromisso dos principais líderes políticos gaúchos de apoiarem o movimento. Contudo, deflagrada a revolução no dia 9 de julho, Flores da Cunha rompeu esse compromisso e apoiou o governo federal.

Vergueiro César participou da revolução como tenente-coronel da organização rebelde denominada MMDC. O movimento foi sufocado em outubro pelo governo federal que, além de suas forças, contava com o apoio de milícias estaduais. Em dezembro, ao lado da “ala moça” do PRP, Vergueiro César fundou a Ação Nacional, bloco dissidente que pretendia garantir a sobrevivência do antigo partido.

No período de 1932 a 1933 Vergueiro César fez também o doutorado na Faculdade de Direito de São Paulo. Em maio deste último ano, elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte na legenda da Chapa Única por São Paulo Unido, assumindo o mandato em novembro seguinte. Durante os trabalhos constituintes, apoiou a iniciativa de reintegração, em seus postos, de funcionários punidos com o afastamento de seus cargos em conseqüência dos movimentos revolucionários de 1930 e 1932. Após a promulgação da nova Carta e a eleição do presidente da República em 17 de julho de 1934, teve o mandato prorrogado até maio do ano seguinte. Reelegendo-se em outubro de 1934 já na legenda do Partido Constitucionalista, manteve sua cadeira de deputado federal e em 1936 foi enviado à Conferência Pan-Americana como representante do Brasil. Em 1937 passou a integrar o Conselho Técnico de Economia e Finanças, tendo presidido também a Caixa Econômica do Estado de São Paulo. Ainda nesse ano foi relator do parecer da Receita Nacional na Câmara Federal, mas teve o mandato interrompido em novembro, quando o advento do Estado Novo suprimiu todos os órgãos legislativos do país.

Em 1940 tornou-se diretor da Caixa Econômica Federal de São Paulo, à frente da qual permaneceu até o ano seguinte, quando foi nomeado secretário de Justiça do estado na interventoria de Fernando Costa. Ainda em 1941 desligou-se do Conselho Técnico de Economia e Finanças e, em 1942, presidiu o Congresso Nacional do Ministério Público em São Paulo. Deixando a Secretaria de Justiça no ano seguinte, atuou como vice-presidente do Congresso Jurídico, reunido no Rio de Janeiro, e reassumiu seu lugar na diretoria da Caixa Econômica de São Paulo, onde ficou até 1948.

Jornalista, dirigiu o jornal Cidade do Pinhal, tendo sido ainda um dos fundadores da Folha da Noite, de São Paulo, e da Revista Nacional.

Professor de assuntos bancários e câmbio na Escola do Sindicato dos Bancários e advogado da Caixa de Aposentadoria e Pensões da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, foi também presidente do Conselho Estadual de Bibliotecas e Museus, secretário do Instituto de Economia de São Paulo e diretor da Sociedade Financeira Vergueiro César, além de membro do Instituto Econômico da Associação Comercial de São Paulo, da Ordem dos Economistas, do Colégio de Advogados de Buenos Aires e membro fundador da Academia de Ciências Econômicas de São Paulo.

Faleceu em São Paulo no dia 31 de julho de 1949.

Era casado com Mariana de Monlevade Vergueiro César.

Publicou As funções das câmaras sindicais, A dívida pública do Brasil, A Bolsa de Londres, O mercado nacional de valores, A representação partidária e a organização dos partidos, Eleição indireta do presidente da República e Os processos monetários e o empréstimo público como receita extraordinária do Estado.

 

 

FONTES: ARAÚJO, A. Chefes; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; CONS. TÉC. ECON. FINANÇAS. Grande; COUTINHO, A. Brasil; Diário do Congresso Nacional; Efemérides paulistas; GODINHO, V. Constituintes; LEITE, A. História; SILVA, H. 1932; SILVA, H. 1934.

 

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