ADERBAL DE ARAUJO JUREMA

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: JUREMA, Aderbal
Nome Completo: ADERBAL DE ARAUJO JUREMA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JUREMA, ADERBAL

JUREMA, Aderbal

*dep. fed. PE 1959-1979; sen. PE 1979-1986.

 

Aderbal de Araújo Jurema nasceu na cidade da Paraíba, atual João Pessoa, no dia 17 de agosto de 1912, filho de Geminiano Jurema Filho e Amélia de Araújo Jurema. Seu irmão Abelardo Jurema foi deputado federal pela Paraíba de 1959 a 1963 e ministro da Justiça de 1963 a 1964.

Fez os cursos primário e secundário no Ginásio Osvaldo Cruz, em Recife, ingressando em 1931 na Faculdade de Direito da capital pernambucana. Jornalista e escritor, fundou em 1933, juntamente com Odorico Tavares, a revista literária Momento. Em dezembro de 1935 bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Recife.

Professor e diretor do Ginásio da Madalena, fechou o colégio por não concordar com o aumento das mensalidades, o que impedia as crianças mais pobres de estudar. Em 1944 tornou-se professor da Faculdade de Direito do Recife. Com a extinção do Estado Novo (1937-1945), ingressou na política em 1946 ao filiar-se ao Partido Social Democrático (PSD), em companhia de Manuel Neto Campelo, ministro da Agricultura durante o governo de Eurico Dutra (1946-1951). Tornou-se diretor do Serviço de Informação Agrícola desse ministério ainda em 1946 e  deixou a função no ano seguinte.

Em 1948 elegeu-se presidente da seção de Pernambuco da Associação de Escritores, derrotando a chapa apoiada por intelectuais comunistas. Em 1950 apoiou João Cleofas de Oliveira na disputa pelo governo de Pernambuco contra Agamenon Magalhães, que acabou vencendo a eleição. Secretário do ministro da Agricultura João Cleofas em 1951, tornou-se nesse mesmo ano professor catedrático de administração escolar e educação comparada da Faculdade de Filosofia de Pernambuco, cargo que ocuparia até 1958. Em 1954, ano em que apresentou a tese Niponização da poesia ao Congresso Internacional de Escritores reunido em São Paulo, foi nomeado secretário de Educação e Cultura de Pernambuco no governo do general Osvaldo Cordeiro de Farias, ocupando o cargo até 1958.

No pleito de outubro desse ano elegeu-se deputado federal por Pernambuco na legenda da Frente Democrática Pernambucana, coligação integrada pelo PSD, o Partido Democrata Cristão (PDC), o Partido Rural Trabalhista (PRT), o Partido Social Trabalhista (PST) e o Partido Libertador (PL). Assumindo o mandato em fevereiro de 1959, nesse mesmo ano viajou aos Estados Unidos como bolsista do Conselho de Educação, tornando-se vice-líder do PSD na Câmara em maio de 1961. Membro da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, atuou como revisor-geral do projeto de Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, integrando ainda o conselho da Fundação Educacional de Brasília em 1962.

Reeleito em outubro desse ano na legenda da Frente Popular Democrática, formada pelo PSD e a União Democrática Nacional (UDN), foi escolhido em abril de 1963 vice-líder da maioria na Câmara. Após o movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart em 31 de março de 1964, foi, ainda nesse ano, um dos autores da lei que criou o Banco Nacional da Habitação (BNH). Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instalado no país em abril de 1964. Por esta legenda se reelegeu à Câmara dos Deputados nos pleitos de novembro de 1966 e de 1970. Suplente da Comissão de Educação e Cultura, presidente da Comissão de Orçamento e vice-presidente da Câmara em 1974, voltou a se eleger deputado federal na mesma legenda no pleito de novembro desse ano. Durante essa legislatura exerceu atividades como “secretário dos negócios” de Pernambuco junto ao governo federal, sendo indicado em 1º de setembro de 1978 senador indireto por Pernambuco com mandato até 1987. Concluído o mandato na Câmara em janeiro de 1979, assumiu sua cadeira no Senado em fevereiro seguinte, tornando-se o vice-líder da maioria.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), legenda que sucedeu a Arena em seu apoio ao regime militar. Em 25 de junho de 1981, teve aprovado pelo Congresso, com os votos do PDS e da oposição, o substitutivo de sua autoria, aumentando para seis meses o prazo de desincompatibilização de ministros de Estado, governadores e prefeitos que pretendessem se candidatar às eleições de novembro de 1982 e para nove meses o prazo para secretários de Estado.

Após a rejeição da emenda Dante de Oliveira, que fora apresentada na Câmara dos Deputados em 25 de abril de 1984, propondo o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano, o governo decidiu enviar ao Congresso, nesse mesmo mês, o seu próprio projeto, chamado de “emenda Figueiredo”. Este projeto, que teve como relator o senador Aderbal Jurema, previa uma ampla reforma constitucional e convocava eleições diretas para a presidência da República em 1988.

Após várias semanas de discussões do projeto, o presidente Figueiredo, achando que manobras regimentais poderiam antecipar a volta do país às urnas para a escolha do seu sucessor, resolveu retirar sua emenda do Congresso, com a justificativa de que estaria havendo “um desvio clamoroso dos objetivos do projeto”. Esses acontecimentos aceleraram o processo de desintegração do PDS, levando políticos expressivos do partido a formarem uma dissidência intitulada Frente Liberal.

Na escolha do novo presidente da República por via indireta, a Frente Liberal uniu-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) na chamada Aliança Democrática, assim conseguindo eleger o candidato oposicionista Tancredo Neves, no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985. Esta também seria a trajetória de Aderbal Jurema, que com o seu voto ajudou a derrotar o candidato do regime militar, Paulo Maluf. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março.

Ainda em janeiro de 1985, a Frente Liberal tornou-se o Partido da Frente Liberal (PFL). Transferindo-se para esta nova legenda, em 1986, Aderbal Jurema presidiu  seu diretório regional em Pernambuco.

Pertenceu ao Instituto Histórico, Geográfico e Arqueológico de Pernambuco.

Faleceu na cidade de São Paulo, no dia 19 de maio de 1986.

Era casado com Ivete Saraiva Jurema, com quem teve quatro filhos.

Além de artigos, conferências e ensaios na Revista de Educação e Cultura e na Revista de Informação Legislativa, publicou 26 poemas (em colaboração com Odorico Tavares, 1934), Insurreições negras no Brasil (1935), O sentido da colonização portuguesa no Brasil (1942), Provincianas (1948), O sobrado na paisagem recifense (1952), Poetas e romancistas de nosso tempo (1953), Pequena coletânea da legislação brasileira de educação (1972), Educação e outros temas brasileiros (1974) e Os vivos — crônica da vida de uma capital do Nordeste (1982).

 

FONTES: BEHAR, E. Vultos; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1963-1967, 1967-1971, 1971-1975 e 1975-1979); CÂM. DEP. Relação nominal; CISNEIROS, A. Parlamentares; COUTINHO, A. Brasil; Grande encic. Delta; Folha de S. Paulo (20/5/86); Globo (16/1/85 e 20/5/86); MENESES, R. Dic.; Perfil (1972, 1975 e 1980); SENADO. Dados biográficos (10);  TRIB. SUP. ELEIT. Dados (4, 6, 8 e 9); VAITSMAN, M. Sangue; Veja (31/5/78, 27/6 e 4/7/84 e 28/5/86).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados