AFONSO ARINOS DE MELO FRANCO FILHO

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Nome: ARINOS FILHO, Afonso
Nome Completo: AFONSO ARINOS DE MELO FRANCO FILHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ARINOS FILHO, Afonso

*diplomata; dep. fed. GB 1964-1967; emb. Bras. Bolívia 1979-1982.

Afonso Arinos de Melo Franco Filho nasceu em Belo Horizonte no dia 11 de novembro de 1930, filho de Afonso Arinos de Melo Franco e de Ana Guilhermina Pereira de Melo Franco. Pertenceram à família de seu pai, desde o Império, várias personalidades de grande prestígio na vida política de Minas Gerais e do Brasil. Seu bisavô, Virgílio Martins de Melo Franco, foi deputado provincial no Império e senador estadual em Minas Gerais de 1892 a 1923. Seu avô, Afrânio de Melo Franco, foi deputado estadual em Minas Gerais de 1903 a 1906, deputado federal de 1906 a 1929, ministro da Viação e Obras Públicas de 1918 a 1919, embaixador do Brasil junto à Liga das Nações de 1924 a 1926 e ministro das Relações Exteriores de 1930 a 1933. Presidiu ainda a comissão constitucional designada em 1934 para elaborar um anteprojeto de Constituição, voltando depois a participar da vida política mineira como constituinte e deputado estadual de 1934 a 1937. Seu tio-avô homônimo de seu pai, Afonso Arinos de Melo Franco, foi escritor da escola regionalista, autor de Pelo sertão e membro da Academia Brasileira de Letras. Seu pai foi deputado federal por Minas Gerais desde a Constituinte de 1946 até 1959, senador pelo Distrito Federal — e, depois, pelo estado da Guanabara — de 1959 a 1967, além de ministro das Relações Exteriores em 1961 e 1962. Escritor, tornou-se também membro da Academia Brasileira de Letras. Seu tio Virgílio Alvim de Melo Franco participou da Revolução de 1930, foi constituinte em 1934 e deputado federal por Minas Gerais de 1934 a 1937. Dois outros tios também ocuparam cargos de projeção: Caio de Melo Franco foi diplomata de carreira e embaixador do Brasil na França de 1953 a 1955, e Afrânio de Melo Franco Filho foi encarregado de negócios nos Estados Unidos em 1949, de 1951 a 1952 e em 1953.

Fez o curso preparatório à carreira diplomática no Instituto Rio Branco, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, concluindo-o em 1952, quando se tornou cônsul de terceira classe. No ano seguinte estagiou no Departamento Jurídico da Organização das Nações Unidas (ONU) e formou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil. Novamente no Instituto Rio Branco, fez o curso de aperfeiçoamento de diplomatas em 1954. Iniciou, em 1955, curso de doutorado em direito público pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, e cursou também o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Especializou-se em política e direito internacional na Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Internacional de Ciências Sociais Pro Deo, em Roma, concluindo o curso em 1958. Dez anos depois fez o curso de promoção comercial do Centro de Comércio Internacional da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento e do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (UNCTAD/GATT).           

Enquanto fazia o curso de aperfeiçoamento de diplomatas no Instituto Rio Branco, em 1954, participou, como secretário da delegação brasileira, da comissão de estudos do programa da X Conferência Interamericana, reunida em Caracas, na Venezuela. De 1954 a 1955 foi oficial de gabinete do Gabinete Civil da Presidência da República. Em 1956, tornou-se auxiliar do chefe do departamento político e cultural do Itamaraty. Promovido a segundo-secretário, foi removido para a embaixada do Brasil em Roma e aí serviu até 1959, período em que assessorou a delegação brasileira à Reunião do Conselho Executivo da União Latina, realizada na capital italiana em 1958. Foi então transferido para a embaixada em Viena, onde integrou a delegação do Brasil junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à ONU e com sede na capital austríaca. Ainda em 1959 participou do Seminário Internacional para Diplomatas, reunido em Salzburg, também na Áustria.

De volta ao Brasil, em outubro de 1960 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte do recém-criado estado da Guanabara na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Após a promulgação da Carta (27/13/1961) e a transformação da Constituinte em Legislativo ordinário, continuou no exercício do mandato. Membro da Comissão de Constituição e Justiça e presidente da Comissão de Educação da Assembleia estadual, foi autor do substitutivo à mensagem que criou a Companhia Progresso do Estado da Guanabara (Copeg). Ainda em 1961 foi promovido a primeiro-secretário.

Em outubro de 1962 foi eleito primeiro-suplente de deputado federal pela Guanabara, agora na legenda do Partido Democrata Cristão (PDC). No mesmo ano foi removido para a embaixada brasileira em Bruxelas, na Bélgica. Após deixar a Assembleia estadual em janeiro de 1963, serviu como encarregado de negócios do Brasil na capital belga, onde permaneceu até 1964. Transferido em seguida para a embaixada em Haia, na Holanda, lá desempenhou a função de chefe do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial.

Após o movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart em 31 de março de 1964, retornou ao Brasil e ocupou como suplente uma cadeira na Câmara dos Deputados a partir de outubro. No período 1964-1965 foi professor-assistente de civilização contemporânea do curso de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB). Em 1965 exerceu também a função de secretário-geral do I Simpósio Internacional de Turismo e participou, como delegado do grupo brasileiro da Associação Interparlamentar de Turismo, da XIX Assembléia Geral da União Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo (UIOOT), realizada no México. Integrou também a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior decretação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao governo militar. Em 1966 foi observador parlamentar na XXI Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque. Ainda nesse ano foi designado cônsul em Genebra. Em janeiro de 1967 concluiu seu mandato na Câmara e foi para na Suíça, onde permaneceu até 1969.

Em 1969 foi promovido a conselheiro e no período seguinte serviu na embaixada do Brasil em Washington. Promovido a ministro de segunda classe em 1971, exerceu até 1973 a função de ministro-conselheiro no mesmo posto. No ano seguinte, foi designado cônsul no Porto, em Portugal. Em junho de 1979 foi promovido a ministro de primeira classe e, em novembro, designado pelo presidente João Figueiredo embaixador do Brasil na Bolívia, em substituição a Sisínio Pontes Nogueira. Ocupou o posto até 1982, quando se transferiu para a embaixada na Venezuela, ali permanecendo até 1985. Entre 1986 e 1990, foi embaixador junto à Santa Sé (Vaticano) e à Ordem Soberana e Militar de Malta, e entre 1991 e 1994 foi embaixador na Holanda.

De volta ao Brasil, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e em outubro de 1994 candidatou-se a deputado federal pelo Rio de Janeiro, mas não conseguiu se eleger. As suspeitas de fraude devido ao número excessivo de votos em branco levaram o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado a anular a eleição e marcar novo pleito para novembro. Desistiu, porém, de concorrer, e desvinculou-se do PSB. A partir de março de 1995, tornou-se comentarista de política internacional na TV Manchete, onde trabalhou até 1999.

Em 22 de junho de 2002, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, sucedendo Antôonio Houaiss. Tomou posse no dia 26 de novembro do mesmo ano, tendo sido recebido pelo acadêmico José Sarney.

Casou-se com Beatriz Fontenele de Melo Franco, com quem teve seis filhos.

Além de conferências, artigos e discursos em diversos periódicos, publicou Primo canto — memórias da mocidade (1976), Três faces da liberdade (1988), Atrás do espelho — cartas de meus pais (1994), Perfis em alto relevo (2002), Diplomacia independente (um legado de Afonso Arinos) (2002) e Mirante (2006)

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1963-1967); INF. BIOG; Jornal do Brasil (16/10/60, 21/6 e 27/11/79, 3/3/86); MIN. REL. EXT. Anuário (1973); NÉRI, S. 16; Portal Academia Brasileira de Letras. Disponível em: <http://www.academia.org.br>. Acesso em: 06 maio 2009; Rev. Inst. Hist. Geog. Bras.; Who’s who in Brazil.

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