ALACID DA SILVA NUNES

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Nome: NUNES, Alacid
Nome Completo: ALACID DA SILVA NUNES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
NUNES, ALACID

NUNES, Alacid

*militar; gov. PA 1966-1971; dep. fed. PA 1975-1979; gov. PA 1979-1983; dep. fed. PA 1991-1995.

Alacid da Silva Nunes nasceu em Belém no dia 25 de novembro de 1924, filho de Francisco da Silva Nunes e de Maria da Silva Nunes.

Fez os primeiros estudos no Colégio Santa Teresinha, no Grupo Escolar José Veríssimo e no Colégio Pais de Carvalho. Após cursar a Escola Preparatória de Fortaleza, sentou praça em março de 1943, ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Transferido para a Escola Militar de Resende, atual Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), foi declarado aspirante-a-oficial em dezembro de 1946.

Promovido a segundo-tenente em junho de 1947, em 1949 cursou a Escola de Educação Física do Exército, tendo em junho desse ano atingido o posto de primeiro-tenente. Em abril de 1952 foi promovido a capitão, tornando-se no ano seguinte ajudante-de-ordens do general Cordeiro de Farias, posto que exerceu até 1955. Neste último ano, concluiu o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), sendo promovido a major em abril de 1959. No ano seguinte, foi comandante da zona militar norte, em Recife, além de ter presidido a comissão de concorrência da diretoria geral do material bélico, no Rio de Janeiro. Ainda como major, em 1961, durante o governo do presidente Jânio Quadros, exerceu interinamente o governo do Amapá, em substituição a José Francisco Moura Cavalcanti, tendo ocupado também no mesmo ano o cargo de secretário de Segurança daquele território.

No período de 1961 a 1964 chefiou a 28ª Circunscrição de Recrutamento, em Belém, e foi delegado do Comando Militar da Amazônia e da 8ª Região Militar (RM) como presidente da comissão de abastecimento regional. Participou ativamente do movimento político-militar de 31 de março de 1964, tendo sido encarregado da direção de vários inquéritos policiais-militares realizados no estado do Pará. Ainda em 1964, assumiu a presidência da Associação Paraense de Municípios e foi comandante do quartel-general da 8ª RM.

Eleito prefeito de Belém pela Câmara Municipal em junho de 1964, em virtude da cassação do mandato de seu antecessor, Luís Geolás de Moura Carvalho, encerrou sua gestão em julho de 1965. Em outubro candidatou-se ao governo do estado do Pará, com o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do Partido Trabalhista Nacional (PTN), do Partido Democrata Cristão (PDC), do Partido Republicano (PR) e da União Democrática Nacional (UDN), tendo derrotado Alexandre Zacarias de Assunção, da coligação entre o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Republicano Trabalhista (PRT). Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior implantação do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar.

Passou para a reserva como tenente-coronel, sendo empossado governador em janeiro de 1966 em substituição ao coronel Jarbas Passarinho. Em março de 1971 encerrou sua gestão à frente do governo paraense, que transmitiu a Fernando Guillon. Entre 1971 e 1974, ocupou o cargo de diretor-executivo da Fábrica de Cimento do Brasil S.A., em Capanema (PA).

Em novembro de 1974 foi o deputado federal mais votado em seu estado, concorrendo na legenda da Arena, e iniciou o mandato em fevereiro do ano seguinte. Nessa legislatura atuou na Comissão de Minas e Energia, em 1975, e presidiu a Comissão da Amazônia, entre 1975 e 1979.

Ao candidatar-se ao governo do Pará no pleito indireto de 1978, declarou-se favorável à anistia para crimes ideológicos, afirmando ainda que daria prioridade à agricultura, à saúde e à educação, além de apoiar a exploração racional da floresta amazônica. Em janeiro de 1979 concluiu seu mandato na Câmara dos Deputados e em março seguinte foi reconduzido pelo Colégio Eleitoral ao governo do estado, em substituição a Clóvis Silva de Morais Rego. Com a extinção do bipartidarismo em novembro do mesmo ano e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS).

Em março de 1981, após longo período de desentendimento com o senador paraense Jarbas Passarinho, declarou-se rompido com este e passou a estimular a transferência de seus correligionários para a sigla do novo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), embora se afirmando desligado de qualquer partido. Em agosto de 1981 o mesmo grupo vinculou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Dois anos depois, no mês de janeiro, Alacid reelegeu-se presidente do Conselho Diretor da Associação dos Municípios do Estado. No ostracismo desde que deixou o PDS, tentou uma reaproximação com o governo João Figueiredo, indicando, em fevereiro de 1983, o empresário Sahid Xerfan — amigo do general Euclides Figueiredo, irmão do presidente — para ocupar a prefeitura de Belém.

Concluindo o mandato em março de 1983, foi substituído por Jáder Barbalho, do PMDB. Dois anos depois, tornou-se conselheiro da Companhia Vale do Rio Doce, onde permaneceria até 1990. Neste período, coordenou a campanha vitoriosa do candidato do PDS, Sahid Xerfan, à prefeitura de Belém nas eleições de novembro de 1988.

Em outubro de 1990, candidatou-se a deputado federal, agora na legenda do Partido da Frente Liberal (PFL), pelo Pará. Eleito, foi empossado em fevereiro de 1991, tendo atuado neste mesmo ano nas comissões de Viação e Transportes, Desenvolvimento Urbano e Interior, e da Defesa Nacional.

Na sessão da Câmara de 29 de setembro de 1992, foi um dos 38 parlamentares que votaram contra a abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade, por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência após a votação na Câmara, em 29 de dezembro de 1992, Collor renunciou ao mandato, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal. Com a renúncia do presidente, foi efetivado na presidência o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde 2 de outubro.

Nesta legislatura, Alacid Nunes votou a favor da emenda que criava o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), imposto de 0,25% sobre transações bancárias, e da criação do Fundo Social de Emergência, que permitia ao governo retirar recursos de áreas como saúde e educação para ter maior liberdade na administração das verbas. Votou contra o fim do voto obrigatório.

Em outubro de 1994 tentou se reeleger na legenda do PFL, conseguindo apenas a primeira suplência. Em janeiro de 1995, ao final da legislatura, deixou a Câmara dos Deputados.

Em sua carreira militar, serviu ainda no IV Exército como ajudante-de-ordens do marechal Cordeiro de Farias e foi comandante do quartel-general da 8ª RM, sediada em Belém.

Foi ainda chefe de polícia no território federal do Amapá durante o governo de José Francisco de Moura Cavalcanti, presidente da Comissão de Abastecimento Regional do Pará e do Círculo Militar de Belém.

Casou-se com Marilda de Figueiredo Nnes, com quem teve três filhos. Dentre eles, atuou na carreira política Hidelgardo Nunes, vice-governador do estado do Pará de 1995 a 2002, durante os dois mandatos do governador Almir Gabriel.

Verônica Veloso/Alexsandro Gomes

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1975-1979,1991-1995); CRUZ, E. História de Belém; Encic. Mirador; Estado de S. Paulo (18/1 e 10/2/83); Folha de S. Paulo (15/8/81 e 18/7/94); INF. TRIB. REG. ELEIT. PA.; Jornal do Brasil (18/11/74, 27/4/78, 13/8/81 e 11/3/83); MIN. GUERRA. Almanaque (1966); NÉRI, S. 16; Perfil parlamentar/IstoÉ (1991); ROQUE, C. Grande; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (8).

 

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