ALBERTO MENDES CARDOSO

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Nome: CARDOSO, Alberto
Nome Completo: ALBERTO MENDES CARDOSO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CARDOSO, Alberto

*militar; min. Casa Mil. Pres. Rep. 1995-1999; min. Gab. Seg. Inst. 1999-2002.

 

Alberto Mendes Cardoso nasceu na cidade de São Paulo no dia 1º de outubro de 1940, filho de Alberto Assunção Cardoso e de Gleusa Mendes Cardoso. Seu avô, marechal Maurício Cardoso, foi comandante da 1ª Região Militar em 1943 e chefe do Estado-Maior do Exército de 1943 a 1944.

Cursou a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), e foi declarado aspirante-a-oficial da arma de infantaria em dezembro de 1962. Em agosto do ano seguinte foi promovido a segundo-tenente e em agosto de 1965 a primeiro-tenente. De junho a setembro de 1966, serviu como oficial de ligação da Brigada Latino-Americana junto às forças norte-americanas na República Dominicana. Em agosto de 1968 recebeu a promoção de capitão.

Em 1972 matriculou-se no curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO). Promovido a major em abril de 1977, nesse mesmo ano iniciou curso na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). De 1978 a 1979 exerceu as funções de adjunto da 2ª Seção do 6º Regimento Militar e de 1980 e 1981 foi instrutor-chefe do curso de infantaria da AMAN. Em de 1982 frequentou o curso de comando e Estado-Maior no Uruguai, em agosto desse ano recebeu a patente de tenente-coronel e em agosto de 1986, a de coronel.

Em 1987 assumiu o comando do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, onde permaneceu até 1988. Comandante do Corpo de Cadetes da AMAN em 1989 e 1990, em 1991 tornou-se oficial-de-gabinete do ministro do Exército, general Carlos Tinoco. Em novembro do mesmo ano foi designado subchefe do Exército da Casa Militar da Presidência da República, aí permanecendo até março de 1993. General-de-brigada em março de 1994, no mês seguinte foi designado comandante da 2ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Niterói (RJ), cargo que exerceria até dezembro.

Em novembro de 1994, foi escolhido pelo recém-eleito presidente da República Fernando Henrique Cardoso, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), para assumir a chefia da Casa Militar da Presidência da República. Tomou posse em janeiro de 1995 e, como responsável pela segurança do presidente, teve que se preocupar com as manifestações de sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que ao longo do ano protestaram contra o governo em todos os estados que o presidente visitou. Tentou, juntamente com sua equipe, convencer o presidente a adotar um carro blindado, o que acabou não ocorrendo.

Em abril de 1996, foi o primeiro representante do governo a chegar a Eldorado dos Carajás (PA), local do conflito entre militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Polícia Militar (PM) que resultou no assassinato de 19 trabalhadores rurais. Visitou o local do conflito e esteve em Marabá, onde encontrou alguns dos sobreviventes. Em conversa reservada com o presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, declarou que “se aquele massacre não representasse uma virada na questão agrária, seria uma desonra para os que morreram”.

Em outubro do mesmo ano, no discurso de abertura do seminário internacional sobre “Transferência de tecnologia sensível e o futuro dos regimes de controle”, no Rio de Janeiro, atacou a restrição à tecnologia nuclear, declarando que o Brasil não queria ser cerceado no uso da energia nuclear para fins pacíficos, e que o país se sentia prejudicado por ter acesso circunscrito a certos nichos tecnológicos. Defendeu a “igualdade de oportunidades” e ressaltou que o Brasil não estava plenamente satisfeito com os limitados resultados alcançados na área de desarmamento nuclear.

Em junho de 1997, teve início em Minas Gerais uma greve de policiais militares que acabou se estendendo por diversos estados do país. Reivindicando melhores salários, os protestos tiraram o Exército dos quartéis e ocasionaram sérios distúrbios em algumas capitais. Qualificando o acontecimento como o pior momento da história da polícia no Brasil, Alberto Cardoso negociou o fim do conflito e responsabilizou os comandantes-gerais das PMs pela quebra de disciplina das corporações estaduais que promoveram as greves. Numa de suas críticas mais duras à rebelião das PMs, afirmou que romper com a hierarquia era radicalizar e que isso não poderia ser aceito pelo palácio do Planalto. Embora, no seu entender, não houvesse risco de o movimento atingir as forças armadas, os militares chegaram a ficar preocupados com a aproximação entre os grevistas, a CUT e o MST. Passada a crise, propôs a desmilitarização das PMs e a criação de uma Guarda Nacional.

Em setembro de 1997 apresentou ao Congresso um projeto de lei que criava um novo sistema de informações, a ser executado pela Agência Brasileira de Informações (Abin). Elaborado para servir diretamente ao presidente da República, munindo-o de informações, o sistema de inteligência teria um controle externo, exercido por uma comissão mista do Congresso formada por três senadores e três deputados federais. Ao contrário do Serviço Nacional de Informações (SNI), extinto na gestão do presidente Fernando Collor de Melo (1990-1992), a nova estrutura de inteligência não teria caráter ideológico, nem faria investigações políticas sobre adversários do governo. Alberto Cardoso descartou a possibilidade de os agentes do novo serviço militar se infiltrarem em comícios ou investigarem campanhas de políticos da oposição, e garantiu que os líderes do MST não seriam objeto de nenhum tipo de acompanhamento especial, admitindo, porém, que suas ações e as consequências delas seriam sempre analisadas pela Abin. Declarou ainda que o sistema de inteligência seria favorável aos movimentos sociais, e que o MST receberia “um tratamento carinhoso e democrático”, porque defendia uma causa justa, embora em algumas ocasiões pudesse ser necessário realizar missões sigilosas em áreas de conflitos sociais, como por exemplo no pontal do Paranapanema (SP).

Em abril de 1998, anunciou que seria criada no fim do mês seguinte a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), subordinada diretamente ao presidente da República, que teria como função a coordenação das ações federais de repressão ao tráfico e até o tratamento de usuários de drogas. A criação do novo órgão, mais poderoso que o então Conselho Federal de Entorpecentes (Cofen), representava mais uma tentativa do governo de reorganizar o fracassado pacote de combate à violência lançado no ano anterior, após a explosão da crise das PMs. A Senad iria incorporar várias atribuições do Ministério da Justiça e controlaria recursos arrecadados pelo Fundo de Prevenção, Recuperação e Combate de Abuso às Drogas. Em junho de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou medida provisória criando a Senad, cumprindo o compromisso que assumira na abertura da sessão especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre drogas. Alberto Cardoso ficou responsável pelo órgão até a escolha do primeiro titular da pasta, Walter Maierovitch, que assumiu o posto em outubro de 1998.

Promovido a general-de-divisão em julho de 1998, ao se iniciar o segundo governo Fernando Henrique Cardoso, em janeiro de 1999, foi mantido na Casa Militar. Com a transformação, em setembro desse ano, da Casa Militar em Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), órgão de natureza civil, licenciou-se por dois anos do Exército. O GSI respondia, entre outras coisas, pela secretaria-geral do Conselho de Defesa Nacional e da Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional, e pela direção da Abin, criada em 1999, da Senad e do Conselho Nacional Anti-Drogas. Firmou-se como uma estrutura ministerial de gerenciamento e prevenção de crises relacionadas à segurança interna, com influência direta sobre o emprego de tropas do Exército. Algumas das crises enfrentadas na época foram greves das PMs em vários estados e invasões promovidas pelo MST, inclusive em propriedades de parentes do presidente da República. Foi o principal interlocutor do governo nas discussões para a elaboração da Política Nacional Anti-Drogas, que seria assinada em dezembro de 2001.

Em agosto de 2001, diante do término de sua licença, Alberto Cardoso foi obrigado a escolher entre continuar no cargo e entrar para a reserva, perdendo o direito a uma promoção, ou voltar para o Exército. A solução foi a edição de uma medida provisória pelo presidente da República, que alterou a natureza do cargo de ministro-chefe do GSI, de civil para privativo de oficial-general das forças armadas. Com isso, pôde permanecer à frente do GSI até o final do governo Fernando Henrique Cardoso em dezembro de 2002, e ser promovido a general-de-exército em julho de 2002.

Em janeiro de 2003, foi nomeado secretário de Ciência e Tecnologia do Exército, órgão setorial posteriormente denominado Departamento de Ciência e Tecnologia, do qual assumiu a chefia em 2005. Passou para a reserva em 2006 e presidiu a Representação Interamericana no Fórum Lusófono para a Governança dos Recursos Energéticos e o Centro de Estudos de Políticas e Estratégias Nacionais (Cepen).

Casou-se com Sônia Guerra Cardoso.

Publicou O pequeno escalão nas operações contra guerrilha, Os treze momentos — análise da obra de Sun Tzu (1987) e Os treze momentos da arte da guerra (2005).

Mirian Aragão

 

FONTES: CEPEN; CURRIC. BIOG.; DESTAQUE; Estado de S.Paulo (10/10/96); Folha de S.Paulo (20/4/96, 26/8, 20/9/97, 19/6/98, 9/1/03); Globo (26, 27/7, 20/9/97); Jornal do Brasil (18/4, 26, 29/7, 20/9/97, 27/4, 20/6/98); MP mantém; OLIVEIRA, E.R. Democracia e Defesa Nacional; Portal Pres. da Rep. Disponível em : <http://www.presidencia.gov.br>; Portal Pres. da Rep. – GSI. Disponível em : <http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/gsi/>; SILVEIRA, W. FHC assina; TAHAN, A.M. Ordem.

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