Alceu de Deus Colares

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Nome: COLARES, Alceu
Nome Completo: Alceu de Deus Colares

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

COLARES, Alceu

*dep. fed. RS 1971-1983; gov. RS 1991-1995; dep. fed. RS 1999-2003, 2003-2007


 

Alceu de Deus Colares nasceu em Bajé (RS) no dia 12 de setembro de 1927, filho de João de Deus Colares e de Severina T. Colares.

Trabalhou como quitandeiro, distribuidor de jornais, carregador e estafeta dos Correios e Telégrafos. Radicado em Porto Alegre, bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1958. Durante sua graduação, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), no qual se elegeu vereador na capital gaúcha em 1962.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, e a conseqüente implantação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril do ano anterior. Nessa legenda elegeu-se suplente de deputado federal no pleito de novembro de 1966.

Depois de reeleito vereador em Porto Alegre em novembro de 1968, recebeu nas eleições de novembro de 1970 a maior votação do MDB do Rio Grande do Sul para a Câmara dos Deputados, com mais de 120 mil votos. Assumiu sua cadeira em fevereiro do ano seguinte, renunciando assim ao mandato municipal. Como deputado federal, foi vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, sendo considerado pelos jornalistas credenciados na casa o melhor deputado de 1973. Indicado como um dos vice-líderes do MDB em maio deste último ano, no pleito de novembro de 1974 foi reeleito deputado federal, sendo novamente o mais votado do MDB gaúcho. Durante a campanha, teve o apoio dos motoristas profissionais da Grande Porto Alegre, por causa de seu projeto de lei destinado a criar o salário profissional da classe.

Foi novamente membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e vice-líder do MDB a partir de maio de 1975. Defendeu, no ano seguinte, a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para examinar a estrutura salarial do país. Numa declaração ao Jornal do Brasil em junho de 1977, definiu como concentrador de renda e elitista o modelo econômico brasileiro, que, em sua opinião, buscava limitar a liberdade de expressão e de organização dos trabalhadores para efetivar essa exploração. Em outubro seguinte, defendeu na tribuna da Câmara os dez princípios básicos adotados pelo MDB, aos quais chamou de “decálogo da Constituinte”, e que justificavam a elaboração de uma nova Carta Constitucional a partir de uma assembléia especialmente convocada para esse fim. Ainda no mesmo ano, criticou a política salarial do governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) e defendeu a liberdade sindical, a reformulação do direito de greve, a instituição do seguro-desemprego, a participação do trabalhador nos lucros das empresas, o direito à estabilidade no emprego com a manutenção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a modificação dos critérios de fixação do salário mínimo, que, segundo Colares, não acompanhavam o custo de vida e não previam os gastos com saúde, recreação e educação.

Reeleito mais uma vez em novembro de 1978, no início do ano seguinte apresentou, sem êxito, uma emenda ao projeto de abertura do governo federal na qual propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. Em setembro de 1979, entregou dois documentos ao presidente da República, general João Batista Figueiredo (1979-1985), criticando a reforma salarial proposta pelo governo. Na ocasião, alertou o presidente para o fato de que, se uma maior distribuição de renda não fosse realizada, isso poderia acarretar revoltas populares.

Ainda em 1979, manifestou-se contra a iniciativa do governo de restabelecer o pluripartidarismo, afirmando que, se ele seria fundamental num regime democrático, tornava-se impraticável “num regime ditatorial, onde as funções essenciais dos partidos estão proibidas”. Segundo Colares, o retorno ao pluripartidarismo e a extinção do MDB eram, naquele momento, uma tentativa de dividir a oposição. Apesar disso, em outubro daquele ano atacou o imobilismo da oposição e declarou a O Globo que nunca houvera unidade no MDB. Ao propor a formação de uma frente de políticos que tivessem um mínimo de identidade ideológica e doutrinária, afirmou que, extinto o MDB, poderia ser criado o Partido Democrático Brasileiro, “que aglutinaria os setores moderados do partido”. Durante sua passagem pelo MDB, Colares presidiu o Instituto Pedroso Horta, órgão da agremiação voltado para os estudos políticos.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, ligou-se aos trabalhistas liderados pelo ex-governador gaúcho Leonel Brizola (1959-1963), que pretendiam reorganizar o PTB.

Em abril de 1980, como líder dos trabalhistas na Câmara, Colares sugeriu um maior contato com os militares para a troca de idéias, declarando que “os militares no Brasil não constituíam uma casta, sua origem era o povo, mas lamentavelmente, por algum tempo, estavam dando sustentação a um regime que era contra o povo”.

Em maio seguinte, declarou que o trabalhismo seria a transição pacífica do capitalismo ao socialismo e propôs a criação de um fundo para atendimento das necessidades do povo, a ser obtido com a reserva do lucro das empresas estatais. Com a perda da sigla do PTB para o grupo liderado por Ivete Vargas, os brizolistas fundaram o Partido Democrático Trabalhista (PDT) ainda em maio de 1980, sendo Colares escolhido o líder da nova agremiação na Câmara.

Em junho seguinte, declarou-se contrário à reunificação dos partidos oposicionistas e defendeu a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte (ANC), criticando o voto vinculado e a sublegenda. Reeleito líder da bancada pedetista no início de 1981, em outubro do ano seguinte Colares foi lançado candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo PDT gaúcho. Sua indicação foi saudada por Brizola como uma expressão da vitória política das camadas periféricas da sociedade, numa alusão à origem humilde de Colares.

Escolhido por aclamação numa pré-convenção com cerca de duas mil pessoas, Colares prometeu que, chegando ao palácio Piratini (sede do governo estadual), abriria as portas de sua gestão aos trabalhadores, sugerindo a continuidade de seu eventual governo com a administração de Brizola (1959-1963), que, segundo ele, sempre revelara uma profunda preocupação social. Realizado em novembro de 1982, o pleito para o governo gaúcho teve como vencedor o candidato Jair Soares, do Partido Democrático Social (PDS).

Com a derrota na eleição estadual, Colares continuou o exercício de seu mandato na Câmara, concluindo-o em janeiro de 1983. Passou em seguida a assessorar o PDT na Assembléia Legislativa gaúcha, além de prestar serviços de advocacia ao Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj). Indicado pelo PDT para disputar a prefeitura de Porto Alegre em novembro de 1985, teve como principal adversário o candidato Francisco Machado Carrion, da Aliança Democrática, coligação formada pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) — sucessor do MDB —, pelo Partido da Frente Liberal (PFL), pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Colares o venceu e, na posse, em janeiro do ano seguinte, Colares anunciou que a prioridade de seu governo seria a educação, prometendo que, já em março, não haveria nenhuma criança fora da escola na capital gaúcha. Destacou também seu compromisso com uma administração democrática, prometendo criar conselhos municipais formados por representantes indicados pela população.

Afirmou ainda que sua gestão seria “uma tribuna de denúncias da ilegitimidade do mandato do presidente José Sarney”, já que este não havia sido eleito para o cargo. Vice de Tancredo Neves — sucessor de Figueiredo eleito pelo Colégio Eleitoral de 15 de janeiro de 1985 —, Sarney fora efetivado na presidência no dia 21 de abril daquele ano em virtude do falecimento do candidato eleito. Segundo Colares, a continuidade do governo Sarney até 1987 ou 1988 constituía uma usurpação. Propôs-se, assim, a trabalhar na campanha pelas eleições diretas em 1986 e pelo fortalecimento da candidatura presidencial de Brizola. Apesar de seu empenho, as diretas somente seriam realizadas em 1989.

Em agosto de 1987, com Sarney ainda no governo federal, Colares foi acusado de imobilismo e de não estar cumprindo promessas de campanha. Em resposta a seus adversários, alegou que seu desgaste era pequeno em comparação com o do governador Pedro Simon (1987-1991) ou com o do próprio Sarney. No mês seguinte, acusou seu antecessor João Dib, do PDS, de ter nomeado sem concurso mais de duas mil pessoas num “apadrinhamento político vergonhoso”. Com a justificativa de que preferia a vida parlamentar, em dezembro garantiu que não cederia às pressões de seu partido para concorrer pela segunda vez ao governo do estado no pleito de outubro de 1990. Temendo ser mais uma vez derrotado, tal como ocorrera na eleição de 1982, afirmou que, se isso acontecesse, poderia ficar numa situação financeira difícil. Ainda na mesma ocasião, queixou-se do valor de seu salário com o presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, Brochado Rocha. Com os vencimentos congelados desde julho de 1987, Colares disse ser o prefeito mais mal pago do país e que seus colegas do interior do estado estariam ganhando três vezes mais do que ele.

Em abril de 1988 entrou com duas ações, uma criminal e outra civil, contra o presidente Sarney, devido ao cancelamento de repasse de verbas federais para Porto Alegre. Além de afirmar que a capital gaúcha fora a única a não receber os recursos, Colares acusou Sarney de discriminação política e racial, já que era o único prefeito pedetista e negro do país. Dizendo contar com a solidariedade da Associação dos Prefeitos de Capitais, sugeriu que a ação poderia resultar no impeachment do presidente da República.

Próximo às eleições de novembro de 1988, Colares inaugurou uma série de obras em Porto Alegre, entre elas a primeira etapa do programa de urbanização da orla do rio Guaíba e a construção do Centro Integrado de Educação Municipal (CIEM), projeto concebido a partir do Centro Integrado de Educação Pública (CIEP), criado no estado do Rio de Janeiro durante o governo Brizola (1983-1987). Segundo a oposição, as obras inauguradas por Colares tinham o objetivo de reforçar a campanha de Carlos Araújo, candidato do PDT à prefeitura da capital gaúcha, que acabou na terceira colocação no pleito.

Colares deixou a prefeitura de Porto Alegre no dia 31 de dezembro de 1988, sendo sucedido no cargo por Olívio Dutra, do Partido dos Trabalhadores (PT). Em novembro/dezembro do ano seguinte, após quase trinta anos, as diretas para presidente foram finalmente realizadas, tendo como vencedor o candidato do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), Fernando Collor de Melo, que derrotou no segundo turno o candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva.

No governo do Rio Grande do Sul

Em junho de 1990, tendo em vista a eleição de outubro seguinte, Colares foi escolhido candidato ao governo do Rio Grande do Sul pela Frente Progressista Gaúcha, formada pelo PDT, pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e pelo PCdoB, contrariando, com isso, a promessa que fizera de não mais se candidatar ao cargo. Nesse mesmo mês, em debate com os demais candidatos, confessou-se arrependido pela coligação PDT-PDS nas eleições de 1986, quando Aldo Pinto (PDT) foi o candidato a governador. Crítico do Plano Collor — programa de estabilização econômica anunciado logo após a posse do novo governo em março de 1990 —, disse que, se eleito, daria prioridade à educação, à saúde e à segurança pública.

Em julho de 1990, Colares foi denunciado pelo candidato do PT Tarso Genro por ter vendido lotes públicos a preços subfaturados no período em que estivera na prefeitura de Porto Alegre. Ainda durante a campanha, a imprensa divulgou o casamento às escondidas do candidato pedetista com sua ex-secretária de Educação, Neusa Canabarro. Na mesma época, Colares foi também acusado, por sua ex-mulher Antônia Medeiros Colares, de ter enriquecido após deixar o cargo de prefeito. Estas notícias foram interpretadas na época como a causa de sua queda nas pesquisas de intenção de voto e do conseqüente crescimento da candidatura de Nélson Marchezan, da coligação União por um Novo Rio Grande, formada por PDS, PFL e PTB, o que acabou forçando a realização de um segundo turno entre os dois candidatos.

Absolvido da acusação de venda irregular de terreno público pelo Tribunal de Contas de Porto Alegre, Colares acabou por derrotar Marchezan em novembro de 1990, tornando-se o novo governador gaúcho. Apesar de atribuir sua vitória e a de outros governadores da oposição à insatisfação com o governo Collor, propôs que os eleitos elaborassem em conjunto um projeto alternativo de desenvolvimento do país para ser entregue ao presidente da República.

Ainda antes de ser empossado, afirmou que “faria uma oposição leal ao governo”. Embora fizesse críticas à política econômica adotada por Collor, Colares defendeu o entendimento nacional e a formalização de um pacto entre todos os setores da sociedade, sob a direção do próprio presidente da República. Ao assumir sua cadeira no palácio Piratini em março de 1991, seguiu o movimento de aproximação liderado por Brizola (1991-1995) no governo do Rio de Janeiro e afirmou que Collor era “herdeiro” dos ex-presidentes Getúlio Vargas (1937-1945) e João Goulart (1961-1964), principais líderes do movimento trabalhista brasileiro.

Em agosto de 1991, juntamente com os governadores do Paraná, Roberto Requião (1987-1994), do PMDB, e de Santa Catarina, Vílson Kleinübing (1987-1994), do PFL, anunciou as bases para o entendimento nacional, que deveriam incluir o aumento do salário mínimo, a renegociação das dívidas dos governos estaduais e a realização das reformas constitucional e tributária. Em encontro com Collor, Colares solicitou também a federalização do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Essa aproximação do PDT com o Executivo Federal — Colares chegara até a admitir a possibilidade de defender publicamente a aliança de Brizola com Collor, caso ela fosse confirmada — seria mantida até que, em meados de 1992, o irmão do presidente, Pedro Collor de Melo, trouxesse a público a existência, no interior do governo, de um esquema de corrupção comandado pelo ex-tesoureiro da campanha eleitoral de Collor, Paulo César Farias.

Muito embora Brizola tenha inicialmente se recusado a apoiar a formação de uma CPI para investigar o caso, as denúncias tiveram forte impacto sobre os líderes pedetistas. Em agosto de 1992, Colares declarou apoio ao processo de impeachment por crime de responsabilidade contra o presidente da República. Afastado de suas funções pela Câmara, Collor acabou renunciando ao mandato em 29 de dezembro de 1992, horas antes de ser cassado pelo Senado Federal e de se tornar inelegível por oito anos. Foi substituído na presidência por seu vice Itamar Franco, que vinha ocupando o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

Segundo Colares, “a proximidade administrativa, e não política”, de Brizola com Collor teria resultado em nova derrota do PDT para a prefeitura de Porto Alegre, em outubro de 1992. De fato, os adversários de Carlos Araújo, novamente o candidato pedetista, souberam explorar eleitoralmente a impopularidade da posição assumida pelo governador do Rio durante o processo de impeachment. Sem que nenhum dos candidatos tivesse alcançado a maioria absoluta dos votos no primeiro turno, a eleição acabou sendo decidida num segundo escrutínio, realizado em novembro, entre César Schirmer, do PMDB, e Tarso Genro, do PT, cabendo a vitória ao candidato petista.

Durante o governo Itamar (1992-1994), Colares declarou-se preocupado com a falta de representatividade do presidente, o que, no seu entender, poderia levar o país a uma crise de governabilidade. Para evitar que isso ocorresse, sugeriu mais uma vez a realização de um pacto entre as forças políticas nacionais em torno de um programa mínimo de governo que levasse em conta a reforma fiscal e a revisão da representação parlamentar da Câmara. Segundo Colares, a desproporção das bancadas no parlamento em relação ao número de habitantes de cada estado privilegiava as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, reduzindo a distribuição de recursos para o Sul e o Sudeste do país. Alertando que a distorção preparava o terreno para “as sementes do separatismo”, entrou, em dezembro de 1992, com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o artigo da Constituição que limitava a 70 o número máximo de deputados por estado.

Na campanha para o plebiscito de abril de 1993, sobre forma e sistema de governo, Colares criticou a decisão do PDT de fechar questão em torno da defesa do presidencialismo. Parlamentarista assumido, acabou, no entanto, recuando de sua posição, e posteriormente declarou apoio à manutenção do sistema presidencialista, que acabou sendo aprovada. Ao justificar sua decisão, alegou que a campanha da Frente Parlamentarista havia desrespeitado a população com seu “excesso de marketing. Além disso, Colares achava que o Brasil ainda não estava preparado para a adoção do parlamentarismo, que, na sua opinião, deveria vir acompanhado por uma reforma partidária, pela revisão da representação dos estados e pela introdução do voto distrital misto.

Em agosto de 1993, Colares anunciou a intenção de se candidatar ao Senado nas eleições de outubro do ano seguinte. Sua pretensão, no entanto, seria logo abortada em virtude de uma série de denúncias que se abateram sobre sua administração em setembro daquele ano. Trazidas a público pelo empresário Rosalino Zorgi, durante um reunião com deputados na Assembléia Legislativa gaúcha, as acusações davam conta da existência de uma rede de corrupção no governo estadual liderada por Tomás Édison Acosta e por seu sócio Celestino Inácio Eleizeire Júnior, cunhado de Colares e irmão da primeira-dama e secretária de Educação, Neusa Canabarro. Presos ainda em setembro sob a acusação de tráfico de drogas, Eleizeire Júnior e Acosta eram também suspeitos de comandar um esquema de tráfico de influência envolvendo altas figuras do primeiro escalão do Executivo, entre elas o secretário de Planejamento Territorial e Obras, Jorge Debiagi, e o ex-vice-presidente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) Luís Abadri.

Em outubro de 1993, o legislativo gaúcho decidiu criar uma CPI para apurar as denúncias de Zorgi. Com a tomada de depoimentos, surgiu a informação de que conselheiros do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) do estado cobravam propina em troca da concessão de novas linhas de ônibus e da autorização de reajuste das tarifas. Juntamente com o secretário de Transportes Mateus Schmidt, Colares foi acusado de saber das irregularidades. Além de pôr em dúvida a “integridade” das testemunhas, o governador afirmou que estava sendo vítima da “montagem de uma farsa” e anunciou sua desistência de concorrer ao Senado para provar a idoneidade de sua gestão.

Em novembro, o ex-prefeito de Cacequi (RS) Marcelo Carvalho, um dos fundadores do PDT e seu amigo havia mais de 40 anos, declarou em depoimento à CPI que Colares não só tinha conhecimento, como estimulava o recebimento de mercadorias de empresas em troca do perdão de dívidas atrasadas com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), operação considerada ilegal pelo Ministério Público. Ao negar as acusações, Colares afirmou que a prática, conhecida como adjudicação, sempre lhe parecera ilegal e que mandara abrir um inquérito para investigar o caso.

Com o agravamento da crise, Colares começou a perder apoio até mesmo na bancada do PDT. Ainda em novembro de 1993, cerca de metade dos deputados estaduais do partido negou-se a lhe prestar solidariedade. Na mesma ocasião, o vereador pedetista Pedro Ruas pediu a demissão de Neusa Canabarro da Secretaria de Educação, acusando-a de ter montado “quase um governo paralelo” na administração estadual. Com a renúncia do vice-governador João Gilberto da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Colares decidiu anunciar seu rompimento com o PSDB e o PCdoB, que haviam prestado apoio à instalação da CPI. Sugerindo que Gilberto, que era filiado ao PSDB, também deixasse o cargo de vice, anunciou a demissão de todos os membros do PSDB ocupantes de cargos de confiança no governo. Por fim, exonerou os secretários pedetistas Carrion Júnior e Carlos Cardinal para que pudessem reassumir seus mandatos na Câmara e, com isso, trazer de volta à suplência os deputados Jorge Uequed (PSDB) e Edson Silva (PCdoB).

Com a popularidade em baixa, Colares não conseguiu fazer seu sucessor. Nas eleições de outubro de 1994, o candidato do PDT Sereno Chaise teve uma votação inexpressiva e foi derrotado já no primeiro turno do pleito. No segundo turno, vencido pelo candidato Antônio Brito, do PMDB, em disputa com Olívio Dutra, do PT, Colares foi contrário ao apoio aos petistas, defendido por alguns setores do PDT, e defendeu a liberação do voto dos filiados. Embora admitisse a necessidade de “revisão do projeto do trabalhismo brasileiro” e da dependência excessiva de seu partido à liderança de Brizola, rejeitou qualquer possibilidade de união entre o PT e o PDT, afirmando que, se isso acontecesse, os pedetistas iriam se “transformar numa sublegenda”.

Alceu Colares deixou o governo do Rio Grande do Sul no dia 31 de dezembro de 1994. Voltou a disputar um novo mandato eletivo em outubro de 1998, quando elegeu-se deputado federal na coligação Frente Trabalhista Rio Grandense, composta pelo PDT, pelo Partido Social Trabalhista (PST) e pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), sendo empossado na Câmara em fevereiro seguinte.

Em 2000, candidatou-se a prefeito de Porto Alegre pelo PDT, mas foi derrotado no segundo turno por Tarso Genro, do PT.

Em 2002, Colares reelegeu-se deputado federal. Ao longo dos dois mandatos na Câmara dos Deputados, foi vice-líder do PDT, vice-líder do bloco que reuniu o PDT ao Partido Popular Socialista (PPS), presidente da Comissão de Seguridade Social e Família e presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

Nas eleições de 2006, foi candidato ao governo do Rio Grande do Sul na legenda do PDT, mas não obteve êxito, ficando em quinto lugar com apenas 3,7% dos votos válidos. A disputa foi vencida por Ieda Crusius, do PSDB, que derrotou Olívio Dutra, do PT, no 2º turno. Colares deixou a Câmara ao final de seu mandato, em janeiro de 2007.

Em abril de 2008, foi nomeado para o Conselho de Administração da hidrelétrica Itaipu Binacional.

Nas eleições de Outubro de 2010, não foi candidato a cargo eletivo, mas participou ativamente das decisões partidárias. Contrariando a decisão do PDT, apoiou o candidato petista Tarso Genro nas eleições para o governo do Rio Grande do Sul, em oposição a José Fogaça, do PMDB. Neste mesmo pleito, Dilma Rousseff, que havia sido inserida na política como secretária de Energia durante seu mandato de governador, foi eleita para a Presidência da República.

Em 2013, tentou lançar uma chapa para disputar a presidência nacional do PDT, mas não obteve registro por falta de apoio e a convenção do partido reelegeu Carlos Lupi, candidato único, por aclamação.

Teve dois filhos com sua primeira esposa, Antônia Medeiros Colares.

 

Verônica Veloso/Luís Otávio de Sousa

 

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. RS. Parlamentares gaúchos; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1971-1975) e (1975-1983); CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; Jornal do Brasil (01/12/1973, 25/11/1974, 19/06/1977, 28/6/1977, 20/10/1977, 21/07/1978, 25/11/1978, 10/04/1979, 14/09/1979, 15/09/1979, 03/04/1980, 20/05/1980, 31/07/1980, 26/10/1980, 18/03/1981, 27/03/1981, 1/04/1981, 20/07/1981, 19/10/1981, 16/04/1985, 15/07/1985, 30/10/1985, 17/11/1985, 02/01/1986, 31/12/1986, 18/08/1987, 24/09/1987, 17/12/1987, 29/01/1988, 01/02/1988, 23/05/1988, 22/12/1988, 26/06/1990, 29/01/1991, 06/10/1992, 19/10/1992, 11/03/1993, 23/10/1993, 05/11/1993, 06/11/1993, 09/11/1993, 12/11/1993, 27/10/1994 e 18/11/1994); Jornal Estado de S. Paulo (15/06/1980, 30/09/1980, 05/10/1980, 20/03/1981, 21/03/1981, 10/08/1982, 17/11/1985, 20/05/1988, 11/10/1988, 12/10/1988, 3/06/1990, 10/12/1992 e 17/10/1993); Jornal Folha de S. Paulo (18/11/1985, 02/01/1986, 02/02/1988, 20/04/1988, 09/10/1988, 12/10/1988, 15/10/1988, 17/07/1991, 14/08/1991, 27/08/1992 e 23/11/93); Jornal O Globo (14/10/1979, 15/06/1980, 26/02/1981, 26/04/1981, 29/07/1985, 10/11/1985, 17/11/1985, 02/01/1986, 15/09/1987, 21/04/1988, 26/05/1988, 13/07/1988, 18/08/1988, 10/10/1988, 11/10/1988, 24/07/1990, 16/03/1991, 28/08/1992 e 10/02/1993); NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); Revista Veja (22/11/1978); Portal do Jornal Zero Hora. Disponível em: <http://www.zerohora.clicrbs.com.br>. Acesso em 27/08/2013; Portal do Partido Democrático Trabalhista. Disponível em: <http://www.pdt.otg.br>. Acesso em 27/08/2013; Portal da revista Isto É/ Perfil Parlamentar. Disponível em: <http://www.istoe.com.br/capa>. Acesso em 10/09/2009.

 

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