ALCIR AUGUSTINHO CALIARI

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Nome: CALIARI, Alcir
Nome Completo: ALCIR AUGUSTINHO CALIARI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CALIARI, Alcir [PRONTO]

CALLIARI, Alcir

* pres. Banco do Brasil 1992-1995.

 

Alcir Augustinho Calliari nasceu em Campos Novos (SC) no dia 14 de setembro de 1938, filho de João Alcides Calliari e de Hermínia Menel Calliari.

Começou sua carreira no Banco do Brasil como ajudante de contabilidade, em 1958, na agência de Santo Ângelo (RS). Paralelamente à carreira no banco, deu prosseguimento à sua formação acadêmica, bacharelando-se em economia em 1963, pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas de Cruz Alta (RS). Quatro anos depois, começou o curso de sociologia e lógica na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ijuí (RS) e concluiu, em 1970, o curso de direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Atuou sempre ligado à área de implantação e desenvolvimento de novas tecnologias do Banco do Brasil. Entre 1968 e 1970 trabalhou no Rio de Janeiro na implantação de sistemas automatizados para revisão e modernização de agências bancárias. A partir de 1973, já em Brasília, trabalhou como chefe de divisão na área de atendimento dos serviços de administração pública, tendo participado das comissões consultivas de técnicas financeiras do Ministério da Fazenda e do sistema de arrecadação da Receita Federal.

Em 1976 fez os cursos de especialização de programação financeira, política fiscal e orçamento público na Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf) do Ministério da Fazenda, em Brasília. No ano seguinte, assumiu o cargo de consultor da presidência do banco, trabalhando na assessoria econômica e técnica nas reuniões do Conselho Monetário Nacional e na coordenação do planejamento global do Banco do Brasil.  Em 1979 tornou-se diretor de recursos tecnológicos do banco, aí permanecendo até 1981, quando assumiu o cargo de diretor de planejamento até o ano seguinte. Nesse período, integrou a comissão consultiva bancária do Conselho Monetário Nacional.

Ainda em 1982 assumiu a gerência geral da agência do Banco do Brasil em Madri. Na capital espanhola, freqüentou, no ano seguinte, o curso de finanças internacionais no Instituto de Empresas. De volta ao Brasil em 1985, assumiu a diretoria de recursos tecnológicos em Brasília, organizando o Plano Diretor de Informática e estruturando a modernização administrativa do Banco do Brasil. Tornou-se o responsável pela implantação do sistema on line, mantendo-se na função até 1989. No mesmo ano, trabalhou também como assessor especial da presidência da Caixa Econômica Federal, preparando os estudos estratégicos para o planejamento global da empresa.

Aposentou-se pelo Banco do Brasil no cargo de diretor de recursos tecnológicos em 1990. Entre este último ano e 1992 trabalhou na empresa de consultoria Brasilconsult Participações.

Em outubro de 1992 – depois do afastamento do presidente Fernando Collor no mês anterior, acusado de envolvimento num amplo esquema de corrupção no interior do governo, e com a posse do vice-presidente Itamar Franco, na condição de presidente interino – Calliari assumiu a presidência do Banco do Brasil, substituindo Lafaiete Coutinho. Segundo o presidente Itamar, Calliari foi escolhido por ser funcionário de carreira e não ter ligações com o sistema financeiro. Parlamentares de partidos de esquerda e sindicalistas tiveram influência na indicação.

Definindo-se como um burocrata e declarando que “o papel do Banco do Brasil não era competir com a iniciativa privada, mas voltar a captar recursos para o setor produtivo e fugir da especulação financeira”, Calliari lançou a idéia de se utilizar os recursos dos fundos de pensão para financiar a retomada do desenvolvimento, especialmente naquilo que acentuasse o papel do Banco do Brasil como instrumento de política social. Defendeu firmemente o programa de crédito a pequenas comunidades rurais, definindo o papel do banco como agente social no campo, e defendeu também a redução da taxa de juros, principalmente em benefício do setor produtivo – tal como desejava o presidente Itamar – mas, frisava, sem precipitação da inflação nem o comprometimento da política econômica do Ministério da Fazenda.

Em sua gestão, o Banco do Brasil entrou no ramo na previdência privada, criando – em conjunto com as companhias seguradoras Sul América, Santa Cruz, Companhia Paulista de Seguros e Minas Brasil – a Brasilprev. Sediada em São Paulo, a empresa foi constituída com um capital inicial de US$ 24 milhões, sendo a participação do banco da ordem de 48% das ações, e as demais empresas com cerca de 13% cada. Seu objetivo era comercializar planos de aposentadoria, pensão e pecúlio ao público.

Outro aspecto de sua administração foram as denúncias de irregularidades na condução de licitações de serviços, bem como a apuração das irregularidades cometidas na gestão anterior. Calliari afirma ter defendido a dignidade do funcionalismo do Banco do Brasil – reconduziu funcionários perseguidos politicamente pela gestão de Lafaiete Coutinho – e por isso teve que enfrentar críticas à política de cargos e salários que desenvolvia, que tinha como objetivo valorizar a competência e aumentar a competitividade do banco.

No último ano do governo Itamar (1994), foi posto em prática, de forma gradativa, um programa de estabilização da economia brasileira batizado de Plano Real. Anunciado em 28 de fevereiro de 1994 pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, o plano consistiu, inicialmente, na introdução da Unidade Referencial de Valor (URV) como padrão de transição dos preços para uma nova moeda, o real, que passaria a vigorar em 1o de julho seguinte, em substituição ao cruzeiro real. Com a introdução do novo plano econômico, o sistema financeiro teve que realizar alguns ajustes. No caso do Banco do Brasil, Calliari anunciou, em junho de 1994, que seriam fechadas 188 agências deficitárias localizadas em cidades do interior do país nas quais a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste do Brasil também atuasse.

Em fevereiro de 1995 Calliari deixou a presidência do Banco do Brasil, já no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), sendo substituído por Paulo César Ximenes.

Ainda em 1995, Calliari tornou-se membro do Conselho de Administração das Centrais Elétricas do Espírito Santo e representante da Previ nos fundos de pensão.  Em maio de 1996 tornou-se vice-presidente executivo das Organizações Chapecó, em Santa Catarina, complexo agro-industrial controlado pela S. A. Indústria e Comércio Chapecó, um dos quatro maiores grupos brasileiros no segmento de aves e suínos.

Realizou também cursos nos Estados Unidos e na Alemanha.

           Casou-se com Teresinha Calliari, com quem teve um casal de filhos.

 

                                                                                                                         GustavoLopes /Marcelo Costa

 

FONTES: Arquivo Histórico do Banco do Brasil; CURRIC. BIOG.; Estado de São Paulo (13/2, 13/12/92, 8/9/93); Folha de São Paulo (25/10, 27/11, 17/12/92, 6/5/93); Globo (24 e 27/10, 16/12/92, 25/6, 10 e 23/9/93, 21/5/96); Isto  É  (13/2/93); Jornal do Brasil  (10/9/93, 24 e 27/10/92, 7/6/94).

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