ALFREDO AUGUSTO GUIMARAES BACKER

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: BACKER, Alfredo
Nome Completo: ALFREDO AUGUSTO GUIMARAES BACKER

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BACKER, ALFREDO

BACKER, Alfredo

*dep. fed. RJ 1905-1906; pres. RJ 1907-1910; sen. RJ 1935.

 

Alfredo Augusto Guimarães Backer nasceu em Macaé (RJ) no ano de 1851, filho de João Anastácio Backer e de Maria Josefa Backer.

Passou a infância em Macaé, onde fez os estudos primários. Completou os preparatórios em Niterói e formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Depois de formado, foi clinicar em Macaé, logo ingressando na política local, tendo sido o organizador do Partido Republicano Fluminense (PRF) na cidade. Participou ativamente das campanhas pela abolição da escravatura e pela proclamação da República. Fundou ainda em Macaé o jornal O Federalista, no qual também escrevia, além de colaborar na revista Lince.

Nos primeiros anos do regime republicano, juntou-se aos políticos que combateram o primeiro presidente do estado do Rio, Francisco Portela, nomeado pelo marechal Deodoro e deposto em seguida à queda deste (23/11/1891).

Eleito deputado à Assembléia Constituinte do estado do Rio em 1891, reelegeu-se para a legislatura de 1892 a 1894. Novamente eleito deputado estadual em 1901, com mandato até 1903, foi um dos que indicaram o senador Nilo Peçanha como candidato à sucessão de Quintino Bocaiúva na presidência do estado para o período de 1904 a 1907. Quando Nilo assumiu o cargo, foi nomeado secretário-geral da presidência do estado.

Em 1905, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, permanecendo na Câmara até ser eleito presidente do estado (31/12/1906), por indicação de seu antecessor Nilo Peçanha, que deixava o cargo para assumir a vice-presidência da República.

Entretanto, Alfredo Backer e Nilo Peçanha divergiram no curso do governo de Afonso Pena (1906-1909), de quem Nilo era vice-presidente. Afonso Pena decidiu constituir, para seu governo, uma base de apoio independente das lideranças políticas tradicionais, a fim de poder enfrentar a oposição que lhe era movida pela corrente liderada por Pinheiro Machado.

Formou-se assim o bloco conhecido como “Jardim de Infância”, constituído de políticos jovens, que passou a dedicar-se à articulação com lideranças políticas dos estados para promover o apoio a Afonso Pena. Neste processo, Carlos Peixoto Filho, um dos líderes do “Jardim de Infância”, manteve entendimentos com Backer no Rio de Janeiro.

Reagindo a esta interferência em sua área de atuação política, Nilo Peçanha, que era ligado a Pinheiro Machado, desentendeu-se ao mesmo tempo com Afonso Pena e com Alfredo Backer.

Com o desenvolvimento da crise, Backer sofreu um importante revés na Assembléia estadual em setembro de 1907, quando a sobretaxa para o café estipulada pelo Convênio de Taubaté (1906), cuja adoção ele defendia, foi derrubada pela Assembléia. A situação se agravou quando os partidários de Nilo Peçanha pediram a intervenção federal no estado e o encurtamento do mandato de Backer, que se manteria no cargo apenas até o final do triênio para o qual Nilo fora eleito, deixando-o em 31 de dezembro de 1907. Apesar da ajuda de Pinheiro Machado, porém, Nilo Peçanha não conseguiu que a intervenção fosse votada pelo Congresso, devido ao apoio prestado a Backer por Afonso Pena.

A dissensão entre Backer e Nilo Peçanha aprofundou-se com o começo da campanha para a sucessão federal. Backer apoiou inicialmente o presidente de Minas Gerais, João Pinheiro, enquanto Nilo era partidário da candidatura do ministro da Guerra, Hermes da Fonseca. Em março de 1908, consumou-se o rompimento, ocorrendo manifestações em que partidários dos dois líderes entraram em conflito.

A situação modificou-se por completo com a morte de Afonso Pena, em junho de 1909. Nilo Peçanha assumiu a presidência da República, extinguindo-se a poderosa influência do “Jardim de Infância”. Já alguns meses antes da morte de Afonso Pena, este grupo se enfraquecera quando seu líder, Carlos Peixoto Filho, renunciara à presidência da Câmara dos Deputados.

Alfredo Backer, com a morte de João Pinheiro, passou a ser apoiado pelos políticos que haviam aderido à candidatura de Rui Barbosa à presidência da República.

À divisão de forças no estado do Rio correspondeu o lançamento simultâneo de duas candidaturas à sucessão estadual, em 1910. De um lado, Backer e seus partidários defendiam a candidatura de Manuel Edwiges Queirós Viana, enquanto Nilo Peçanha apoiava a de Francisco Chaves de Oliveira Botelho, prestigiada pela oposição a Backer. O antagonismo entre as duas facções culminou com a divisão da Assembléia Legislativa em duas, tendo cada qual proclamado a eleição de seu candidato no dia 10 de julho de 1910.

Em conseqüência desta divisão, os dois grupos acabaram deixando a capital do estado, retirando-se ambos para Petrópolis nos dias seguintes às eleições. Prevendo a interferência do governo da União, o grupo fiel a Backer conseguiu um habeas-corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecendo sua legitimidade como assembléia. Não obstante, o governo federal enviou tropas às repartições públicas, ao palácio do governo e à própria Assembléia, e o Congresso passou a debater a intervenção federal, terminando por autorizá-la.

O impasse permanecia, e quando Hermes da Fonseca assumiu a presidência da República (15/11/1910) encontrou o chamado “Caso Fluminense” nesta situação. Segundo Hélio Silva, Backer “abandonou o palácio do Ingá um dia antes do término do seu governo”, ou seja, no dia 30 de dezembro. No dia seguinte, o grupo que o apoiava deu posse ao candidato que elegera, Manuel Edwiges. No entanto, o governo interveio e a posse de Edwiges, realizada fora da Assembléia, foi tornada sem efeito, sendo empossado o candidato simpático ao governo federal, Oliveira Botelho.

Depois desse episódio, Alfredo Backer manteve-se afastado da cena política, embora preservasse sua influência no estado. Por ocasião da sucessão de Oliveira Botelho em 1914, quando ocorreu nova cisão da Assembléia entre os que apoiavam Feliciano Sodré e os partidários de Nilo Peçanha, Backer, sem manifestar-se ostensivamente, recomendou a seus seguidores que dessem seu apoio a Nilo.

Na campanha presidencial de 1921, Backer uniu-se a Feliciano Sodré, formando a Comissão Oposicionista Fluminense. Essa comissão emprestou seu apoio a Artur Bernardes contra Nilo Peçanha nas eleições presidenciais de 1922.

Quando, em 1923, houve nova intervenção no estado devido à dualidade de governos, Backer se encontrava entre os partidários de Bernardes que haviam provocado a crise. Na seqüência dos acontecimentos, o Partido Republicano Fluminense cindiu-se e Backer ficou ao lado da dissidência encabeçada por Feliciano Sodré.

Em 1930, aderiu à Aliança Liberal, tendo sido um dos seus líderes no estado. Com a total desarticulação do PRF, participou em 1932 da fundação do Partido Liberal Social Fluminense (PLSF), originário da facção dissidente do PRF em 1923. Integrou sua direção provisória como presidente da comissão executiva, inscrevendo o partido no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro em março de 1933.

Entretanto, o PLSF não conseguiu eleger nenhum representante à Assembléia Nacional Constituinte em maio do mesmo ano, e Backer passou a integrar o Partido Socialista Fluminense (PSF), pelo qual foi eleito à Assembléia Constituinte fluminense nas eleições de outubro de 1934.

Seu nome foi cogitado para candidatar-se ao governo do estado pela coligação do partido Popular Radical e do PSF, que acabou entretanto apresentando o almirante Protógenes Guimarães, eleito pela diferença de um voto, numa sessão marcada por sérios conflitos, com a ocorrência de tiroteio entre os parlamentares. As eleições foram anuladas, houve novo pleito em novembro de 1935 e a vitória do almirante Protógenes foi ratificada, elegendo-se senadores Alfredo Backer e José Eduardo de Macedo Soares, ambos da Coligação Radical-Socialista.

Em razão de sua saúde precária e da idade avançada, 84 anos, Alfredo Backer não chegou a exercer a atividade de senador.

Faleceu em Niterói, no dia 25 de dezembro de 1937.

Sônia Dias

 

 

FONTES: ABRANCHES, J. Governos; ARQ. GETÚLIO VARGAS; BELO, J. História; BLAKE, A. Dic.; Boletim Min. Trab. (5/36); CARONE, E. República velha; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Diário do Congresso Nacional; Encic. Mirador; Estado (1930 e 1937); Grande encic. Delta; INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Comércio, Rio (26/12/37); MOTA, C. Brasil; Personalidades; SILVA, H. 1935; VELHO SOBRINHO, J. Dic.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados