ALTINO RODRIGUES DANTAS JUNIOR

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Nome: DANTAS, Altino
Nome Completo: ALTINO RODRIGUES DANTAS JUNIOR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PEDRO, Erasmo Martins

DANTAS, Altino

* pres. UNE 1965-1966.

 

Altino Rodrigues Dantas Júnior nasceu em Campo Grande, então no estado de Mato Grosso e atual capital de Mato Grosso do Sul, no dia 9 de junho de 1939, filho do general Altino Rodrigues Dantas e de Odete França Dantas.

Cursou o primário e o secundário na sua cidade natal, iniciando suas atividades políticas na União Campo-Grandense dos Estudantes. Em 1961 mudou-se para São Paulo, ingressando no curso de direito da Faculdade de Direito de Santos.

Em 1965, militante e dirigente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), participou da diretoria provisória da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo como vice-presidente. Essa diretoria teve como principal tarefa organizar o primeiro congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964).

Em julho de 1965, quando o XXVII Congresso da UNE se realizou na Escola Politécnica de São Paulo, reunindo cerca de 400 delegados de 13 estados e do Distrito Federal, foi eleito presidente da entidade sucedendo a José Serra (1963-1964). Durante o congresso, decidiu-se a organização de um boicote nacional contra a chamada Lei Suplicy, que suspendeu o funcionamento da UNE, extinguiu as UEEs e submeteu os diretórios e centros acadêmicos ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).

Sua gestão foi marcada pelas tentativas de reorganização e mobilização dos estudantes e pelas manifestações não só contra a Lei Suplicy como também contra o acordo MEC-USAID (United States Agency for International Development). Em dezembro de 1965 assinou, junto com outros diretores da UNE, um manifesto repudiando a supressão das entidades estudantis estaduais e nacional e as prisões de diretores da UNE, exigindo liberdade e respeito aos direitos humanos, e recusando o diálogo com o governo. Ainda nesse ano, participou de um encontro de entidades latino-americanas, realizado no Uruguai, promovido pela União Internacional de Estudantes (UIE) e pela Organização Continental Latino-Americana de Estudantes.

Em 1966, quando a mobilização estudantil se ampliou por vários estados, foi preso duas vezes, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. Aí, sua prisão pelo II Exército relacionou-se com declarações publicadas em seu nome no jornal A Gazeta, nas quais teria afirmado que os estudantes haviam conclamado o então comandante daquela unidade militar, general Amauri Kruel, a participar de uma conspiração que vinha sendo articulada pelo governador Ademar de Barros (1963-1966) contra o presidente general Humberto Castelo Branco (1964-1967). Em sua defesa confrontou A Gazeta com outros jornais onde suas declarações reafirmavam as resoluções do XXVII Congresso da UNE contra o regime militar, sem que isso entretanto significasse um apoio a qualquer tentativa golpista.

Nesse mesmo período, participou de uma manifestação convocada pela UNE, realizada no largo de São Francisco, em São Paulo, contra o governo. Em março de 1966, tomou parte no II Conselho Nacional dos Estudantes, em Salvador, com o objetivo de preparar o próximo congresso da UNE. Sua gestão, que ficou reduzida a dois diretores – ele próprio e o baiano José Fidélis Sarno –, conseguiu, apesar de todas as dificuldades, publicar o jornal Movimento, órgão oficial da entidade máxima dos estudantes. Nessa época, por já viver praticamente clandestino, abandonou o curso de direito sem o concluir.

Em junho presidiu o XXVIII Congresso Nacional dos Estudantes, o primeiro a ser realizado na clandestinidade, no interior do convento dos franciscanos, em Belo Horizonte, contando com a presença de cerca de 300 delegados e uma delegação de estudantes norte-americanos. Nessa ocasião deixou a presidência da entidade, sendo substituído pelo mineiro José Luís Guedes (1966-1967), que se comprometeu com a luta contra a política educacional do governo e em defesa das liberdades democráticas.

Em 1967, foi convocado para representar a UNE no IX Congresso da UIE, realizado na Mongólia e que marcou o rompimento da UNE com aquela entidade. Nessa mesma viagem, esteve em Cuba representando a UNE junto à OCLAE. Também nesse ano, militou na Ação Popular (AP), organização política de origem católica e orientação revolucionária de esquerda criada durante um congresso da Juventude Universitária Católica (JUC) em 1962. Ainda em 1967, processado e condenado, à revelia, a dois anos de prisão pela 1ª Auditoria Militar de São Paulo por ter participado do XXVIII Congresso da UNE, passou a viver inteiramente na clandestinidade. No ano seguinte, quando a tendência maoísta começou a se impor como majoritária na AP, desligou-se dessa organização, juntamente com um grupo de importantes militantes, vindo a fundar e a dirigir o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), que tinha como programa a implantação do socialismo no país.

Em maio de 1971, foi preso na Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS) e em seguida no Destacamento de Operações e Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo. Julgado e condenado a 93 anos de prisão, acusado de participar da UNE e da AP e de dirigir e comandar ações armadas do PRT, passou a cumprir sua pena em São Paulo. Em outubro de 1975 enviou, junto com os demais presos políticos paulistas, uma carta ao presidente do conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), denunciando os métodos e os instrumentos de tortura empregados nos órgãos policiais-militares e as irregularidades jurídicas cometidas. Em dezembro de 1977, novamente com os presos políticos de São Paulo, endereçou um relatório ao presidente da OAB, denunciando violações dos direitos humanos e arbitrariedades cometidas contra os presos.

Em julho de 1979, assinou uma carta-denúncia enviada pelos presos políticos paulistas ao conselho secional da OAB de São Paulo, protestando contra a não-adequação de suas penas à nova Lei de Segurança Nacional (LSN) e reivindicando a concessão de uma anistia ampla, geral e irrestrita. No dia 15 de setembro desse ano, foi libertado em decorrência do decreto de anistia assinado pelo presidente João Batista Figueiredo.

Jornalista, ingressou no Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo, exercendo a função de coordenador da secretaria geral da direção nacional. No pleito de novembro de 1982, candidato a deputado federal por São Paulo na legenda do PT, alcançou apenas uma suplência.

No ano seguinte, tornou-se assessor de Luís Inácio Lula da Silva na direção nacional do PT e diretor do departamento de jornalismo do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, permanecendo nessa última função até 1986. No pleito de novembro desse ano, candidatou-se a uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo, na legenda do PT, não sendo bem-sucedido. Ainda em 1986 foi eleito presidente do diretório municipal do PT em Santos (SP) para um mandato de dois anos, sendo reeleito em 1988. No pleito de novembro desse ano, foi eleito vereador à Câmara Municipal de Santos na legenda petista. Assumindo o mandato no início do ano seguinte, tornou-se líder do governo da prefeita Telma de Sousa, também eleita no pleito de 1988, pelo PT.

Em outubro de 1992, foi reeleito vereador de Santos pelo PT. Não candidatando-se à nenhum cargo eletivo nas eleições de 1996, encerrou seu mandato em dezembro desse ano, retirando-se da Câmara de Vereadores.

Casou-se em segundas núpcias com Josephine Baccariça. Teve um filho do primeiro casamento.

 

Marcelo Costa

 

FONTES: CONG. NAC. Anistia; INF.BIOG. ; História da UNE; Veja (26/9/79).

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