ALVARO BOTELHO MAIA

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Nome: MAIA, Álvaro
Nome Completo: ALVARO BOTELHO MAIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MAIA, ÁLVARO

MAIA, Álvaro

*interv. AM 1930-1931; const. 1934; gov. AM 1935-1937; interv. AM 1937-1945; const. 1946; sen. AM 1946-1951; gov. AM 1951-1954; sen. AM 1967-1969.

 

Álvaro Botelho Maia nasceu no município de Humaitá (AM) em 19 de fevereiro de 1893, filho do seringalista Fausto Pereira Maia e de Josefina Botelho Maia. Seus irmãos Raimundo Botelho Maia e Antônio Botelho Maia se destacaram na vida política do estado, o primeiro como prefeito de Manaus e o segundo como deputado federal entre 1948 e 1959.

Realizou os primeiros estudos com seus pais no interior do Amazonas. Enviado em seguida a Manaus, concluiu o primário no Instituto Amazonense e cursou o secundário nos colégios Cinco de Setembro, Santana Néri e Pedro II. Iniciou então suas atividades jornalísticas como colaborador do Jornal do Comércio, A Aura e O Libertador, de circulação local.

A partir de 1913, freqüentou durante dois anos a Faculdade de Direito do Ceará, período em que escreveu para os jornais Vaticano e Radical. Transferiu-se em seguida para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde concluiu seus estudos superiores em 1917 pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais.

De volta a Manaus, fundou o jornal A Imprensa e tornou-se redator da Assembléia Legislativa. Em 1918, foi nomeado auditor da força policial do estado, figurou entre os 30 fundadores da Academia Amazonense de Letras e, embora sem possibilidade de vitória, candidatou-se pela oposição a uma cadeira na Câmara Federal. No ano seguinte, propôs ao presidente do Amazonas, Pedro de Alcântara Bacelar, a extinção do cargo que exercia, por considerá-lo destituído de interesse para o estado.

Entre 1920 e 1921, Álvaro Maia foi secretário do superintendente do território federal de Guaporé, hoje Rondônia, monsenhor Raimundo Oliveira, atuando depois, até 1922, na comissão de propaganda e organização do centenário de independência do Pará, chefiada por seu cunhado Djalma Cavalcanti. Nesse ano, tornou-se coordenador de relatórios da Comissão de Saneamento Rural do Amazonas, função que exercia em julho de 1924 quando eclodiu uma revolta no 27º Batalhão de Caçadores, sediado em Manaus, em solidariedade ao levante de guarnições paulistas contra o governo de Artur Bernardes. Os revoltosos amazonenses depuseram o presidente estadual Turiano Meira e formaram uma junta governativa chefiada pelo tenente Alfredo Augusto Ribeiro Júnior, mas foram derrotados com a chegada de reforços legalistas vindos do Distrito Federal. Logo depois desses acontecimentos, Álvaro Maia iniciou suas atividades políticas no recém-criado Partido Revisionista, que se baseava nas idéias de Rui Barbosa, e, sem prejuízo de suas funções na Comissão de Saneamento Rural, foi nomeado secretário da Prefeitura Municipal de Manaus na gestão de José Francisco de Araújo Lima. Nesse período, tornou-se consultor jurídico e redator da Revista da Associação Comercial do Amazonas.

No início de 1925, em concurso promovido pela revista Redenção, Álvaro Maia foi escolhido “príncipe dos poetas amazonenses”, sendo pouco depois nomeado pelo interventor Alfredo Sá professor interino do Ginásio Amazonense na cadeira de instrução moral e cívica. No ano seguinte, obteve sua efetivação através de concurso em que foi candidato único, deixando então a Comissão de Saneamento Rural. Nesse período, lecionou também no Colégio Dom Bosco e foi diretor da Imprensa Oficial do estado, conseguindo, através de novo concurso realizado ainda em 1926, ocupar uma das cadeiras de português do Ginásio Amazonense.

 

Na chefia do governo estadual

Na tarde de 24 de outubro de 1930, chegou a Manaus a notícia da deposição, no Rio de Janeiro, do presidente Washington Luís, acontecimento decisivo para a vitória da revolução iniciada 21 dias antes no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba. O governo amazonense foi rapidamente deposto, cedendo o poder a uma junta revolucionária composta pelo coronel Pedro Henriques Cordeiro Júnior (presidente), José Alves de Sousa Brasil e Francisco Pereira da Silva. Três dias depois, a chefia do governo foi entregue interinamente ao tenente-coronel Floriano Machado.

Depois de consultar representantes de correntes políticas locais, Juarez Távora, chefe da revolução no Norte e Nordeste do país, indicou Álvaro Maia para a interventoria do estado. Empossado no dia 20 de novembro, o interventor tomou medidas para equilibrar o orçamento público, anulou várias concessões latifundiárias, concentrou recursos no combate à lepra e no desenvolvimento da instrução popular, e reformou o Tribunal de Justiça do estado. Esse último ato provocou reações e, no início de agosto de 1931, quando se encontrava no Rio de Janeiro, Álvaro Maia foi convidado a rever sua decisão. Inconformado, exonerou-se do cargo e retirou-se provisoriamente da atividade política, permanecendo no Distrito Federal na condição de inspetor de ensino secundário e professor do Ginásio São Bento e da Escola Alemã.

Em fins de 1932, com a convocação de eleições para a formação de uma Assembléia Nacional Constituinte, Álvaro Maia retornou a Manaus para organizar a União Cívica Amazonense (UCA), partido político de inspiração tenentista e filiado à União Cívica Nacional, criada em março desse ano. No pleito realizado em maio de 1933, a UCA elegeu três dos quatro integrantes da bancada amazonense à Constituinte, inclusive Álvaro Maia, que tomou posse no dia 15 de novembro seguinte.

Em 16 de julho de 1934, a Assembléia promulgou a nova Constituição e no dia seguinte elegeu Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório desde 1930, para a presidência da República, cumprindo assim as funções para as quais fora convocada. Em seguida Álvaro Maia participou da reorganização política ocorrida no Amazonas tendo em vista as eleições fixadas para outubro seguinte com o objetivo de compor a bancada federal e a Assembléia Constituinte do estado. Reunindo dissidentes do Partido Socialista do Amazonas e do Partido Trabalhista do Amazonas, Álvaro Maia organizou e tornou-se presidente do Partido Popular (PP), em cuja legenda se elegeu deputado federal junto com seu correligionário Luís Tirelli. Dessa forma, coube ao PP a metade das quatro vagas da bancada amazonense na Câmara.

Álvaro Maia, no entanto, não chegou a exercer seu mandato pois no início de 1935 foi eleito senador e, em seguida, governador do Amazonas pela Assembléia Constituinte estadual. Optando por este último cargo, tomou posse no dia 19 de fevereiro.

Entre outubro e novembro de 1937, Francisco Negrão de Lima realizou a mando de Getúlio Vargas uma viagem a diversos estados, especialmente os do Norte e Nordeste, com a incumbência de arregimentar apoio dos chefes dos governos locais para o golpe que, chefiado pelo próprio Vargas, implantou o Estado Novo em 10 de novembro de 1937. Álvaro Maia foi um dos governadores consultados e, depois da mudança do regime, foi convertido em interventor federal no Amazonas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939, a demanda da borracha nos mercados nacional e internacional se intensificou, valorizando o principal produto então extraído da região amazônica. Para regular a produção, em abril de 1941 Álvaro Maia emitiu um decreto classificando os diversos tipos de borracha, iniciativa que também foi adotada em junho pelo governo federal. Seguindo a mesma política, em 9 de julho de 1942 foi criado o Banco de Crédito da Borracha, com 40% de capital norte-americano.

Durante o exercício da interventoria, Álvaro Maia não interrompeu suas atividades no campo do jornalismo, colaborando regularmente com a cadeia dos Diários Associados. Em 1943, publicou seu primeiro livro, intitulado Na vanguarda da retaguarda, reunindo crônicas relativas à campanha pelo aumento da produção da borracha.

 

Depois do Estado Novo

Em fins de 1944, quando os rumos da guerra estavam praticamente definidos em favor dos Aliados e as pressões pela redemocratização do país ganhavam força, o governo federal deu instruções aos interventores no sentido de começarem a organizar um partido político nacional que apoiasse Vargas na transição do regime. Das articulações então desenvolvidas começou a nascer o Partido Social Democrático (PSD), que Álvaro Maia ajudou a formar no Amazonas. Em 1945, com o enfraquecimento do Estado Novo, a oposição passou a contar com maior poder de pressão sobre o governo federal e as interventorias. Nesse ano, instado pela imprensa a esclarecer episódios relativos à migração de nordestinos para a Amazônia durante a “batalha da borracha”, Álvaro Maia publicou uma prestação de contas de toda a sua administração.

Em 29 de outubro desse ano, Vargas foi derrubado por um golpe liderado pelo ministro da Guerra, general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, iniciando-se em seguida a substituição dos interventores nos estados e garantindo-se a realização de eleições, já convocadas, para a Presidência da República e a Assembléia Nacional Constituinte. Substituído no governo estadual por Emiliano Estanislau Afonso no dia 3 de novembro, Álvaro Maia candidatou-se e foi eleito senador constituinte pelo PSD em 2 de dezembro. Na mesma data, o general Eurico Gaspar Dutra, também apoiado pelo PSD, venceu as eleições para a presidência da República.

Os trabalhos da Constituinte foram realizados em 1946, permanecendo válidos os mandatos dos seus integrantes para a legislatura ordinária iniciada após a promulgação, em setembro, da nova Constituição. Nesse período, Álvaro Maia foi presidente da Comissão de Diplomacia do Senado e, em 1948, apresentou um trabalho sobre genocídio em reunião promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) na capital francesa.

Em outubro de 1950, apoiado pela coligação do PSD com o Partido Democrata Cristão (PDC), foi eleito para o governo do Amazonas, derrotando Severiano Nunes, também senador. Durante essa gestão, foi criada, em 6 de janeiro de 1953, a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA).

Álvaro Maia deixou a chefia do governo antes do término do mandato para se candidatar novamente ao Senado em 1954. Derrotado, transferiu-se no ano seguinte para o Rio de Janeiro, onde abriu um escritório de advocacia. Em 1958, foi nomeado presidente da Caixa Econômica Federal e consultor jurídico da Associação Comercial do Amazonas. Depois de mais duas tentativas frustradas de retornar à Câmara Alta em 1958 e 1962, foi mais uma vez eleito para o Senado por seu estado natal em 1966 na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), iniciando o novo mandato em fevereiro de 1967. Nessa ocasião, licenciou-se da presidência da Academia Amazonense de Letras, que vinha exercendo desde o ano anterior.

Casado com Amasiles Cavalcanti Maia, Álvaro Maia faleceu em Manaus no dia 4 de maio de 1969.

Conferencista, ensaísta, romancista e, sobretudo, poeta, deixou, entre outras, as seguintes obras: Na vanguarda da retaguarda (1943), Nas barras do pretório (exposição ao povo amazonense,1958), Buzina dos paranás (poesia, 1958), Banco de canoa (1963), Defumadores e porongas (1966) e Nas tendas de Emaús (temas espiritualistas, 1967).

Em 1976, a Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Amazonas publicou vários artigos sobre Álvaro Maia.

Amélia Coutinho

 

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); BITTENCOURT, A. Dic.; CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; CORRESP. SUP. TRIB. MILITAR; Diário do Congresso Nacional; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; HIPÓLITO, L. Campanha; LEITE, A. Páginas; LEVINE, R. Vargas; MENESES, R. Dic.; PEIXOTO, A. Getúlio; POPPINO, R. Federal; Rev. Inst. Hist. Geog. AM (1976); ROQUE, C. Grande; SENADO. Dados; SENADO. Endereços; SENADO. Relação; SILVA, G. Constituinte; SILVA, H. 1933; SILVA, H. 1937; VELHO SOBRINHO, J. Dic.; Who’s who in Latin.

 

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