ALVARO FIUZA DE CASTRO

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Nome: CASTRO, Fiúza (2)
Nome Completo: ALVARO FIUZA DE CASTRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CASTRO, FIÚZA (2)

CASTRO, Fiúza

*militar; ch. Dir. Mat. Bél. Ex. 1943; ch. Depto. Tec. e Prod. Ex. 1946-1948; ch. EME 1948-1955.

 

Álvaro Fiúza de Castro nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 19 de outubro de 1889, filho de Álvaro Fiúza de Castro, militar, e de Eulina Dias de Castro.

Ingressou na Escola Militar de Porto Alegre em abril de 1907, saindo aspirante-a-oficial em janeiro de 1910. Promovido a segundo-tenente em janeiro de 1913 e a primeiro-tenente em janeiro de 1917, alcançou o posto de capitão em fevereiro de 1920. De março de 1924 a junho de 1926, foi adjunto do coronel Panchar, quando esteve no país a Missão Militar Francesa, que teve destacado papel na renovação do Exército brasileiro. Foi também adjunto do Estado-Maior do Exército (EME) de janeiro a dezembro de 1929, tendo sido promovido a major em março desse ano.

Em novembro de 1930, logo após a vitória do movimento revolucionário que derrubou o presidente Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder, foi nomeado oficial-de-gabinete do ministro da Guerra do Governo Provisório, general José Fernandes Leite de Castro, desempenhando a função até junho de 1932, quando o ministro deixou a pasta. Nesse meio tempo, em outubro de 1931, foi promovido a tenente-coronel. Em julho de 1933 tornou-se membro da Comissão de Estudos da Indústria Militar Brasileira na Europa, chefiada pelo general Leite de Castro e destinada a contratar a aquisição de equipamento bélico no velho continente. No exercício dessa função, realizou viagens à França, Suécia, Finlândia, Espanha, Bélgica e Inglaterra.

Promovido a coronel em maio de 1937, de janeiro a junho do ano seguinte dirigiu o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, atuando também como membro da Comissão de Eficiência do Ministério da Guerra. Ainda em junho de 1938, substituiu o coronel Canrobert Pereira da Costa como chefe de gabinete do ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra, permanecendo no cargo até 1939, quando assumiu o comando da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Em dezembro de 1940 alcançou o posto de general-de-brigada e, no ano seguinte, tornou-se comandante da Artilharia Divisionária da 3ª Região Militar (3ª RM), guarnição sediada em Cruz Alta (RS). Em 1942 comandou a Artilharia Divisionária da 7ª RM, guarnição sediada em Campina Grande (PB), chefiando no ano seguinte a Diretoria de Material Bélico do Exército. Foi também membro do Conselho Superior de Economia de Guerra.

 

Chefe do EME

Promovido a general-de-divisão em março de 1946, assumiu em julho desse ano a chefia do Departamento Técnico e de Produção do Exército, exercendo-a até novembro de 1948, quando foi nomeado chefe do EME em substituição ao general Mílton de Freitas Almeida. Foi o general que, após 1930, por mais tempo ocupou esse alto cargo, exercendo-o ao longo de sete anos, durante os governos de Eurico Dutra, Getúlio Vargas e João Café Filho.

Em julho de 1950 — pouco antes de ser promovido a general-de-exército no mês de novembro —, compareceu em companhia do ministro da Guerra, Canrobert Pereira da Costa, à cerimônia de posse da nova diretoria do Clube Militar, para a qual fora eleita a chapa nacionalista encabeçada pelos generais Newton Estillac Leal e Júlio Caetano Horta Barbosa. Essas eleições caracterizaram-se por acirrada disputa entre duas facções militares cujas divergências vinham sendo explicitadas em conferências pronunciadas no próprio Clube Militar desde 1947-1948 sobre a exploração do petróleo no país. A primeira facção, liderada por Horta Barbosa, defendia o monopólio estatal do petróleo, enquanto a segunda, liderada pelo general Juarez Távora, propugnava a participação nesse ramo da indústria da iniciativa privada, incluindo o capital estrangeiro. A eleição para a nova diretoria do Clube Militar foi um dos episódios da chamada Campanha do Petróleo, que se desenvolveu a partir de 1947 envolvendo diversas outras entidades civis e militares.

Desde que tomou posse a nova diretoria, os artigos publicados na Revista do Clube Militar em defesa do monopólio estatal do petróleo e contrários à intervenção norte-americana na Guerra da Coréia e à eventual participação brasileira no conflito atraíram para a gestão de Estillac Leal a hostilidade da imprensa conservadora, que alertava quanto à infiltração comunista nas forças armadas. Amplo movimento de oposição à diretoria do Clube Militar foi articulado pelo EME, sob a chefia de Fiúza de Castro, e pelos principais comandos de tropas no país, culminando com a convocação de uma assembléia geral dos associados para desautorizar os pronunciamentos políticos da diretoria. A assembléia, porém, foi proibida por Getúlio Vargas, que iniciou seu segundo mandato presidencial em 31 de janeiro de 1951, propondo uma plataforma de governo nacionalista, e nomeou Estillac Leal ministro da Guerra.

Posteriormente, Fiúza de Castro participou da Cruzada Democrática, movimento fundado em março de 1952 por oficiais da ala conservadora das forças armadas para concorrer às eleições para a presidência do Clube Militar. Vitoriosa no pleito, a Cruzada dirigiria o Clube de 1952 a 1956, período no qual, em contrapartida, a Campanha do Petróleo alcançou seus objetivos, com a aprovação do monopólio estatal e a criação da Petrobras em 1953.

Em 5 de agosto de 1954, em meio à crise político-militar reinante no país, ocorreu o atentado da rua Toneleros, no Rio de Janeiro, visando o líder oposicionista Carlos Lacerda, mas que resultou na morte do major-aviador Rubens Vaz. O inquérito policial-militar instaurado pela Aeronáutica, ao descobrir as ligações dos assassinos com o governo, levou ao auge a campanha pela deposição de Vargas, na qual Fiúza de Castro desempenhou importante papel.

Cinco dias depois do crime, Fiúza de Castro participou de uma reunião secreta com altos chefes militares na qual se decidiu que o brigadeiro Eduardo Gomes, o general Juarez Távora, o almirante Renato Guillobel, ministro da Marinha, o major-brigadeiro Ajalmar Vieira Mascarenhas, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, e o próprio Fiúza de Castro tentariam persuadir o general Euclides Zenóbio da Costa, ministro da Guerra, a retirar seu apoio a Vargas e a exigir que o presidente renunciasse. A comissão esteve com Zenóbio no dia seguinte e, naquela noite, promoveu outra reunião que contou ainda com a presença do ministro da Aeronáutica, Nero Moura. Na tarde de 20 de agosto, Fiúza de Castro compareceu à reunião do Alto Comando das Forças Armadas, convocado para deliberar sobre a proposta apresentada pelo vice-presidente Café Filho de que as forças armadas pedissem a renúncia do presidente e do vice-presidente. Nesse encontro, contudo, prevaleceu a proposta de que Vargas fosse mantido no poder, decisão ratificada no dia seguinte pelos generais presentes no Rio de Janeiro a uma reunião convocada por iniciativa de Juarez Távora.

Na manhã de 22 de agosto, porém, os brigadeiros se reuniram e exigiram a imediata renúncia de Vargas. Na tarde desse mesmo dia, Fiúza de Castro participou de um encontro na residência do marechal João Batista Mascarenhas de Morais com os generais Canrobert Pereira da Costa e Juarez Távora e o almirante Salalino Coelho. Na ocasião, além de apoiarem os brigadeiros, decidiram cientificar os ministros militares e o próprio Vargas do resultado da reunião. Fiúza de Castro foi, também, o primeiro a assinar o Manifesto à nação, subscrito por 30 generais em 23 de agosto pedindo a renúncia do presidente e advertindo que o prosseguimento da crise político-militar acarretaria prejuízos irreversíveis à economia do país.

Entre seis e oito horas do dia 24, em nova reunião realizada no Ministério da Guerra, Zenóbio da Costa leu nota, aprovada em encontro ministerial naquela madrugada, comunicando o afastamento definitivo de Vargas como condição indispensável à manutenção da ordem no país. Na ocasião, Fiúza de Castro discursou congratulando-se com o Exército pelo encerramento da crise. Pouco depois, entretanto, a nação tomava conhecimento do suicídio de Vargas. Como previa a Constituição, assumiu o poder o vice-presidente Café Filho e, a seu pedido, Fiúza de Castro permaneceu na chefia do EME. Fiúza foi um dos signatários do Manifesto das forças armadas de 18 de setembro de 1954, no qual se justificava perante a opinião pública o pedido de afastamento de Vargas como a única forma de preservar a união das três armas, evitar o derramamento de sangue e poupar as “instituições democráticas”.

Pressionado para que reformulasse a legislação petrolífera aprovada durante o governo de Vargas, Café Filho solicitou ao chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), general Canrobert Pereira da Costa, que consultasse os chefes dos estados-maiores das três armas — além do general Fiúza de Castro, o almirante Salalino Coelho e o brigadeiro Gervásio Duncan. O documento resultante dessa consulta, datado de 9 de novembro de 1954, ponderava que qualquer alteração na política do petróleo, tanto na área do transporte e do refino quanto na da prospecção, seria inconveniente e prematura antes de um período mínimo de experiência da Petrobras. Em junho de 1955, Fiúza de Castro retirou-se do serviço ativo e encerrou sua longa permanência no EME, transmitindo o cargo ao general-de-exército Anor Teixeira dos Santos.

 

O Movimento do 11 de Novembro

A vitória obtida nas eleições de 3 de outubro de 1955 por Juscelino Kubitschek e João Goulart, candidatos da aliança entre o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), respectivamente para a presidência e a vice-presidência da República, desencadeou grave crise política no país. As forças que se haviam oposto a Vargas — e que contavam com o apoio de Café Filho e do presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz —, manifestaram sua intenção de não permitir a posse dos candidatos eleitos. Tinham contra si, todavia, o ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott. Em 8 de novembro de 1955, Café Filho teve de se afastar da presidência por motivo de saúde, transferindo a chefia da nação a Carlos Luz. Dois dias depois, Lott exonerou-se do ministério em protesto contra a decisão do presidente em exercício de não autorizar a punição do coronel Jurandir Mamede, que pouco antes pronunciara violento discurso contra a posse dos eleitos.

Para ocupar a pasta da Guerra, Carlos Luz indicou Fiúza de Castro, considerado um dos líderes militares do movimento contra a posse de Kubitschek e Goulart, mas essa indicação não chegou a efetivar-se. Na madrugada de 11 de novembro de 1955, poucas horas após seu pedido de demissão, Lott liderou um movimento militar que se declarava destinado a sustar a conspiração tramada no âmbito do governo e assegurar a posse dos eleitos. Fiúza de Castro — que se encontrava no palácio do Catete, sede do governo, cercado pelas tropas legalistas —, foi levado ao Ministério da Guerra juntamente com o general Alcides Etchegoyen e lá recebeu ordem de prisão. Nesse mesmo dia 11, o Congresso Nacional declarou o impedimento do presidente em exercício, Carlos Luz, empossando na chefia da nação o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos. No dia 22, o Parlamento impediu a volta de Café Filho ao poder por grande maioria de votos. Confirmado na presidência da República, Nereu Ramos exerceu-a até 31 de janeiro de 1956, quando Juscelino Kubitschek assumiu o poder.

Em junho de 1962, Fiúza de Castro, reformado desde 1955, passou para a reserva com a patente de marechal.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 12 de outubro de 1971.

Era casado com Haidéia Viana Fiúza de Castro, com quem teve quatro filhos, entre os quais Adir Fiúza de Castro, que seguiu a carreira militar e alcançou o generalato, comandando o Centro de Operações para a Defesa Interna (CODI), a Polícia Militar do Estado da Guanabara (1974-1975) e a 6ª Região Militar, sediada em Salvador.

 

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CARNEIRO, G. História; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. SECRET. GER. EXÉRC.; COSTA, M. Cronologia; Grande encic. Delta; LAGO, L. Relação; MACHADO, F. Últimos; MIN. GUERRA. Almanaque; MIN. GUERRA. Subsídios; REIS JÚNIOR, P. Presidentes; SODRÉ, N. Memórias; SODRÉ, N. História militar.

 

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