AMATO, MARIO

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Nome: AMATO, Mário
Nome Completo: AMATO, MARIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

AMATO, Mário

*pres. FIESP 1987-1992; pres. CNI 1994-1995.

 

Mário Amato nasceu na cidade de São Paulo no dia 27 de outubro de 1918, filho do descendente de imigrantes italianos José Amato e da italiana Olga Amato. Seu pai era dono de uma alfaiataria e de uma loja de casemira na rua São Bento, em São Paulo.

Estudou no Colégio Anglo-Latino até os 14 anos, quando, devido às repercussões da crise de 1929, que levaram os negócios do pai à falência, foi obrigado a interromper os estudos e passou a trabalhar como caixeiro da Companhia Oscar Rudge de Papéis, grande empresa de revenda de papéis no atacado. Em 1948, saiu da Oscar Rudge, onde já desempenhava a função de gerente-geral, para abrir seu próprio negócio. Durante esse período, voltou à escola para concluir o ginásio, fez o curso de contabilidade e chegou a ingressar no curso de economia da Faculdade Armando Álvares Penteado. Também por essa época ficou noivo de Rogéria Pinto Coelho e propôs sociedade ao futuro sogro, proprietário da Amorim e Coelho Cortiças S.A. Por meio dessa associação, recebeu espaço na fábrica de cortiças para montar sua seção de papel e, em troca, passou a ajudar o sogro na administração da empresa. Pouco tempo depois, casou-se com Rogéria e passou a dividir a direção da papelaria com a loja de cortiças do sogro.

O pós-guerra propiciou o início da expansão da empresa, que se tornaria mais tarde um complexo industrial. Com o crescimento das indústrias de bebidas, a fábrica administrada por Amato, que antes contava com cerca de 18 empregados, ampliou a produção a ponto de empregar cerca de 350 pessoas. Em 1945, Amato montou uma fábrica de máquinas, a Pratic, para a indústria de bebidas, que em seguida uniu-se numa joint venture à alemã KHS.

Em 1953, assumiu a presidência do Sindicato da Indústria de Artefatos de Papel, Papelão e Cortiça, cargo no qual permaneceria até 1989. Ingressou na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo/Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP) em 1961, sendo eleito no ano seguinte diretor-tesoureiro, na gestão de Rafael Noschese. Desde então, sempre ocupou cargos de direção nas duas entidades. Em 1976 e 1978, estagiou na Escola Superior de Guerra.

Em 1980, com a eleição de Luís Eulálio Bueno Vidigal para a presidência da FIESP/CIESP, Amato, que fora indicado para formar chapa com Vidigal, tornou-se primeiro vice-presidente da entidade, juntamente com Carlos Eduardo Moreira Ferreira, que se tornou segundo-secretário da FIESP e terceiro vice-presidente do CIESP. A eleição da chapa representou um movimento de renovação que resultou, entre outras mudanças, no fim do continuísmo garantido por reeleições sucessivas dos presidentes das duas entidades. Uma das primeiras medidas da nova liderança foi mudar os estatutos, determinando que o presidente da FIESP/CIESP só poderia ser reeleito uma vez. Durante a segunda gestão de Vidigal, no triênio 1983-1985, Amato permaneceu na primeira vice-presidência.

Em novembro de 1985, seu nome foi submetido a uma consulta prévia com os presidentes dos sindicatos vinculados à FIESP para se candidatar à sucessão de Vidigal. Aprovado pela maioria dos sindicatos, seguido por Carlos Eduardo Moreira Ferreira, no ano seguinte formou chapa com Moreira Ferreira como primeiro vice-presidente, e foi eleito presidente da FIESP/CIESP para o triênio 1987-1989. Como presidente da FIESP/CIESP, tornou-se simultaneamente diretor regional do Serviço Social da Indústria (Sesi) e presidente do conselho regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), além de dirigir o Instituto Roberto Simonsen, órgão da FIESP/CIESP encarregado de promoções culturais.

 

Na presidência da FIESP

A conjuntura na qual Amato assumiu a presidência da FIESP foi marcada pelas reformas configuradas no Plano de Estabilização da Economia, conhecido por Plano Cruzado, e levadas a cabo pela equipe econômica do governo José Sarney, o primeiro presidente civil depois de 21 anos de regime militar. O plano incluía o congelamento de preços como requisito para combater o aumento descontrolado da inflação. No momento em que tomou posse na FIESP, Amato declarou, em nome dos empresários paulistas, total apoio ao Plano Cruzado, mas, ao mesmo tempo, pediu ao governo que deixasse que os empresários cooperassem “consciente e livremente e não pela coação”.

Ainda em janeiro de 1987, Amato iniciou embate com o governo Sarney ao prever a possibilidade de desobediência civil generalizada por parte dos empresários caso o governo não descongelasse os preços. Em resposta, o presidente Sarney comparou a atitude de Amato ao estilo de Bakunin, anarquista russo do século XIX. O fato gerou reação favorável a Mário Amato, que, na primeira reunião da diretoria após o incidente, foi aplaudido de pé pelos empresários que o aguardavam na FIESP. Semanas depois, o governo decretou o descongelamento de preços. No entanto, as relações da FIESP com o governo continuaram tensas até que, em julho, após reunião com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Jair Meneghelli, Amato anunciou à imprensa a possibilidade de apoiar a greve geral articulada pela CUT e pela Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT). A declaração gerou uma série de especulações, tendo sido contornada por seus assessores que esclareceram que Amato estava se referindo à possibilidade de se realizarem manifestações conjuntas de empresários e trabalhadores quando interesses comuns estivessem em jogo, e não de uma adesão da FIESP às greves deflagradas pelos sindicatos de trabalhadores.

Ainda em julho de 1987, reuniu-se com o ministro do Trabalho Almir Pazzianotto para discutir problemas como a recessão econômica e o crescente desemprego. Na ocasião defendeu a adoção de medidas que vinham sendo reivindicadas pela FIESP, como o retorno do financiamento para a compra de bens duráveis, a redução do déficit público, a reativação dos consórcios e da construção civil para as camadas de baixa renda, bem como a concessão de abono salarial.

 A partir de agosto seguinte, Mário Amato jogou todo o prestígio da FIESP na tentativa de sensibilizar a classe política no sentido de anular propostas como a estabilidade no emprego e a redução da jornada de trabalho, consideradas por ele “inexequíveis” num país com as características do Brasil. Para tanto, entregou ao deputado Ulisses Guimarães, na época presidente da Assembleia Nacional Constituinte, três emendas populares coletadas por quatro associações de empresários defendendo posição contrária à jornada de trabalho de 40 horas semanais, à demissão imotivada e à estabilidade no emprego na forma como estava prevista no substitutivo. Duas emendas, que de pronto foram apoiadas por Ulisses, asseguravam a preservação das estruturas do Sesi e do Senai. A outra, a principal, com cerca de 30 mil assinaturas, versava sobre a livre iniciativa. Seu teor era o mesmo do “Decálogo do empresário”, documento divulgado em maio daquele ano, em reunião de 14 entidades empresariais em São Paulo, pedindo à Constituinte que “acolhesse os postulados da livre iniciativa”.

Em agosto de 1989, Amato concorreu à reeleição para a presidência da FIESP como candidato único, sendo eleito por unanimidade. Anteriormente, havia derrotado a oposição interna, representada pelo Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), grupo formado por uma nova geração de empresários que não inscreveu uma chapa por insuficiência de apoio da base. Na ocasião, o PNBE defendeu que a eleição fosse feita com o voto de cada empresa, e não por entidades representativas, para que sindicatos com 1.309 associados (como o de máquinas) não tivessem o mesmo peso de um com 35 filiados (como o de reparação de veículos), que apoiava Amato. A partir de outubro, Amato passou a acumular a presidência da FIESP com o cargo de primeiro vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na gestão de Albano Franco.

O ano de 1989 marcou o retorno das eleições diretas para a presidência da República. Nesse processo, Amato declarou apoio à candidatura de Fernando Collor de Melo, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN). No entanto, a entidade que presidia foi duramente criticada pelo candidato, que chegou a classificá-la de “cartório que reunia o que existia de mais atrasado no empresariado brasileiro”. Durante a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, ao qual concorreram Collor e Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), Amato fez mais uma declaração polêmica. Afirmou que se Lula ganhasse as eleições, 800 mil empresários iriam deixar o país. Confirmada a vitória de Collor no segundo turno do pleito, realizado em dezembro, Amato defendeu a antecipação da posse do novo presidente de março para janeiro de 1990, desde que o presidente Sarney estivesse de acordo. A antecipação da posse foi uma das alternativas discutidas no Fórum dos Empresários, entre um elenco de propostas para evitar a hiperinflação.

No segundo mandato à frente da FIESP, Amato defendeu a diminuição da participação do Estado na economia, com liberdade total de preços — limitando o controle apenas aos produtos da cesta básica. Com esse objetivo, estimulou a elaboração do livro intitulado Livre para crescer por um grupo de economistas e sociólogos da FIESP/CIESP e da Universidade de São Paulo. Publicado em 1990, o livro sistematizava diagnósticos e propostas da entidade com relação aos problemas nacionais. Na área educacional, um dos projetos implementados em sua gestão foi a série infantil Rá-Tim-Bum, produção conjunta do Sesi e da TV Cultura de São Paulo, premiada em 1990 com a medalha de ouro do Festival Internacional de Cinema e TV como o melhor programa infantil do ano. O projeto prosseguiu com o lançamento, em 1991, da série No mundo da lua, destinada a crianças de sete a 14 anos.

A partir de meados de 1992, as insistentes denúncias de corrupção que envolveram assessores do governo Collor e o próprio presidente, e que culminariam com o seu afastamento e a posse do vice-presidente Itamar Franco, puseram Amato, mais uma vez, diante da necessidade de se posicionar. E, novamente, suas declarações causaram polêmica. Em julho de 1992, foi amplamente criticado por ter afirmado, referindo-se à cultura da sonegação existente na sociedade brasileira, que “todos éramos corruptos” e que a sonegação era uma defesa da sociedade contra a elevada carga tributária. Suas declarações foram repudiadas por cerca de 150 empresários de Porto Alegre, preocupados em demonstrar que aquela não representava a posição da categoria. No dia seguinte, Amato divulgou nota se retratando, o que não evitou que seu patrimônio fosse devassado pela Receita Federal com base em ofício da Procuradoria da Justiça Federal.

Em setembro de 1992, entregou o cargo a seu sucessor, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, que, com seu apoio, derrotara o candidato da oposição, Emerson Kapaz, ligado ao PNBE.

 

Na presidência da CNI

Amato permaneceu na vice-presidência da CNI até abril de 1994, quando assumiu a presidência da confederação, em substituição ao senador Albano Franco, que deixara o cargo, após 14 anos de gestão, para concorrer ao governo de Sergipe na legenda do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Pela primeira vez desde 1968, um empresário de fora do Nordeste assumia a presidência da CNI. Por força desse cargo, ocupou também as presidências do Senai, do Sesi e do Conselho Superior do Instituto Euvaldo Lodi.

Durante o ano de 1994, Mário Amato promoveu a elaboração, na CNI, de outro estudo, semelhante ao desenvolvido na FIESP, que depois de publicado foi entregue ao presidente da República Fernando Henrique Cardoso, sob o título “Rumo ao crescimento — a visão da indústria”. Na área educacional, Amato deu início ao projeto Multimídia Interativa, através do Sesi, do Senai e do Instituto Euvaldo Lodi. Utilizando a tecnologia interativa do CD-ROM, o projeto se destinava à rede de escolas do Sesi, em todo o país, e previa, posteriormente, sua implantação na rede escolar pública e privada.

Em julho de 1994, por sua iniciativa, a CNI recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) em ação contra a Lei Antitruste, sob o argumento de que ela feria a ordem constitucional. Amato também tinha criticado as medidas do governo que abriam o mercado brasileiro, facilitando as exportações. Foi favorável à quebra dos monopólios das estatais, desde que não fosse realizada “de um dia para o outro mas paulatinamente”. Em julho de 1995, juntou-se a Vicente Paulo da Silva, presidente da CUT, para criticar a desindexação dos salários e defender uma reforma tributária a ser executada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (1994-1998).

Em outubro de 1995, encerrou seu mandato à frente da CNI e foi substituído pelo empresário e senador pelo Rio Grande do Norte, Fernando Bezerra.

Em maio de 1996, fez parte de manifestação em Brasília, organizada pela CNI, que reuniu cerca de 2.800 empresários para discutir com o presidente da República a política econômica do governo. Os pontos mais criticados da política governamental eram as elevadas taxas de juros, a valorização do real e a consequente redução do crescimento econômico. Sobre a afirmação do presidente de que a política econômica não seria alterada, Amato disse que a declaração tinha frustrado a platéia. Ainda no mesmo mês, fez duras críticas à proposta do ministro do Trabalho Paulo Paiva (1995-1998) de acabar com a contribuição compulsória das empresas para o Sesi e o Senai, afirmando que o governo não tinha moral para cortar essa contribuição e que as entidades foram sempre administradas “com a pureza típica dos conventos”. Essa reação procurou responder a denúncias de que os recursos do Sesi e do Senai estariam sendo dirigidos para atividades-meio e não para atividades-fim e de que havia irregularidades nas regionais de São Paulo.

Em 1998, apoiou as mudanças que Horácio Lafer Piva, recém-eleito presidente da FIESP, havia iniciado na entidade. Para ele, o novo presidente estava fazendo uma “grande revolução”, segundo matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo.

No período seguinte, continuou publicando suas opiniões nos jornais, defendendo a reforma tributária, enfatizando o papel dos bancos na arrecadação de forma eficiente, como era o caso da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), e ressaltando o papel do Sesi, Senai, Senac e Sesc na educação do trabalhador.

Como empresário, Amato teve ainda participação em cerca de 11 empresas de ramos diferentes, entre as quais Metal Frio, Panasonic, Móveis de Aço Fiel, Springer-Carrier, em associação com o grupo americano Carrier, e Springer-National, em associação com o grupo japonês Matsushita.

Tornou-se presidente emérito da FIESP, conselheiro emérito da CNI, presidente e membro do Conselho de Orientação Política e Social, e membro dos conselhos Superior de Economia, Superior de Comércio Exterior, de Tecnologia, e Superior de Orientação Jurídica da FIESP. Foi, ainda, membro dos conselhos deliberativo da União Cultural Brasil-Estados Unidos e consultivo da Associação Comercial de São Paulo, e foi um dos fundadores do Centro de Integração Empresa Escola. Foi presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Comércio Exterior, vice-presidente da Fundação Movimento Universitário de Desenvolvimento Econômico e Social e presidente e membro do conselho consultivo da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria.

Casado com Rogéria Pinto Coelho, teve três filhos.

Publicou vários artigos e livros, entre os quais Pequena história do sindicalismo brasileiro (1993), em parceria com o jornalista Luís Ferreira.

Libânia Xavier

 

FONTES: Estado de S. Paulo (27/9/86, 1 e 9/7, 3/9/87, 30/7 e 4/8/89, 24/6/92, 23/5/96); Folha de S. Paulo (25/7 e 1/8/87, 23/3/88, 24 e 27/6, 24 e 29/10/92, 29/10/93, 21 e 29/12/94, 27/1, 14 e 26/5, 11/7/95, 20/10 e 1/11/98, 23/8/99, 13/1 e 26/2/00, 14/10/02); Globo (13/7 e 30/10/88, 27/3 e 20/10/94); Jornal do Brasil (6 e 26/9/86, 22/2, 18/6, 1/7, 3/9, 5/10 e 18/12/87, 2/8/92); Notícias — FIESP/CIESP/Sesi/Senai/IRS (12/2/96); Senhor (13/11/83 e 11/3/86); Veja (6/11/85, 1/10/86, 21/1/87, 21/8/91 e 1/7/92).

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