AMORIM, HARRY

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Nome: AMORIM, Harry
Nome Completo: AMORIM, HARRY

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
AMORIM, HARRY

AMORIM, Harry

*gov. MS 1978-1979; dep. fed. MS 1983-1987.

 

Harry Amorim Costa nasceu em Cruz Alta (RS) no dia 23 de maio de 1927, filho de José Zacarias Costa e de Araci Amorim Costa.

Em 1950, um ano antes de se diplomar pela Escola de Engenharia da Universidade do Rio Grande do Sul, tornou-se engenheiro do Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), órgão ligado ao Ministério da Viação e Obras Públicas. Completou sua formação com os cursos de pavimentação rodoviária no Instituto de Pesquisas Rodoviárias de Porto Alegre em 1954, e de mecânica dos solos no Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo em 1956.

Chefe do 7º Distrito Federal de Obras de Saneamento de Minas Gerais em 1963, foi nomeado presidente do Conselho Municipal de Águas e Esgotos de Belo Horizonte em 1966. Nesse mesmo ano foi delegado do Brasil no 6º Congresso Internacional de Irrigação e Drenagem, em Nova Délhi, na Índia. Em 1967 exerceu o cargo de diretor cultural da Associação Mineira de Engenharia.

Em 1969 foi designado chefe do 12º Distrito Federal de Obras de Saneamento do Rio Grande do Sul, representando o Brasil como delegado no VI Seminário Latino-Americano de Irrigação e Drenagem, em Montevidéu, em 1971. Conselheiro da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária, foi nomeado diretor-geral do DNOS em 1974 e, durante o ano de 1976, presidiu a Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem.

Em outubro de 1977 foi sancionada a lei que dividiu em dois o estado do Mato Grosso. Surgiria assim, a partir de janeiro de 1979, o estado de Mato Grosso do Sul, cuja capital seria Campo Grande e com governador nomeado. Em 28 de março de 1978, o presidente da República Ernesto Geisel (1974-1979) indicou Harry Amorim Costa para exercer o cargo de primeiro governador do estado recém-criado. A indicação foi aprovada pelo Senado em 29 de março seguinte. Nomeado em 31 de março por decreto assinado pelo presidente Geisel, deixou o cargo de diretor-geral do DNOS em maio seguinte e foi empossado em 1º de janeiro de 1979 para mandato de quatro anos.

Com a divisão do estado de Mato Grosso, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instalado no país em abril de 1964, viu-se dividida também em duas grandes correntes: a ortodoxa (formada por antigos udenistas e pessedistas), que se denominava “ala democrática”, e a “independente”, que agrupava os seguidores de Pedro Pedrossian, governador do antigo estado de Mato Grosso entre os anos 1966 e 1971. Maior liderança política do estado, o ex-governador teve seu nome vetado depois da denúncia de corrupção em seu governo feita pelo senador Mendes Canale (1975-1979) e o ex-governador José Fragelli (1971-1975), ambos da “ala democrática” da Arena. A indicação de Harry Amorim da Costa para governar o novo estado, frustrando a expectativa em torno de um nome local, não foi bem recebida por esses grupos.

Considerado apenas um homem de formação técnica e sem nenhuma experiência política, Harry Amorim teria cometido vários erros administrativos, entre eles a contratação de tecnocratas de outros estados, aos quais ofereceu mordomias e salários principescos. Sem base política local, enfrentou vários problemas com José Fragelli, Pedro Pedrossian e Mendes Canale, maiores expoentes da Arena no estado. Os três líderes arenistas aliaram-se contra Harry Amorim e, em junho de 1979, entregaram pessoalmente um documento ao presidente da República, general João Batista Figueiredo (1979-1985), em que acusavam formalmente o governador de instaurar um política de concessão de favores e barganhas e de distribuir recursos públicos a prefeitos e deputados da Arena, no intuito de minar as bases políticas das lideranças tradicionais e criar seu próprio grupo. Nessa estratégia, Amorim teria obtido o apoio de Levi Dias, deputado federal e ex-prefeito de Campo Grande.

No entanto, o maior problema de Harry Amorim foi a aprovação, com seu consentimento, de artigo pela Assembléia Constituinte estadual que equiparava seu mandato aos dos demais governadores — quatro anos — modificando, assim, a lei complementar federal que versava sobre os governadores nomeados, assegurando ao presidente da República, a qualquer momento, a destituição do subordinado. Em 12 de junho de 1979 o presidente da República João Batista Figueiredo (1979-1984) assinou o ato de demissão de Harry Amorim e enviou mensagem ao Senado indicando o nome de Marcelo Miranda, então prefeito de Campo Grande, para substituí-lo.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e nessa legenda foi eleito deputado federal por Mato Grosso do Sul no pleito de novembro de 1982. Assumindo a cadeira na Câmara dos Deputados em março do ano seguinte, foi membro titular da Comissão de Agricultura e Política Rural e suplente da Comissão do Interior.

Em 25 de abril de 1984, manifestou-se a favor na votação da emenda Dante de Oliveira, que, apresentada na Câmara dos Deputados, propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado — no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Harry Amorim votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, união do PMDB com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Contudo, por motivo de doença, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência e faleceu em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já exercia interinamente o cargo, desde 15 de março deste ano.

No pleito de outubro de 1986, Amorim candidatou-se à reeleição pelo PMDB, mas não se elegeu. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1987, ao final da legislatura.

Faleceu em Campo Grande no dia 20 de agosto de 1988, num acidente automobilístico.

Era casado com Amélia Santana Costa, com quem teve seis filhos.

Márcia Quarti

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987, 1987-1991); Globo (26/4/84,16/1/85); Jornal do Brasil (22, 28 e 29/3, 1/4/78, 2/1, 7, 9, 11, 12 e 13/6/79, 20/8/88); Veja (13 e 20/6/79).

 

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