ANDRADE, JOSE JOAQUIM DE

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Nome: ANDRADE, José Joaquim de
Nome Completo: ANDRADE, JOSE JOAQUIM DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ANDRADE, JOSÉ JOAQUIM DE

ANDRADE, José Joaquim de

*militar; rev. 1932.

 

José Joaquim de Andrade nasceu no Ceará no dia 28 de dezembro de 1879, filho de Joaquim José de Andrade.

Iniciou sua carreira militar sentando praça em janeiro de 1896 na Escola Militar do Ceará. Em 1899 transferiu-se para a Escola Preparatória do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Declarado alferes-aluno em agosto de 1905, foi promovido a segundo-tenente da arma de infantaria em janeiro de 1907, passando a servir no 4º Regimento de Infantaria (4º RI), sediado no Rio de Janeiro.

Combateu, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, a Revolta dos Marinheiros, mais conhecida como Revolta da Chibata, movimento de marujos deflagrado em navios da Armada em novembro de 1910, sob a liderança do marinheiro João Cândido, em protesto contra os castigos corporais e reivindicando melhoria de vencimentos. Dias depois participou do combate à revolta do Batalhão Naval. Ambos os movimentos foram reprimidos com severidade pela oficialidade.

No ano seguinte foi transferido para o 5º Batalhão de Infantaria, sediado em Ponta Grossa (PR), onde participou, em 1912, da repressão à Guerra do Contestado, rebelião popular de cunho messiânico ocorrida na região fronteiriça do Paraná com Santa Catarina, cuja posse era disputada pelos dois estados, que só seria definitivamente debelada em 1916.

Promovido a primeiro-tenente em 1914, foi servir em Fortaleza, retornando no ano seguinte ao Rio de Janeiro para cursar a Escola de Estado-Maior. Promovido a capitão em julho de 1919, realizou no ano seguinte o curso de revisão do Estado-Maior do Exército, tendo sido posto à disposição da Missão Militar francesa que, enviada ao Brasil em 1920 pelo governo francês e chefiada pelo general Maurice Gustave Gamelin, foi responsável pela remodelação do Exército brasileiro.

Paralelamente à carreira militar, estudou medicina, formando-se em 1923. Em 1924 participou, no estado de São Paulo, das ações da divisão de operações que combateu a revolta tenentista de 5 de julho daquele ano. Em fevereiro do ano seguinte foi promovido a major. Em 1927 serviu como oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general Nestor Sezefredo dos Passos (1926-1930). No ano seguinte, em outubro, foi promovido a tenente-coronel.

Quando foi deflagrada a Revolução de Outubro de 1930, comandava o 12º RI, sediado em Belo Horizonte. Resistiu ao assédio das forças revolucionárias comandadas pelo secretário de Segurança de Minas Gerais e negociou a rendição do regimento, enviando a seus oficiais mensagem em que lhes pedia que aceitassem a cessação das hostilidades. Conduzido pelos revoltosos à sede da Secretaria do Interior e Justiça, ali permaneceu preso por três dias. Um ano depois, em outubro de 1931, foi promovido a coronel.

Segundo Euclides de Figueiredo no livro Contribuição para a história da Revolução Constitucionalista de São Paulo, em meados de 1932, José Joaquim de Andrade, então no comando de destacamentos militares em Lorena (SP), foi procurado pelo autor, que buscava sua adesão para a revolução que se articulava em São Paulo. Esse movimento teve por base a crise criada pela designação do tenente João Alberto Lins de Barros como interventor em São Paulo, logo após a vitória da Revolução de 1930, implicando a marginalizado do segmento da oligarquia política local que participara do movimento, em especial os integrantes do Partido Democrático. Acirrando-se progressivamente ao longo de 1931-1932, a crise foi marcada pela oposição entre as correntes políticas tradicionais do estado, de um lado, e as forças tenentistas, apoiadas pelo governo federal, de outro. Nos planos do coronel Euclides, que viria a assumir a chefia militar da Revolução Constitucionalista, as tropas comandadas por José Joaquim de Andrade seriam responsáveis pela cobertura inicial ao movimento, dada sua localização no vale do rio Paraíba. Andrade deu sua adesão ao movimento, comprometendo-se a reunir seus oficiais e buscar o seu apoio. Com a derrota da revolução em outubro de 1932, foi proscrito e exilado para Lisboa, embarcando, com diversos líderes revolucionários, no navio Siqueira Campos.

Anistiado pelo governo em maio de 1934, retornou ao serviço ativo e passou à chefia da 4ª Seção do Estado-Maior do Exército, sendo depois convidado pelo governo para o comando do 2º RI, sediado na Vila Militar do Rio de Janeiro. Promovido a general-de-brigada em julho de 1935, tornou-se comandante da 1ª Brigada de Infantaria e da guarnição da Vila Militar do Rio de Janeiro.

Nessa cidade teve participação destacada na repressão à revolta de novembro de 1935, movimento contra o governo de Getúlio Vargas liderado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), então Partido Comunista do Brasil, em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL), que foi rapidamente dominado. Nessa ocasião, por ordem do comandante da 1ª Região Militar (1ª RM), general Eurico Gaspar Dutra, assumiu o comando das tropas encarregadas de reprimir a revolta na Escola de Aviação Militar e no 1º Regimento de Aviação, cumprindo com sucesso a missão. Logo após o término da revolta, teve com o ministro da Guerra, general João Gomes Ribeiro Filho (1935-1936), e diversos outros generais, uma reunião em que se decidiu pelo pleno apoio dos militares ao ministro da Guerra na pressão que exerceria junto aos poderes competentes em prol de uma rápida punição dos revoltosos. Finda a reunião, o ministro encaminhou ao presidente Vargas um esboço de projeto de lei que determinava que os oficiais envolvidos no levante não só estavam sujeitos às penalidades da lei como seriam expulsos do Exército.

Em outubro de 1936 foi nomeado comandante da 5ª Brigada de Infantaria e da guarnição de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, numa fase em que esse estado estava convulsionado por agitações políticas geradas pelo choque entre os governos federal e estadual em torno da sucessão presidencial. Em dezembro de 1937, logo após o golpe do Estado Novo, tornou-se diretor de Aviação Militar do Exército, substituindo o general José Antônio Coelho Neto. Foi promovido a general-de-divisão em fevereiro de 1938. Em março desse ano deixou a direção da Aviação Militar do Exército, sendo substituído pelo general Isauro Reguera. Exerceu ainda o comando da 3ª RM, com sede em Porto Alegre.

Em 1939 ficou adido à Secretaria Geral do Ministério da Guerra, no Rio de Janeiro, cidade na qual, já enfermo, veio a falecer no dia 9 de março de 1940. Foi promovido post mortem, em 1953, a general-de-exército.

Era casado com Olga Phyro de Andrade, com quem teve seis filhos.

 

FONTES: ALBUQUERQUE, J. Cearenses no Rio e em SP; ARQ. GETÚLIO VARGAS; CARNEIRO, G. História; CONSULT. MAGALHÃES, B.; FIGUEIREDO, E. Contribuição; GIRÃO, R. Ceará; Jornal do Comércio, Rio (10/3/40); LAGO, L. Generais; LAGO, L. Relação; REIS JÚNIOR, P. Presidentes; SILVA, H. 1932; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937; WANDERLEY, N. História.

 

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