ANTONIO ALVES CAMARA JUNIOR

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Nome: CÂMARA, Alves
Nome Completo: ANTONIO ALVES CAMARA JUNIOR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CÂMARA, ALVES

CÂMARA, Alves

*militar; min. Mar. 1955-1958.

 

Antônio Alves Câmara Júnior nasceu em Salvador no dia 5 de agosto de 1891, filho do contra-almirante Antônio Alves Câmara e de Breginata Brasil Câmara.

Fez os estudos primários em Salvador. Mudando-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, freqüentou o Colégio Militar, ingressando em 1908 na Escola Naval.

Declarado guarda-marinha em janeiro de 1911, foi promovido a segundo-tenente em dezembro. Serviu no cruzador Tiradentes, no navio-escola Benjamim Constant e nos contratorpedeiros Paraíba, Amazonas e Rio Grande do Norte. Em março de 1916, foi promovido a primeiro-tenente e designado para o cruzador Bahia.

Em outubro de 1917, o Brasil entrou na Primeira Guerra Mundial, com a declaração de beligerância contra a Alemanha. Foi formada então a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), que, sob o comando do contra-almirante Pedro Max Fernando de Frontin, deveria atuar conjuntamente com as forças aliadas na Europa. As primeiras unidades da Divisão Naval deixaram o Rio em maio de 1918, com destino a Freetown (Serra Leoa). O navio-capitânea era o Bahia, onde servia Alves Câmara. A exemplo de grande parte da tripulação, atacada por uma epidemia, Alves Câmara caiu doente quando a frota aportou em Dacar e regressou em seguida ao Rio, onde chegou em outubro.

Em dezembro de 1918, designado para servir na Superintendência de Navegação, participou do levantamento hidrográfico da baía da Guanabara e de trezentas milhas da costa brasileira, entre Rio e Santos, a bordo do aviso-faroleiro Tenente Lahmeyer. No ano seguinte, foi designado para servir na Diretoria de Hidrografia, aí exercendo em duas ocasiões o cargo de chefe de seção. A partir de 1920, chefiou também a Comissão da Carta da Baía.

Promovido a capitão-tenente em novembro de 1921, serviu no navio-escola Benjamim Constant como instrutor de geodésia e hidrografia da turma de guardas-marinhas, e no encouraçado São Paulo. Em maio de 1924, assumiu o comando do Tenente Lahmeyer, rumando em julho para Santos (SP) com material destinado a abastecer a esquadra que ali se encontrava devido ao levante comandado pelo general Isidoro Dias Lopes, que ocupou a capital paulista por três semanas. Participou em seguida do patrulhamento da costa sul de São Paulo, regressando com 21 prisioneiros.

Exonerado do comando do Tenente Lahmeyer em 1925, matriculou-se na Escola de Artilharia, cujo curso funcionava no Benjamim Constant. Em 1926, foi transferido para o cruzador Bahia e rumou para a Filadélfia (EUA), onde no mês de julho a belonave representou o Brasil nas comemorações do 150º aniversário da independência dos Estados Unidos, retornando ao Rio em setembro. Em agosto de 1927, o Bahia novamente representou o Brasil, dessa vez nas comemorações da independência do Uruguai.

Ainda em 1927, Alves Câmara foi exonerado do cargo de instrutor de hidrografia da turma de guarda-marinha, sendo transferido para o tênder Belmonte por ter sido nomeado assistente do comandante da flotilha de contratorpedeiros. Em 1928, foi designado para servir na Diretoria de Armamento, de onde sairia no ano seguinte ao ser nomeado encarregado de navegação do encouraçado São Paulo, além de chefe de aspirantes e chefe do departamento de material do navio. Em novembro de 1930, logo após a revolução, foi dispensado de seu cargo, matriculando-se no ano seguinte no curso de comando da Escola de Guerra Naval. No início de 1932, exerceu por um mês o comando da Escola de Aprendizes de Marinheiro do Rio Grande do Norte, e foi promovido a capitão-de-corveta.

Em 10 de outubro de 1932, Alves Câmara foi preso e recolhido ao navio auxiliar Pedro I por suspeita de envolvimento com a Revolução Constitucionalista, deflagrada em julho daquele ano em São Paulo e dominada após três meses de combates — ou, segundo sua caderneta militar, “por motivos de ordem política e segurança pública”. Nada tendo sido apurado contra ele, foi solto no dia 24.

Em novembro seguinte, Alves Câmara voltou ao comando da Escola de Aprendizes, aí permanecendo até abril de 1933, quando foi nomeado instrutor do curso de hidrografia da Diretoria de Ensino Naval. Ainda nesse mês, assumiu cumulativamente as funções de vice-diretor do curso de hidrografia e navegação. Em 1934 foi nomeado comandante do navio auxiliar Rio Branco. Permaneceu no cargo até março de 1937, quando foi designado para servir na Diretoria de Navegação, onde se encontrava quando ocorreu o golpe do Estado Novo (10/11/1937). Em julho de 1938, foi designado técnico do Ministério da Marinha junto ao Conselho Nacional de Geografia e, em outubro, foi promovido a capitão-de-fragata. Em 1939, foi nomeado para a comissão organizadora da ordenança geral da Marinha e, em 1940, integrou a comissão incumbida de determinar o ponto exato em que Pedro Álvares Cabral aportara por ocasião da descoberta do Brasil.

Em janeiro de 1941, Alves Câmara deixou as funções de chefe da Divisão de Hidrografia e Navegação por ter sido nomeado comandante do navio-escola Almirante Saldanha, cargo em que se manteve até dezembro. Ainda nesse mês, foi designado para servir na seção de informações do Estado-Maior da Armada (EMA). Em janeiro do ano seguinte, quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do Eixo, passou a fazer parte da Comissão Mista Militar do Nordeste. Quatro meses depois desligou-se do EMA por ter sido nomeado comandante do contratorpedeiro Mariz e Barros, posto que ocuparia até o final da Segunda Guerra Mundial.

Após ser promovido a capitão-de-mar-e-guerra em julho de 1944, Alves Câmara foi à Filadélfia (EUA) receber o armamento projetado para o Mariz e Barros, regressando a Recife em novembro. Alguns dias após sua chegada, o Mariz e Barros juntou-se à flotilha que escoltou até Gibraltar o navio norte-americano General Meigs, que transportou o 3º Escalão da Força Expedicionária Brasileira (FEB). O Mariz e Barros retornou a Recife em dezembro de 1944. Em fevereiro de 1945, participou novamente da escolta do General Meigs, que transportou o 5º Escalão da FEB para a guerra.

Em abril de 1945, Alves Câmara deixou o comando do Mariz e Barros e assumiu o comando do encouraçado São Paulo. A partir de outubro, passou a representar a Marinha junto à comissão encarregada de estudar o mapeamento do território nacional. Deixando o São Paulo em janeiro de 1946, comandou até junho a 1ª Flotilha de Contratorpedeiros. Nesse mês foi promovido a contra-almirante, assumindo o cargo de diretor-geral de Hidrografia e Navegação da Armada. Depois de participar de conferências internacionais sobre hidrografia e cartografia, em 1948 tornou-se membro do Conselho do Almirantado.

Exonerado da Diretoria de Hidrografia e Navegação em março de 1949, passou a dirigir a Escola Naval. Foi promovido a vice-almirante em fevereiro de 1952, sendo a seguir exonerado da Escola Naval para assumir pela segunda vez a Diretoria de Hidrografia e Navegação. Em 1953, foi nomeado inspetor-geral da Marinha e, pouco depois, secretário-geral da Marinha. A partir de setembro, integrou durante um ano a Comissão de Promoções da Marinha. Exonerado da Secretaria Geral em janeiro de 1954, foi nomeado adido naval junto à embaixada brasileira em Washington. Em julho desse ano foi promovido a almirante-de-esquadra, e em janeiro do ano seguinte retornou ao Brasil.

 

No Ministério da Marinha

Com a morte de Getúlio Vargas em agosto de 1954, o vice-presidente Café Filho assumiu a chefia da nação, passando a governar basicamente com o apoio das forças antigetulistas, concentradas na União Democrática Nacional (UDN). No entanto, em 3 de outubro do ano seguinte, os candidatos da aliança entre o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Juscelino Kubitschek e João Goulart, foram eleitos presidente e vice-presidente da República, iniciando-se um movimento das forças derrotadas, com fortes bases no governo, no sentido de impedir a posse dos eleitos. Em 8 de novembro de 1955, Café Filho, já internado num hospital, transferiu o governo ao seu sucessor legal, Carlos Luz, presidente da Câmara Federal. No dia seguinte, o ministro da Guerra, general Henrique Lott — que solicitara a punição de um oficial partidário da solução golpista — foi demitido do cargo. No entanto, com poderosos apoios no Exército, em particular do general Odílio Denis, Lott promoveu no dia 11 de novembro a deposição de Carlos Luz, entregando o governo da República a Nereu Ramos, vice-presidente do Senado.

Ainda no dia 11, Alves Câmara foi nomeado ministro da Marinha em substituição ao vice-almirante Edmundo Jordão Amorim do Vale. No dia 14, ao lado dos ministros da Guerra, Henrique Lott, e da Aeronáutica, Vasco Alves Seco, solicitou ao presidente Nereu Ramos a instauração do estado de sítio. No dia 21, Café Filho deixou o hospital com o intuito de reassumir a presidência, sendo impedido pelos chefes militares, que ordenaram o cerco à sua residência e aos principais prédios públicos, e pelo Congresso, que no dia 22 votou seu impedimento. Nesse mesmo dia, em documento assinado pelos ministros militares, as forças armadas reafirmaram seu apoio ao presidente Nereu Ramos. Aprovado pelo Congresso no dia 24, o estado de sítio vigorou por 30 dias, sendo posteriormente prorrogado.

Kubitschek tomou posse em 31 de janeiro de 1956, mantendo Alves Câmara à frente do Ministério da Marinha. No mês seguinte, eclodiu a Revolta de Jacareacanga (PA), envolvendo uns poucos militares da Aeronáutica sob a chefia do major-aviador Haroldo Veloso e do capitão-aviador José Chaves Lameirão. Com os outros ministros militares, Alves Câmara colaborou para debelar o movimento, o que foi alcançado em uma semana.

No dia 23 de novembro de 1956, Alves Câmara reuniu-se com o presidente Juscelino Kubitschek, comunicando-lhe a existência de agitação na Armada, como parte da crise militar decorrente da atuação da Frente de Novembro. Esse movimento, fundado em março de 1956 pelo coronel Nemo Canabarro Lucas com o objetivo de aglutinar os partidários do movimento de 11 de novembro de 1955, definia-se como nacionalista e legalista, mas era taxado de subversivo e comunista. Naquela manhã, o almirantado redigira um memorial em que advertia o governo para a ameaça que a Frente de Novembro, a seu ver, representava para o país. Juscelino considerou o memorial um ato de indisciplina e exigiu que fosse tornado sem efeito. Alves Câmara replicou ao presidente que lhe entregava “em confiança” apenas o rascunho do documento, que oficialmente não existia. Juscelino deu-lhe prazo até as 17 horas para destruir o memorial, sob pena de prender todo o almirantado. Ante o ultimato, o ministro ameaçou renunciar. O presidente declarou que só aceitaria a renúncia após o cumprimento de suas ordens.

Às 17 horas, Alves Câmara retornou ao palácio para relatar seu encontro com o almirantado, durante o qual foi modificada a redação do memorial. Juscelino considerou que o novo texto seguia a linha do anterior. Sugeriu então, com o endosso do chefe da Casa Civil, Vítor Nunes Leal, que se adotasse a prática inversa: o governo elaboraria uma nota oficial, que seria submetida à aprovação do almirantado. Assim foi feito. O almirantado aprovou a nota, enviada depois aos jornais, encerrando-se, com isso, a crise na Marinha. No fim do mês, a Frente de Novembro acabou sendo fechada por Juscelino.

Ainda em 1956, o governo norte-americano, através do embaixador Ellis Briggs, fez gestões para instalar uma estação rastreadora de foguetes em Pernambuco. Juscelino Kubitschek submeteu a questão aos três ministros militares, que vetaram o local escolhido, sugerindo Fernando de Noronha. Eles exigiram também as especificações sobre a natureza e a operação dos equipamentos. Briggs voltou a Juscelino e lhe entregou carta do presidente norte-americano, Dwight Eisenhower, em que este pedia ao governo brasileiro que abrisse mão do pedido de especificações, por serem as operações sigilosas. As negociações prosseguiram, até se chegar a um acordo, assinado no mês de dezembro.

Em fins de 1956, ainda durante a gestão de Alves Câmara à frente da pasta da Marinha, o governo brasileiro autorizou a aquisição do porta-aviões Vengeance, rebatizado como Minas Gerais.

Em fevereiro de 1957, Alves Câmara determinou a prisão do almirante Edmundo Jordão Amorim do Vale por suas declarações à imprensa sobre os acontecimentos de 11 de novembro de 1955.

Foi presidente do Comitê de Hidrografia do Instituto Pan-Americano de Geografia e História.

Faleceu no exercício do cargo de ministro, em 14 de agosto de 1958, no Rio de Janeiro, sendo substituído pelo almirante Jorge do Paço Matoso Maia.

Publicou nos Anais Hidrográficos numerosos trabalhos sobre navegação e hidrografia. Colaborou na Revista Marítima Brasileira e no Boletim do Clube Naval.

Robert Pechman

 

 

FONTES: ANDRÉA, J. Marinha; BENEVIDES, M. Governo Kubitschek; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. SERV. DOC. GER. MAR.; CORTÉS, C. Homens; COSTA, M. Cronologia; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; Histórico; KUBITSCHEK, J. Meu (3); MIN. GUERRA. Almanaque (1958); MIN. GUERRA. Subsídios; MIN. MAR. Almanaque (1957); Novo dic. de história; SERV. DOC. GER. MARINHA; VELHO SOBRINHO, J. Dic.

 

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