ANTONIO AUGUSTO DE BARROS PENTEADO

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Nome: PENTEADO, Barros
Nome Completo: ANTONIO AUGUSTO DE BARROS PENTEADO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PENTEADO, BARROS

PENTEADO, Barros

*rev. 1932; const. 1934; dep. fed. SP 1935- 1937.

 

Antônio Augusto de Barros Penteado nasceu em Limeira (SP) no dia 29 de julho de 1876, filho de Manuel de Toledo Barros e de Maria Augusta Penteado de Barros. Pertenceu a uma das mais tradicionais e nobres famílias paulistas. Seu bisavô paterno, Bento Manuel de Barros, primeiro barão de Campinas, foi grande cafeicultor, e seu avô, Francisco Antônio de Barros, militar. Foram também seus parentes Sílvio Álvares Penteado, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), de 1936 a 1937, Eurico Penteado, conselheiro comercial do Brasil em Nova Iorque de 1940 a 1947, e Mário Penteado Faria e Silva, presidente do Instituto Brasileiro do Café (IBC), de 1952 a 1953 e de 1970 a 1971.

Fez seus primeiros estudos no Colégio São Luís, em Itu (SP), formando-se em 1900 engenheiro pela Escola de Minas de Ouro Preto (MG). Nomeado professor da Escola Agrícola Luís de Queirós, em Piracicaba (SP), exerceu o magistério de 1905 a 1910. Na mesma cidade foi ainda presidente do Asilo da Velhice e Mendicidade e, de 1911 a 1915, provedor da Santa Casa de Misericórdia, em substituição a Estêvão Ribeiro de Sousa Resende, barão de Resende. Ali também iniciou sua vida política elegendo-se para o cargo de prefeito, que ocupou de 1914 a 1915. Organizou em 1918, na mesma cidade, a campanha de assistência às vítimas da gripe espanhola, surto epidêmico que grassou em várias partes do mundo depois da Primeira Guerra Mundial, e exerceu ainda, de 1924 a 1926, as funções de diretor da Liga Agrícola Paulista.

Em 1932 participou com sua família da Revolução Constitucionalista de São Paulo, exercendo de julho a outubro desse ano as funções de delegado técnico em Pindamonhangaba (SP). Ainda em outubro foi um dos fundadores da Federação de Voluntários de São Paulo, que congregou os remanescentes da Revolução Constitucionalista em oposição ao interventor Valdomiro Lima (1932-1933), e organizou e orientou a campanha pelo alistamento eleitoral em massa para as eleições à Assembléia Nacional Constituinte (ANC), a serem realizadas em maio de 1933. Como representante dessa entidade, foi um dos defensores e organizadores da Chapa Única por São Paulo Unido, coligação política criada em fevereiro de 1933, no Congresso de Ribeirão Preto (SP), reunindo o Partido Republicano Paulista (PRP), o Partido Democrático (PD), a Liga Eleitoral Católica (LEC), a Federação dos Voluntários, a Associação Comercial de São Paulo e a União Feminina Paulista. Participou ainda da chamada “Comissão dos Cinco” que indicou os candidatos da Chapa Única, sendo um dos escolhidos para fazer parte da lista de 22 nomes que concorreriam às eleições.

Em maio de 1933 elegeu-se deputado por São Paulo à ANC e, em julho desse mesmo ano, foi um dos signatários de uma declaração dos representantes eleitos da Chapa Única sobre a sucessão na interventoria em São Paulo, apoiando a indicação de um interventor civil e paulista, comprometido com o programa da bancada.

Em novembro de 1933 assumiu sua cadeira na Assembléia. Ao mesmo tempo em que participava dos trabalhos constituintes, em fevereiro de 1934, foi um dos fundadores, em São Paulo, do Partido Constitucionalista, resultante da fusão do PD com a dissidência do PRP, que se havia agrupado em torno da Aliança Nacional Republicana e da Federação dos Voluntários.

Com a promulgação da nova Carta, em 16 de julho de 1934, teve seu mandato prorrogado até maio de 1935. No dia 17 de julho fez parte da comissão de deputados que recebeu Getúlio Vargas na sessão solene de sua posse na presidência da República. Nas eleições de outubro desse mesmo ano, reelegeu-se deputado federal na legenda do Partido Constitucionalista. Ainda em 1934, no mês de dezembro, assinou a Emenda nº 764, que anistiou todos os envolvidos até então em movimentos revolucionários. No decorrer desse ano, foi também sucessivamente secretário e vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira em São Paulo.

Permanecendo na Câmara dos Deputados, em fevereiro de 1936 foi um dos signatários do manifesto dos dissidentes do Partido Constitucionalista que romperam com o governador de São Paulo, Armando Sales (1933-1936), que pretendia se candidatar à presidência da República. Ainda nesse ano participou da formação da Coligação Pró-São Paulo, que disputou as eleições municipais de março de 1936.

Em julho de 1937 foi um dos deputados a protestar na Câmara, quando o presidente Pedro Aleixo retirou da ordem do dia a discussão do projeto de revisão do contrato da Itabira Iron Ore Company, de propriedade do empresário norte-americano Percival Farquhar, que obtivera dos governos anteriores a concessão para a exploração de minérios no vale do rio Doce, em Minas Gerais. Permaneceu na Câmara até o dia 10 de novembro desse ano, quando o advento do Estado Novo fechou todos os órgãos legislativos do país.

Ao longo de sua vida, ocupou ainda os cargos de diretor-gerente da Companhia Paulista de Força e Luz e de diretor das Empresas Elétricas Brasileiras em São Paulo, elaborou os estudos básicos das primeiras hidrelétricas das cidades paulistas de Franca e Bragança e reformou a antiga usina hidrelétrica de Piracicaba, da qual foi por dez anos gerente e co-proprietário, além de fundar a Indústria de Máquinas para Beneficiar Café São Paulo, que posteriormente passou a chamar-se B. Penteado, em Limeira.

Faleceu em São Paulo no dia 6 de dezembro de 1958.

Era casado com Celeza de Barros Penteado, com quem teve dez filhos. Sua esposa e filhas trabalharam nas organizações femininas que apoiaram a Revolução Constitucionalista de 1932. Seus filhos participaram naquele evento dos batalhões revolucionários, tendo um deles, Lauro Penteado, morrido em combate.

 

FONTES: Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; Diário de Notícias, Rio (16/2/36); Diário do Congresso Nacional; GODINHO, V. Constituintes; INF. Lavínia de Barros Penteado; LEITE, A. História; SILVA, H. 1932; SILVA, H. 1933; SILVA, H. 1934; SILVA, H. 1937.

 

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