ANTONIO DE ARRUDA DE FARIAS

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Nome: FARIAS, Antônio
Nome Completo: ANTONIO DE ARRUDA DE FARIAS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FARIAS, ANTÔNIO

FARIAS, Antônio

*dep. fed. PE 1983-1987; const.1987-1988; sen. PE 1987-1988.

 

Antônio de Arruda de Farias nasceu em Surubim (PE) no dia 28 de novembro de 1932, filho de Severino Barbosa de Farias e Estefânia Arruda de Farias. Seu pai foi líder da União Democrática Nacional (UDN) em sua cidade natal.

Formado em economia na Universidade Católica de Pernambuco, no Recife, dedicou-se a atividades empresariais no setor açucareiro, vindo a ser diretor-presidente da Usina Pedrosa S.A. e das Destilarias Outeiro S.A. e Baía Formosa S.A.

Estreou na política eleitoral, no pleito de outubro de 1954, elegendo-se vereador em Surubim, na legenda da UDN. Em fevereiro do ano seguinte, assumiu sua cadeira na Câmara de Vereadores e cumpriu o seu mandato até 1959. No pleito de outubro de 1962, elegeu-se deputado estadual, novamente pela UDN. No início de 1963 assumiu a sua cadeira na Assembléia Legislativa de Pernambuco, ocupando o cargo de terceiro-secretário da casa durante dois anos. Em 1964, no ambiente de perseguição política promovido pelo regime militar, foi um dos deputados estaduais que assinou a cassação do então governador Miguel Arrais. Com a extinção dos partidos políticos e a instauração do bipartidarismo — pelo Ato Institucional nº 2 de 27 de outubro de 1965 — migrou para a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar.

Nas eleições de novembro de 1966 reelegeu-se deputado estadual, como o candidato mais votado do estado. Em fevereiro do ano seguinte, assumiu a sua cadeira na Assembléia, integrando-se à Comissão de Finanças, na qual ocupou a presidência. Abalado com a morte do pai no ano de 1970, cumpriu o seu mandato de deputado estadual até o fim da legislatura, mas depois se afastou temporariamente da vida pública. Neste tempo, dedicou-se à administração dos negócios da família, com empresas do ramo álcool-açucareiro.

Retornou à política eleitoral no pleito de novembro de 1974, novamente pela Arena, candidatando-se a suplente de senador na chapa de João Cleofas. Não obteve sucesso, sendo vencido pelo candidato oposicionista Marcos Freire, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano seguinte, foi indicado pelo então governador de Pernambuco, Moura Cavalcanti, para ocupar a prefeitura do Recife. No exercício deste cargo, construiu importantes obras viárias na cidade.

Com a proximidade do pleito de setembro de 1978, tentou a indicação do seu partido para a disputa da sucessão eleitoral de Moura Cavalcanti, mas foi preterido por Marcos Maciel. Optou, então, por não se lançar candidato a qualquer outro cargo e concluiu a sua gestão de prefeito em fevereiro de 1979. Com a extinção do bipartidarismo, em 29 de novembro de 1979, e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), legenda que sucedeu à antiga Arena em seu apoio ao governo militar.

No pleito de novembro de 1982, elegeu-se deputado federal por Pernambuco, sendo o candidato mais votado do PDS. No início do ano seguinte, assumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados, integrando-se à Comissão de Economia, Indústria e Comércio.

Na sessão da Câmara dos Deputados de 25 de abril de 1984, votou contra a emenda Dante de Oliveira, que defendia a realização de eleições diretas para a presidência da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal — Farias iniciou uma ativa campanha a favor do candidato do seu partido Paulo Maluf, em quem votou em 15 de janeiro de 1985. A essa altura, Farias — em virtude da grave crise interna que abalava o PDS por conta da indicação de Maluf como candidato do partido — encontrava-se na presidência do partido governista. O ex-governador paulista, contudo, acabou sendo derrotado pelo oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Tancredo Neves, contudo, não chegou a ser empossado na presidência, falecendo em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo o cargo interinamente, desde o dia 15 de março deste ano.

Farias deixou a presidência do PDS em janeiro de 1985, sendo substituído pelo senador Amaral Peixoto. Em maio, filiou-se ao Partido Municipalista Brasileiro (PMB) e, por meio de um acordo pessoal, formalizou seu apoio a Miguel Arrais, candidato a governador de Pernambuco pelo PMDB. Desse modo, passou a integrar a chapa majoritária da Frente Popular na disputa de uma das vagas do Senado nas eleições de novembro de 1986. Contrariando as previsões, elegeu-se senador constituinte derrotando o candidato do Partido da Frente Liberal (PFL) e ex-governador de Pernambuco, Roberto Magalhães. Empossado em fevereiro do ano seguinte, quando tiveram início os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, foi membro titular da Comissão de Sistematização.

Faleceu em Brasília no dia 13 de abril de 1988, ainda na primeira fase de votações da constituinte, vitimado por um enfarto agudo do miocárdio, enquanto era atendido pelo Serviço Médico do Senado. Sua vaga foi ocupada por Nei Maranhão.

Era casado com Maria Geralda Heracleo do Rego Farias, com quem teve três filhos.

Gustavo Lopes/Cláudia Montalvão

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. (1987-1988); Correio Brasiliense (19/1/87); Estado de S. Paulo (14/4/88); Folha de S. Paulo (19/1/87); Globo (26/4/84, 16 e 24/1/85 e 14/4/88); Jornal do Brasil (18/11/84).

 

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