Antônio de Ipojuca Holanda Pontes

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Nome: PONTES, Ipojuca
Nome Completo: Antônio de Ipojuca Holanda Pontes

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

PONTES, Ipojuca

*sec. Cultura 1990-1991.

 

Antônio de Ipojuca Holanda Pontes nasceu em João Pessoa no dia 10 de setembro de 1942, filho de João Pontes Barbosa e de Laís Holanda Pontes.

Iniciou o curso de jornalismo em sua cidade natal em 1960, concluindo-o três anos mais tarde. Ainda estudante universitário, foi um dos criadores do serviço de cinema da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), repórter nos jornais O Norte e A União e crítico de cinema do Diário de Pernambuco. Estreou como roteirista em 1963, com o episódio brasileiro do filme Mientras la tierra arde, do diretor argentino Raymondo Gleyser. Ainda nesse ano, logo após ter concluído a faculdade, fez o curso intensivo de cinema ministrado pelo cineasta sueco Arnie Sucksforff no Instituto Rio Branco, no Rio de Janeiro. Em seguida, fez um estágio na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, orientado por Paulo Emílio Sales Gomes. Em 1965, transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro, onde foi crítico no Diário Carioca até o fechamento do jornal, em 31 de dezembro.

Com o fim do Diário Carioca, afastou-se da atividade jornalística e passou a dedicar-se ao cinema. Dirigiu seu primeiro filme, Os homens do caranguejo, em 1969. Pelo documentário sobre as condições de vida da comunidade de pescadores de Nossa Senhora do Livramento, em João Pessoa, ganhou prêmios nos festivais de Brasília e Mar del Plata. Em 1974 fundou a Ipojuca Pontes Produções, empresa responsável pela produção da maioria de seus filmes. Em 1978, foi indicado para representar o Brasil no Festival de Cannes, na França, com o filme Canudos. No ano seguinte, dirigiu a peça Os emigrados, do dramaturgo polonês W. Mrozek, com a qual receberia o Prêmio Molière. Ainda nesse ano, estreou A volta do filho pródigo, premiado no festival de Tessalônica, na Grécia. Em 1985, dirigiu o filme Pedro Mico, adaptação cinematográfica da peça homônima de Antônio Calado, protagonizado por Pelé. Retomou a atividade jornalística entre 1987 e 1989 como colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, assinando uma coluna sobre assuntos políticos e culturais. No mesmo período, participou do conselho de criação da TV Educativa do Rio de Janeiro (TVE-Rio).

Em 15 de março de 1990, quando teve início o governo do presidente Fernando Collor de Melo, assumiu a Secretaria da Cultura do governo federal. O cargo fora oferecido inicialmente ao embaixador José Guilherme Merquior, que não o aceitou por motivo de doença. A transformação do Ministério da Cultura (MinC), criado no governo do presidente José Sarney (1985-1990), em uma secretaria ligada diretamente à Presidência da República fez parte da reforma administrativa implementada logo nos primeiros dias do governo Collor, com o objetivo  de conter gastos com a administração pública considerados excessivos. A medida causou protestos entre artistas e intelectuais, que acusaram Collor de ter reduzido a questão cultural a um mero dado contábil, impedindo a continuidade do investimento estatal no setor.

Em sua gestão, a Secretaria de Cultura demitiu ou colocou em disponibilidade 169 funcionários não estáveis. Retirou a Biblioteca Nacional do âmbito da Fundação Pró-Ler, transformando-a em fundação isolada, o que evitou sua transferência do Rio de Janeiro para Brasília. Extinguiu a Embrafilme, empresa destinada ao fomento do cinema nacional desde setembro de 1969, no lugar da qual foi criada uma legislação para o financiamento cinematográfico que buscou atrair recursos privados através da isenção fiscal sobre os lucros decorrentes das transações realizadas no mercado de capitais.

Em dezembro de 1990, teve o seu principal atrito com o governo, devido ao pedido de nomeação de Mário Machado para o Instituto Brasileiro de Artes Cênicas (Ibac). Relutou em assinar a nomeação, alegando que o fato de Mário Machado ter dirigido a Fundação Nacional de Arte (Funarte) durante o regime militar não o credenciava para exercer qualquer cargo no “projeto de reconstrução nacional em curso naquele momento”. Acabou cedendo, mas pediu demissão no início de março de 1991, sendo substituído pelo embaixador Paulo Sérgio Rouanet.

Após ter deixado a secretaria, foi nomeado adido cultural do Brasil na Argentina. Acumulou o cargo, exercido de 1991 a 1992, com o de diretor do Centro de Estudos Brasileiros em Buenos Aires. Pouco antes da sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, que aprovou a abertura do processo de impeachment de Collor devido a denúncias de corrupção no governo, colocou o cargo à disposição do Ministério das Relações Exteriores. Em seguida residiu nos Estados Unidos por aproximadamente dois anos e aproveitou para fazer diversos cursos de cinema.

Retornou ao Brasil em 1995, e desde então passou a dedicar-se à redação de um livro sobre cultura brasileira com base nos artigos publicados em O Estado de S. Paulo na década de 1980. Nesse período, assinou um contrato com a produtora norte-americana CBS News para a realização de uma série de documentários sobre o desenvolvimento sustentável na região amazônica.

Foi casado com a atriz Teresa Raquel.

Além dos filmes citados, dirigiu Poética popular (1970), Cidades do Nordeste (1973), Rendeiras do Nordeste (1974), Portrait of Vaqueiro (1975), Canudos (1978) e A volta do filho pródigo (1979). Publicou os livros O valente Vilela (1970), Brasil Filmes S.A. (1983), Pedro Mico – o filme (1985), Cinema cativo (1987), Cultura e desenvolvimento (1991), Politicamente corretíssimos (2003), A era Lula: crônica de um desastre anunciado (2006) e A manhã do barão (2008).

Sérgio Montalvão

 

FONTES: CURRIC.BIOG.; Globo (28/12/97, 3/1/98); INF.BIOG.; IstoÉ/Senhor (14 e 21/3/90); SEC. CULT. PRES. REP. Relatório (1990); Veja (25/4/90, 13/3/91).

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