ANTONIO DE OLIVEIRA GODINHO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: PADRE GODINHO
Nome Completo: ANTONIO DE OLIVEIRA GODINHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

PADRE GODINHO

*religioso; dep. fed. SP 1963-1969.

 

Antônio de Oliveira Godinho nasceu em Carmo da Cachoeira (MG) no dia 23 de janeiro de 1920, filho de José Godinho Chagas e de Albertina de Oliveira Godinho.

Em 1936 ingressou na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, formando-se dez anos depois em filosofia, teologia e direito. Ainda em 1946 ordenou-se padre, mas não chegou a exercer o sacerdócio nem a ter uma paróquia. De volta ao Brasil, tornou-se professor universitário. Ingressou na vida política elegendo-se deputado estadual em São Paulo no pleito de outubro de 1958 na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Assumiu sua cadeira na Assembléia Legislativa em fevereiro de 1959 e, muito ligado ao presidente Jânio Quadros, em 1961 declinou de seu convite para ocupar o cargo de embaixador brasileiro no Vaticano.

Concorreu à Câmara Federal por São Paulo nas eleições de outubro de 1962 na legenda da coligação formada pela UDN com o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Rural Trabalhista (PRT). Sua candidatura foi aprovada pela Aliança Eleitoral pela Família (Alef), associação civil de âmbito nacional que visava mobilizar o eleitorado católico para apoiar os candidatos comprometidos com os princípios sociais da Igreja, entre eles a defesa da propriedade privada e da família, o combate ao divórcio e a crítica aos extremismos de esquerda e de direita. Eleito, assumiu sua cadeira em fevereiro de 1963, após deixar a Assembléia Legislativa. A partir de abril tornou-se vice-líder da bancada da UDN na Câmara e em 1964 foi observador parlamentar à XLV Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), realizada em Genebra, na Suíça. Nesse ano apoiou o movimento político-militar de 31 de março, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964).

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se de início ao partido governista, a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Desencantado porém com as “cassações e torturas”, conforme declararia, desligou-se rapidamente dessa agremiação, filiando-se ao partido de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Nessa legenda foi reeleito deputado federal por São Paulo no pleito de novembro de 1966.

Amigo de Carlos Lacerda, ingressou na Frente Ampla, movimento político que congregou o próprio Lacerda, Goulart e Juscelino Kubitschek e foi lançado oficialmente em 1966 com o objetivo de lutar “pela pacificação política do Brasil, através da plena restauração do regime democrático”. O movimento foi extinto em 5 de abril de 1968 pela Portaria nº 177, baixada pelo então ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva.

No dia 7 de fevereiro de 1969, padre Godinho teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos, com base no Ato Institucional nº 5, editado em 13 de dezembro de 1968. Para sobreviver, traduziu para o português sob diversos pseudônimos obras da literatura italiana, inclusive de Pier Paolo Pasolini e Alberto Moravia. Posteriormente lecionou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba (SP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi também diretor do Museu de Arte Sacra de São Paulo.

Recuperando seus direitos políticos em 1979, após a extinção do bipartidarismo em novembro desse ano e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em 1982, seu nome voltou a figurar na imprensa, cogitado para concorrer a uma cadeira no Senado na legenda do PTB, cujo candidato ao governo estadual era Jânio Quadros. Em abril de 1985 esteve cotado para assumir a Coordenação Nacional de Museus, a convite do ministro da Cultura, José Aparecido de Oliveira.

Foi comentarista do programa de TV Record em notícias.

Faleceu na cidade de São Paulo no dia 17 de outubro de 1992.

Publicou Catolicismo, comunismo e outros assuntos (1947).

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971); CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; Estado de S. Paulo (23/9/62, 11/7/82); Globo (3/4/85); Jornal do Brasil (29/6, 4 e 15/7/82); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (4, 6 e 8); Veja (28/10/92).

 

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados