ANTONIO OSVALDO DO AMARAL FURLAN

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: FURLAN, Amaral
Nome Completo: ANTONIO OSVALDO DO AMARAL FURLAN

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FURLAN, AMARAL

FURLAN, Amaral

*dep. fed. SP 1959-1979; sen. SP 1979-1987.

 

Antônio Osvaldo do Amaral Furlan nasceu em Sertãozinho (SP) no dia 14 de abril de 1924, filho do médico Antônio Furlan Júnior e de Albertina Franco do Amaral Furlan. Seu pai foi vereador, vice-prefeito e prefeito de Sertãozinho e sua irmã, Marina Furlan, também exerceu a vereança nesta cidade.

Fez os primeiros estudos no Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas (SP), cursando o secundário em São Paulo, inicialmente no Colégio São Luís e, depois, no Liceu Pan-Americano e no Colégio Rio Branco. Matriculado na Faculdade de Direito de Niterói, transferiu-se posteriormente para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), abandonando o curso no último ano.

Ingressou na vida política em 1947, quando ainda era universitário, elegendo-se vereador à Câmara Municipal de sua cidade natal na legenda do Partido Social Democrático (PSD). No pleito de outubro de 1950 elegeu-se deputado estadual na legenda do PSD. Concluindo o mandato de vereador em janeiro de 1951, assumiu uma cadeira na Assembléia Legislativa paulista em fevereiro seguinte e em 1953 tornou-se primeiro-secretário daquela casa. Membro da comissão executiva estadual do seu partido, apresentou na Assembléia vários projetos de lei relacionados a assuntos educacionais, agrícolas e de saúde, empenhando-se ainda na emancipação política de 66 distritos e localidades, elevados à categoria de município em dezembro de 1953.

Reeleito deputado estadual em outubro de 1954, sempre na legenda do PSD, integrou no ano seguinte as comissões permanentes de Divisão Administrativa e Judiciária e de Finanças, bem como a Comissão de Obras Públicas da Assembléia Legislativa, participando posteriormente das comissões de Constituição e Justiça, de Agricultura e de Transportes e Comunicações. Em 1957, foi novamente escolhido primeiro-secretário da Assembléia.

Eleito em outubro de 1958 deputado federal por São Paulo na mesma legenda, deixou o Legislativo paulista em janeiro de 1959, assumindo em fevereiro seguinte seu mandato na Câmara dos Deputados, onde integrou o chamado Bloco Parlamentar Mudancista, grupamento de congressistas favoráveis à transferência da capital do país do Rio de Janeiro para Brasília. Essa iniciativa, uma das principais realizações do governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), foi efetivada em abril de 1960. Durante a crise político-militar provocada pela renúncia do presidente Jânio Quadros (25/8/1961), votou favoravelmente à Emenda Constitucional nº 4, fórmula conciliatória aprovada pelo Congresso em 2 de setembro do mesmo ano e que, ao introduzir o regime parlamentarista de governo, garantiu a posse do vice-presidente João Goulart na presidência da República no dia 7 seguinte. O nome de Goulart fora vetado pelos ministros militares de Jânio: marechal Odílio Denis, da Guerra, almirante Sílvio Heck, da Marinha e brigadeiro Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica.

No pleito de outubro de 1962 foi reconduzido à Câmara, sempre na legenda do PSD. Defensor do monopólio estatal do petróleo, foi partidário da sua extensão aos setores de energia elétrica e de telecomunicações e à exploração dos minerais atômicos. Favorável à reforma agrária em moldes cooperativistas, apoiou a limitação da remessa de lucros e os projetos de reforma administrativa, bancária e tributária, iniciativas tomadas pelo governo João Goulart.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar implantado no país após a deposição de Goulart em abril de 1964, vindo a integrar a comissão executiva estadual da agremiação. No pleito de novembro de 1966 voltou a eleger-se deputado federal por São Paulo na legenda de seu novo partido. Durante essa legislatura, porém, transferiu-se para o partido governista, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), na legenda pela qual se reelegeu no pleito de novembro de 1970, tornando-se membro efetivo da Comissão de Economia e suplente da Comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados.

Eleito pela quinta vez consecutiva em novembro de 1974, ainda na legenda arenista, foi membro efetivo da Comissão de Economia, Indústria e Comércio e suplente da Comissão de Serviço Público da Câmara. Em 1º de setembro de 1978 foi eleito indiretamente, pelo Colégio Eleitoral paulista, para o Senado Federal, tendo como suplentes Manuel Ferreira Filho e Dulce Sales Cunha Braga. Nesse mesmo dia, através de idêntico processo de escolha, Paulo Salim Maluf — a quem Furlan era ligado — elegeu-se governador de São Paulo. Em janeiro de 1979, Amaral Furlan deixou a Câmara dos Deputados, assumindo no mês seguinte sua cadeira no Senado.

Com a reformulação partidária promovida pelo governo do general João Batista Figueiredo, empossado em março de 1979, o bipartidarismo foi extinto em novembro do mesmo ano, abrindo o caminho para a volta do pluripartidarismo. Amaral Furlan filiou-se então ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação situacionista que sucedeu à Arena. Integrou no Senado as comissões de Constituição e Justiça e de Finanças.

Em 25 de abril de 1984 foi apresentada na Câmara dos Deputados a emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal —, no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Furlan votou no candidato situacionista Paulo Maluf, do PDS, derrotado pelo oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) — sucessor do MDB — com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Contudo, Tancredo Neves não chegou a tomar posse, devido a uma crise de diverticulite que o levou à morte em 21 de abril de 1985, sendo substituído por José Sarney, candidato a vice na chapa da Aliança Democrática, que já vinha exercendo interinamente a presidência da República desde 15 de março de 1985.

Não candidatando-se a mais nenhum cargo eletivo, Amaral Furlan deixou o Senado em janeiro de 1987, ao final da legislatura.

Além de político, atuou como jornalista, tendo sido proprietário e colaborador do Diário da Manhã, de Ribeirão Preto (SP). Trabalhou também como advogado, tendo dirigido ainda a firma Publinter Publicidade & Representações do Interior, além de haver sido um dos fundadores da cidade de Luanda (PR).

Faleceu na cidade de São Paulo no dia 21 de julho de 1988.

Era casado com Mafalda de Sousa Lima Furlan, com quem teve quatro filhos. Um deles, Antônio Luís Lima do Amaral Furlan, foi deputado estadual de São Paulo entre 1983 e 1991.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971, 1971-1975 e 1975-1979); CAMPOS, Q. Fichário; COUTINHO, A. Brasil; Eleitos; Globo (16/1/85); INF. FAM.; NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); SENADO. Dados biográficos (1983-1987); SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (2, 3, 4, 6, 8 e 9); VAITSMAN, M. Sangue; Who’s who in Brazil.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados