ARNALDO DOS SANTOS CERDEIRA

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Nome: CERDEIRA, Arnaldo
Nome Completo: ARNALDO DOS SANTOS CERDEIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CERDEIRA, ARNALDO

CERDEIRA, Arnaldo

*rev. 1932; dep. fed. SP 1951-1969.

 

Arnaldo dos Santos Cerdeira nasceu em Manaus no dia 22 de setembro de 1906, filho de Manuel dos Santos Cerdeira e de Zulmira dos Santos Cerdeira.

Radicando-se em São Paulo, estudou no Ginásio Santista, no Ginásio do Estado de São Paulo e na Escola de Comércio Álvares Penteado. Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.

Em 1926 tornou-se diretor de uma empresa de beneficiamento de algodão em Santa Branca (SP) e presidiu o diretório municipal do Partido da Mocidade, em São José dos Campos (SP). Nessa cidade, em 1928, foi presidente do diretório local do Partido Democrático, elegeu-se vereador e presidiu a Câmara Municipal. Ainda em 1928 tornou-se comissário de café em Santos (SP), onde fundou organizações comissárias desse produto. Foi diretor da A. S. Cerdeira e presidente da Sociedade de Investimentos Mofarrej, sediada em Londrina (PR), dirigindo em 1929 uma empresa de beneficiamento de café na Vila de Gavião Peixoto (SP).

Diretor de uma companhia de comércio e beneficiamento de café em Franca (SP) em 1930 e participante da revolução que em outubro desse ano depôs o presidente Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder, foi delegado revolucionário no segundo distrito eleitoral da capital paulista, em Santa Isabel (SP) e Tremembé (SP), atuando também, ainda em 1930, como delegado de polícia em São José dos Campos. Em 1932 tornou-se diretor de um estabelecimento para beneficiar algodão em lbitinga (SP) e, em julho desse mesmo ano, participou da Revolução Constitucionalista, que reivindicava a reconstitucionalização do país e se opunha à interferência do governo federal em São Paulo, efetivada através da influência tenentista a partir da nomeação do tenente João Alberto Lins de Barros para o cargo de interventor no estado logo após a vitória da Revolução de 1930. Na Revolução Constitucionalista, serviu junto ao coronel Euclides de Figueiredo, comandante das forças rebeldes em operação no vale do rio Paraíba.

Em 1934 tornou-se presidente do diretório municipal do Partido Constitucionalista em São José dos Campos e, em outubro desse ano, concorreu na legenda desse partido a um mandato de deputado estadual, obtendo apenas uma suplência. Ainda em 1934 dirigiu usinas de processamento de mandioca em Pindamonhangaba (SP) e em São José dos Campos. Eleito vereador nessa cidade, presidiu em 1936 a Câmara Municipal. Com a implantação do Estado Novo em novembro de 1937 e a conseqüente supressão dos órgãos legislativos do país, perdeu o mandato e afastou-se das atividades políticas. Em 1944 fundou e presidiu a Companhia Norpa de Armazéns Gerais, em Londrina, e, dois anos depois, também no Paraná, criou a Organização Imobiliária Paraná.

 

No PSP

Após a queda do Estado Novo, disputou o pleito de janeiro de 1947 para a Assembléia Constituinte de São Paulo, obtendo apenas uma suplência. Em 1948 tornou-se diretor da Importadora e Exportadora Brasil, dirigindo no ano seguinte a Companhia Continental — Importação e Exportação. Já associado a Ademar de Barros, então governador do estado e presidente do Partido Social Progressista (PSP), presidiu a Comissão de Preços em São Paulo. Ainda em 1949 assumiu a vice-presidência do PSP, cargo que ocuparia até 1965, afirmando-se como o segundo homem do partido.

No pleito de outubro de 1950 elegeu-se deputado federal por São Paulo na legenda do PSP. Assumindo o mandato em fevereiro de 1951 — ano em que fundou e dirigiu a Companhia Estanífera do Brasil —, tornou-se vice-líder de seu partido na Câmara dos Deputados em maio de 1952. Reeleito em outubro de 1954, ocupou a liderança do PSP a partir de março de 1955, tornando-se no mês de dezembro vice-líder da minoria. Em abril de 1957 foi reconduzido à liderança do PSP na Câmara.

No pleito de outubro de 1958 reelegeu-se na mesma legenda, permanecendo como líder de seu partido na Câmara durante toda a legislatura iniciada em 1959. Escolhido vice-líder da maioria em junho desse ano, foi membro da Comissão Especial de Reforma Agrária da Câmara dos Deputados. Reelegeu-se mais uma vez em outubro de 1962, agora com o apoio da Aliança Eleitoral pela Familia (Alef), associação de caráter conservador então criada com o objetivo de mobilizar o eleitorado católico para apoiar os candidatos comprometidos com os princípios da Igreja.

Em março de 1964 participou do movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart. Segundo Hélio Silva em 1964: golpe ou contragolpe, teria sido um dos principais articuladores da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, movimento organizado no início de 1964 com a finalidade de sensibilizar a opinião pública contra as medidas reformistas que vinham sendo adotadas pelo governo Goulart. Essa mobilização reuniu setores da classe média temerosos do “perigo comunista” e favoráveis à deposição do presidente da República, desenvolvendo-se pouco depois da queda de Goulart.

 

O pós-1964

Ainda em 1964, a partir de maio, tornou-se líder e, a partir de agosto, vice-líder do bloco parlamentar constituído pelo PSP, o Movimento Trabalhista Renovador (MTR), o Partido Trabalhista Nacional (PTN), o Partido Republicano (PR) e o Partido Democrata Cristão (PDC). Em junho desse mesmo ano assumiu também a vice-liderança do bloco parlamentar da minoria.

Em 1965 ocupou a Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo na gestão do governador Ademar de Barros (1963-1966). Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), cujo diretório regional passou a presidir em São Paulo. Por muito tempo figura proeminente e porta-voz do ademarismo, participou entretanto das articulações que levaram à cassação de Ademar de Barros em junho de 1966. Segundo o Jornal do Brasil de 21 de outubro de 1979, teria declarado a respeito desse episódio: “É pena, mas o culpado foi o Ademar mesmo.”

No pleito de novembro de 1966 voltou a eleger-se deputado federal por São Paulo na legenda da Arena. Nessa legislatura foi presidente das comissões de Economia e de Constituição e Justiça e vice-presidente das comissões de Finanças e de Orçamento da Câmara dos Deputados, tendo chefiado ainda delegações do Congresso Nacional que visitaram os EUA e países socialistas.

Depois da edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 13 de dezembro de 1968, esforçou-se para preservar seu mandato repetindo declarações de apoio incondicional ao regime. Ainda assim, em outubro do ano seguinte, em plena campanha para a reeleição à presidência da Arena paulista, foi cassado pela junta militar que substituiu o presidente Artur da Costa e Silva. Expirado o prazo de suspensão de seus direitos políticos, voltou a filiar-se à Arena em 1979.

Foi membro da Sociedade Rural Brasileira, da Associação dos Diretores de Empresas de Crédito, Investimento e Financiamento (ADECIF), da Associação dos Criadores, da Federação das Associações Rurais, da Associação Comercial de São Paulo, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) e da Bolsa de Cereais desse estado. Sua empresa mineradora dedicou-se à pesquisa e à extração de cassiterita (óxido ou minério de estanho) nos estados de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Amazonas e no território de Rondônia. Diretor da Mibrasa, foi sócio-diretor de várias empresas de mineração, tendo exercido ainda atividades agrícolas, sobretudo na fazenda mista que possuía em Bragança Paulista (SP).

Faleceu na cidade de São Paulo no dia 20 de outubro de 1979.

Era casado com Jeni Machado Cerdeira, com quem teve cinco filhos.

 

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Anais (1960-1 e 1964-1); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (6); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CHAGAS, C. 113; CISNEIROS, A. Parlamentares; Eleitos; Estado de S. Paulo (5/9/62); Folha de S. Paulo (24/10/79); Globo (21/10/79); Jornal da Tarde (2/10/69); Jornal do Brasil (10/1 e 21/10/79); LEITE, A. História; SILVA, H. 1964; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Súmulas; Veja (1/3/78); Who’s who in Brazil (1972).

 

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