ATAIDE, SEBASTIAO

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Nome: ATAÍDE, Sebastião
Nome Completo: ATAIDE, SEBASTIAO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ATAÍDE, Sebastião

*dep. fed. RJ 1983-1987.

 

Sebastião Ataíde de Melo nasceu em Araruna (PB) no dia 23 de junho de 1930, filho de Manuel Ataíde de Melo e de Maria Luzia Ramos.

Chegou ao Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 1951, conseguindo emprego como condutor de bondes. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, à época Partido Comunista do Brasil (PCB), militando junto ao Sindicato dos Carris. Exercia o cargo de conselheiro fiscal daquele sindicato quando, em 31 de março de 1964, eclodiu o movimento que depôs o presidente da República, João Goulart, e instaurou no país um regime militar. O sindicato foi fechado e seus membros enquadrados na Lei de Segurança Nacional.

Ainda em 1964, com o fim dos bondes, Ataíde tornou-se trocador de ônibus. Em 1972, foi eleito presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Trabalhadores em Transportes Urbanos do município do Rio de Janeiro. Assumiu o cargo no início do ano seguinte, mas foi deposto 20 dias depois por membros do sindicato insatisfeitos com sua eleição. Depois de uma série de ações no foro administrativo, que chegaram até o ministro do Trabalho, Júlio de Carvalho Barata, novas eleições foram realizadas no final de 1973. Reconduzido ao cargo, Ataíde iniciou o mandato no início de 1974.

Filiado desde 1970 ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964, foi reeleito presidente do sindicato em 1977. Em 1979, participou da greve dos rodoviários que obteve a elevação do piso salarial da categoria, que de um salário mínimo e meio passou para quatro salários mínimos. Em decorrência dessa vitória, seria mais uma vez escolhido, em 1980, para presidir o sindicato.

Com o fim do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979, foi um dos fundadores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), criado em substituição ao MDB.

Depois de transferir-se, em 1981, para o Partido Democrático Trabalhista (PDT), candidatou-se nesta legenda a deputado federal pelo Rio de Janeiro, nas eleições de novembro de 1982. Eleito, licenciou-se por tempo indeterminado do sindicato para assumir sua cadeira na Câmara Federal em fevereiro do ano seguinte, tornando-se membro da Comissão de Trabalho e Legislação Social, além de suplente da Comissão de Transportes.

Como deputado defendeu, entre outros pontos, a regulamentação profissional e a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas. Em 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve a votação necessária para ser encaminhada ao Senado Federal, absteve-se de votar no Colégio Eleitoral reunido a 15 de janeiro de 1985 para escolher o novo presidente do país, tendo sido eleita na ocasião a chapa Tancredo Neves-José Sarney, lançada pela Aliança Democrática, coligação do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) reunida na Frente Liberal.

Eleito com uma expressiva vitória sobre o candidato governista Paulo Maluf, Tancredo, no entanto, não chegou a ser empossado em 15 de março seguinte. Gravemente enfermo, foi substituído na presidência por José Sarney. Em 21 de abril de 1985, com a morte do presidente eleito, Sarney foi efetivado na chefia do Executivo.

Ainda em 1985, Ataíde desentendeu-se com Leonel Brizola, governador do Rio de Janeiro e líder nacional do PDT, devido à escolha de Brandão Monteiro para a Secretaria de Transportes do estado, decisão da qual não participara. Declarou-se traído pelo governador e, apesar de manter-se filiado ao PDT, distanciou-se da vida política do partido, inclusive quando da eleição do senador Roberto Saturnino Braga — com quem também rompera — para a prefeitura do Rio de Janeiro, em novembro do mesmo ano.

Candidatou-se a deputado federal constituinte na legenda do PDT em novembro de 1986, mas não obteve êxito. Encerrou seu mandato na Câmara dos Deputados em janeiro de 1987. Por problemas de saúde, decidiu não mais concorrer a nenhum cargo público. Em 1993, ingressou no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) juntamente com Marcelo Alencar, que veio a ser eleito governador do Rio de Janeiro no ano seguinte.

Em permanente contato com o Sindicato dos Rodoviários do Município do Rio de Janeiro, Ataíde tornou-se membro de seu conselho consultivo após ter deixado a Câmara. Foi efetivado e tomou posse como membro do conselho deste sindicato em janeiro de 2009.

Foi casado com Olisséia dos Santos Melo, com quem teve 11 filhos. Mais tarde, uniu-se a Marta Maria Nogueira Botelho Ataíde de Melo.

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Folha de S. Paulo (13/1/85, 31/1/87); Globo (26/4/84, 16/1 e 23/5/85); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (28/11/82, 11/10 e 27/12/85); Sítio do Sindicato dos rodoviários do Rio de Janeiro  (http://www.rodoviariosrio.com.br/diretoria.htm)- - acessado em 11/09/09.

 

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