BADGER TEIXEIRA DA SILVEIRA

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Nome: SILVEIRA, Badger
Nome Completo: BADGER TEIXEIRA DA SILVEIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVEIRA, BADGER

SILVEIRA, Badger

*gov. RJ 1963-1964.

 

Badger Teixeira da Silveira nasceu em Bom Jesus de Itabapoana (RJ) no dia 10 de março de 1916, filho de Boanerges Borges da Silveira e de Maria do Carmo Teixeira da Silveira. Seus dois irmãos atuaram na política: José Silveira, como deputado federal pelo Paraná de 1959 a 1963, e Roberto Silveira, como governador do estado do Rio de Janeiro de 1959 a 1961.

Fez o primário em sua cidade natal e cursou o secundário em Niterói. Aluno da Faculdade de Direito da antiga capital fluminense, foi eleito presidente do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga, concluindo o curso em dezembro de 1941.

Foi um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no estado do Rio de Janeiro, criado em 1945. Ao lado de seu irmão Roberto Silveira, teve participação ativa na campanha nacionalista pró-criação da Petrobras. Advogado, lecionou história nos colégios Plínio Leite e Nossa Senhora das Mercês, em Niterói. Exerceu ainda o cargo de delegado de polícia do estado em Resende (RJ), onde se radicou. Nessa cidade elegeu-se vereador na legenda do PTB, tornando-se presidente da Câmara Municipal.

Com a ascensão de Roberto Silveira ao governo do estado em janeiro de 1959, Badger foi secretário de Educação, secretário sem pasta, diretor da Fundação Anchieta, diretor da Empresa Fluminense de Energia Elétrica e ministro do Tribunal de Contas do estado do Rio de Janeiro. Com a morte de Roberto Silveira em acidente aéreo, no dia 20 de fevereiro de 1961, Badger teve seu nome lançado pelo PTB para concorrer ao governo do estado no pleito previsto para outubro de 1962.

O período subseqüente foi permeado de profundas alterações no quadro político-institucional brasileiro. A “crise da sucessão”, originada pela renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961, resultou na restrição aos poderes presidenciais de João Goulart, empossado em 7 de setembro seguinte sob o regime parlamentarista, instituído no país através da Emenda Constitucional nº 4. A emenda fora aprovada cinco dias antes pelo Congresso Nacional como forma conciliatória capaz de contornar a crise política determinada pelo veto dos ministros militares à posse de Goulart.

Em sua campanha eleitoral, Badger Silveira defendeu a implantação das chamadas reformas de base, principal bandeira política adotada pelo presidente Goulart, apresentando um plano estadual de eletrificação que visava eliminar o déficit existente e previsto de energia elétrica. Esse plano, por sua vez, subordinava-se a uma planificação de desenvolvimento baseada em três pontos primordiais: industrialização, educação e reforma agrária. Badger criticou também a improvisação administrativa que levava à aplicação de políticas contraditórias e ociosas quanto aos recursos financeiros do estado, tendo recebido um manifesto de apoio assinado por cerca de quinhentos estudantes — inclusive pelo presidente da União Fluminense dos Estudantes, José Carlos de Almeida — afirmando que contribuiriam a seu lado para a concretização do projeto do PTB.

 

No governo do estado do Rio

Com um número inédito de candidatos concorrendo ao governo do estado do Rio de Janeiro, Badger Silveira saiu vitorioso no pleito de outubro de 1962, através da coligação formada pelo PTB e o Partido Democrata Cristão (PDC), com 260.841 votos, derrotando seu principal adversário, Tenório Cavalcanti, que concorrera na coligação composta pelo Partido Social Trabalhista (PST) e o Partido Trabalhista Nacional (PTN) e obtivera 224.734 votos.

Com o agravamento da crise econômica que intensificou os conflitos sociais e políticos no país, o presidente Goulart, por sugestão de Badger Silveira, determinou em novembro de 1962 a criação de um grupo de trabalho que elaborasse um plano de assistência ao 1,5 milhão de habitantes da Baixada Fluminense, onde a população dos municípios de Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis e Nova Iguaçu saqueara semanas antes cerca de duas mil casas comerciais em busca de alimentos. Pouco após sua eleição, Badger cancelou, por solicitação do presidente da República, a viagem que faria à Holanda para tratar da vinda de imigrantes ligados à agropecuária, para o equacionamento de pontos críticos da agricultura fluminense. Liderou no estado do Rio de Janeiro, à frente do PTB, a campanha pelo retorno ao presidencialismo, afinal vitoriosa por larga margem de votos no plebiscito realizado em 6 de janeiro de 1963.

Badger Silveira recebeu o governo do estado do Rio do presidente do Tribunal de Justiça fluminense Luís Miguel Pinaud, que substituía José de Carvalho Janotti, ocupante do governo do estado nos últimos meses. Empossado em 31 de janeiro de 1963, encontrou os cofres públicos com um déficit orçamentário de 26 bilhões de cruzeiros antigos. Ao final do mesmo ano, anunciaria a redução do déficit para dois bilhões de cruzeiros antigos, o que se conseguiu graças ao crédito de diversas agências financeiras. Em agosto de 1963 foram criadas as Centrais Elétricas Fluminenses (Celf), concebidas no governo de Roberto Silveira, com o intuito de centralizar sob uma única administração o fornecimento de energia das quatro subsidiárias estaduais.

Em janeiro de 1964, Badger reuniu-se com o ministro da Educação e Cultura, Júlio Sambaqui, para tratar da campanha nacional de alfabetização implementada por esse ministério. Acompanhado do professor Paulo Freire, que fez uma exposição sobre seu método de ensino, o governador debateu a implantação do Plano Piloto de Alfabetização, em presença da secretária de Educação, Clésia Diniz, e do técnico do setor no estado.

Visando respaldar politicamente o governo Goulart, que já se ressentia da intensa pressão oposicionista, manifestando sintomas de deterioração acelerada, o deputado e ex-ministro Francisco Clementino de San Tiago Dantas propôs, ainda em janeiro de 1964, a constituição de uma Frente de Apoio às Reformas de Base, englobando a maioria do Partido Social Democrático (PSD), o PTB e os grupos nacionalistas e de esquerda, além do importante apoio extrapartidário do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Pretendia-se facilitar a tramitação de projetos no Congresso Nacional, mas a iniciativa malogrou diante da rejeição do grupo liderado por Leonel Brizola, que acusava Goulart de conciliar-se com os setores conservadores. Prevaleceu a tese da mobilização de manifestações de massa como única alternativa de pressão sobre um Parlamento composto por uma maioria radicalmente oposta à reforma agrária tal como vinha sendo proposta.

Badger Silveira apoiou concretamente essa iniciativa e acompanhou o presidente Goulart na manifestação realizada no dia 13 de março de 1964 defronte à estação da Central, no Rio de Janeiro. Foi esse um momento decisivo no processo político do país, quando o presidente anunciou a nacionalização de todas as refinarias de petróleo particulares e as diversas medidas referentes à reforma agrária. Essas medidas provocaram uma intensificação da reação conservadora, que viria a derrubá-lo em 31 desse mesmo mês. A partir dessa data assumiu o poder central uma junta governativa formada pelo general Artur da Costa e Silva, pelo almirante Augusto Rademaker, e pelo tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo. O movimento político-militar vitorioso tinha não só o objetivo de depor Goulart, mas também o de combater a “subversão” e a “corrupção”, bem como a “infiltração comunista” na administração pública, nos sindicatos, nos meios militares e em todos os setores da vida nacional.

Em 6 de abril, diante da ameaça de impeachment, Badger Silveira negou enfaticamente quaisquer ligações com os comunistas e afirmou sua posição de “católico e antiesquerdista”, lembrando haver nomeado um padre para chefiar o Plano Agrário Estadual, “capaz de levar bem-estar e tranqüilidade ao homem do campo, dentro da doutrina cristã”. Referiu-se também aos ataques constantes que recebia de deputados esquerdistas na Assembléia Legislativa fluminense, assegurando desconhecer a palavra renúncia. Seguindo orientação da secretária de Educação Clésia Diniz, o governador fluminense cancelou a execução do Plano Piloto de Alfabetização, por haver sido este considerado, em parecer do bispo de Nova Friburgo (RJ), dom Clemente Isnard — membro do Conselho Estadual de Educação —, “frontalmente contrário aos princípios cristãos da formação do nosso povo, principalmente sob o aspecto da politização e conscientização popular”.

No dia 15 de abril do mesmo ano, o general Humberto Castelo Branco foi investido na presidência da República. Badger compareceu à cerimônia, realizada no plenário da Câmara dos Deputados, ao lado dos governadores José de Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Ademar de Barros, de São Paulo. Em 30 de abril, o deputado estadual Nicanor Campanário, do Partido Libertador (PL), apresentou requerimento solicitando o impeachment do governador, acusando-o de ligação com os “subversivos” e com o ex-presidente Goulart e de haver-se negado a nomear para o comando da Polícia Militar o major José Bismark, indicado pelo comandante da 1ª Infantaria Divisionária, com sede na Vila Militar do Rio de Janeiro, general Manuel Rodrigues de Carvalho Lisboa.

No dia 2 de maio de 1964, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou o impeachment do governador Badger da Silveira por 48 votos contra sete. Dois dias depois, Badger — que desempenhava também a função de presidente do PTB no estado do Rio de Janeiro e vice-presidente nacional do partido — teve seus direitos políticos cassados por dez anos com base no Ato Institucional nº 1, editado em 9 de abril de 1964. Afastou-se então da vida pública.

Foi beneficiado pela anistia decretada em agosto de 1979 pelo presidente João Figueiredo, e ao final daquele ano, quando do decreto presidencial que pôs fim ao bipartidarismo, filiou-se ao novo PTB. Contudo, por discordar de diversas posições da líder e fundadora do partido, Ivete Vargas, em pouco tempo desligou-se definitivamente da legenda, não voltando a participar da vida pública.

Teve a aposentadoria aceita em julho de 1981, no cargo de conselheiro em disponibilidade do Tribunal de Contas do estado do Rio de Janeiro, depois de 37 anos no serviço público.

Faleceu em Niterói no dia 9 de maio de 1999.

Era casado com Renée Ferraiolo Silveira, com quem teve oito filhos. Seu sobrinho, Jorge Roberto Silveira, filho de Roberto Silveira, foi deputado estadual no Rio de Janeiro entre 1979 e 1987, e prefeito de Niterói entre 1989 e 1993, conquistando novo mandato para o período 1997-2001.

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CACHAPUZ, P. Cronologia; CASTELO BRANCO, C. Introdução; CENT. MEM. ELET. BRAS. Cerj; Correio da Manhã (1, 7, 12 e 21/1, 7 e 10/4/64); CORRESP. GOV. EST. RJ; Encic. Mirador; Globo (10/7/81 e 10/5/99); Grande encic. Delta; IANNI, O. Estado e planejamento; INF. BIOG.; Jornal (30/1/63); Jornal do Brasil (30/9, 3, 4, 6 e 18/10 e 6/11/62, 3 e 7/1/63); LACOMBE, L. Chefes; SKIDMORE, T. Brasil; TRIB. SUP. ELEIT. Dados; Tribuna da Imprensa (19/6/62); VÍTOR, M. Cinco.

 

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