BARROS FILHO, ADEMAR DE

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: BARROS FILHO, Ademar de
Nome Completo: BARROS FILHO, ADEMAR DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BARROS FILHO, Ademar de

*dep. fed. SP 1967-1975 e 1978-1983; const. 1987-1988; dep. fed. SP 1987-1991 e 1995-1999.

 

Ademar de Barros Filho nasceu na cidade de São Paulo no dia 18 de junho de 1929, filho de Ademar de Barros e de Leonor Mendes de Barros. Sua família descendia dos primeiros povoadores da capitania de São Paulo e destacara-se de início no cultivo do café, transferindo posteriormente seus capitais para a indústria. Seu pai foi revolucionário de 1932, interventor em São Paulo de 1938 a 1941, governador desse estado de 1947 a 1951, candidato à presidência da República em 1955, prefeito da capital paulista de 1957 a 1961, novamente candidato à presidência da República em 1960 e governador de São Paulo de 1963 a 1966. Seus tios Antônio Emídio de Barros Filho e Geraldo Pereira de Barros também exerceram atividades políticas. O primeiro foi suplente do senador paulista Lino de Matos, assumindo a cadeira de junho de 1955 a abril de 1956, e o segundo foi deputado federal por São Paulo de 1963 a 1967. Seu irmão Antônio Mendes de Barros foi, também, deputado federal por seu estado de 1963 a 1967, e seu primo Reinaldo Emídio de Barros foi prefeito de São Paulo de 1979 a 1982.

Fez seus primeiros estudos no Colégio Dante Alighieri, no Ginásio São Bento e no Colégio Rio Branco, todos em São Paulo. Bacharelou-se em química pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo em 1953 e fez o curso de pós-graduação em química orgânica e inorgânica na Escola Técnica de Munique, na Alemanha Ocidental. De 1963 a 1965 foi o primeiro presidente da Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai e, de 1965 a 1966, diretor-presidente das Centrais de Abastecimento de São Paulo S.A. e da Associação de Diretores de Vendas do Brasil. Nesse último ano cursou a Escola Superior de Guerra (ESG).

Sua entrada na política coincidiu com a cassação do mandato e suspensão dos direitos políticos de seu pai, em junho de 1966, quando ainda exercia o governo de São Paulo. Após a cassação, Ademar de Barros foi ameaçado de prisão e teve de deixar o país em 48 horas. Ademar de Barros Filho filiou-se, na época, ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar criado após a edição do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), que extinguiu os partidos políticos então existentes, inclusive o Partido Social Progressista (PSP), fundado e dirigido por seu pai.

Na legenda do MDB, elegeu-se deputado federal por São Paulo em novembro de 1966, com 68.575 votos. Assumiu o mandato em fevereiro de 1967, e em 1970 transferiu-se para a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que apoiava o governo. Reeleito em novembro desse ano, dias antes da posse, em fevereiro de 1971, declarou ao jornal O Globo que considerava uma posição demagógica a luta pela restauração do estado de direito no país, porque “já vivemos num estado de direito, através da Constituição em vigor”.

A legislatura 1971-1975 foi marcada pelas lutas entre os grupos do extinto PSP pelo controle da importante base partidária que o pessepismo constituía para a Arena paulista. Ademar de Barros Filho, que se considerava herdeiro político do pai, confrontava-se principalmente com o deputado federal Rafael Baldacci, mas os remanescentes do PSP dividiam-se ainda entre os grupos de Hilário Torloni, Orlando Zancaner e a “ala velha”, ligada a Osvaldo de Barros. O projeto de união das facções esbarrou na resistência de Barros Filho, que em novembro de 1974 foi reeleito, novamente na legenda da Arena.

Em março de 1975, após ser empossado no governo de São Paulo, Paulo Egídio Martins concretizou seu projeto de desmembramento da Secretaria do Trabalho, criando a Secretaria de Administração. Para atrair os antigos pessepistas, nomeou Ademar de Barros Filho para a nova secretaria, o que descontentou a área política sob a influência de O Estado de S. Paulo. O jornal chegou a afirmar, na ocasião, que a Secretaria de Administração serviria, inevitavelmente, para ampliar a clientela política do novo titular.

Ainda em março de 1975, Barros Filho licenciou-se da Câmara e assumiu a nova pasta. Em dezembro de 1976, enviou telegrama de protesto ao embaixador dos Estados Unidos, condenando um documento da Central Intelligence Agency (CIA) que colocava em dúvida a honorabilidade de seu pai. Em 1977 aproximou-se do grupo militar liderado pelo ministro do Exército, Sílvio Frota, que mantinha divergências com a linha política de “distensão” do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), chegando a defender a candidatura de Frota à presidência da República. Declarou, não obstante, em outubro desse ano, após a demissão de Frota, seu apoio irrestrito ao presidente Geisel.

Em 1978, após seu retorno à Câmara dos Deputados, firmou acordo com Laudo Natel, candidato a governador de São Paulo indicado pelo governo federal. Entretanto, na convenção da Arena paulista para indicar o candidato oficial, o escolhido foi Paulo Salim Maluf, o que acarretou uma cisão entre os antigos pessepistas, com uma ala favorável a Ademar de Barros Filho e a Laudo Natel, e outra, chamada de “velha guarda pessepista”, aliada a Antônio Delfim Neto. Essa última ala passou progressivamente a apoiar Maluf, que foi eleito governador pelo colégio eleitoral em setembro de 1978. Em novembro seguinte, Ademar de Barros Filho reelegeu-se mais uma vez deputado federal.

Nos primeiros meses de 1979, quando se iniciaram as discussões em torno da reformulação partidária, declarou que pretendia rearticular o antigo PSP como um partido populista e democrático, apontando como simpáticos à idéia Paulo Egídio Martins, Antônio Chagas Freitas e Teotônio Vilela, entre outros. Na ocasião, afirmou também que a Arena e o MDB estavam ultrapassados e declarou-se favorável ao pluripartidarismo, ao voto secreto, universal e direto, e à rotatividade nos postos executivos. Denunciou ainda, em entrevista ao Jornal do Brasil, a existência, no governo do presidente João Batista Figueiredo (1979-1985), de “elementos das áreas Geisel e Médici”, de orientação que considerava nitidamente bipartidarista, que poderiam ser obstáculos ao processo de reformulação da vida partidária.

Em julho de 1979, apesar de ter apoiado Laudo Natel na eleição indireta para o governo de São Paulo, não deu seguimento a essa aliança política e começou a se aproximar de Paulo Maluf, com quem acabou por firmar novo acordo, levando consigo diversos políticos do antigo PSP. O documento que assinou junto com Maluf enfatizava a necessidade de ambos trilharem o mesmo caminho político, “qualquer que seja o quadro partidário”. A união, que se realizou tendo em vista “cumprir a política de redemocratização” do presidente Figueiredo, foi taxada por Paulo Egídio de episódica e oportunista, “não devendo ser levada a sério”.

Ao longo dos debates em torno da reformulação partidária, propôs que o processo se desse através do surgimento de novas idéias, e não baseado no personalismo. Ainda em julho de 1979, declarou ao Jornal do Brasil acreditar no “surgimento de uma Arena atualizada, um partido independente, um partido que venha a suceder o MDB, um PTB também atualizado e um quinto partido radical, porque acabou o ciclo revolucionário com o fim do arbítrio, quando então deixou de existir um ambiente para partidos transitórios e vazios ideologicamente”. Entretanto, deu preferência em suas articulações aos antigos líderes pessepistas. Em setembro, considerava o renascimento do PSP viável e, caso não se concretizasse o intento, admitia a vinculação do grupo pessepista a um dos futuros partidos.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena. Ainda nesse ano, tornou-se presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) instaurada para investigar o empobrecimento dos estados e municípios devido ao sistema tributário nacional.

No pleito de novembro de 1982 disputou uma cadeira no Senado na legenda do PDS, mas foi derrotado por Severo Gomes, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor do MDB. Encerrou seu mandato na Câmara dos Deputados em janeiro de 1983, ao final da legislatura. Durante sua passagem pela Câmara, foi presidente e depois membro da Comissão de Serviço Público; suplente e depois membro das comissões de Finanças e de Ciência e Tecnologia; e suplente das comissões de Segurança Nacional e de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas.

Após oficializar seu desligamento do PDS, em maio de 1983, tentou articular um novo partido, de centro-esquerda, o Partido Libertador Progressista (PLP), que teria como referência o espólio do PSP. Chegou a lançar um manifesto na capital paulista, mas algumas semanas depois, em julho de 1983, diante da impossibilidade de articulação do PLP, acertou seu ingresso no Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Leonel Brizola, com quem já vinha mantendo uma aproximação. Assim, atendia à necessidade do então governador do Rio de Janeiro de ampliar suas bases em São Paulo, viabilizando o partido em âmbito nacional.

Em 1985, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo divulgou números que indicavam um acentuado crescimento do PDT no ano anterior, atribuído ao ingresso de Ademar de Barros Filho. Na época, chegou a declarar que sua entrada no PDT era simplesmente a renovação “de uma antiga aliança, selada em 1950, entre as duas maiores expressões políticas do país: Getúlio Vargas e Ademar de Barros”.

Ainda em 1985, tornou-se presidente regional do PDT em São Paulo. Nesse mesmo ano, superou por ampla margem de votos Jair Andreoni na convenção do PDT que escolheu o candidato do partido à sucessão de Mário Covas na prefeitura paulistana. Durante a campanha, combateu o candidato a prefeito e ex-presidente da República Jânio Quadros, reavivando o antigo confronto populista com o janismo. Pressionado pelo próprio partido a renunciar à candidatura e com baixo índice de preferência nas pesquisas, foi derrotado nas eleições de novembro, que levaram Jânio à prefeitura de São Paulo.

Em novembro de 1986 elegeu-se deputado federal constituinte, na legenda do PDT. Tomando posse em 1º de fevereiro de 1987, quando se iniciaram os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, foi vice-líder do partido e participou, como membro titular, da Subcomissão de Tributos, Participação e Distribuição das Receitas, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças e da Comissão de Sistematização; e, como suplente, da Subcomissão do Poder Judiciário e do Ministério Público, da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo.

Nas votações da Constituinte, foi a favor do rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, da limitação do direito de propriedade privada, da estabilidade no emprego, da remuneração 50% superior para trabalho extra, da jornada semanal de 40 horas, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, da unicidade sindical, da soberania popular, do voto aos 16 anos, do presidencialismo, da estatização do sistema financeiro e da proibição do comércio de sangue. Votou contra a pena de morte e o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Após a promulgação da nova Constituição, em 5 de outubro de 1988, voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários na Câmara dos Deputados.

Em 1989, depois de desentendimentos com a liderança do PDT, que tratava de articular a candidatura de Leonel Brizola à presidência da República, voltou a mudar de legenda. Passou para o Partido Republicano Progressista (PRP), do qual se tornou presidente nesse mesmo ano. Em 1990, candidatou-se ao governo do estado de São Paulo na nova legenda, aproveitando-se mais uma vez da ligação com o passado político de seu pai. Com um partido pouco representativo e com uma história discreta em termos políticos, não conseguiu impor sua candidatura diante de Mário Covas, Orestes Quércia e Paulo Maluf. Em janeiro de 1991, ao término da legislatura, deixou a Câmara dos Deputados.

Em outubro de 1994, elegeu-se pela sexta vez deputado federal, dessa vez na legenda do PRP, obtendo a maioria de seus votos em sua base eleitoral no interior do estado. Empossado em fevereiro do ano seguinte, participou dos trabalhos legislativos como membro titular da Comissão de Economia, Indústria e Comércio e da Comissão de Constituição e Justiça. Ainda em 1995, saiu do PRP e ingressou no Partido Progressista Brasileiro (PPB), liderado nacionalmente por Paulo Maluf.

Nas votações das emendas constitucionais propostas pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1995, foi a favor da quebra do monopólio dos estados na distribuição de gás canalizado, da quebra do monopólio das embarcações nacionais na navegação de cabotagem, da mudança no conceito de empresa nacional e da quebra do monopólio estatal das telecomunicações. Votou contra a quebra do monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e faltou à votação da prorrogação do Fundo Social de Emergência (FSE), rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), que permitia que o governo gastasse 20% da arrecadação de impostos, sem que essas verbas ficassem obrigatoriamente vinculadas aos setores de saúde e educação.

Ainda em 1995, teve sua emenda constitucional, que propunha a abertura do mercado de seguros para o capital estrangeiro, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça, e figurou na mídia como um dos 16 deputados que mais faltaram às sessões plenárias da Câmara. Em dezembro, a Jacobs Suchard, subsidiária da Philip Morris que detinha 40% das ações da Lacta, informou ao mercado, através de anúncios publicados em jornal, que tinha preferência na compra das ações de seu sócio, Ademar de Barros Filho. A informação trouxe à tona as desconfianças da Philip Morris em relação aos interesses de Barros Filho, que estaria negociando suas ações sem respeitar acordo feito com a Suchard em 1984.

Em junho de 1996, votou a favor da criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) — que substituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) —, imposto de 0,2% sobre transações bancárias criado como fonte complementar de recursos para a saúde.

Em novembro desse ano apresentou uma emenda ao projeto de reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos, propondo uma nova disputa eleitoral apenas para os detentores de cargos executivos que fossem eleitos a partir de outubro de 2002. Em janeiro/fevereiro de 1997 votou contra a emenda da reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. Em abril seguinte, como membro da Comissão de Constituição e Justiça, votou contra a emenda constitucional apresentada pelo governo que federalizava os crimes contra os direitos humanos. Em junho, apresentou requerimento para a instalação de uma comissão de sindicância a fim de investigar a denúncia de compra de votos para aprovar a reeleição de dois deputados federais do Amazonas. Em novembro de 1997, pronunciou-se favoravelmente à quebra da estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa.

Em outubro de 1998 candidatou-se à reeleição na legenda do PRP, mas não foi bem-sucedido. Em novembro votou a favor do teto de 1.200 reais para aposentadorias no setor público e faltou à votação referente ao estabelecimento de idade mínima e tempo de contribuição para o setor privado, itens que definiram a reforma da Previdência. Deixou a Câmara em janeiro de 1999, ao final da legislatura, e ainda nesse ano voltou a filiar-se ao PPB, cujo diretório estadual presidiu em 1999 e 2000. Não se candidatou novamente a cargos eletivos.

Viúvo de Luísa Helena de Barros, com quem teve três filhos, casou-se em 1987 com Maria Salim Curiati, irmã do ex-prefeito paulistano e deputado federal Antônio Salim Curiati.

Cristiano Sanches/Marcelo Costa

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1995-1999); COELHO, J. ; OLIVEIRA, A. Nova; Estado de S. Paulo (11/5, 28/7, 4, 5, 14, 15, 16, 20, 21 e 22/8/85; 25/2 e 20/11/86; 18/3/87; 20/4/89; 6/11/94; 2/12/95; 23/11/96; 27/6/97; 8/10/98); Folha de S. Paulo (31/5, 23/7, 14/9, 6 e 7/10/83; 11/5, 24/7, 4, 5, 29/8 e 11/10/85; 22/2 e 21/12/86; 19 e 22/1/87; 7/3 e 5/4/89; 9/7/90; 26/7/93; 17/2 e 2/12/94; 31/1 e 16/7/95; 14/1/96; 4/4/97; 29/9 e 6/11/98; 19/6 e 29/6/99; 11/2/02); Globo (22/4, 4 e 8/6/83; 10/5/96; 27/6/97; 2/4/98); Jornal do Brasil (25/4, 4 e 8/6, 7/9, 10, 22 e 23/10/83; 23/3, 15/5, 23/7, 18/8 e 8/10/85; 13/6/89); Veja (13/7/83).

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados