BARROS, MANUEL GOMES DE

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: BARROS, Manuel Gomes de
Nome Completo: BARROS, MANUEL GOMES DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BARROS, Manuel Gomes de

*gov. AL 1997-1998.

 

Manuel Gomes de Barros nasceu em União dos Palmares (AL) no dia 8 de dezembro de 1944, filho de Antônio Gomes de Barros e de Gerusa Araújo Gomes de Barros. Seu pai foi deputado estadual, e seus tios paternos, Carlos Gomes de Barros e Mário Gomes de Barros, também seguiram a carreira política. O primeiro foi deputado federal por Alagoas entre 1959 e 1963, ao passo que o segundo foi constituinte em 1946, deputado federal por Alagoas entre 1946 e 1955 e senador entre 1969 e 1971.

Cursou o primário na Escola Luísa de França em União dos Palmares, o ginásio no Colégio 15 de Novembro em Garanhuns (PE) e no Colégio Anchieta em Maceió, e o científico no Colégio Marista, também na capital alagoana. Ingressou no curso de ciências econômicas da Universidade Federal de Alagoas em 1971, formando-se em 1975. Posteriormente fez um curso de especialização em administração pública na Alemanha.

Eleito, em novembro de 1976, prefeito de União dos Palmares na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instalado no país em abril de 1964, assumiu o mandato no início de 1977. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a posterior reorganização partidária, ingressou no Partido Democrático Social (PDS), que deu continuidade à linha de ação da extinta Arena.

Em novembro de 1982, elegeu-se deputado estadual. Assumiu mandato em março e, ainda em 1983, licenciou-se para assumir a Secretaria da Agricultura no governo de Divaldo Suruagy (1983-1986). Retornando à Assembleia, concorreu à reeleição em novembro de 1986. Vitorioso, iniciou novo mandato em março de 1987. Foi segundo vice-presidente da Comissão de Finanças e primeiro-secretário da Assembleia de 1º de fevereiro de 1989 e 31 de janeiro de 1991, no final da legislatura.

Ainda em 1990, assumiu a presidência da Associação dos Plantadores de Cana do Estado de Alagoas, permanecendo no cargo até 1994, quando se tornou presidente do Clube de Regatas Brasil (CRB), de grande popularidade em Alagoas no âmbito do futebol.

Em outubro de 1994, já filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), concorreu a vice-governador de Alagoas na chapa encabeçada por Divaldo Suruagy, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Com a vitória, assumiu o cargo em 1º de janeiro de 1995. Segundo O Estado de S. Paulo, durante as negociações que antecederam a composição da chapa vencedora, foi firmado um acordo mediante o qual o governador deixaria o cargo em janeiro de 1998 para tratar de sua candidatura a deputado federal em outubro seguinte.

Desde o início do governo, Suruagy viu-se às voltas com grave crise econômico-financeira, montando a dívida do estado a cerca de dois bilhões de reais. Pressionado pelo funcionalismo público, insatisfeito com o atraso no pagamento dos salários e com a baixa remuneração, além de se envolver em atritos com o Poder Judiciário estadual, foi ainda responsabilizado pela comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado por fraudes na emissão de títulos públicos para o pagamento de dívidas judiciais do governo (precatórios). Segundo o relatório da CPI, mais de 60% do dinheiro arrecadado em Alagoas foram parar nas contas de bancos credores e empreiteiras. O relatório recomendava ainda o impeachment de Suruagy e de Manuel Gomes de Barros, na condição de vice-governador.

Embora o pedido tenha sido rejeitado pela Assembléia Legislativa alagoana em março de 1997, o movimento pelo afastamento de Suruagy continuou. Em julho, os servidores públicos, soldados, cabos, sargentos e subtenentes da Polícia Militar entraram em greve por melhores salários e pelo pagamento dos salários atrasados. O movimento dos policiais era de âmbito nacional, pois diversos governos estaduais estavam com o pagamento da categoria atrasado. Nesse mesmo mês, novo pedido de impeachment foi votado em ambiente tumultuado, que incluiu trocas de tiros dos policiais grevistas com soldados do Exército que protegiam o prédio da Assembleia. O conflito já se desenhara ao longo da semana, culminando com a tentativa de invasão do palácio do governo por parte de uma gigantesca passeata de funcionários públicos, escoltada pelas polícias Militar e Civil. Cedendo às pressões da opinião pública alagoana, em 17 de julho de 1997 Suruagy licenciou-se do governo por prazo indeterminado, sendo substituído, no mesmo dia, pelo vice Manuel Gomes de Barros. Mesmo assim, a polícia se manteve em greve e o Exército foi mantido nas ruas para garantir a segurança.

Logo no início de sua gestão, Manuel Barros conseguiu a liberação, por intermédio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de recursos do governo federal no valor de 240 milhões de reais, para pagar os salários atrasados do funcionalismo público. Foram dados como garantia os ativos de empresas estaduais em processo de privatização, como a Companhia Energética de Alagoas e a Companhia de Saneamento e Abastecimento de Água de Alagoas. Após negociações com os policiais grevistas, ficou acertado o pagamento dos salários atrasados em prestações, e o movimento iniciado no começo de julho chegou ao fim nos primeiros dias de agosto.

A intervenção formal do governo federal no estado foi afastada por causa dos problemas que acarretaria. De acordo com a Constituição, enquanto um estado estivesse sob intervenção federal, nenhuma emenda constitucional poderia ser votada, o que acabaria atrasando as reformas administrativa e da previdência, em tramitação na Câmara. Ficou então acertada uma intervenção “branca”, que compreenderia a demissão do primeiro e segundo escalões do secretariado e a indicação feita pelo governo federal dos novos titulares das secretarias de Administração e de Segurança e da Polícia Militar, além da decretação de moratória unilateral pelo governador em relação às dívidas com as empreiteiras.

Em outubro de 1997, foi divulgado relatório assinado pelo coronel Juaris Weiss, ex-comandante da PM de Alagoas, que apontava o coronel Manuel Francisco Cavalcanti como o líder da chamada “Gangue Fardada”, bando de policiais militares que negociavam carros roubados e assassinavam por encomenda. Em janeiro de 1998, após investigação efetuada pela Polícia Federal, foram detidos o coronel Cavalcanti e mais 32 pessoas. De acordo com O Estado de S. Paulo, Cavalcanti acusou o governador Manuel de Barros de ser um dos políticos que financiavam o grupo e de ter sido o mandante do assassinato do bancário Dimas Holanda em 1997. Em março, o governador alagoano foi alvo de outra denúncia. De acordo com O Estado de S. Paulo, Manuel de Barros, na condição de ex-deputado estadual, recebia desde 1994 cerca de seis mil reais por mês de aposentadoria, mesmo depois do fechamento do Instituto de Previdência Parlamentar, entidade responsável pelo pagamento do benefício.

Em junho de 1998, o senador Teotônio Vilela Filho desistiu da candidatura ao governo de Alagoas, pois estava com poucas chances nas pesquisas de intenção de voto e, na esfera nacional, o PSDB precisava do apoio do PTB — partido ao qual o governador de Alagoas era filiado — nas articulações para a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ainda nesse mês, o governo federal destinou a Alagoas 115 milhões de reais a fundo perdido. Com esses recursos, o governador pôde pagar os salários atrasados dos servidores do Executivo, do Legislativo e do Tribunal de Contas.

Inicialmente, Manuel Barros não se mostrava propenso a tentar a reeleição. Contudo, cedendo às pressões de seu partido, entrou na disputa em outubro de 1998, apoiado por coligação integrada, além do PTB, pelo PSDB, PFL e PMDB, e já no primeiro turno foi derrotado por Ronaldo Lessa, candidato de uma frente de esquerda comandada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Deixou o governo alagoano em 31 de dezembro de 1998, passando a se dedicar à sua fazenda em União dos Palmares.

Foi casado com Jane Lamenha Gomes de Barros, com quem teve quatro filhos. Seu ex-sogro, Antônio Lamenha, foi governador de Alagoas entre 1966 a 1971.

Vicente Saul

FONTES: Curric. biog.; Estado de S. Paulo (18, 19, 20, 21 e 27/7/97, 4, 11 e 15/3/98); Folha de S. Paulo (18, 19, 20, 21, 22, 23, 25, 28 e 29/7/97, 3/3, 13/6 e 15/7/98); Globo (18, 19, 20, 21 e 23/7/97, 3/3/98); Jornal do Brasil (19, 24 e 30/7/97).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados