BELARMINO AUGUSTO MARIA AUSTREGESILO DE ATAIDE

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Nome: ATAÍDE, Austregésilo de
Nome Completo: BELARMINO AUGUSTO MARIA AUSTREGESILO DE ATAIDE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ATAÍDE, AUSTREGÉSILO DE

ATAÍDE, Austregésilo de

*jornalista; rev. 1932; pres. Acad. Bras. Letras 1958-1993.

 

Belarmino Augusto Maria Austregésilo de Ataíde nasceu em Caruaru (PE) no dia 25 de setembro de 1898, filho do desembargador José Feliciano Augusto de Ataíde e de Constância Adelaide Austregésilo de Ataíde.

Sua família se transferiu para o Ceará seis meses depois do seu nascimento. Durante a infância, morou em várias cidades deste estado, acompanhando as constantes mudanças decorrentes da atividade profissional do seu pai na magistratura. Concluiu o primário na escola pública de Cascavel e cursou o secundário no Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde iniciou estudos voltados para o sacerdócio. Em 1916, depois de completar o terceiro ano de teologia, deixou o seminário e ingressou no Liceu do Ceará para revalidar seus estudos preparatórios. No ano seguinte, ainda na capital do estado, começou a lecionar nos colégios Cearense e São Luís.

Convidado por seu tio Antônio Austregésilo, professor e conhecido médico neurologista, Austregésilo de Ataíde transferiu-se em 1918 para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Nos anos seguintes, cursou a Faculdade de Direito, prosseguiu suas atividades docentes e ingressou no jornalismo. Lecionou no Instituto Maurell da Silva de 1918 a 1920 e no Curso Normal de Preparatórios de 1919 a 1923. Foi tradutor da agência telegráfica Associated Press e redator da United Press a partir de 1919, ano em que começou a trabalhar no jornal A Tribuna, do qual veio a ser mais tarde diretor-secretário. Em 1921, foi crítico literário do Correio da Manhã e colaborador da Folha, de propriedade de José Joaquim Medeiros de Albuquerque, participando ainda da estruturação de O Jornal, fundado por Renato Lopes com ajuda de vários intelectuais de renome.

Apesar de ter concluído o curso de direito em 1922, manteve-se ligado profissionalmente à imprensa, sem exercer a advocacia. Em 1924, passou a trabalhar diretamente com seu amigo Francisco de Assis Chateaubriand, que acabara de comprar O Jornal e começava a montar a cadeia dos Diários Associados. Assumiu a direção desse órgão em 1925 e, nos anos seguintes, voltou a colaborar também com A Tribuna.

Austregésilo de Ataíde divergiu da posição de Assis Chateaubriand em relação à Revolução de 1930, posicionando-se contra o movimento por acreditar que “o Brasil deveria evoluir pacífica e naturalmente” e que “as revoluções não trazem benefícios, apenas conduzem à contra-revoluções”. Mesmo assim, depois da vitória dos revolucionários e da formação do Governo Provisório chefiado por Getúlio Vargas, recebeu de Chateaubriand a direção do Diário da Noite, passando a acumular essa função nos dois jornais cariocas da cadeia associada.

Favorável ao rápido retorno do país à legalidade constitucional, Austregésilo de Ataíde discordou da orientação do novo governo, que promovia, por meios discricionários, o aumento da centralização política e administrativa do país. Coerente com essa posição, engajou-se nas tropas comandadas pelo coronel Euclides Figueiredo que participaram da Revolução Constitucionalista de São Paulo, deflagrada em julho de 1932 com o objetivo de promover a imediata reconstitucionalização do país e a devolução da autonomia dos estados. Com a derrota do movimento no início de outubro, foi detido em São Paulo e em seguida embarcado no navio Siqueira Campos, que conduziu 78 líderes constitucionalistas para o exílio em Lisboa. Depois de viajar para a Europa, fixou residência em 1933 em Buenos Aires, onde promoveu um movimento de integração de escritores e artistas ibero-americanos, com a participação de Frederico Garcia Lorca.

Fortalecido pela vitória sobre as forças paulistas, o Governo Provisório convocou eleições para a formação de uma Assembléia Nacional Constituinte, que começou seus trabalhos em 15 de novembro de 1933 e promulgou a nova Constituição brasileira em julho de 1934. Nesse período, Austregésilo de Ataíde retornou ao Rio de Janeiro e reassumiu a direção do Diário da Noite e de O Jornal. Permaneceu nessas funções por muitos anos, inclusive durante todo o Estado Novo, implantado por Vargas em 1937. Com a crise desse regime, participou dos movimentos pela redemocratização do país, tomando-se delegado do Distrito Federal ao I Congresso Brasileiro de Escritores que, promovido no início de 1945 pela Associação Brasileira de Escritores de São Paulo, reivindicou completa liberdade de expressão e a convocação de eleições diretas para o governo. Em outubro desse ano, o Estado Novo foi derrubado.

Austregésilo de Ataíde foi membro do grupo que, reunido em Paris em 1948, elaborou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pouco depois, representou o Brasil na III Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que aprovou esse documento.

 

Atuação na Academia Brasileira de Letras

Em 1951, Austregésilo de Ataíde foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual se tornou segundo-secretário em 1952, ano em que recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Em 1953, fez o curso da Escola Superior de Guerra (ESG), passando em seguida à condição de conferencista da associação dos diplomados dessa escola (ADESG). Eleito primeiro-secretário da ABL em 1956 e secretário-geral em 1957, fez então construir o mausoléu dos acadêmicos no cemitério de São João Batista, no Rio. Em 1958, tomou-se presidente da entidade, sendo reeleito desde então, sucessivamente, a cada ano. Logo no início da sua gestão, promoveu a reestruturação administrativa e financeira da ABL, visando, entre outras coisas, à recuperação do seu patrimônio.

Austregésilo de Ataíde integrou em 1960 a delegação brasileira presente nas comemorações do 150º aniversário da independência da Argentina. Em 1963, presidiu no Rio de Janeiro a conferência internacional que tratou da situação dos judeus na União Soviética.

Sua atuação à frente da ABL foi facilitada graças a seus contatos pessoais com os presidentes da República que se sucederam depois do movimento político-militar de 1964. O general Humberto Castelo Branco fez a doação de um imóvel contíguo à sede da entidade, no centro do Rio, com a condição de que o velho prédio não fosse demolido. Durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), esse decreto foi modificado para permitir a construção de um novo edifício, o que se tornou possível com a obtenção de um empréstimo pela ABL junto à Caixa Econômica Federal no início do mandato presidencial do general Ernesto Geisel (1974-1979). O novo prédio, concluído em 1979, passou a abrigar também o Centro de Cultura do Brasil, além de proporcionar altos rendimentos à ABL, graças ao aluguel dos andares não ocupados pela entidade.

Em 1972, a ABL comprou o solar da baronesa de Campos, situado na cidade fluminense de mesmo nome, com o objetivo de aí abrigar o Instituto Internacional de Cultura, uma grande biblioteca e um museu sobre a vida da aristocracia fluminense no Segundo Reinado.

Junto com sua atividade à frente da ABL. Austregésilo de Ataíde continuou ligado ao jornalismo, exercendo a direção de O Jornal até seu fechamento, ocorrido em 1974. Durante muitos anos, foi colaborador da revista O Cruzeiro e do Jornal do Comércio, cuja direção assumiu depois de 1974.

Foi presidente do conselho da Fundação da Casa Popular e da Associação dos Amigos da Pontifícia Universidade Católica, integrante do Conselho Estadual de Cultura, vice-presidente da Liga de Defesa Nacional e membro da delegação brasileira presente na II Conferência Interamericana Extraordinária, realizada no Rio de Janeiro. Tornou-se também membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e do conselho consultivo da Associação Brasileira de Imprensa, além de membro correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

Permaneceu à frente da ABL até o seu falecimento em 13 de setembro de 1993.

Foi casado com Maria José de Queirós Austregésilo de Ataíde, com quem teve três filhos.

Publicou Histórias amargas (contos, 1921), Quando as hortênsias florescem (romance, 1921), A influência espiritual americana (1938), Fora da imprensa (1948), Mestres do liberalismo (1951), Na academia (coletânea de discursos pronunciados na ABL, 1952), Vana Verba (coletânea de artigos publicados em O Cruzeiro, 1966), Epístola aos contemporâneos (1967), Vana Verba. Conversas na barbearia Sol (memórias, 1971), Vana Verba. Alfa Centauro (1979).

Marieta de Morais Ferreira

 

FONTES: BRINCHES, V. Dic.; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Brasil (23/12/76; 8 e 23/12/77; 7 e 8/12/78; 29/5 e 21/7/79); SANDRONI, C. & SANDRONI, L. Austregésilo; SILVA, H. 1932; VELHO SOBRINHO, J. Dic.

 

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