BELMIRO MEDEIROS SILVA

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Nome: MEDEIROS, Belmiro
Nome Completo: BELMIRO MEDEIROS SILVA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MEDEIROS, BELMIRO

MEDEIROS, Belmiro

*const. 1934; dep. fed. MG 1935-1937.

 

Belmiro Medeiros Silva nasceu em Vargem Grande, município de Juiz de Fora (MG), no dia 1º de julho de 1895, filho de João de Medeiros Silva e de Amélia Braga de Medeiros. Era sobrinho do poeta Belmiro Braga e irmão de Carlos Medeiros Silva, que foi ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de 1965 a 1966, e da Justiça de 1966 a 1967.

Iniciou seus estudos na Escola Pública Matias Barbosa, transferindo-se posteriormente para Juiz de Fora, onde fez o curso de humanidades na Academia de Comércio, no Granbery e no Colégio Machado Sobrinho. Começou sua carreira de jornalista quando ainda era estudante. Fundou e dirigiu O Palco, com Edmundo Rocha; foi redator em A Miragem, revista do Grêmio Coelho Neto, do Granbery, com Pedro Batista Martins; fundou A Reação, jornal de combate à política nacional. Colaborou ainda no Diário do Povo, de Olegário Pinto, e no Correio de Minas, de Estêvão de Oliveira. Como estudante, participou da Campanha Civilista, movimento que promoveu em 1909-1910 a candidatura de Rui Barbosa à presidência da República, em oposição à do Marechal Hermes da Fonseca, afinal eleito no pleito de março de 1910. Em março de 1918 formou-se em direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, no então Distrito Federal. Logo em seguida, transferiu-se, a conselho médico, para Campanha (MG), e de lá para São Gonçalo do Sapucaí (MG), onde instalou um escritório de advocacia.

Foi um dos fundadores do Partido Republicano Municipal de São Gonçalo, que veio a presidir. Dirigiu também o jornal O São Gonçalo, órgão oficial desse partido. Em 1920 elegeu-se vereador no município de Paredes (MG), sendo escolhido no ano seguinte vice-presidente da Câmara Municipal, que presidiu algumas vezes no período de 1927 a 1930. Participou ativamente da Campanha da Aliança Liberal (1929-1930) em favor das candidaturas de Getúlio Vargas e de João Pessoa. Em 1930 venceu as eleições municipais, elegendo-se prefeito de Paredes, cargo que ocuparia até 1932.

Na Revolução de 1930, teve intensa participação na luta dos revoltosos, ao lado de Osvaldo Machado e Djalma Dutra, atuando no interior de seu município e nos municípios vizinhos. Durante sua permanência na prefeitura de Paredes, realizou diversas obras, entre as quais a construção da estrada de ferro, da Santa Casa da Misericórdia e de 12 escolas municipais, além da instalação de luz elétrica nos distritos de Paredes e Retiro. Por ocasião da Revolução Constitucionalista de julho de 1932 em São Paulo, esteve ao lado do governo de Minas, que hesitou mas não chegou a apoiar os revolucionários. Na ocasião, prestou serviços de ligação e colaborou com a coluna do coronel Otávio Campos do Amaral.

Em maio de 1933 elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte pelo Partido Progressista (PP) mineiro, tomando posse em novembro desse mesmo ano. Na elaboração do anteprojeto da Constituição, apresentou emendas referentes às questões econômicas, orçamentárias, ao estado de sítio, à supressão do Senado Federal, à liberdade contratual e à retroatividade das leis. Foi nessa época colaborador de O Jornal, escrevendo semanalmente uma coluna intitulada “À margem da Constituinte”, cujos artigos foram posteriormente reunidos em livro. Após a promulgação da nova Carta (16/7/1934) e a eleição de Getúlio Vargas para a presidência da República no dia seguinte, teve seu mandato prorrogado até maio de 1935. Eleito deputado federal em outubro de 1934 na legenda do PP, exerceu o mandato até 10 de novembro de 1937, quando, com a instalação do Estado Novo (1937-1945), foram suprimidos todos os órgãos legislativos do país. Passou então a residir no Rio de Janeiro, onde foi nomeado escrivão da 5ª Vara Cível.

Ainda sob o Estado Novo, foi signatário do Manifesto dos mineiros, datado de 24 de outubro de 1943 e dirigido ao povo de Minas. Lançado com as assinaturas de importantes nomes da política mineira, o manifesto reivindicava a democratização do país e foi o primeiro protesto ostensivo contra o Estado Novo. Logo após a distribuição do manifesto, seus signatários passaram a receber ameaças telefônicas da parte do governo. Após várias discussões, os membros do Executivo optaram pela aplicação de sanções aos manifestantes, e Belmiro Medeiros foi exonerado do cargo de escrivão da 5ª Vara Cível.

Posteriormente, assumiu o cargo de escrivão da 2ª Vara da Fazenda Pública. Foi secretário de Viação e Obras Públicas em Minas, de julho de 1958 a março de 1959, no governo de José Francisco Bias Fortes (1956-1961).

Belmiro Medeiros foi autor de vários trabalhos literários e jurídicos, conferências, discursos e peças teatrais.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 19 de outubro de 1967.

Foi casado com Maria Adelaide Nogueira de Medeiros.

 

 

FONTES: ANDRADE, F. Relação; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CONSULT. RAMOS, P.; GODINHO, V. Constituintes; HIPÓLITO, L. Manifesto; Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76), VELHO SOBRINHO, J. Dic.

 

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