BENI, MARIO

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Nome: BENI, Mário
Nome Completo: BENI, MARIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BENI, MÁRIO

BENI, Mário

*dep. fed. SP 1951 e 1953-1963.

 

Mário Beni nasceu em São Manuel (SP) no dia 20 de maio de 1905, filho de José Beni e de Anita Beni, ambos italianos.

Cursou o secundário na Escola Normal de Casa Branca (SP) e no Ginásio Estadual de São Paulo, ingressando em seguida na Faculdade de Ciências Econômicas Álvares Penteado, na capital paulista. Iniciou sua vida política ainda acadêmico, participando, através da Federação dos Voluntários de São Paulo, da Revolução Constitucionalista de 1932, derrotada pelo governo federal em outubro daquele ano. Militante do Partido Republicano Paulista (PRP) desde sua reorganização em 1934, concluiu em 1935 o curso universitário, tornando-se em seguida assessor do então deputado estadual Ademar de Barros. Exerceu essa função até novembro de 1937, quando o golpe do Estado Novo dissolveu os partidos políticos e suprimiu os órgãos legislativos do país.

Utilizando sua formação em economia, trabalhou como consultor e redator econômico nos jornais Diário de São Paulo, A Gazeta e Correio Paulistano. Foi também corretor da Bolsa de Valores. A partir de 1938, tornou-se oficial-de-gabinete de Ademar de Barros, que, entre esse ano e 1941, foi interventor federal em São Paulo. Em 1939 assumiu as secretarias do Conselho de Expansão Econômica e do Conselho Técnico de Economia e Finanças do Estado de São Paulo, nelas permanecendo até 1942. Por essa época, especializou-se em ciência da administração na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, e foi delegado às conferências de Legislação Tributária e Assuntos Fazendários realizadas nesse período no Rio de Janeiro, em Vitória e em Petrópolis (RJ). Em maio de 1945, representou a Bolsa de Valores de São Paulo na I Conferência das Classes Produtoras, reunida na cidade de Teresópolis (RJ).

Após a edição do Ato Adicional (Lei Constitucional nº 9) em fevereiro de 1945, estabelecendo prazo para a convocação de eleições gerais no país e marcando oficialmente a desagregação do Estado Novo, Mário Beni participou, ao lado de Ademar de Barros, da fundação do Partido Republicano Progressista, depois Partido Social Progressista (PSP), cuja direção integraria até sua extinção em 1965.

Nas eleições suplementares de janeiro de 1947, elegeu-se à Assembléia Constituinte de São Paulo na legenda do PSP. No pleito de outubro de 1950, sempre na mesma legenda, elegeu-se deputado federal, deixando a Assembléia em janeiro do ano seguinte. Ocupou sua cadeira na Câmara Federal em fevereiro de 1951, exercendo consecutivamente a vice-presidência e a presidência da Comissão de Finanças até 26 de março desse ano, quando interrompeu seu mandato para assumir a Secretaria de Fazenda de São Paulo a convite do governador Lucas Nogueira Garcez (1951-1955).

Na Secretaria de Fazenda, realizou reformas de caráter administrativo como a Consolidação das Leis e Regulamentos Fiscais, incluída no novo Código de Impostos e Taxas; criou a Comissão Central e as comissões permanentes de Orçamento, visando sistematizar e fiscalizar a execução dos orçamentos de secretarias e repartições do estado; propôs nova legislação isentando do imposto territorial rural os proprietários de áreas até 12 hectares e concedendo redução de taxas aos que investissem no reflorestamento; possibilitou a simplificação dos pagamentos de serviços através da utilização da rede bancária; reformou o Tribunal de Impostos e Taxas e a Comissão Central de Compras, que, com o Departamento de Estatística e o sistema da Caixa Econômica Estadual, foram frutos de projetos de lei de sua autoria quando deputado estadual, e resolveu a pendência de quase meio século no acerto de contas entre o estado e a União. Em 1952, representou o Brasil na inauguração da Feira de Milão, viajando à Itália na qualidade de embaixador plenipotenciário. Foi ainda secretário do governo, acumulando as funções no Executivo de São Paulo até outubro de 1953, quando reassumiu seu mandato de deputado federal.

Reeleito em outubro de 1954 sempre na mesma legenda, tornou-se no ano seguinte presidente da seção paulista do PSP, função que exerceria durante nove anos. Reconduzido à Câmara em outubro de 1958, realizou nessa legislatura a revisão de um capítulo do projeto da reforma tributária relativo às taxas de consumo. Apresentou vários projetos que foram convertidos em lei, entre os quais o que criou o plano diretor da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), estimulando a aplicação de capital e a implantação de indústrias na região. Ainda nesse ano, assumiu a presidência da Sociedade Esportiva Palmeiras, cargo que exerceria até 1968.

Nas eleições de outubro de 1962, concorreu sem êxito a uma cadeira no Senado, sempre na legenda do PSP, contando dessa vez com o apoio da Aliança Eleitoral pela Família — associação civil de âmbito nacional, criada em 1962 com o objetivo de mobilizar o eleitorado católico em apoio aos candidatos comprometidos com os princípios sociais defendidos pela Igreja na época, como a defesa da propriedade privada e da família e o combate ao divórcio e aos extremismos de direita e de esquerda.

Encerrando seu mandato de deputado federal em janeiro de 1963, voltou a atuar na administração pública durante o período do último governo de Ademar de Barros (1963-1967), tendo sido presidente da Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CAGESP), além de diretor da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) e do Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT).

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Por esta legenda candidatou-se mais uma vez à Câmara, no pleito de novembro de 1966, obtendo apenas uma suplência.

Retomando suas atividades empresariais, tornou-se, em 1972, vice-presidente da empresa Laticínios União.

Durante o governo de Leonel Brizola no Estado do Rio de Janeiro (1983-1987), Mário Beni foi presidente do Conselho do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj).

Foi membro da Ordem dos Economistas de São Paulo e fundador, ao lado de Valetim Bouças e Olímpio Guilherme, do jornal O Observador Econômico e Financeiro. Foi também fundador e ex-presidente do Banco Mercantil Pan-Americano S.A., diretor executivo da Fundação Bienal de São Paulo e presidente do Conselho de Beneméritos da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Faleceu na cidade de São Paulo no dia 23 de outubro de 1988.

Era casado com Maria Diva Beni, com quem teve um filho, Mário Carlos Beni, que exerceu um mandato de deputado estadual por São Paulo entre 1967 e 1971.

Publicou Padrão ouro e estabilização monetária, Livro de crítica ao plano de sir Otto Niemeyer e Ademar (biografia).

 

FONTES: BENI, M. Ademar; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertórios (1951-1955, 1955-1959, 1959-1963); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CISNEIROS, A. Parlamentares; Estado de S. Paulo (23/9/62); Grande encic. Delta; INF. FAM.; Who’s who in Brazilian.

 

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