BENTO GONCALVES FILHO

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Nome: GONÇALVES, Bento
Nome Completo: BENTO GONCALVES FILHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GONÇALVES, BENTO

GONÇALVES, Bento

*rev. 1930; rev.1932; dep. fed. MG 1952-1953, 1955-1960, 1961-1983.

 

Bento Gonçalves Filho nasceu em Matosinhos (MG) no dia 21 de março de 1912, filho do comerciante e fazendeiro Bento Gonçalves e de Catarina Jorge Gonçalves.

Fez o secundário em Belo Horizonte e depois iniciou o curso de engenharia, que deixou incompleto para dedicar-se à carreira de empresário.

Ligado politicamente a Artur da Silva Bernardes desde a juventude, participou das revoluções de 1930 e 1932. Em 1936, candidatou-se a vereador em Belo Horizonte pela legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM) mas não conseguiu se eleger. Como industrial, foi fundador de empresas nos setores de construção civil, bebidas, cerâmica, balas e beneficiamento de mármore, tornando-se, em 1941, diretor da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), cargo que ocuparia por 11 anos.

Com o fim do Estado Novo (1937-1945) em outubro de 1945, engajou-se na fundação do Partido Republicano (PR) em Minas Gerais. Secretário-geral do diretório estadual da agremiação, tornou-se ainda presidente dos diretórios municipais do PR em Calafate e Belo Horizonte. Pela nova legenda, foi o primeiro vice-prefeito de Belo Horizonte eleito diretamente, em outubro de 1947. Assumiria interinamente a prefeitura, em 1951, em substituição ao titular Otacílio Negrão de Lima.

No pleito de outubro de 1950 — ano em que ocupou a presidência da Companhia Distribuidora da Produção do estado, no governo de Milton Campos (1947-1951) — obteve a quinta suplência de deputado federal por Minas Gerais pela legenda do PR, exercendo o mandato de setembro de 1952 a janeiro de 1953. Em junho deste último ano, foi chamado pelo governador mineiro Juscelino Kubitschek (1951-1955) para assumir a Secretaria de Viação e Obras Públicas do estado, cargo que ocupou até julho de 1954, quando iniciou sua campanha para retornar à Câmara nas eleições de outubro do mesmo ano.

Tendo sido o deputado mais votado do PR em Minas, assumiu seu novo mandato em fevereiro de 1955, tornando-se em janeiro de 1956 vice-líder da agremiação e da minoria — integrada pelo PR, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e pelo Partido Social Progressista (PSP) — na Câmara dos Deputados. Também no mesmo ano, esteve na Bolívia como embaixador plenipotenciário do Brasil à posse do presidente Hernán Siles Zuazo, sucessor de Victor Paz Estenssoro. Durante a legislatura 1955-1959, Gonçalves Filho participou da criação e tornou-se presidente da Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), grupo interpartidário cuja plataforma nacionalista condenava a penetração do capital estrangeiro no país e a remessa de lucros para o exterior e defendia o monopólio estatal do petróleo.

Reeleito em outubro de 1958, ainda como o mais votado entre os deputados de seu partido em Minas Gerais, tomou-se vice-líder do Bloco Parlamentar de Oposição em maio do ano seguinte. Foi também presidente e tesoureiro do Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) e representante da Câmara dos Deputados na Comissão de Localização e Mudança da Capital Federal. Em dezembro de 1959, transmitiu ao ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, a informação recebida de Carlos Lacerda de que alguns oficiais da Aeronáutica se haviam rebelado e ocupado Aragarças (GO). O levante foi prontamente sufocado pelas forças legais.

Licenciou-se da Câmara, em junho de 1960, para ocupar novamente a Secretaria de Viação e Obras Públicas de Minas Gerais até o fim do governo de José Francisco Bias Fortes (1956-1961). Retornando àquela casa em fevereiro do ano seguinte para exercer o restante de seu mandato, filiou-se ao PSP, por cuja legenda se reelegeu, apoiado pelo PTB e pelo Partido Libertador (PL), no pleito de outubro de 1962. Depois de ter presidido a seção mineira do PSP, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, e por cuja legenda se reelegeu no pleito de novembro de 1966. Nesta legislatura, foi membro efetivo das comissões de Transportes, de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas, de Orçamento, de Economia, de Segurança Nacional e da Bacia do São Francisco da Câmara dos Deputados, além de atuar na Comissão Mista do Senado e da Câmara para Aprovação de Orçamento.

No pleito de novembro de 1970, foi mais uma vez reeleito deputado federal, tornando-se vice-líder da Arena na Câmara e membro dos diretórios nacional e estadual e procurador da comissão executiva regional do partido em Minas. Nesta legislatura, voltou a participar como membro efetivo das comissões de Orçamento, da Bacia do São Francisco e de Transportes, integrando como suplente as comissões de Economia, de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas, de Segurança Nacional e de Comunicações da Câmara.

Realizou nesta época uma viagem aos EUA para estudar o vale do rio Mississipi e comparar o que via com os trabalhos executados no vale do rio São Francisco. Durante a visita, pronunciou palestras em oito estados americanos e na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Reeleito em novembro de 1974, mais uma vez tornou-se membro efetivo da Comissão de Transportes e suplente da Comissão de Segurança Nacional da Câmara. Obtendo novo mandato de deputado federal em novembro de 1978, participou da Comissão Especial de Transportes da Câmara dos Deputados e, com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Popular (PP). Com a incorporação do PP ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em fevereiro de 1982, filiou-se a esta agremiação.

Não tendo se candidatado à reeleição em novembro de 1982, deixou a Câmara em janeiro do ano seguinte, ao final da legislatura. Em seguida, passou a exercer a função de vice-presidente do Banco de Crédito Real de Minas Gerais S.A., tendo sido indicado para o cargo pelo governador Tancredo de Almeida Neves (1983-1984).

Gonçalves Filho foi ainda presidente do Conselho Rodoviário Estadual de Minas Gerais.

Faleceu em Brasília no dia 4 de dezembro de 1984.

Era casado com Virgínia Neves Murta Gonçalves, com quem teve cinco filhos.

 

FONTES: ANDRADE, F. Relação; ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; BENEVIDES, M. Governo Kubitschek; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971, 1971-1975 e 1975-1979); CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CARNEIRO, G. História; MACEDO, N. Aspectos; NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (2, 3, 4, 6, 8 e 9).

 

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