BINS, ALBERTO

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Nome: BINS, Alberto
Nome Completo: BINS, ALBERTO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BINS, ALBERTO

BINS, Alberto

*pref. Porto Alegre 1928-1937.

 

Alberto Bins nasceu em Porto Alegre no dia 2 de dezembro de 1869, filho do alfaiate imigrante alemão Matias José Bins e de Elisa Sehl.

Fez os estudos secundários no Ginásio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo (RS). Em 1886 viajou com a família para a Alemanha, tendo realizado ali e na Inglaterra cursos de aperfeiçoamento industrial. Com a morte do pai, regressou ao Brasil no ano seguinte.

No início de 1888 associou-se a Miguel Friederichs para fundar a firma Bins & Friederichs, que negociava com ferro bruto e materiais de construção, tendo anexo uma oficina de cantaria e mármores. Liquidada esta última em 1890, abandonou pouco depois o comércio para dedicar-se à indústria metalúrgica, adquirindo em 1893 o acervo da firma José Berta, fabricante dos cofres Berta, depois Fábrica Metalúrgica Berta, da qual foi diretor-presidente.

Ainda em 1893, quando eclodiu a Revolução Federalista, apoiou Júlio de Castilhos, velho amigo de seu pai e então presidente do Rio Grande do Sul. O conflito, que opôs os federalistas (maragatos) aos republicanos castilhistas (chimangos), conflagrou o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná entre fevereiro de 1893 e agosto de 1895, terminando com a vitória dos republicanos. Nessa época, Alberto Bins recebeu de Júlio de Castilhos o título de major da Guarda Nacional, submetendo-se, durante parte de 1894, a um curso de treinamento militar prestado no Clube Republicano.

Nomeado em 1908 conselheiro municipal de Porto Alegre, ocupou o cargo até 1913, elegendo-se em 1918 deputado estadual na legenda do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR). Reeleito sucessivamente, exerceu o mandato até 1923. Terminada a Revolução de 1923, foi eleito em outubro do ano seguinte vice-intendente municipal de Porto Alegre. Paralelamente, passou a dedicar-se à lavoura do arroz e tornou-se presidente da Associação Comercial de Porto Alegre, condição em que organizou em 1927, juntamente com vários outros teuto-brasileiros, o Sindicato dos Plantadores de Arroz, mais tarde Instituto do Arroz do Rio Grande do Sul, convertendo-se no primeiro diretor do órgão. Ainda em 1927 fundou, também com teuto-brasileiros, a Viação Aérea Rio-Grandense (Varig), primeira empresa aérea comercial a operar no país. Organizada com participação do Condor Syndicat, sediado em Berlim, a Varig utilizou inicialmente hidroaviões para fazer a ligação entre Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande, principais portos do estado.

Deixando a vice-intendência da capital gaúcha em outubro de 1928, nesse mesmo mês foi eleito intendente municipal. Tomou posse em seguida, em substituição a Otávio Rocha, e, após a revolução de outubro de 1930, no mês de dezembro, passou a ostentar o título de prefeito de Porto Alegre.

Favorável à legislação e ao sistema trabalhistas caracterizados pelo controle governamental, introduzidos por Getúlio Vargas através do Ministério do Trabalho, em 1931 colaborou com Antônio Jacob Renner na criação do Centro de Indústria Têxtil, implantado em Porto Alegre. No ano seguinte integrou um grupo empenhado em fundar uma nova agremiação política, mas acabou por associar-se à iniciativa do interventor gaúcho José Antônio Flores da Cunha (1930-1935), que resultou na criação, em novembro desse mesmo ano, do Partido Republicano Liberal (PRL). Em 1935 atuou ainda como comissário da Grande Exposição do Centenário Farroupilha.

Durante sua gestão como administrador da capital gaúcha, empreendeu a modernização da cidade, implantando o fornecimento de água potável expandindo a rede de água encanada e de esgotos, alongando e pavimentando ruas e triplicando a capacidade de geração de energia elétrica.

Após o advento do Estado Novo em 10 de novembro de 1937, a que deu seu apoio, deixou no dia 17 desse mesmo mês a prefeitura de Porto Alegre e passou a dedicar-se exclusivamente ao trabalho na direção da metalúrgica, tentando recuperar os prejuízos impostos a seu patrimônio por força das atividades político-administrativas. O novo interventor federal no Rio Grande do Sul, general Manuel de Cerqueira Daltro Filho, o acusou de apoderar-se de fundos públicos. Bins devolveu o dinheiro reclamado, demonstrando em seguida sua inocência em As contas do Comissariado Geral da Exposição Farroupilha e a atuação do respectivo comissário (1938).

Presidente honorário da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul e do Centro de Indústria Fabril do Rio Grande do Sul, era proprietário da Granja e Plantação de Arroz Santa Clotilde, em Viamão (RS), e da Granja Progresso, tendo presidido também o conselho fiscal da Varig, empresa junto à qual atuou ainda como fiscal do governo gaúcho.

Foi major da reserva.

Faleceu em Porto Alegre no dia 20 de abril de 1957.

Era casado com Clotilde Christoffel Bins, com que teve cinco filhos.

Além de folhetos referentes à administração municipal de Porto Alegre, publicou A Exposição do Centenário Farroupilha (1936).

 

 

FONTES: Álbum; CORRESP. CONF. NAC. TRAB. TRANSP. MARÍTIMOS; FERREIRA FILHO, A. História; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; LOVE, J. Regionalismo; Personalidades; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; SPALDING, V. Construtores; VELHO SOBRINHO, J. Dic.

 

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