BITTENCOURT, PAULO

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Nome: BITTENCOURT, Paulo
Nome Completo: BITTENCOURT, PAULO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BITTENCOURT, PAULO

BITTENCOURT, Paulo

*jornalista.

 

Paulo Bittencourt nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 1895, filho de Edmundo Bittencourt e de Amália Muniz Freire Bittencourt. Seu pai foi jornalista e fundou, em 1901, o Correio da Manhã, que seria um dos mais importantes periódicos da antiga capital da República.

Em 1912 fez cursos na Universidade de Cambridge, Inglaterra e, no ano seguinte, de volta ao Brasil, ingressou na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, bacharelando-se em 1918. Integrou em 1919 a delegação brasileira à Conferência de Paz de Versalhes, França, e começou a trabalhar por essa época no jornal de seu pai, onde viria a ser redator-chefe e articulista. No Correio da Manhã, fez cerrada oposição ao governo de Artur Bernardes (1922-1926), o que culminou com a sua prisão na ilha Rasa durante todo o ano de 1926. Em março de 1929, quando se iniciava a campanha de sucessão do presidente Washington Luís, recebeu de seu pai a propriedade e a direção do jornal, cuja história daí em diante se confundiria com a sua própria vida.

Mantendo a linha que caracterizou desde o início o Correio da Manhã como órgão combativo e participante, isento dos compromissos partidários, apoiou a Revolução de 1930, mas em pouco tempo começou a fazer oposição ao Governo Provisório de Getúlio Vargas, defendendo a reconstitucionalização do país. Em 1932, manifestou-se favorável à Revolução Constitucionalista de São Paulo. A convocação da Assembléia Nacional Constituinte em 1933 e a eleição de Vargas à presidência da República no ano seguinte não minimizaram as críticas do jornal ao chefe do Executivo, acusado de manipular o processo político de forma a manter-se no poder.

As posições do Correio foram reforçadas depois da Revolta Comunista de 1935, quando se desencadeou um processo de endurecimento político que daria lugar à decretação do estado de guerra em 1936. Através do jornal, Paulo Bittencourt moveu intensa campanha contra Vargas, denunciando suas intenções golpistas. No ano seguinte, decretado o Estado Novo, toda a imprensa passou a sofrer rigorosa censura, mas ainda assim o periódico manteve-se na oposição, procurando possíveis brechas para atacar o regime de força. Em 1940, Bittencourt recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, a jornalistas que se destacassem na luta pela liberdade de imprensa.

Com o enfraquecimento do Estado Novo, o Correio da Manhã foi o primeiro jornal brasileiro a romper as barreiras da censura, ao publicar em fevereiro de 1945 a famosa entrevista de José Américo de Almeida criticando a ditadura. O jornal abria assim o caminho para outras manifestações de oposição da imprensa. Vargas foi deposto em 29 de outubro desse ano, e em dezembro realizaram-se eleições. Paulo Bittencourt apoiou o candidato à presidência da República lançado pela União Democrática Nacional (UDN), brigadeiro Eduardo Gomes, seu amigo de infância, contra o candidato do Partido Social Democrático (PSD), general Eurico Gaspar Dutra. Derrotado o brigadeiro, o Correio fez oposição não só ao novo governo, como também à UDN pela sua proposta de união nacional em torno do presidente Dutra.

Em 1950, Bittencourt voltou a apoiar o candidato udenista Eduardo Gomes contra Getúlio Vargas, candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Partido Social Progressista (PSP) nas novas eleições presidenciais. Seu jornal abriu a campanha com uma manchete de primeira página: “Apoio dos estivadores ao brigadeiro.” Sua intenção com isso era “lançar, contra o falso trabalhismo dos pelegos, um trabalhismo autêntico”, tentando assim revestir a candidatura udenista de um suporte popular. Realizado o pleito em outubro, com a vitória de Vargas, a UDN procurou anular o resultado, exigindo maioria absoluta de votos para a eleição de presidente. Bittencourt defendeu a posse do adversário eleito, condenando a tese udenista.

Uma vez no poder, entretanto, Vargas sofreu intenso combate de Paulo Bittencourt, que denunciou o “trabalhismo falsificado” e a política econômica de estatização, encarada como uma ameaça à democracia. Assim, o Correio da Manhã opôs-se ao monopólio estatal do petróleo, mas, depois de criada a Petrobras, passou a defender-lhe o patrimônio — que destacava como propriedade do povo brasileiro — contra a exploração política. Na fase final do governo Getúlio Vargas, em meio a grande agitação política e choques de interesses econômicos, o jornal desfechou violenta campanha de denúncia contra irregularidades na Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil (Cexim). Em agosto de 1954 apoiou o inquérito policial-militar instaurado pela Aeronáutica para apurar as responsabilidades pelo atentado da rua Toneleros, na capital federal, em que foi ferido o jornalista Carlos Lacerda e morto o major-aviador Rubens Vaz, militantes udenistas que combatiam ativamente o governo.

O suicídio de Getúlio em 24 de agosto de 1954 fez o Correio da Manhã suspender os ataques que dirigia ao presidente e seu governo. Em seguida à posse do novo chefe da nação, João Café Filho, Paulo Bittencourt sugeriu-lhe o nome de Eugênio Gudin para o Ministério da Fazenda, sugestão prontamente aceita. Em 1955 rompeu com Eduardo Gomes por recusar-se a apoiar nas eleições daquele ano o candidato udenista à presidência da República, Juarez Távora. Embora indeciso quanto aos candidatos que se apresentavam, defendia a necessidade do sufrágio. Quando o pleito de outubro deu a vitória a Juscelino Kubitschek, candidato do PSD, e a UDN mais uma vez recorreu à tese da maioria absoluta de votos para impedir a posse do presidente eleito, Bittencourt lutou pela manutenção da legalidade e o respeito à decisão das urnas. Exercendo o governo, contudo, também Juscelino enfrentaria a oposição do Correio da Manhã, que combateu a sua política financeira, exigindo providências contra a deterioração dos preços dos produtos exportados.

A campanha eleitoral de 1960 reencontrou Paulo Bittencourt sem candidato definido para a presidência da República, mantendo-se distante tanto de Jânio Quadros, nome apoiado pela UDN, pelo Partido Democrata Cristão (PDC) e pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN), quanto do general Henrique Teixeira Lott, apoiado pelo PSD e pelo PTB. A vitória do primeiro e seu curto governo não tiveram o apoio do jornal. Quando Jânio renunciou, em agosto de 1961, a posição do Correio da Manhã foi a de lutar pela posse do seu substituto legal, o vice-presidente João Goulart, do PTB. Contornada a tentativa militar de impedir que isso acontecesse, através de emenda constitucional do Congresso que implantou o parlamentarismo visando reduzir os poderes do presidente da República, Bittencourt e seu jornal viriam a apoiar algumas campanhas do novo governo, como a reforma agrária. Apoiaram também a antecipação do plebiscito sobre a continuidade ou não do sistema parlamentarista, previsto pela emenda para 1965 e afinal realizado em 1963. A consulta popular decidiu por ampla maioria o retorno do presidencialismo.

Por essa época, problemas de saúde levaram Paulo Bittencourt a afastar-se de suas atividades no Correio da Manhã. Em agosto de 1963, veio a falecer, em Estocolmo, Suécia.

Com a sua morte, a direção do jornal passou para sua segunda esposa, Niomar Muniz Sodré Bittencourt.

Membro do conselho consultivo da Sociedade Interamericana de Imprensa, foi também um dos organizadores do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro.

Foi casado em primeiras núpcias com Sílvia de Arruda Botelho, com quem teve uma filha.

Marieta de Morais Ferreira

 

FONTES: CONSULT. MAGALHÃES, B.; Correio da Manhã (2/10/63); Encic. Mirador; ENTREV. BAHIA, L.; ENTREV. CALADO, A.; Grande encic. Delta.

 

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