BLAY, EVA

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Nome: BLAY, Eva
Nome Completo: BLAY, EVA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
Blay, Eva

BLAY, Eva

* sen. SP 1992-1994 e 1995.

 

                Eva Alterman Blay nasceu na cidade de São Paulo no dia 4 de junho de 1937, filha de Moyses Lejb Alterman e de Eta Reaboi Alterman.

                Bacharel em sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), integrou o quadro docente da sua faculdade de filosofia, letras e ciências humanas, em 1961, obtendo os títulos de mestrado, em 1969, doutorado, em 1973, e livre-docência, em 1985.

                Voltada para o estudo das condições de vida das mulheres, subsidiou as atividades de sindicatos, associações de direitos civis e, sobretudo, entidades feministas. Como presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo, no governo Franco Montoro (1983-1987), criou a primeira Delegacia de Defesa da Mulher do país.

                Filiada ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), elegeu-se suplente do Fernando Henrique Cardoso, em 1986. Dois anos depois, participou da fundação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), criado a partir de uma dissidência do PMDB.

                Em 1992, esteve em Viena, na Áustria, realizando trabalho para a Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a condição de vida das mulheres em diversos países. Em outubro deste ano, com a nomeação do senador Fernando Henrique Cardoso para o Ministério das Relações Exteriores do governo Itamar Franco (1992-1994), Eva Blay tomou posse no Senado.

No Parlamento procurou destacar os altos índices de mortalidade feminina durante os períodos de gravidez, parto e pós-parto, e defendeu a destinação de mais recursos públicos para o combate a essa realidade. Apresentou projeto de lei dispondo sobre a descriminalização do aborto, segundo o qual a interrupção da gravidez seria de livre decisão da gestante até a 12ª semana de gestação, prevendo-se ainda essa possibilidade até a 25ª semana no caso de comprovação de patologia que comprometesse a saúde física ou mental da gestante, ou ainda a qualquer momento da gravidez, em caso de risco de vida para a mulher. Segundo Eva Blay, a prática do aborto deveria ser tratada como uma questão de foro íntimo da mulher, e sua descriminalização, na realidade, apenas legalizaria uma situação de fato vigente no país. Ainda de acordo com a senadora, essa realidade deveria ser encarada pelo Estado como um problema de saúde pública. Duramente criticado e combatido por entidades contrárias ao aborto, em especial o segmento dito carismático da Igreja Católica, seu projeto não chegou a ser apreciado pelo Senado.  

                O que dizia respeito à adoção do planejamento familiar teve melhor sorte, e foi aprovado por unanimidade, determinando a esterilização voluntária da mulher através de métodos aprovados pelo Ministério da Saúde, bem como a garantia de plena informação a todos sobre os métodos conceptivos e anticonceptivos.

                Devido ao retorno de Fernando Henrique ao Congresso, deixou o Senado em abril de 1994, disputando em outubro, pelo PSDB paulista, uma vaga na Câmara Federal. Sem obter êxito, regressou ao Senado em virtude da posse do titular na presidência da República, exercendo o mandato de 1º a 31 de janeiro de 1995, quando se encerrou a legislatura.

                De volta à atividade docente na USP escreveu para revistas acadêmicas e participou de conferências no Brasil e no exterior sobre a condição feminina. Em 1996 concluiu curso de pós-doutorado em ciências sociais na École de Hautes  Études en Sciences Sociales, em Paris.

                Casada com Júlio Blay, teve dois filhos.

                Publicou Trabalho domesticado: a mulher na indústria paulista (1978); As prefeitas (1981); A luta pelo espaço (1985); Immigrazione europea e borghi operai a San Paolo (1987); Perfil da mulher brasileira (1990); Gênero e universidade (1992).

 

FONTES: Dia (20/10/92); Estado de São Paulo (17/1, 9/5 e 28/8/94);  Folha de São Paulo (25/3 e 5/7/94); INF. BIOG.

 

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