BLOTA JUNIOR, JOSE

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: BLOTA JÚNIOR, José
Nome Completo: BLOTA JUNIOR, JOSE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BLOTA JÚNIOR, JOSÉ

BLOTA JÚNIOR, José

*jornalista; dep. fed. SP 1975-1979.

 

José Blota Júnior nasceu em Ribeirão Bonito (SP) no dia 3 de março de 1920, filho do advogado e tabelião José Blota e de Amélia Queirós Blota.

Iniciou seus estudos no Grupo Escolar Coronel Pinto Ferraz, em sua cidade natal. Ainda em Ribeirão Bonito, estreou no jornalismo aos 12 anos de idade, publicando seu primeiro artigo no jornal Correio d’Oeste. Transferindo-se com a família para São Carlos (SP), ali cursou o ginásio e colaborou no jornal A Tarde. Em agosto de 1938, já na capital paulista, começou a trabalhar em O Esporte, diário em que servia como secretário de redação. Em novembro de 1939 ingressou no rádio, trabalhando como locutor de estúdio, locutor esportivo e repórter na Rádio Cosmos, hoje Rádio América, e posteriormente como animador de auditório, produtor, redator e rádio-ator, além de locutor esportivo, na Rádio Cruzeiro do Sul, emissora da qual foi diretor artístico entre 1941 e 1943. Paralelamente, prosseguiu os estudos, fazendo o curso pré-jurídico, iniciado no Ginásio São Bento e concluído na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

No dia 1º de julho de 1943 iniciou suas atividades profissionais na Rádio Record, na qual permaneceria por muitos anos. Foi para essa emissora que fez a cobertura da chegada ao Brasil, em agosto de 1945, dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que combateram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Seu trabalho ganhou notoriedade na época por ter sido realizado em um carro da rádio-patrulha, especialmente adaptado, durante as cinco horas de desfile dos militares. Após a deposição de Getúlio Vargas em outubro de 1945, aderiu à Esquerda Democrática, grupo de intelectuais e políticos de tendência socialista surgido em junho desse mesmo ano e que viria a se transformar no Partido Socialista Brasileiro (PSB) dois anos depois.

Em 1946 esteve nos Estados Unidos através de uma bolsa de estudos fornecida pelo Serviço Cultural e Informativo do governo norte-americano, estagiando nas redes difusoras National Broadcasting Company (NBC) e Columbia Broadcasting System (CBS). Nessa ocasião, sugeriu a Paulo Machado de Carvalho, proprietário da Rádio Record, a compra de um aparelho de gravação com fio magnético que estava sendo vendido pelo Exército dos EUA como refugo de guerra. O aparelho foi adquirido e permitiu a realização das primeiras reportagens volantes gravadas do rádio brasileiro, chefiadas pelo próprio Blota Júnior. Retornando aos estudos, cursou a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), bacharelando-se em 1949. Em 1952, assumiu a direção de broadcasting da Rádio Record, cargo que exerceria até 1958. Em 1953, com a inauguração da TV Record, iniciou suas atividades nessa emissora.

Ligado ao PSB desde a sua fundação, Blota Júnior deixou o partido em 1954, descontente com o apoio dado pelos socialistas a Jânio Quadros, que deixara a prefeitura de São Paulo para se candidatar ao governo estadual. Mais tarde, em declaração à Folha de S. Paulo (21/10/1982), afirmaria que Jânio havia tido “um comportamento menos grato com meu pai, seu velho amigo e companheiro”. Concorrendo na legenda do Partido Social Progressista (PSP), agremiação chefiada por Ademar de Barros, ex-interventor e ex-governador de São Paulo, elegeu-se deputado estadual no pleito de outubro de 1954. Assumiu o mandato em fevereiro de 1955, ocupando durante a legislatura a vice-liderança da bancada do seu partido e da minoria. Não conseguindo reeleger-se em outubro de 1958, deixou a Assembléia Legislativa paulista em janeiro de 1959, ao término do mandato.

Entre 1958 e 1960 Blota Júnior foi diretor-gerente da Rádio Pan-Americana de São Paulo. Retornou à vida política em 1962, elegendo-se deputado estadual, na legenda do PSP, no pleito de outubro daquele ano. De 1963 a 1965, durante o governo Ademar de Barros, foi líder da bancada do partido e da maioria na Assembléia Legislativa. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), agremiação governista. Idealizador da Secretaria dos Negócios do Turismo de São Paulo, foi seu primeiro titular, exercendo o cargo em 1965 e 1966.

Em junho de 1966, o governador Ademar de Barros teve o mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos, sendo substituído na chefia do Executivo paulista pelo vice-governador Laudo Natel. Ainda nesse ano, Blota Júnior foi um dos principais articuladores da candidatura de Roberto Abreu Sodré ao governo de São Paulo. Sodré foi eleito em setembro, indiretamente, pela Assembléia Legislativa e, em novembro, Blota Júnior reelegeu-se deputado estadual na legenda da Arena. Durante o seu terceiro mandato legislativo, presidiu as comissões de Constituição e Justiça, de Redação, de Educação e Cultura e de Reforma da Constituição paulista. Nos anos de 1970 e 1971, por designação de Abreu Sodré, foi líder da Arena e do governo na Assembléia. A escolha do seu nome gerou desentendimentos dentro do partido, opondo, de um lado, 46 deputados signatários de um documento de apoio à sua designação e, de outro, quatro parlamentares — Laércio Corte, Valdemar Lopes Ferraz, Agnaldo Rodrigues de Carvalho Júnior e Roberto Brandini — que encaravam a escolha como de responsabilidade da bancada e não do governador.

Blota Júnior não concorreu à reeleição no pleito de novembro de 1970. Nesse ano, voltou à televisão, produzindo o primeiro programa nacional transmitido pela Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel), o Copa 70, apresentado em 18 estados brasileiros. Deixou a Assembléia Legislativa em janeiro de 1971, ao término do mandato. Retornou porém à política em 1974, elegendo-se deputado federal por São Paulo, na legenda arenista, no pleito de novembro. Assumiu o mandato em fevereiro de 1975 e durante a legislatura foi vice-líder da Arena e do governo do general Ernesto Geisel na Câmara, atuando nas comissões de Constituição e Justiça e de Comunicações. Em 1976, participou da comitiva que acompanhou o presidente Geisel em sua visita oficial ao Japão.

Em 1977 apresentou um substitutivo ao projeto do Senado que extinguia a “denúncia vazia” (mecanismo que praticamente eliminava as prerrogativas dos locatários de imóveis). Na opinião do deputado gaúcho Alceu Colares, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição, esse substitutivo consagrava na verdade a “denúncia vazia” como instrumento de pressão contra o inquilino. Em junho de 1977, a partir de denúncias feitas contra o Centro Brasileiro de Análises e Planejamento (Cebrap) pelo deputado arenista Eduardo Galil, Blota Júnior declarou que desaprovava tanto a radicalização de posições de deputados do partido do governo quanto a agressividade dos discursos de elementos da oposição.

Não concorreu à reeleição em novembro de 1978, encerrando o mandato em janeiro do ano seguinte. Em fevereiro, foi escolhido pelo governador paulista Paulo Salim Maluf como titular da Secretaria de Informação e Comunicações. Em abril, recebeu críticas dos jornais de São Paulo por ter sugerido que nem todas as informações deviam ser transmitidas à imprensa e que os jornalistas não precisavam fazer entrevistas no palácio dos Bandeirantes porque ele já trazia todas as notícias importantes. Com o fim do bipartidarismo (29/11/1979) e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena. Em março de 1981, deixou a Secretaria de Informação e Comunicações de São Paulo, sendo substituído por José Olavo Diniz. A imprensa paulista atribuiu sua saída a desentendimentos com o chefe do Gabinete Civil do governo estadual, Calim Eid. Em novembro de 1982, concorreu ao Senado por São Paulo numa das duas sublegendas do PDS, não conseguindo, contudo, eleger-se. Abandonou a vida política, voltando a dedicar-se ao trabalho televisivo.

Em 1985, deixou a TV Record e transferiu-se para a Rede Bandeirantes, onde apresentou o Programa Blota Júnior e o programa de debates políticos Fogo Cruzado, já na década de 1990. Afastado dessa emissora, apresentou até 1997 o programa Gente que brilha no Sistema Brasileiro de Televisão, sua última aparição como apresentador de TV.

Como jornalista, trabalhou ainda na Folha da Manhã e nas revistas Vamos Ler, Carioca, Fon-Fon, Garoa, São Paulo, Hoje e Goal, da qual foi diretor. Diretor-responsável do Correio d’Oeste de Ribeirão Bonito, trabalhou também na Rádio São Paulo e na Rádio Bandeirantes, na TV Gaúcha de Porto Alegre, na TV Tupi do Rio de Janeiro e na TV Tupi de São Paulo. Empresário, tornou-se vice-presidente da Calói S.A. e da Calói Norte S.A. e dirigiu a agência de publicidade Dínamo. Fundou a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, que presidiu, e tornou-se membro da Associação Brasileira de Jornalistas Esportivos, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais e dos Radialistas de São Paulo, além da Academia Paulista de Jornalismo. Como advogado, atuou no Fórum Criminal, no Tribunal do Júri da cidade de São Paulo e no interior do estado. Na capital paulista, foi um dos fundadores do Conselho Municipal de Esportes, presidente do Conselho Municipal de Turismo e diretor vice-presidente da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC).

Faleceu em São Paulo no dia 22 de dezembro de 1999.

Foi casado com Neide Mocarzel Blota Júnior, que tem o nome artístico de Sônia Ribeiro, com quem teve três filhos.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1975-1979); CÂM. DEP. Relação nominal; Diário de São Paulo (1/2/79); Eleitos; Estado de S. Paulo (7/7/76, 6/4/79, 10/8/82); Folha de S. Paulo (1 e 14/4/81, 21 e 26/10/82, 23/12/99); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (3, 6 e 8).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados