BONFIM, ANTONIO MACIEL

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Nome: BONFIM, Antônio Maciel
Nome Completo: BONFIM, ANTONIO MACIEL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BONFIM, ANTÔNIO MACIEL

BONFIM, Antônio Maciel

*rev. 1935.

 

Antônio Maciel Bonfim nasceu em Irará (BA) no dia 10 de fevereiro de 1905, filho dos camponeses João Matos de Bonfim e de Maria Maciel Bonfim.

Terminou o curso secundário em sua cidade natal em uma escola de religiosos, sendo contratado logo em seguida como professor da Companhia de Petróleo Anglo-Mexicana.

Bonfim foi militante na Bahia da Liga de Ação Revolucionária (LAR), ocupando o posto de secretário da organização, movimento articulado por Luís Carlos Prestes em Buenos Aires durante o mês de maio de 1930, por ocasião de seu rompimento com a Aliança Liberal e em virtude de divergências com o Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB). A organização dissolveu-se logo após a vitória da Revolução de 1930.

Preso na Bahia no início de 1932 e condenado à deportação para o Uruguai, porém, consegue fugir no Paraná, de onde teria enviado ao comitê central do PCB uma carta na qual, ao mesmo tempo em que se declarava membro da LAR e informava haver fugido quando era encaminhado para a deportação no Uruguai, pedia ingresso no partido. Como a LAR já havia sido extinta e seu nome era desconhecido do comitê central, o pedido teria sido arquivado sob suspeita.

Preso no Paraná ainda em 1932, foi transferido em novembro desse ano para a Colônia Correcional Dois Rios, na ilha Grande, no litoral do estado do Rio, onde vários comunistas se encontravam detidos em decorrência da violenta repressão ao movimento operário desencadeada na época. Como sua chegada à prisão suscitasse desconfiança de que fosse ele um agente da polícia, os demais presos mantiveram-se de início afastados, o que não o impediu de continuar a insistir quanto à possibilidade de seu ingresso nos quadros do PCB.

Conquistando aos poucos a confiança dos comunistas, em fins de novembro, escapou da prisão juntamente com outros militantes, dirigindo-se para o Rio, de acordo com plano concebido pelo PCB.

Nos primeiros meses de 1933, o Bureau Sul-Americano da Internacional Comunista (BSA) enviou para o Brasil uma delegação com a finalidade de administrar aulas de formação de quadros. Antônio Maciel, agora como militante do partido, participou do curso, tendo um excelente desempenho ao lado de Lauro Reginaldo Rocha.

 Após o curso por indicação dos agentes do BSA, Antônio foi cooptado para o Comitê Central (CC) em dezembro do mesmo ano. Foi por essa época, também, que passou a ser conhecido na clandestinidade pelos pseudônimos de Adalberto de Andrade Fernandes, Américo de Carvalho, Américo, Queirós, Tavares e, principalmente, Miranda.

Neste período, Lauro Reginaldo da Rocha (Bangu) foi indicado ao cargo de secretário geral do partido até a próxima conferência nacional. Porém, por motivos de doença, afastou-se do cargo, sendo substituído por Antônio Bonfim.

Na conferência partidária reunida em junho de 1934, Miranda foi oficialmente escolhido secretário-geral. Isso representou a possibilidade de estender o movimento comunista nos círculos militares, com os quais tinha ligações e reconhecimento de Luís Carlos Prestes. Nesse momento membros mais antigos foram afastados do partido. O tenentismo de tendência social se tornaria a corrente dominante no PCB, e foi aprovada a adoção da frente popular.

No começo de setembro de 1934, Miranda partiu para Moscou, com o passaporte em nome de Adalberto Andrade Fernandes, como chefe da delegação do PCB para o VII Congresso da Internacional Comunista, que seria realizado em novembro, juntamente com Fernando de Lacerda e José Caetano Machado. O Congresso foi adiado, sendo organizada a III Conferência dos Partidos Comunistas da América Meridional e do Caribe. Nesse conclave, em que os delegados brasileiros anunciaram o início da penetração do partido nos sindicatos e entre os militares, assim como a crescente insatisfação existente no Brasil com relação ao presidente Getúlio Vargas e à situação econômica, Miranda — o pseudônimo pelo qual passou a ser então mais conhecido no PCB — defendeu em várias reuniões que tivera com Prestes e Dimitri Manuilski a tese de que o Brasil se encontrava no momento ideal para um movimento revolucionário. Decidindo-se no congresso que deveria ser acelerada a preparação de um levante armado no país sob a liderança de Prestes, Miranda regressou ao Brasil logo após o término da reunião.

Como secretário-geral do PCB em 1935, foi um dos principais colaboradores e orientadores do jornal A Classe Operária e esteve ligado à Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente única de esquerda formada em março desse ano por representantes da classe média e do operariado. O PCB apoiava e promovia a ANL, de acordo com a orientação que então adotava de formar uma frente ampla contra o imperialismo e o fascismo capaz de promover a implantação de um “governo popular nacional revolucionário e antiimperialista” através de uma revolução nacional.

A opção insurrecional adotada pela liderança do PCB predominou após o fechamento da ANL pelo governo em julho de 1935, que levou à dispersão dos elementos moderados da organização, permitiu o predomínio dos comunistas, mais preparados para atuar na ilegalidade, e a preponderância, entre estes golpistas, marcada pela tradição tenentista, da qual Miranda seria representante. Dessa forma, agindo à margem da direção da ANL, o PCB articulou o movimento armado de novembro de 1935, do qual Miranda foi um dos líderes.

Apesar do malogro em que se constituíram os levantes irrompidos em Natal e em Recife respectivamente nos dias 23 e 24 de novembro, na noite de 25 de novembro Miranda reuniu-se com Prestes e Harry Berger para tomar decisões sobre a atuação do PCB no movimento armado que deveria eclodir no Rio de Janeiro durante a madrugada do dia 27.

O movimento não alcançou o menor êxito, limitando-se à sublevação de algumas unidades militares, a Escola de Aviação Militar e o 3º Regimento de Infantaria, rapidamente dominados. Miranda retomou em seguida suas atividades clandestinas, tentando, juntamente com outros líderes comunistas, rearticular as forças derrotadas e aliciar elementos para uma nova rebelião.

Com o cerco da polícia, Miranda e a sua companheira Elvira Capelo Coloni (Elza Fernandes ou Garota) foram presos no dia 13 de janeiro de 1936 no Rio de Janeiro, com diversos documentos do secretariado nacional do PCB em seu poder, o que significou importante vitória para a polícia, na medida em que se criavam condições para o desmantelamento da cúpula do partido clandestino. Contando obter as informações necessárias à captura dos elementos ainda foragidos, a polícia o manteve preso, submetendo-o a várias sessões de torturas, vindo a perder um rim. O deputado federal Otávio da Silveira denunciou as torturas a que ele e Clóvis Araújo Lima estariam sendo submetidos, e por duas vezes apelou ao presidente Vargas para pedir sua libertação, sem êxito. Após o assassinato de sua companheira Elza Fernandes, acusada de fornecer informações para a polícia, e a divulgação de que o crime fora praticado pelos próprios comunistas, Miranda se sentiu traído e abandonado pelo partido e assim terminou por fazer declarações que comprometiam seus companheiros.

Em maio de 1937 foi condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional a quatro anos e quatro meses de reclusão. Em companhia de Prestes, Agildo Barata, Berger, Rodolfo Ghioldi e Agliberto Vieira de Azevedo, compareceu ao julgamento realizado em setembro pelo Supremo Tribunal Militar (STM) do recurso de apelação que haviam interposto, protestando contra as violências sofridas na polícia e pedindo garantias de vida para quando voltassem à prisão. Concluído o julgamento no dia 13 daquele mês, o STM confirmou a sentença do Tribunal de Segurança Nacional quanto às condenações dos líderes do movimento de novembro de 1935. Transferido para Fernando de Noronha em dezembro de 1938, retornou ao Rio de Janeiro em abril de 1940. 

Miranda foi solto apenas em 1945 com a decretação da anistia, tuberculoso e sem um rim. Tomando conhecimento de sua expulsão do PCB, retornou para Alagoinhas (BA). Doente, passou a morar em casa de parentes. Mais tarde, tornou-se religioso e organizou um sindicato de matriz católica.

Antônio Maciel Bonfim (Miranda) morreu no final da década de 1940, em conseqüência dos maus-tratos sofridos na prisão.

Segundo alguns autores — entre os quais Leôncio Basbaum, Edgar Carone e John Foster Dulles —, foi descoberto mais tarde que Maciel Bonfim era um agente policial infiltrado no PCB. Porém, essa informação nunca foi confirmada.

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; BARATA, A. Vida; BASBAUM, L. Vida em seis; CAMPOS, R. Tribunal; CARONE, E. República Nova; CARONE, E. Revoluções; DULLES, J. Anarquistas; PACHECO, E. Partido; PESSANHA, E. Partido; PINHEIRO, P. Estratégias; PORTO, E. Insurreição; SEGATTO, J. Breve; SEGATTO, J. PCB; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937; SODRÉ, N. Intentona; VIANA, F. Prestes; VIANA, M. Revolucionários; WAACK, W. Camaradas.

 

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