BOPP, RAUL

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Nome: BOPP, Raul
Nome Completo: BOPP, RAUL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BOPP, RAUL

BOPP, Raul

*diplomata; emb. Bras. Peru 1962-1963.

 

Raul Bopp nasceu em Santa Maria (RS) no dia 4 de agosto de 1898, filho de Alfredo Bopp e de Josefina Bopp. Seus avós maternos, chegados ao Rio Grande do Sul em 1824, integraram o primeiro grupo de imigrantes alemães que aportou ao Brasil.

Com menos de um ano de idade foi levado para Tupanciretã (RS). Fez seus estudos em Santa Maria, Porto Alegre e São Leopoldo (RS) e, aos 16 anos, deixou a casa paterna, passando a viajar pelo Brasil e países vizinhos. Ingressou na Faculdade de Direito de Porto Alegre, continuando o curso superior nas faculdades de Direito de Recife, de Belém e do Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Exerceu as mais diferentes ocupações pelos caminhos que percorreu, desde pintor de paredes e caixeiro de livraria a jornalista, até bacharelar-se em ciências jurídicas e sociais.

Poeta, utilizou amplamente em seus versos os conhecimentos adquiridos nas expedições pelo Brasil, tendo as viagens pela Amazônia e os contatos com o folclore, usos e costumes dessa região marcado especialmente sua vida e obra. Foi na Amazônia que esboçou em 1921 o poema Cobra Norato, segundo Carlos Drummond de Andrade, “possivelmente o mais brasileiro de todos os poemas brasileiros escritos em qualquer tempo”. Novos poemas seriam sucessivamente acrescentados ao original, publicado em 1931, sendo a obra por diversas vezes refundida e reeditada.

Em 1922, já radicado no Rio de Janeiro, ingressou na redação da Agência Brasileira de Distribuição de Notícias — órgão que mais tarde dirigiria —, tendo colaborado na divulgação da Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Por esse tempo, segundo diversas fontes, integrou o grupo Verde-Amarelo, ocasião em que teria ensinado a língua tupi a Plínio Salgado, futuro líder do movimento integralista brasileiro. Em entrevista concedida ao Jornal do Brasil em maio de 1978, contudo, Bopp negou tais vinculações.

Em 1927 escreveu Buena-dicha geográfica, poema em louvor da Coluna Prestes, e, a partir do ano seguinte, uniu-se a Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, aderindo ao movimento antropofágico. Colaborador da Revista de Antropofagia — lançada em maio desse ano —, Bopp definiria o movimento como “de descida às fontes genuínas, ainda puras, para captar os germes da renovação; retomar esse Brasil, subjacente, de alma embrionária, carregado de assombro, e procurar uma síntese cultural própria, com maior densidade de consciência nacional”. Com o fim da Revista de Antropofagia, em agosto de 1929, e a extinção de seu núcleo literário, Bopp viajou para o exterior.

De volta ao Brasil após a Revolução de 1930, ingressou em maio de 1932 na carreira diplomática, sendo nomeado auxiliar de consulado e designado para exercer essa função em Kobe, no Japão. Promovido a cônsul de terceira classe em fevereiro de 1934, voltou para o Ministério das Relações Exteriores e, em maio do ano seguinte, tornou-se cônsul de segunda classe. Serviu a seguir em Yokohama, também no Japão, onde permaneceu até maio de 1938 e fundou o periódico Correio da Ásia.

Novamente no Brasil, ocupou a partir de julho deste último ano a direção da secretaria do Conselho Federal do Comércio Exterior, permanecendo no cargo até junho de 1941. Transferido para Los Angeles, nos EUA, nesse mesmo mês, foi elevado a cônsul de primeira classe durante sua permanência naquela cidade, ali servindo até fins de 1944. Primeiro-secretário em fevereiro de 1945, foi ainda nesse mês designado para Lisboa, permanecendo no posto até dezembro seguinte, quando se transferiu para Zurique, na Suíça, na condição de cônsul. Exerceu essa função até fevereiro de 1948 e, outra vez no Brasil, passou a chefiar a secretaria do Instituto Rio Branco a partir de setembro desse ano. Promovido a conselheiro em março de 1949, alcançou o posto de ministro de segunda classe em julho de 1951 e logo a seguir foi nomeado cônsul-geral em Barcelona, na Espanha, onde serviu de dezembro de 1951 a março de 1953. Designado pouco depois para a Guatemala como enviado extraordinário e ministro plenipotenciário, ali serviu até maio de 1954, tendo ocupado nesse país o cargo de encarregado de negócios da embaixada do Brasil. Enviado extraordinário e ministro plenipotenciário na Suíça a partir de junho deste último ano, foi promovido a ministro de primeira classe em maio de 1958, exercendo essa função até dezembro do mesmo ano. Removido a seguir para Viena, na Áustria, ali ocupou o posto de embaixador do Brasil de dezembro de 1958 a novembro de 1962, assumindo em seguida a embaixada brasileira em Lima, no Peru. Permaneceu na capital peruana até agosto do ano seguinte, quando se aposentou, voltando então a dedicar-se às letras. Bopp interessou-se também pelo estudo de assuntos econômicos.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 2 de junho de 1984.

Era casado com Guadalupe Lúcia Puig Bopp, com quem teve dois filhos.

Além das obras já citadas, publicou Caminhos para o Brasil (em colaboração com D. L. Derron e Américo Neto, 1928), Urucungo (1933), Sol e sombra (1938), Geografia mineral (1938), Sol e banana (em colaboração com José Jobim, 1938), Poesias (1947), Notas de um caderno sobre o Itamaraty (1956), Movimentos modernistas no Brasil (1966), Memórias de um embaixador (1968), Vida e morte da antropofagia (1977), Mironga e alguns poemas (1978), América, Putirum, Coisas do Oriente, Samburá e Bopp passado a limpo.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; BEHAR, E. Vultos; CARPEAUX, O. Pequena; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; Grande enc. portuguesa; Jornal do Brasil (27/3/78, 3 e 4/6/84); LEVINE, R. Vargas; MELO, L. Subsídios; MENESES, R. Dic.; MIN. REL. EXT. Anuário (1964); ROQUE, C. Grande; Súmulas; Veja (13/6/84); Who’s who in Brazil.

 

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