BOSISIO, PAULO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: BOSÍSIO, Paulo
Nome Completo: BOSISIO, PAULO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BOSÍSIO, PAULO

BOSÍSIO, Paulo

*militar, comte. V DN 1955-1956: ch. CGI 1964; min. Mar. 1965.

 

Paulo Bosísio nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 27 de setembro de 1900, filho de Paulo Pedro Bosísio e Maria da Glória Bosísio.

Ingressou na Escola Naval do Rio de Janeiro em maio de 1915 no posto de aspirante-a-guarda-marinha. Participou da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), sendo promovido a segundo-tenente em novembro de 1918. Foi promovido a primeiro-tenente em janeiro de 1923 e a capitão-tenente em janeiro de 1928, atingindo mais tarde o posto de capitão-de-corveta. Quando da eclosão do segundo conflito mundial em 1939, comandou a Escola de Aprendizes Marinheiros de Pernambuco, sendo então designado oficial de ligação junto ao estado-maior do 1º Grupo de Regiões Militares, sediado no Distrito Federal. Como imediato do cruzador Bahia, esteve em missão de patrulhamento e comboio na costa brasileira, ameaçada por submarinos alemães, sendo promovido a capitão-de-fragata. De 1946 a 1951 foi subchefe e chefe de gabinete do ministro da Marinha, almirante Sílvio de Noronha.

Promovido a capitão-de-mar-e-guerra em 1951, no ano seguinte trouxe dos Estados Unidos para o Brasil o cruzador Tamandaré, do qual foi o primeiro comandante. Contra-almirante em 1954, nesse mesmo ano tornou-se vice-diretor do Pessoal da Armada. De janeiro de 1955 a abril do ano seguinte comandou o V Distrito Naval, em Florianópolis, dirigindo em 1957 o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Em 1958 foi promovido a vice-almirante, tendo exercido neste posto o comando da Escola de Guerra Naval. Em 1960 foi transferido para a reserva no posto de almirante.

Em julho de 1964 foi nomeado presidente da Comissão Geral de Investigações (CGI) em lugar do marechal Estêvão Taurino de Resende Neto, por designação do presidente Humberto Castelo Branco (1964-1967). Criada após a vitória do movimento político-militar de março de 1964, a CGI foi encarregada de realizar no prazo de seis meses a investigação sumária dos “atos de corrupção e subversão” na administração pública durante o governo do presidente deposto João Goulart (1961-1964). Nesse período, as garantias legais de vitaliciedade e estabilidade permaneceram em suspenso com base no Ato Institucional nº 1 (9/4/1964). Exerceu a presidência da CGI até outubro de 1964, quando o órgão foi extinto, tendo estudado e julgado mais de 1.100 processos.

Nessa época, a crise desencadeada entre a Marinha e a Aeronáutica por ocasião da Operação Unitas, manobra aeronaval que reunia forças de vários países sob a coordenação dos Estados Unidos, reacendeu a antiga disputa pela responsabilidade da aviação embarcada. O então presidente Castelo Branco pretendia resolver o impasse por interferência direta do Executivo, tendo o fato desagradado ao ministro da Aeronáutica Nélson Lavenère Wanderley, que pediu demissão do cargo. O novo ministro, major-brigadeiro Márcio de Sousa e Melo, inconformado com a resolução do então presidente, que se inclinava pela entrega à Marinha dos helicópteros do porta-aviões Minas Gerais, pediu demissão três semanas depois da posse, sendo substituído pelo brigadeiro Eduardo Gomes.

Na Marinha, por sua vez, a crise se reabriria de forma inquietante, levando o ministro Ernesto de Melo Batista a formalizar junto ao presidente Castelo Branco a impossibilidade de convencer seus oficiais de que a ela seria vedada “a posse e o emprego de meios aéreos próprios para operações no mar”. A declaração desagradou ao presidente e levou Melo Batista a exonerar-se, sendo substituído por Paulo Bosísio no dia 14 de janeiro de 1965, data em que este deixou a CGI. Com a cooperação dos ministros das duas armas foi possível resolver definitivamente o problema: em maio do mesmo ano, o presidente Castelo Branco sancionou lei, datada do dia 21, determinando que caberia à Aeronáutica o provimento do pessoal para a aviação embarcada.

Ainda como ministro da Marinha, Bosísio cuidou da assistência médica, social e cultural do pessoal, pôs em execução o plano-diretor da Marinha, reiniciou a construção de navios de guerra por estaleiros particulares nacionais, utilizando material e mão-de-obra também nacionais, e participou, juntamente com os demais ministros militares e o ministro da Justiça, Juraci Magalhães, do debate para a promulgação de um novo ato institucional que já vinha sendo elaborado há algum tempo. Editado em 27 de outubro de 1965 como decorrência imediata da crise surgida com a eleição de oposicionistas para os governos do então estado da Guanabara e de Minas Gerais, o Ato Institucional nº 2 (AI-2) reabriu o processo de punições extralegais de adversários do regime, cujo julgamento transferiu para a Justiça Militar, extinguiu os partidos políticos existentes e reinstaurou eleições indiretas para a presidência da República, impondo ainda limitações ao Poder Legislativo em benefício do Executivo.

Em 14 de novembro de 1965 Bosísio apresentou seu pedido de exoneração ao presidente Castelo Branco, transmitindo o cargo ao almirante Zilmar Araripe Macedo no dia 17. Convidado pelo próprio presidente a filiar-se ao novo partido governista, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), criado após a implantação do bipartidarismo, recusou por não se sentir “qualificado para tal atividade”. Em junho de 1976 compareceu à solenidade de encerramento das atividades do cruzador Tamandaré, ocasião em que recebeu, juntamente com outros 14 ex-comandantes brasileiros do velho navio de guerra, uma placa feita com pedaços do casco daquele cruzador.

Sócio do Instituto Técnico Clube Naval, Bosísio foi também, ao longo de sua carreira, imediato do aviso Muniz Freire e do cruzador Bahia, comandante do contratorpedeiro Marcílio Dias e da corveta Rio Branco, atuando ainda como chefe do corpo de alunos da Escola Naval e de seu departamento escolar.

Faleceu em São Paulo, no dia 6 de agosto de 1985.

Era casado com Kathe Bosísio, com quem teve um filho.

 

FONTES: ANDRÉA, J. Marinha; CACHAPUZ, P. Cronologia; CORRESP. SERV. DOC. GER. MAR.; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; Histórico; Jornal do Brasil (6/1/66, 29/6/76); VIANA FILHO, L. Governo; Visão (11/3/74).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados