BRAGA, DULCE SALES CUNHA

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Nome: BRAGA, Dulce Sales Cunha
Nome Completo: BRAGA, DULCE SALES CUNHA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BRAGA, Dulce Sales Cunha

* sen. SP 1982.

 

                Dulce Sales Cunha Braga nasceu em São José do Rio Preto (SP) no dia 20 de abril de 1924, filha de Feliciano Sales Cunha e de Maria Paternost Sales. Seu pai foi político atuante na região da Alta Araraquarense (SP).

                Em sua cidade natal, fez os cursos primário e secundário no Grupo Escolar e Colégio Santo André. No ano de 1942, licenciou-se em línguas neolatinas e didática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade Católica de São Paulo. No ano seguinte, tornou-se professora de espanhol nos colégios São José e Santa Inês, nos quais lecionaria até 1948. Entre 1943 e 1950, foi professora assistente de língua e literatura portuguesas e de literatura brasileira na faculdade onde se formou e também lecionou português, espanhol, literatura, redação e estilo nos cursos de jornalismo e biblioteconomia, anexos à Faculdade Sedes Sapientiae.

                Paralelamente ao magistério, desenvolveu atividades culturais e artísticas. De 1943 a 1959, participou de vários concertos de música de câmera e folclórica internacional, destacando-se o realizado, em 1950, no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, onde esteve presente o escritor francês Albert Camus, a convite de Oswald de Andrade. De 1950 a 1955, contratada pela Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura de São Paulo, promoveu cursos de história da música nos principais bairros da cidade.

Nesse período, iniciou sua carreira política, candidatando-se nas eleições de outubro de 1950, a uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo, na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Obtendo apenas uma suplência, exerceu o mandato somente em 1955, ano do término da legislatura. Nesse mesmo ano, começou a atuar na União Cultural Brasil-Estados Unidos, onde organizou cursos de literatura brasileira e sobre a evolução do pensamento contemporâneo e permaneceu até 1960. Ainda nesse período, lecionou latim no Instituto de Educação de Jundiaí (SP), de 1955 a 1960, e espanhol no Colégio Estadual Brasílio Machado, em São Paulo, de 1957 a 1960.

                No pleito de outubro de 1959 elegeu-se vereadora, desta vez, com expressiva votação. Empossada em fevereiro de 1960, conciliou suas atividades na Câmara Municipal com as de rádio e televisão, onde produziu e apresentou diversos programas, destacando-se Literatura brasileira na TV, que permaneceu no ar durante os anos de 1960 e 1961 na TV Excelsior; ABC para você, programa de alfabetização para adultos na Rádio Record, de 1961 a 1963; e O Mundo é das mulheres, na TV Globo, no qual substituiu a apresentadora Hebe Camargo e entrevistava as personalidades masculinas mais marcantes da época. Em 1961, participou do I Congresso Internacional de Rádio e Televisão Educativa, em Roma, além de ter ido à Bélgica e à França, a convite dos governos desses países, para estudar os sistemas educacionais por rádio e televisão. Ainda durante esse mandato, atuou como cronista política do rádio e televisão nos programas diários Crônica da Cidade, da Rádio Record (1963) e Política com p maiúsculo (1963-1964), da TV Tupi, nos quais fazia comentários sobre os problemas que atingiam a população de seu município e criticava o governo de João Goulart, respectivamente.

                Nas eleições de outubro de 1963, elegeu-se mais uma vez à Câmara Municipal com 23.980 votos, tendo sido a candidata à vereadora mais votada em todo o país. No exercício desse mandato, iniciado em fevereiro de 1964, foi uma das articuladoras do movimento Marcha da Família com Deus pela Liberdade que reuniu setores da classe média temerosos do “perigo comunista” e favoráveis à deposição do presidente João Goulart (1961-1964). Realizada no dia 19 de março, a marcha precedeu o movimento político-militar que depôs Goulart, no dia 31 do mesmo mês.

                Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar e se elegeu deputada estadual por São Paulo no pleito de novembro de 1966. Nessa legislatura, na Constituinte de 1967, como única representante feminina da Arena no Legislativo, foi autora da emenda que estabelecia eleições diretas para governador e vice-governador do estado e da que daria origem ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat). Ainda nesse ano, em dezembro, teve como resultado de suas contribuições, como parlamentar, junto ao Ministério da Educação, a criação por lei, do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) e do Projeto Minerva, em 1970, programa educativo levado ao ar em cadeia nacional, após a Hora do Brasil. Em viagem aos Estados Unidos, em 1968, a convite do Departamento de Estado, como parte do programa International Visitor Program, estudou os métodos educacionais americanos em escolas, rádio e televisão, e assistência social naquele país e em Porto Rico. 

                Nas eleições de novembro de 1970, reelegeu-se deputada estadual, sempre pela Arena, iniciando novo mandato em fevereiro de 1971. Em 1972, fez viagens à Coréia do Sul onde visitou as bases americanas sediadas em Seul e se inteirou das questões referentes à emigração coreana para o Brasil. Nesse mesmo ano, formou-se em direito, pela Universidade Mackenzie, em São Paulo. No período de 1972 a 1974, presidiu a Comissão de Educação, lutando pela melhoria dos vencimentos dos professores e por outros direitos do magistério. De 1974 a 1976, foi vice-líder do governo na tribuna. Reelegendo-se no pleito de novembro de 1974, no ano seguinte, participou da Conferência Interamericana para a Liberdade e Segurança que congregou setores conservadores das Américas, contrários à política de distensão do secretário de Estado americano, Henry Kissinger. Na ocasião, pronunciou discurso intitulado “Subversão, como guerra política nas Américas”. Tendo sido o único representante da bancada da Arena na mesa do Legislativo paulista no biênio 1976-1977, neste último ano foi tesoureira do diretório regional desta legenda, tendo sido a primeira mulher a ocupar esse cargo na comissão executiva.

                Em 1º de setembro de 1978, foi eleita indiretamente, pelo colégio eleitoral paulista, segunda suplente de Amaral Furlan, da Arena, para o Senado, pelo estado de São Paulo. Com a reformulação partidária e a extinção do bipartidarismo em novembro do ano seguinte, vinculou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação sucessora da Arena. Em junho de 1982, devido ao afastamento de Amaral Furlan por licença, ocupou sua vaga, durante quatro meses, sendo a primeira senadora paulista. No discurso de posse, destacou como principais problemas do estado os relacionados à educação; defendeu a criação do Ministério da Mulher e da Família; manifestou-se contra as eleições diretas para presidente, sob a alegação de despreparo do povo; e considerou desnecessária uma Constituinte, citando a de 1967 como a melhor delas. Definindo-se como “anticomunista ferrenha, conservadora, católica praticante”, prometeu levar ao Senado a cruzada contra a pornografia e propôs a instauração de uma “democracia responsável”. 

                No final da década de 1980, desligou-se do PDS, filiando-se ao Partido Liberal (PL) em outubro de 1989. Em 1997, deixou essa legenda e ingressou no Partido da Frente Liberal (PFL). Afastada da vida política, passou a administrar seus bens, retomando também suas atividades de escritora, conferencista e cantora em três corais de São Paulo.

                Foi membro da Academia Cristã de Letras, da Federação dos Museus, da Associação dos Jornalistas e Escritores do Brasil, da União Cívica Feminina, da Associação Cristã Feminina, do Conselho da Mulher Empresária da Associação Comercial de São Paulo e da Associação das Mulheres de Negócio e Profissionais de São Paulo.

                Publicou, como escritora e educadora, várias obras, entre as quais Autores contemporâneos brasileiros (1951); A forma poética de Camões a Guilherme de Almeida; Conceito de autoridade; Gramática - índice da língua portuguesa; e Gramática - índice da língua inglesa; Ser feliz (1996), também traduzido para o inglês em 1998 com o título Be happy; Paulo Setúbal - vida e obra (1998) e Preces Líricas (1998). Além das publicações, gravou um compact-disc para a Chantecler, denominado Personalidade (1967) no qual interpretou músicas populares de autoria de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Morais, e composições francesas.

                Foi casada com Antônio Roberto Alves Braga, já falecido, que foi da direção do PL.

 

Verônica Veloso/Marcelo Costa

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de São Paulo (25/6/82); Folha de São Paulo (4/7/82); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (30/6/82).

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