BRANDAO, CARLOS

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Nome: BRANDÃO, Carlos
Nome Completo: BRANDAO, CARLOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BRANDÃO, CARLOS

BRANDÃO, Carlos

*pres. Bco. Central 1979.

 

Carlos Brandão nasceu em Passos (MG), no dia 17 de dezembro de 1928, filho de Antônio Brandão Filho, fazendeiro do interior de São Paulo, e de Maria José Fonseca Brandão.

Cursou o primeiro e o segundo graus em São Paulo. Concluiu os cursos técnicos de administração e de liderança executiva, ambos no Brasil. Nos Estados Unidos, fez o curso de técnicas de controle monetário e estudou técnicas de elaboração e execução orçamentária na Dinamarca, Bélgica e França.

Aos 18 anos foi para o Rio de Janeiro e trabalhou, por apenas 15 dias, no Banco Hipotecário Agrícola. De volta a São Paulo, foi contratado como investigador de cadastro do Banco Itaú. Aprovado em concurso do Banco do Brasil, começou a trabalhar na instituição em 1953 e no ano seguinte tornou-se assessor da diretoria da Carteira de Comércio Exterior (Cacex), cargo que ocupou durante dois anos. Em 1957 foi designado secretário-geral da Comissão Executiva do Plano de Recuperação Econômico-Rural da Lavoura Cacaueira (Ceplac), tendo criado, organizado e instalado o Centro de Pesquisa do Cacau, o Departamento de Extensão, o Departamento de Crédito e Investimento na Infra-Estrutura, o Departamento Administrativo e a Escola Média de Agricultura da Região Cacaueira.

À frente da Ceplac, coordenou o grupo de trabalho do Conselho Nacional de Comércio Exterior, que elaborou resolução sobre o sistema de padronização, classificação e inspeção sanitária para produtos destinados à exportação. Como delegado do Brasil, participou de conferências internacionais sobre a economia da lavoura cacaueira, promovidas pela UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development), em Genebra, Suíça, entre 1967 e 1968. Também como representante do Brasil, esteve presente à II Conferência da Aliança dos Países Produtores de Cacau, realizada em Salvador, e a encontros internacionais promovidos pela Organização para a Alimentação e a Agricultura (Food and Agriculture Organization — FAO), que resultaram na elaboração do Acordo Internacional do Cacau. Em 1969, após 12 anos, deixou a direção da Ceplac, sendo substituído por José Haroldo Castro Vieira.

Em março daquele ano, aceitou o convite do presidente do Banco Central, Ernani Galveias, para assumir a gerência da dívida pública da instituição. Pouco depois de tomar posse, deu início à implementação, organização e regulamentação da operação financeira denominada open market, com o objetivo de fortalecer o mercado de títulos públicos e cobrir o déficit do Tesouro Nacional através da constituição de reservas monetárias e da regularização dos meios de pagamento. Elaborou uma emenda à Constituição para permitir o giro da dívida pública e participou da redação de anteprojetos que resultaram em leis que criaram as letras do Tesouro Nacional e disciplinaram a negociação da dívida pública mobiliária da União, o endividamento dos estados e a negociação de títulos do Tesouro Nacional.

Em 1972, fez o curso de regulamentação e fiscalização do mercado de capitais, no Practising Law Institute, nos Estados Unidos, e no ano seguinte representou o Banco Central na Reunião Anual da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban), realizada em Bariloche, Argentina.

Incorporou-se, em março de 1974, à diretoria do Banco do Brasil, 3ª região, que abrangia os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em abril do ano seguinte, participou da organização e instalação da diretoria financeira, na qual trabalhou como responsável pela implantação e administração do planejamento geral e do orçamento do banco. Para executar essa tarefa, criou a gerência financeira e os departamentos de planejamento e controle orçamentário e de estatística. Durante sua gestão instituiu os sistemas de informações gerenciais, de controle e de fluxo de caixa, e subordinou os departamentos de tesouraria e de contadoria geral à sua diretoria.

Na condição de diretor financeiro, integrou a Comissão Consultiva de Mercado de Capitais, o conselho diretor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), o conselho de administração da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições do Mercado Aberto (ANDIMA), o conselho do Fundo de Incentivo à Pesquisa Técnico-Científica (Fipec) do Banco do Brasil e o conselho consultivo do Programa Nacional de Crédito Educativo — ligado aos ministérios da Fazenda e da Educação e Cultura. Presidiu o colegiado e assumiu a diretoria executiva do Fundo de Democratização do Capital das Empresas (Fundece), criado por decreto.

Representou o Brasil no seminário internacional “Instituições financeiras de fomento na América Latina: desenvolvimento e financiamento de programas e projetos de investimento”, realizado em maio de 1975, em Lima, no Peru. Três anos depois participou de reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mesmo com a expressiva elevação da dívida externa, mantinha-se a opção de crescimento com endividamento, o que, somado ao segundo choque do petróleo que ocorreria no ano seguinte, deixou o país em situação de extrema vulnerabilidade externa. Além desses fatos, o ano de 1979 seria marcado pelo fracasso das políticas de coordenação macroeconômica dos países centrais, onde verificou-se um choque deflacionário. Foi nesse cenário que Brandão assumiu a direção do Banco Central.

Na presidência do Banco Central

Em janeiro de 1979, foi convidado por Carlos Rischbieter, já indicado a ocupar o Ministério da Fazenda, para presidir o Banco Central durante o governo do último presidente da República do regime militar, general João Batista Figueiredo, empossado em março. O nome de Carlos Brandão recebeu o apoio dos dirigentes de instituições financeiras nacionais devido ao seu bom relacionamento com o setor privado e a reputação de técnico eficiente e bom administrador. Em março, ao tomar posse, rejeitou o tabelamento do juro e propôs que o Banco Central restringisse sua atuação ao controle da moeda. No seu entender, não cabia à instituição o papel de banco fomentador da economia. Sugeriu a utilização de taxas de redesconto de liquidez e do open market como forma de garantir uma política monetária eficiente. Defendeu ainda a desregulamentação do sistema financeiro e o fortalecimento do sistema financeiro privado, com o objetivo de assegurar a solidez e a ampliação da poupança interna, de forma a acompanhar o ritmo de desenvolvimento do país.

Como presidente do Banco Central, integrava os conselhos Monetário Nacional, Nacional de Comércio Exterior (Concex), de Política Aduaneira, de Administração do Banco do Brasil e de Governadores do Fundo Africano de Desenvolvimento. Em 1979, participou da Reunião Latino-Americana de Bancos Centrais, em Caracas, Venezuela.

Deixou a presidência do Banco Central em agosto de 1979, sendo substituído por Ernâni Galveias. A defesa intransigente de uma política econômica que controlasse com mais rigor as contas da União e, desse modo, impedisse resultados negativos diante de possíveis crises de liquidez do sistema financeiro internacional, foi um dos principais motivos de sua exoneração. Fez também adversários no governo por sustentar a necessidade de se criar um orçamento fiscal clássico, que cobriria todas as despesas do Tesouro Nacional e dispensaria a elaboração de um orçamento monetário.

Na iniciativa privada

Após deixar a presidência do Banco Central, incorporou-se à diretoria do Banco Econômico. Em março de 1982 assumiu a presidência da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições do Mercado Aberto (ANDIMA). Neste posto, criticou a forma sigilosa como foram encaminhadas as negociações entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI), defendeu a desvinculação da correção monetária do câmbio e advertiu sobre a importância do open market como instrumento regulador do fluxo de recursos internos.

Em 1985 tornou-se membro do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. Integrou os conselhos do IBMEC, de diretores do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS) e de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, foi diretor do Sindicato dos Bancos do Estado do Rio de Janeiro e vice-presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras. Em 1987, como presidente da Associação Promotora de Estudos de Economia (Apec), criticou os empresários brasileiros por se omitirem na elaboração de propostas para municiar os constituintes conservadores na redação dos capítulos da nova Constituição que tratariam da ordem econômica e social. Em virtude dessa omissão, no seu entender, corria-se o risco de assistir à Assembléia Constituinte consolidar um regime político socialista e estatizante.

Em setembro de 1988, afastado o perigo “socialista” que vislumbrava nos trabalhos constituintes, saudou como uma revolução nas finanças públicas a inclusão, na nova Constituição, da proibição ao Banco Central de emitir moeda. Essa medida, associada ao ordenamento das finanças públicas e à redução da presença do Estado na economia, permitiria o controle da inflação.

Nesse mesmo ano foi convidado a assumir a diretoria financeira da ANDIMA, sendo, em seguida, eleito presidente desta entidade por quatro anos. Terminou o mandato mas continuou na ANDIMA ocupando diversas funções.

Em 2005, Carlos Brandão, juntamente com os demais ex-presidentes do Banco Central, participou da cerimônia de 40 anos da instituição no salão Otávio Bulhões, no Rio de Janeiro.

Publicou, entre outras obras, trabalhos referentes à lavoura de cacau, lançados na década de 1960, e mais Mercado monetário de capitais (1970), As operações de mercado aberto na execução da política monetária (1971), O Banco Central e a execução da política monetária do governo (1979), Estrutura funcional do sistema financeiro nacional (1979), O processo inflacionário brasileiro e a política monetária (1979), Perspectivas do comportamento da economia (1982), Um projeto de política econômica (1983), Como assegurar um adequado sistema monetário (1982), A crise mundial e seu ajustamento: reflexos sobre o comércio exterior (1984) e O processo de estatização da economia brasileira (1985).

Gustavo Lopes

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Época (30/3/05); Estado de S. Paulo (16/12/82, 12/4 e 29/5/87); Globo (7/2/82, 4/9/88); Jornal do Brasil (11, 28/1 e 17/3/79, 3/9/88, 9/3/90).

 

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