BRANDAO, EURO

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Nome: BRANDÃO, Euro
Nome Completo: BRANDAO, EURO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BRANDÃO, EURO

BRANDÃO, Euro

*min. Educ. e Cult. 1978-1979.

 

Euro Brandão nasceu em Curitiba no dia de 31 de dezembro de 1924, filho do professor Nilo Brandão e de Noêmia Santos Brandão.

Cursou o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) de 1944 a 1945, alcançando a patente de segundo tenente da reserva, na arma de artilharia. Formado em engenharia pela Universidade do Paraná (UPR) em 1946, dois anos depois ingressou na Rede de Viação Paraná/Santa Catarina como chefe do escritório técnico da empresa. Em 1950 tornou-se professor-assistente da disciplina de grandes estruturas na Faculdade de Engenharia da UPR. Percorreria até o final as duas carreiras, especializando-se em estruturas metálicas, reforços de pontes e em via permanente rodoviária. Ainda em 1950, foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Curitiba, núcleo da futura Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Bacharel em filosofia em 1952 pela UFPR, foi cedido pela rede ao governo paranaense entre 1952 e 1953, para participar dos trabalhos de construção do Centro Cívico de Curitiba. Fez um estágio técnico nos Estados Unidos em 1957. Afastado temporariamente da Rede de Viação em 1963-1964, período em que montou seu próprio escritório de projetos de estruturas, nesse último ano voltou à empresa, da qual se tornou superintendente em 1966-1967. Ainda em 1967, desligou-se da RVPS em caráter definitivo e passou a ser professor da UPR em tempo integral.

Introdutor na UPR do estudo das estruturas metálicas de concreto protendido e da computação eletrônica aplicada à engenharia, foi fundador e primeiro diretor do Centro de Computação Eletrônica da universidade. Em 1970, alcançou a posição de professor titular. Secretário de Transportes entre 1973 e 1974, durante o governo Emílio Gomes (1973-1975), promoveu extenso programa de pavimentação e retomou a construção da Estrada de Ferro Central do Paraná, ligando Ponta Grossa a Apucarana. Essa linha foi concluída logo após sua saída da secretaria, ainda em 1974, para assumir a secretaria geral do Ministério da Educação e Cultura (MEC), em Brasília. Seguindo orientação do titular da pasta, o também paranaense Nei Braga, promoveu a implantação e o fortalecimento de programas voltados para o ensino fundamental e para o ensino médio, bem como deu início à presença do MEC no ensino pré-escolar.

Em março de 1978, Euro Brandão foi indicado pelo ministro Nei Braga para sucedê-lo à frente da pasta. Na época da indicação, era candidato a reitor da UFPR. Confirmada a indicação no MEC, depois que Nei Braga se desincompatibilizou do cargo para concorrer por via indireta ao governo do Paraná, Euro solicitou ao Conselho Universitário da UFPR que o seu nome fosse retirado da lista que seria enviada ao presidente da República, general Ernesto Geisel, a fim de que este escolhesse o reitor.

Assumindo o ministério em maio de 1978, em sua primeira entrevista de repercussão nacional, concedida ao Jornal do Brasil logo depois de sua posse, evitou fazer comentários sobre a situação política do país, esquivando-se de falar sobre um provável encontro nacional de estudantes programado para o segundo semestre daquele ano ou sobre a censura. Dizia-se um “professor universitário desligado dos problemas políticos”. De fato, setores do regime militar defendiam que não fossem indicados políticos de carreira para a pasta da Educação. Afirmou que daria continuidade ao trabalho de seu antecessor. Entre as diretrizes já elaboradas, citou o programa de promoção educativa do menor, o programa de habilitação de professores e o de educação rural, todos em andamento.

Em junho de 1978, Euro Brandão foi favorável às conclusões constantes de um documento secreto apresentado na 27ª Reunião do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras. Divulgado pela imprensa, o documento continha um esboço do quadro geral do ensino superior no país, além de aconselhar a supressão do Decreto nº 477, que proibia a livre associação estudantil. Concluindo que o ensino superior no país era franqueado principalmente às elites e que a grande quantidade de instituições de ensino isolado contribuíra para a queda na qualidade da formação profissional, o documento preconizava profunda reformulação do ensino para que houvesse a adequação das necessidades de mão-de-obra especializada às áreas onde esta fosse solicitada. Concluía o documento que “urgente se faz a necessidade de assegurar aos estudantes condições de livremente se organizarem e expressarem”.

No mês seguinte, Brandão evitou mais uma vez opinar sobre assuntos de natureza política, ao afirmar que não seria necessária a interferência do MEC para que os cientistas banidos ou exilados pelo regime militar retornassem ao país. Mas condenou a tentativa de colocar sob a alçada de seu ministério qualquer atividade relacionada à censura, afirmando que esta deveria haver “dentro dos limites que respeitem a criatividade e integridade do homem”.

Em novembro de 1978, Euro Brandão divulgou um projeto que consistia na criação de um curso intermediário, entre o segundo grau e a universidade, que teria caráter profissionalizante. A origem da idéia do pós-secundário, como foi chamada, estava nos cursos ministrados pelas forças armadas aos suboficiais e sargentos, para que estes pudessem optar por uma especialização, caso viessem a abandonar a carreira militar. Dado o grande número de oficiais das três forças em postos de chefia da administração pública, o projeto do pós-secundário, tipicamente militar, pôde tornar-se viável a ponto de merecer consideração do Conselho Federal de Educação (CFE) e do próprio MEC.

Em janeiro de 1979, prestes a passar o cargo para seu sucessor, em razão do fim do mandato do general Geisel, afirmou que deixava para quem o substituísse a revogação do Decreto nº 477. Em entrevista com o general João Batista Figueiredo, sucessor de Geisel, sugeriu que no novo governo, a ser iniciado em março de 1979, houvesse maior valorização dos professores de todos os níveis e que não se ampliasse o ensino superior com vistas à sua melhoria de qualidade.

Deixou o MEC em março de 1979, sendo sucedido na pasta por Eduardo Portela.

Aposentado como engenheiro ferroviário e como professor titular da UFPR, Euro Brandão retornou a Curitiba para assumir, a convite do governador Nei Braga, a presidência do Banco de Desenvolvimento do Paraná, cargo que ocupou de 1979 a 1984. Retornou em 1983 ao magistério superior, passando a lecionar a disciplina programação de computadores na PUC-PR. Três anos depois, assumiu a reitoria dessa universidade, mantendo-se no cargo por três mandatos consecutivos, até janeiro de 1998.

Faleceu em Curitiba no dia 31 de outubro de 2000.

Casou-se com Aidée Araújo Brandão, com quem teve três filhos.

Publicou A filosofia e missão da Universidade Católica, O século da máquina e a permanência humana, A valorização humana na empresa e Universidade e transcendência, além de diversos artigos em revistas de engenharia.

Rita Soares

 

FONTES: INF. BIOG.; Jornal do Brasil (1/6 e 9/9/78, 4/1/79); Veja (8/3, 2/8, 8/11/78 e 8/11/00).

 

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